segunda-feira, 7 de maio de 2018

Estratégia para conviver com a seca no sertão.

Canindé de São Francisco (04/05/2018) – Era raro ver a água sair das torneiras das casas do assentamento Florestan Fernandes, uma comunidade coberta pela Caatinga, onde vivem 46 famílias, no alto sertão de Sergipe. O pedreiro Fábio Gouveia, 40 anos, mora na pequena vila e conta que, apesar do sistema de encanamentos da região, o abastecimento era escasso, em especial nos longos meses de seca. “Sempre faltava água, a gente já sabe como é”, recorda-se.
A realidade do assentamento começou a mudar com a implantação da Unidade de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad), uma estratégia do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para conter a desertificação e reduzir a vulnerabilidade climática no semiárido brasileiro. Com a iniciativa, uma cisterna que armazena 16 mil litros de água da chuva foi instalada no quintal de Fábio. “É o suficiente para beber, escovar os dentes e cozinhar”, enumera.
O reservatório construído na casa de Fábio é apenas uma das várias soluções levadas pela Urad, que começou a ser implantada em Sergipe e, em breve, chegará a outros estados do semiárido. Em cada unidade, são implantadas ações ambientais, sociais e produtivas. Além das cisternas, as intervenções incluem cordões de pedras para conter a erosão, barragens para evitar o assoreamento e técnicas de conservação do solo e produção agrícola.
NASCENTES
A água desapareceu em uma vala coberta por terra onde passava um córrego na Serra da Guia, um território quilombola próximo à divisa de Sergipe com a Bahia. Dona Zefa da Guia, 73, é uma liderança local e relembra os tempos de abundância. “A gente ficava aqui lavando roupa a vida toda”, descreve. “Esse riacho já ouviu muita história, briga de mulher, enciumando os maridos”, ela ri, enquanto aponta para as pedras antes usadas para esfregar e quarar as roupas.
Dona Zefa da Guia, liderança no território quilombola
Da nascente assoreada, a água está voltando a brotar. Os trabalhos da Urad começam a retirar a lama que soterrou o antigo poço e a encher de esperança os moradores da Serra da Guia. Com a conclusão das atividades, as pedras que Dona Zefa chama de lavadores serão novamente banhadas e o antigo riacho renascerá na comunidade. “Vai limpar isso tudo e vai sair, mais uma vez, aquela água limpinha, branquinha. Parece água de coco”, compara.
O assentamento Florestan Fernandes já experimentou o gostinho de ver a água jorrar. Engajados por meio da Urad, os moradores fizeram um mutirão e retiraram 8 toneladas de barro que entupia uma nascente na região. A iniciativa trouxe, de volta, um poço de 2,5 metros de profundidade, do qual minam 145 litros de água por hora. “Vamos encaná-la para o consumo animal”, adianta o agricultor Geodino Cassiano, 41, conhecido como Jau. “A água vai voltar a ser doce para a gente beber”, completa.
Recuperação de nascentes em Sergipe
BARRAGENS
A nascente revitalizada em Florestan Fernandes marca o início de um caminho seco de terra, que só enche quando chove no sertão, no chamado inverno nordestino. É nessa época que a água corre por ali até chegar ao São Francisco. Para evitar que a correnteza leve sedimentos prejudiciais ao Velho Chico, os moradores aproveitaram o período de estiagem e construíram 17 barragens capazes de impedir que o barro chegue ao rio.
As margens do córrego que só aparece na chuva estão repletas de umbuzeiros, angicos, barrigudas e mororós. As espécies típicas da Caatinga foram plantadas pelos moradores para a conservação do solo. O agricultor Jau completou a ornamentação com mandacarus e xique-xiques. “A comunidade é bem envolvida, sempre presente. Estamos pretendendo reflorestar dentro dos lotes”, planeja Antônio Hungria, 60, morador da região.
As barragens se juntam a extensos cordões de pedra no assentamento Modelo, também no sertão sergipano. As intervenções impedem as chamadas voçorocas – erosões que degradam o solo, retiram os nutrientes e dificultam as plantações. “A primeira já segurou bem os sedimentos”, explica Egídio dos Santos, da organização não-governamental que executa as intervenções na região. “O projeto é muito rico na disseminação da informação e a comunidade aprovou.”
PRODUÇÃO
Os sistemas produtivos são estimulados de acordo com a vocação de cada comunidade. Nos assentamentos, estão sendo preparados terrenos para plantações de frutos e hortaliças e de palma, um cacto que alimenta o gado. Os cultivos ocorrerão em áreas de incentivo à Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). “Vamos passar de comprador para vendedor”, comemora Pedro França, presidente da associação de moradores de Florestan Fernandes.
Os galhos retirados das catingueiras desses locais são usados como lenha para os fogões ecológicos construídos por meio da Urad. Feitos em alvenaria, eles diminuem o consumo de madeira e não geram fuligem, além de distribuir eficientemente o calor entre as três bocas, a grelha e o forno. A dona de casa Josefa Gouveia, 58, destaca, também, a economia para a família. Segundo ela, com o fogão, foi possível deixar de gastar R$ 85 todos os meses com botijões de gás.
Fogões ecológicos construídos por meio da estratégia Urad
O envolvimento comunitário é fundamental para os avanços da Urad. “Os módulos produtivos são escolhidos pelas comunidades”, exemplifica a diretor de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA, Valdemar Rodrigues. Para fomentar a replicação da estratégia, a iniciativa foi divulgada para prefeituras locais em evento comemorativo ao Dia da Caatinga, realizado no fim de abril, na unidade de conservação estadual Grota do Angico, em Poço Redondo (SE).
SAIBA MAIS
Aproximadamente 15% do território nacional e 37 milhões de brasileiros são afetados pela desertificação. A área de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados abrange 1.492 municípios em nove estados do Nordeste e em partes de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Com foco na recuperação dessas áreas, o MMA desenvolveu a estratégia Urad, por meio dada neutralidade da degradação da terra (LDN) e da implementação de tecnologias de adaptação. Além de Sergipe, serão implementadas unidades na Bahia, Maranhão e Piauí. Também estão previstas outras Urad na bacia do Rio Parnaíba.
Fonte: MMA

