Derretimento de permafrost ameaça plano de resgate climático, diz estudo.
O metano e o CO2 retidos nos resíduos congelados da Rússia, Canadá e norte da Europa são equivalentes a 15 anos de emissões provocadas pelo homem – AFP
As metas globais que visam afastar o aquecimento planetário descontrolado poderiam ser ultrapassadas antes do esperado, conforme os gases liberados pelo derretimento do permafrost ameaçam minar os esforços humanos para evitar o desastre climático, alertaram especialista.
Sob o atual plano de resgate, delineado no tratado climático de Paris de 2015, os países concordaram em limitar o aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius e, se possível, de 1,5ºC.
Esse curso de ação pressupõe que lidar com os gases de efeito estufa produzidos pelo homem – seja desacelerando suas emissões ou removendo-as da atmosfera – será suficiente para controlar o aquecimento global.
O que os modelos climáticos não permitem são cenários nos quais a Terra começa a contribuir para o problema, mostra uma nova pesquisa.
Uma equipe de especialistas do Instituto Internacional para Análise de Sistemas Aplicados na Áustria (Iiasa) disse nesta segunda-feira que incluiu pela primeira vez as emissões projetadas do derretimento do permafrost nos modelos globais de mudança climática, e os resultados geraram preocupação.
“A liberação de carbono do permafrost é causada pelo aquecimento global e certamente diminuirá o orçamento de CO2 que podemos emitir para permanecer abaixo de um certo nível de aquecimento global”, disse o pesquisador do Iiasa e principal autor do estudo, Thomas Gasser.
Como a dependência dos combustíveis fósseis persiste, os cientistas calcularam que é provável que “excedamos” as metas de temperatura do acordo de Paris no curto ou médio prazo.
Com apenas 1ºC de aquecimento acima dos níveis pré-industriais até agora, o permafrost do mundo já está descongelando, ainda que lentamente.
Mas a taxa desse derretimento certamente acelerará à medida que a Terra continuar a aquecer.
Gasser advertiu que o cenário das metas excedidas deixaria o planeta ainda mais vulnerável às emissões do permafrost e, em um ciclo vicioso, ainda mais aquecido.
Efetivamente, sob alguns modelos considerados no estudo, publicado na revista Nature Geoscience, nós já ultrapassamos a meta de 1,5ºC como resultado das emissões do permafrost.
A ultrapassagem do limite “é uma estratégia arriscada, e voltar aos níveis mais baixos após a ultrapassagem será extremamente difícil”, disse Gasser à AFP.
“Temos que nos preparar para a possibilidade de nunca mais voltarmos a níveis mais seguros de aquecimento”.
– ‘Temperaturas mais altas, maior risco’ –
O metano e o CO2 retidos nos resíduos congelados da Rússia, Canadá e norte da Europa são aproximadamente equivalentes a 15 anos de emissões produzidas pelo homem no nível atual.
O problema com os objetivos de Paris, segundo Gasser, é que eles estabelecem metas de emissões com base na suposição de que a temperatura global e os níveis atmosféricos de CO2 mudam simultaneamente.
Eles, portanto, permitem que os países excedam as metas com a condição de que carbono suficiente possa ser capturado do ar para fazer as temperaturas descerem de novo até o final do século.
Mas o permafrost está sujeito ao que os cientistas chamam de “tipping point” (ponto de ruptura), o que significa que além de um certo limite de temperatura, ele continuará derretendo e liberando gases de efeito estufa, em um ciclo de feedback autoperpetuante, independente da queda dos níveis de emissão.
Os modelos não responderão por esses gases de efeito estufa adicionais, principalmente metano e dióxido de carbono.
“Sem nem mencionar o debate sobre se poderíamos ou não capturar CO2 em uma escala grande o suficiente, há também o risco de que quanto mais alto formos, maior o risco de desencadear algo que não entendemos”, disse Gasser.
Enquanto o mundo luta para frear a poluição provocada pelo carbono que amplifica a probabilidade e intensidade de tempestades, ondas de calor e secas mortais, o estudo desta segunda-feira vai aumentar os temores de que a própria Terra poderia sobrecarregar os esforços para limitar a mudança climática.
Outros possíveis “tipping points” climáticos incluem o derretimento do gelo marinho, que cria água do mar que absorve em vez de refletir a luz do sol, e o desaparecimento das florestas – que levaria à liberação de bilhões de toneladas de carbono quando a biomassa absorvente de CO2 fosse perdida.