domingo, 6 de maio de 2018

O perigo que ronda a produção sustentável do açaí no norte do país.

Quem me acompanha aqui neste blog já leu várias vezes sobre o Arquipelago do Bailique, um espaço lindíssimo que fica no topo do Brasil, faz fronteira com a Guiana Francesa. São oito ilhas, 50 comunidades, cerca de onze mil habitantes que recentemente acabaram de realizar o primeiro Protocolo Comunitário.  Acompanhei grande parte do processo de realização do Protocolo, sob a batuta de Rubens Gomes, então presidente do Grupo de Trabalho Amazônico.  Foi trabalhoso, mas valeu a pena.
O Protocolo é hoje, para a comunidade do Bailique, uma espécie de ferramenta para a gestão daquele território tão rico em bens naturais quanto distante de políticas públicas que os beneficiem. Apesar de serem cidadãos e pagarem impostos, os bailiquenses precisam lidar com muitas precariedades. Para se ter uma ideia, quando estive lá,  há três anos, não era raro as comunidades ficarem sem luz por dias seguidos.
Rubens Gomes, ex-presidente do GTA e sempre organizador e coordenador do processo de realização do Protocolo, postou em sua rede social uma notícia que me fez procurá-lo para a entrevista que vocês vão ler abaixo. Era um lamento, um alerta, dando conta de que o extrativismo sustentável do açaí no Bailique, uma das grandes vitórias conseguidas pela união das pessoas e pelo trabalho do Protocolo, está correndo perigo.
Vale a pena contar para vocês o que é o extrativismo do açaí. O fruto nasce numa palmeira, árvore que tem preferência por crescer perto de água. Para extraí-lo é preciso ter uma perícia que só quem nasce e é criado perto de açaizeiros consegue ter. Com uma corda enrolada nos pés, a pessoa vai subindo, escalando a árvore, que é muito fina. Lá em cima, pega o galho de frutos com uma faca e desce com eles. Nesse caminho, porém, tudo pode acontecer: da existência de bichos peçonhentos até a envergadura da haste, são muitos os perigos.
O extrativismo sustentável, porém, evita alguns desses perigos. O trabalhador passa a usar ferramentas adequadas, a proteger o corpo dos perigos. E, mais do que isso: a altura das árvores é acompanhada. Não se deve deixar um pé de açaí ter mais de dez metros porque os frutos não são bons e porque é difícil extraí-los.
Ocorre que todo este trabalho tem um preço. E os pequenos produtores de açaí do Bailique, depois de muitas reuniões e estudos, agora sabem muito bem o valor que têm. Não querem mais vender o produto de seu trabalho para atravessadores, que vão repassá-lo para empresas que vão cobrar o dobro dos consumidores. Agora eles querem queimar essa etapa e passar direto a vender para quem vai usufruir dos benefícios do açaí. Mas não é nada fácil. Há uma barreira sendo montada para impedir isso, como conta Rubem Gomes. Leia abaixo:

Explica melhor o que é o manejo sustentável do açaí e o motivo que levou os moradores do Bailique a buscar esta forma de produção.
Rubens Gomes – O primeiro passo foi dado quando decidimos cuidar da floresta, conhecê-la mais e  mantê-la em pé, produtiva. Foi uma escolha sábia. Tempos atrás, para suprir o que o mercado ilegal do palmito exigia, fazia-se  o abate da árvore, e na sequência ficava sem nada. O produtor tinha que esperar um novo ciclo de crescimento, o que acabou quase dizimando os açaizais. Eles começaram a perceber este perigo. Eu ainda era conselheiro do GTA quando começamos a elaborar um projeto de certificação sócio-participativa que tinha como objetivo a valoração socioambiental , colocando também a questão de gênero, de trabalho infantil, porque não é só o meio ambiente.
Deu resultado imediato?
Rubens Gomes – Sim, a priori deu. Fizemos treinamentos com aqueles que trabalham recolhendo o fruto, compramos equipamentos de segurança para eles, melhoramos a assepsia do local onde o fruto era retirado do galho. Com a adoção dessas novas práticas ninguém mais punha o fruto junto de porcos nem de combustível, por exemplo. Quando iniciamos o Protocolo Comunitário, esse desenvolvimento foi ampliado e, em 2015, fizemos um treinamento para 136 famílias de produtores de açaí. E fomos a campo para trabalhar essas boas práticas, introduzindo novos conceitos. Porque o pé de açaí muito denso e muito alto é perigoso e de baixa produção. Tem um estudo da Embrapa que diz que cada touceira (conjunto de pés de açaí) deve ter apenas 4 ou 5 árvores que não podem ficar muito altas.
Qual o tamanho ideal?
Rubens Gomes – Se deixar ficar com dez, 15 metros, é perigoso. Temos um colega nosso que caiu de uma árvore de dez metros e enfiou a perna inteira na lama. Eles correm muito risco se não estiverem bem equipados.
Essas iniciativas de proteção ao homem e à produção vai dando mais qualidade ao açaí?
Rubens Gomes – Sem dúvida! A floresta passa a produzir mais e melhor.
Então onde está a questão?
Rubens Gomes – Quando esse produto melhor, top de linha, chega ao mercado, começa a sentir a barreira construída em torno dele. Em primeiro lugar,  não se tem uma política pública de fomento que possibilite ao estado dar força para o pequeno agricultor. O que acontece é que eles ficam sendo servidos pelos grupos tradicionais, os atravessadores. E são estes que determinam o preço do produto. Os compradores das indústrias de fora chegam com muito dinheiro e pagam para os compradores locais, determinando assim o preço do produto desse trabalhador. É essa a prática. Os grupos que chegam tentando furar esse bloqueio, como os bailiquenses, são excluídos. Os atravessadores de açaí do Ver-o-peso (mercado municipal de Belém do Pará), por exemplo, não permitiram que a nossa cooperativa vendesse direto aos compradores alegando que era de produção comunitária.
E  a diferença de preço que eles querem pagar a menos para os pequenos produtores é muito alta?
Rubens Gomes – Hoje chega a quase 40%. Esta é a grande dificuldade das organizações comunitárias, o grande empecilho para elas se libertarem disso. Tem que ter estratégia, atores externos, o envolvimento da comunidade precisa ser intenso, aliado às boas práticas, para se chegar ao desenvolvimento sustentável.
Onde é que os consumidores que querem ajudar podem encontrar esses produtos?
Rubens Gomes – No caso do Bailique, a comunidade em assembleia decidiu criar um entreposto em Macapá. A loja está sendo montada, é um açaí certificado que será vendido diretamente para as batedeiras de açaí. Mas vamos melhorar isso ainda mais e pretendemos criar formas de vender a polpa do açaí para o Brasil todo. Cada 5% de cada lata vendida vão para a escola família que já está sendo erguida no Bailique. É a responsabilidade das famílias da cooperativa com os moradores do Bailique. São 95 produtores certificados e, até agora, 59 já se associaram à cooperativa.
A sensação que tenho é que toda essa participação, iniciativa tão positiva, é resultado das reuniões (muitas das quais eu assisti), que eles fizeram para estruturar o Protocolo Comunitária. Estou certa na percepção?
Rubens Gomes – Sim! O Protocolo Comunitário é o berço dessas iniciativas. Deu tão certo que nosso financiador está apoiando a Oela (Oficina Escola de Lutheria)para fazer o Protocolo em outros lugares. O próximo será em Macacuari, comunidade que fica a três horas de Macapá. Eles lá já estão num processo bem interessante: criaram uma escola família agroecológica que é dirigida pelos jovens de comunidades que estudaram em escolas-família. Não tem conflito com ninguém, não tem disputa religiosa ou partidária: é só ter desejo de ser responsável pelo lugar onde se vive.
Fonte: Amelia Gonzalez, G1