Fonte: AFP
O que você precisa saber sobre a Conferência do Clima da ONU na Polônia, a COP24.
Vista aérea do fiorde de gelo de Ilulissat, na Groenlândia. Foto: ONU/Mark Garten
No domingo (2), as Nações Unidas dão início a negociações críticas sobre como responder de forma coletiva e urgente ao aquecimento global. Durante duas semanas, líderes mundiais, pesquisadores, ativistas, representantes do setor privado e de comunidades locais estarão reunidos em Katowice, na Polônia, para a COP24, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Os participantes vão trabalhar em um plano de ação para implementar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, firmado há três anos na capital francesa.
Abaixo está um guia para a COP 24, feito para esclarecer as maiores dúvidas que você pode ter sobre o encontro.
1. O básico: UNFCCC, ONU Meio Ambiente, OMM, IPCC, COP24, Protocolo de Kyoto, Acordo de Paris… Alguém me explica tudo isso?
Estas siglas e nomes de lugares representam ferramentas e termos internacionais que, sob a liderança da ONU, foram criados para ajudar a avançar a ação climática globalmente. Todos eles desempenham funções específicas e diferentes para alcançar a sustentabilidade ambiental. Veja como eles se encaixam:
Em 1992, a ONU organizou um grande evento no Rio de Janeiro, chamado Cúpula da Terra, no qual a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) foi adotada.
Neste tratado, países concordaram em “estabilizar concentrações de gases causadores do efeito estufa na atmosfera”, para impedir a interferência perigosa das atividades humanas no sistema climático. Atualmente, a convenção possui 197 signatários. A cada ano, desde que o tratado entrou em vigor, em 1994, uma “conferência das partes” – uma COP – é realizada para discutir como caminhar rumo a esse propósito. Desde então, foram realizadas 23 COPs e a 24ª será neste ano.
Como a UNFCCC estipulava valores não vinculantes sobre emissões de gases do efeito estufa nem possuía um mecanismo de aplicação, várias “extensões” do tratado foram negociadas durante as COPs, incluindo o famoso Protocolo de Kyoto, em 1997. Esse acordo definiu limites de emissões para países desenvolvidos, que deviam ser alcançados até 2012.
Outro documento foi o Acordo de Paris, adotado em 2015, no qual todos os países do mundo concordaram em aumentar esforços para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima de temperaturas pré-industriais. Os Estados signatários também se comprometeram a impulsionar o financiamento de ações climáticas.
Duas agências apoiam os trabalhos científicos da ONU sobre mudanças climáticas: a ONU Meio Ambiente e a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Juntas, elas estabeleceram em 1988 o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC). O organismo é formado por centenas de especialistas, que se dedicam a analisar dados e fornecer evidências científicas confiáveis para negociações sobre as mudanças climáticas, incluindo as que serão feitas em Katowice.
2. A ONU parece estar fazendo várias conferências e cúpulas sobre esta questão… Elas são frutíferas?
Estes encontros têm sido vitais para encontrar um consenso sobre uma questão que exige uma solução global. Embora avanços tenham sido mais lentos que o necessário, o processo – que tem sido tão desafiador quanto ambicioso – conseguiu unir todos os países, em meio a circunstâncias muito diferentes. Progresso tem sido verificado a cada passo do caminho. Algumas das ações concretas adotadas até agora provam uma coisa: ações climáticas têm um impacto positivo real e podem realmente ajudar a impedir o pior.
Entre conquistas notáveis já alcançadas, estão:
Ao menos 57 países conseguiram diminuir suas emissões de gases do efeito estufa aos níveis exigidos para conter o aquecimento global.
Existem ao menos 51 iniciativas de “precificação do carbono”, para cobrar aqueles que emitem dióxido de carbono por cada tonelada emitida.
Em 2015, 18 países de alta renda se comprometeram a doar 100 bilhões de dólares ao ano para ações climáticas em países em desenvolvimento. Até o momento, mais de 70 bilhões de dólares foram mobilizados.
3. Por que todos estão falando sobre o Acordo de Paris?
O documento de Paris — que fornece ao mundo a única opção viável para responder às mudanças climáticas — foi ratificado por 184 partes e entrou em vigor em novembro de 2016.
Os compromissos contidos no acordo são significativos:
Limitar o aumento da temperatura média global para menos de 2°C e buscar esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C.