sábado, 5 de maio de 2018

População de golfinhos diminui abruptamente na bacia do rio Amazonas.

Um boto-cor-de-rosa espera para ser alimentado por moradores ribeirinhos na região do Rio Negro em Manaus, no Amazonas (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)
A população de golfinhos de água doce na bacia do rio Amazonasestá diminuindo a um ritmo preocupante: o número desses mamíferos aquáticos é reduzido pela metade a cada década.
Esses dados foram divulgados nesta quarta-feira (2) por um estudo publicado na revista especializada “PLOS ONE”. O levantamento mostra que duas espécies, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis), estão em forte declive.
Para avaliar o estado desses golfinhos de água doce, a ecóloga Vera da Silva e seus colegas analisaram os dados de espécies anotados durante 22 anos, desde 1994 até 2017, na Reserva Mamirauá, no Amazonas.
A análise revelou que a quantidade de botos-cor-de-rosa e tucuxis está caindo rapidamente. No ritmo atual, a população dos primeiros cai pela metade a cada dez anos, e o mesmo ocorre a cada nove anos com os tucuxis.
Tucuxi adulto no Parque Nacional da Amazônia, no Peru (Foto: Michael Nolan/Robert Harding Premium/robertharding/AFP/Arquivo)
Essas taxas de diminuição, atribuídas principalmente ao desenvolvimento da caça de golfinhos desde o começo do milênio, estão entre as mais graves já vividas pelos cetáceos desde os primeiros anos da caça moderna de baleias, segundo os autores do estudo.
Vera da Silva pediu que essas espécies sejam classificadas como espécies “em perigo crítico” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
Fonte: EFE

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cepam criará PAN de peixes ameaçados da Amazônia.

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (Cepam), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realizou entre os dias 17 e 19 de abril, em Manaus, a Oficina Preparatória do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Peixes Ameaçados da Amazônia. Esse será o primeiro PAN voltado exclusivamente aos peixes ameaçados da Amazônia. Segundo o Cepam, a bacia amazônica ocupa uma área superior a 5 milhões km², onde 85 espécies de peixes ósseos encontram-se ameaçados de extinção, sendo que 37 delas ainda não possuem Planos de Ação.
A reunião preparatória é o primeiro passo para planejar as oficinas que devem ser realizadas para elaboração participativa do PAN. Neste primeiro encontro, já foi elaborada uma lista de espécies a ser contempladas no PAN, que, abrigará também duas espécies de raias e um lagarto, cujas ameaçadas são comuns aos peixes ameaçados. Nesta lista também aparece o Hypancistrus zebra (foto), que uma espécie de peixe endêmica do Brasil e ocorre na região da Volta Grande do Rio Xingu, no Pará. Sua principal ameaça até 2004 foi a coleta excessiva para o comércio internacional de peixes ornamentais. Atualmente, entretanto, está relacionada à construção da usina hidrelétrica (UHE) Belo Monte, já que sua área de ocorrência (392 km2) está totalmente incluída na área diretamente afetada pela hidrelétrica.
Elaboração de PANs
A elaboração de Planos de Ação Nacionais (PAN) para a conservação de espécies ameaçadas é feita de forma participativa, utilizando metodologia própria da Coordenação de Planos de Ação do ICMBio, que segue as diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Nesta primeira oficina no mês de abril, contou com 19 participantes, incluindo a Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio), com representantes da Coordenação de Estratégias para Conservação e representantes externos, como da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e do Museu Emílio Goeldi.
Segundo o Cepam, na reunião preparatória foram definidos o fio lógico, a lista de participantes e as necessidades logísticas da primeira oficina de elaboração do PAN. A previsão para essa primeira oficina é entre os dias 8 e 11 de outubro de 2018.
Fonte: ICMBio