Intensificar o financiamentos das ações climáticas, incluindo a meta de 100 bilhões de dólares ao ano de países doadores para países de menor renda.
Desenvolver planos climáticos nacionais até 2020, incluindo metas e objetivos autodeterminados.
Proteger ecossistemas benéficos que absorvem gases causadores do efeito estufa, incluindo florestas.
Fortalecer a resiliência e reduzir a vulnerabilidade climáticas.
Finalizar um programa de trabalho para implementar o acordo em 2018.
Os Estados Unidos, que aderiram ao acordo em 2016, anunciaram em julho de 2017 a intenção de abandoná-lo. No entanto, o país permanece parte do acordo até pelo menos novembro de 2020, que é o prazo mais cedo para deixar o tratado legalmente.
4. Por que o teto de 1,5°C é uma linha crítica?
De acordo com o mais recente relatório científico do IPCC, conter o aquecimento global a 1,5°C, acima de níveis pré-industriais, irá ajudar a protelar danos devastadores e permanentes ao planeta e seus habitantes. Essas consequências incluem: a perda irreversível de habitat para animais do Ártico e da Antártida; maior número de casos frequentes de mortes por calor extremo; escassez de água, podendo afetar mais de 300 milhões de pessoas; desaparecimento de recifes de corais que são essenciais para comunidades inteiras e para a vida marinha; aumento do nível do mar, o que ameaça o futuro e a economia de ilhas inteiras.
A ONU estima que as mudanças climáticas afetariam 420 milhões de pessoas a menos se conseguirmos manter um aumento de 1,5°C, em de 2°C.
Ainda estamos longe de alcançar um futuro neutro em carbono, com um total líquido de zero emissões de CO2, e a necessidade de seguir em frente é maior do que nunca. Os dados nos mostram que ainda é possível limitar as mudanças climáticas para 1,5°C, mas a janela de oportunidade está se fechando e irá exigir mudanças sem precedentes em todos os aspectos da sociedade.
5. Por que a COP24 é tão importante?
A COP deste ano em Katowice, na Polônia, é especialmente importante porque 2018 é o prazo com que os signatários do Acordo de Paris concordaram para adotar um programa de trabalho capaz de implementar os compromissos do tratado. Isto exige o ingrediente mais importante e único: confiança entre todos os países.
Entre as muitas outras questões que precisam ser resolvidas, está o financiamento de ações climáticas em todo o mundo. O mundo não pode perder mais tempo: precisamos concordar coletivamente com um caminho corajoso, ambicioso e decisivo para seguir em frente.
6. Quais evidências serão usadas para as negociações na COP24?
As discussões terão base em evidências científicas coletadas ao longo dos anos e analisadas por especialistas. Serão usados principalmente os relatórios a seguir:
O relatório Especial do IPCC sobre o Aquecimento Global a 1,5°C
O relatório sobre a Lacuna de Emissões 2018, da ONU Meio Ambiente
O boletim 2018 sobre concentração de gases causadores do efeito estufa, da OMS
A análise 2018 sobre a camada de ozônio, da OMM e ONU Meio Ambiente
7. Como você pode acompanhar as discussões na COP24? Existem muitas maneiras para acompanhar os acontecimentos:
Acompanhar a página especial sobre a COP24 em português do serviço de notícias da ONU
Se inscrever no newsletter sobre Mudança Climática para receber destaques diários do serviço de notícias da ONU direto da Polônia (em português).
Acompanhar as publicações da ONU Brasil sobre a conferência para ver as notícias da COP24.
Seguir a hashtag #ClimateAction no Twitter;
8. Como você pode participar da discussão e fazer a sua parte?
Você pode seguir a ferramenta Climate Action ActNow.bot, na página do Facebook das Nações Unidas . A iniciativa vai recomendar ações diárias para salvar o planeta e contabilizar o número de ações realizadas, para medir o impacto que movimentos coletivos podem ter.
Ao compartilhar seus esforços de ações climáticas nas redes sociais, você pode encorajar mais pessoas a fazerem o mesmo.
Além disso, a iniciativa People’s Seat, lançada pelo secretariado da UNFCCC, garante que você contribua diretamente com as conversas na COP24.