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Incêndio destrói 464 hectares de parque em Ouro Verde (SP).

Um incêndio iniciado no sábado (28/4) e só totalmente controlado na manhã desta segunda-feira (30) destruiu 464 hectares de matas no interior e na zona de amortecimento do Parque Estadual do Rio do Peixe, em Ouro Verde, no oeste paulista. Com 7.720 hectares, a unidade de conservação abriga raros exemplares, em território paulista, do cervo-do-pantanal, o maior cervídeo sul-americano, considerado em estado vulnerável de ameaça pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A área queimada corresponde a cerca de 500 campos de futebol.
De acordo com a Polícia Militar Ambiental, o fogo teria começado dentro do parque e se estendeu ao entorno, atingindo também plantações de cana-de-açúcar. Funcionários de usinas deram os primeiros combates às chamas que, atiçadas pelo vento, fugiram do controle. As frentes de fogo avançaram pelo interior da unidade e atingiram maciços florestais até então muito preservados.
Como os focos estavam espalhados, a Ambiental mobilizou várias frentes de trabalho com sete caminhões pipas, três tratores e uma carreta-tanque na tentativa de conter o avanço das chamas. O calor e a baixa umidade do ar na região também colaboraram para a propagação do incêndio.Quando o fogo foi considerado debelado, na manhã desta segunda, estavam queimados 296 hectares no interior do parque estadual e 168 hectares na zona de amortecimento, incluindo lavouras de cana. A dificuldade de acesso não permitiu um levantamento da fauna possivelmente afetada pelas chamas.
Registros da Polícia Ambiental indicam que o parque é invadido com frequência por caçadores. Também já houve registros de queimadas de cana em fazendas da região. A Polícia Civil de Ouro Verde vai investigar as causas do incêndio.
O Parque Estadual Rio de Peixe foi criado em 2002 pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) a título de compensação ambiental pela construção da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, no Rio Paraná. A área, que se estende pelos municípios de Ouro Verde, Dracena, Presidente Venceslau e Piquerobi, protege as várzeas do Rio do Peixe, importante afluente do Paraná.
A Fundação Florestal, órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente que administra o local, informou que a área atingida pelo incêndio é composta principalmente por pastagens e vegetação em estágio secundário de regeneração, não tendo sido queimada a área florestal mais densa. As causas e a extensão do incêndio estão sendo apuradas. Conforme a Secretaria, o combate se deu com apoio de brigadas de incêndio de usinas da região, equipadas para fazer frente a esse tipo de ocorrência.
Fonte: Metrópoles

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Proteger as abelhas é dar espaço à natureza

Substâncias neonicotinoides usadas em herbicidas são apontadas como responsáveis por declínio da população de abelhas
O fato de a Comissão Europeia ter banido três inseticidas da classe dos neonicotinoides, provavelmente nocivos a abelhas, é à primeira vista uma boa notícia para o meio ambiente. Abelhas e muitos outros insetos – úteis e prejudiciais aos seres humanos – ficam mais bem protegidos.
Mas o fato de que os inseticidas não poderão ser mais usados ​​não significa necessariamente que as abelhas realmente passarão a ter uma vida melhor. É forte a suspeita de que os agricultores vão passar a recorrer a outros pesticidas, que provavelmente vão usá-los em concentrações mais altas. E é questionável  que essas substâncias sejam realmente mais seguras e melhores para os insetos do que as agora proibidas.
Uma coisa é clara: a agricultura moderna não se sustenta sem herbicidas. As pragas se adaptam muito rapidamente e podem matar colheitas enormes em tempo recorde. E há mais uma verdade incômoda – sobretudo para muitos amigos da agricultura orgânica. Apenas a agricultura industrial pode sustentar a crescente população mundial. Sem uma produção eficiente de alimentos, haverá crises de fome.
Existem soluções para este dilema, mas elas exigem maiores esforços conjuntos de pesquisadores, indústria e agricultura: pesticidas bem seletivos, apenas para pragas muito específicas. O melhor seriam aqueles agentes que já atuam no estágio larval e, assim, evitam que as pragas possam se desenvolver. Ao mesmo tempo, as substâncias não devem atuar sobre organismos benéficos.
Isso é muito mais complicado do que um inseticida de amplo espectro, com o qual é possível se proteger de muitas pragas ao mesmo tempo. Porque cada praga tem de ser reconhecida individualmente, com uma estratégia de combate. Isso requer um alto nível de conhecimento técnico entre os agricultores. Isso custa tempo, dinheiro e, no final, sempre haverá, apesar disso, prejuízos nas colheitas.
Muito mais importante para a preservação da biodiversidade seria algo bem diferente: temos que dar mais espaço à natureza, sobretudo nas áreas onde podemos investir sem arriscar grandes perdas.
Os legisladores devem delimitar faixas verdes ao longo de estradas e caminhos nos campos que não podem ser desmatados. Assim, arbustos, árvores e flores silvestres podem se expandir novamente. Em volume, isso não mudaria muito em relação ao rendimento de um campo industrialmente cultivado, mas seria um grande ganho para a natureza.
E também nas cidades e nos vilarejos de interior podemos fazer muito mais não só pelos insetos, mas também pelos pássaros: por que não damos mais chances ao prado com flores, onde agora existe um gramado bem cortado? Por que cada dente-de-leão precisa ser arrancado? Por que paisagistas criam enormes superfícies mortas de cascalho, nas quais cada suposta erva daninha é imediatamente arrancada ou queimada com o lança-chamas? Por que tudo é tão pavimentado e sem plantas?
Um pouco mais de “desordem” na nossa paisagem não faria mal. E então, abelhas, moscas polinizadoras, borboletas e companhia  também teriam novamente boas oportunidades de desenvolvimento – assim como muitos outros bichos.
Fonte: Deutsche Welle

terça-feira, 1 de maio de 2018

Ibama apreende madeira suficiente para carregar mil caminhões em RR.

Nova frente de desmatamento identificada em Roraima, na região da Terra Indígena Pirititi
Foto: Ibama
O Ibama apreendeu 7.387 toras, o equivalente a cerca de 15 mil metros cúbicos de madeira, extraídas ilegalmente da Terra Indígena (TI) Pirititi, em Roraima. É a maior apreensão registrada no estado.
Durante monitoramento de rotina, realizado a partir de imagens de satélite, agentes ambientais federais verificaram indícios de desmatamento ilegal na região. Sobrevoo realizado em seguida comprovou o corte para exploração de madeira.
As estradas de acesso à TI Pirititi haviam sido bloqueadas por infratores para impedir a aproximação da fiscalização por terra. Os agentes ambientais percorreram 18 quilômetros a pé para chegar ao local do desmatamento, que atingiu 1.372 hectares. Entre as toras apreendidas foram identificadas espécies como massaranduba, cupiúba, angelim ferro e angelim pedra.
“A área desmatada é de extrema sensibilidade ecológica, pois abriga diversas espécies de fauna e flora ainda desconhecidas”, disse chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em Roraima, Diego Bueno. A região da TI Pirititi também apresenta indícios da presença de povos indígenas isolados.
Segundo o coordenador-geral de Fiscalização do Ibama, Renê Oliveira, a nova frente de exploração ilegal de madeira identificada no sul de Roraima foi interrompida a tempo de impedir o avanço e a consolidação do desmatamento. “No primeiro momento, o infrator realiza o corte seletivo. Com isso, ele se capitaliza para a realização do corte raso mais adiante. Ao final, quando o terreno já está completamente desmatado, a área é transformada em pasto”, disse o coordenador-geral.
A equipe de fiscalização investiga os responsáveis pelo roubo de madeira na TI Pirititi. As informações reunidas serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) para apuração no âmbito criminal.
Fonte: Ibama