9. Por que a ONU também está planejando uma Cúpula sobre Mudanças Climáticas para 2019?
Para fortalecer as ambições e ações climáticas a partir dos resultados da COP24, o secretário-geral da ONU, António Guterres, está convocando uma Cúpula sobre Mudanças Climáticas para setembro do ano que vem. Marcado antes do prazo de 2020 para países finalizarem seus planos climáticos nacionais, o encontro tem o objetivo de focar em iniciativas práticas para limitar emissões.
A cúpula vai se concentrar em ações em seis áreas: transição para energia renovável; financiamento de ações climáticas e precificação de carbono; redução de emissões das indústrias; uso da natureza como uma solução; cidades sustentáveis e ações locais; e resiliência.
Fonte: ONU
sábado, 1 de dezembro de 2018
Guarujá recebe em janeiro campanha de conscientização sobre coleta de óleo de cozinha usado.
A ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) coordena em janeiro a “Campanha Óleo Sustentável no Verão”, em Guarujá. Em parceria com as empresas de alimentos ADM, Bunge, Cargill, Imcopa e Louis Dreyfus, a cidade ganhará mais sete pontos de recolhimento de óleo de cozinha e contará com promotores que promoverão atividades de educação ambiental.
Para Cindy Moreira, coordenadora de sustentabilidade da ABIOVE, nessa época a cidade triplica sua população em razão do turismo e, com isso, o uso de óleo comestível aumenta. “É preciso informar sobre as consequências negativas que o descarte incorreto de óleo pode trazer para a cidade e o meio ambiente. O intuito é preservar a natureza e fazer dessa ação um hábito da população”, explica.
Os promotores estarão em todos os fins de semana de janeiro na praia da Enseada, das 10h às 16h, e em redes de supermercados da cidade. Serão distribuídos funis para facilitar a separação do resíduo nas residências, cartilhas de educação ambiental para as crianças, sacolas biodegradáveis contendo informações dos pontos de entrega de óleo, além das abordagens para levar informação a turistas e moradores de Guarujá.
Cindy relata que a iniciativa da campanha surgiu da Secretaria de Meio Ambiente do Guarujá – Semam, com apoio da prefeitura, e foi muito bem recebida pelo setor produtivo. “Essa ação é pioneira e inaugura os projetos setoriais no âmbito do Óleo Sustentável. Queremos ampliar a ação nesse formato de parceria público-privada e contribuir para aumentar a conscientização ambiental e o volume de óleo coletado no estado”, afirma.
Para completar a campanha, a entidade lança o novo portal do Óleo Sustentável (http://www.oleosustentavel.org.br/), que conta com as ações de educação ambiental das empresas participantes da iniciativa, além da localização dos pontos de entrega voluntário no estado, curiosidades e vídeos educativos.
Para colaborar com o projeto, confira os supermercados com pontos de entrega do produto:Krill Caiçara (Avenida dos Caiçaras)
Krill Guarujá (Avenida Presidente Tancredo Neves nº 100)
Kril Vicente (Via Santos Dumont nº 1.503)
Roldão (Rua Valdomiro Macário nº 59)
Vencedor Atacadista (Avenida Adhemar de Barros nº 1.660)
Utqiaġvik, o povoado que só voltará a ver a luz do sol em 23 de janeiro.
Os pouco mais de 4 mil moradores de Utqiaġvik vão passar cerca de dois meses sem ver o sol
Os moradores de Utqiaġvik vão passar os próximos dois meses quase totalmente na escuridão.
Os habitantes desta pequena cidade no Alasca – o Estado dos Estados Unidos mais ao norte – já estão acostumados a longas noites sem ver a luz do dia.
No domingo, seus pouco mais de 4 mil habitantes viram o último pôr do sol do ano.
A próxima oportunidade para ver a luz do dia será no dia 23 de janeiro de 2019, às 13h04 (horário local).
A noite polar
Utqiaġvik – conhecida antigamente como Barrow – não é a única cidade no Alasca privada de iluminação solar por longos períodos como este.
O norte do Alasca está localizado no Círculo Polar Ártico, que circunda a gélida região polar do Ártico.
O fenômeno conhecido como noite polar se refere a regiões que passam mais de 24 horas sem ver a luz do sol
De maneira que outros pequenos povoados como Kaktovik, Point Hope e Anaktuvuk Pass tampouco veem a luz do sol por um longo período.
O fenômeno da penumbra prolongada é conhecido como noite polar e é comum em regiões localizadas dentro dos círculos polares, que passam mais de 24 horas sem sol.
No caso de Utqiaġvik, serão muito mais de 24 horas – as pessoas vão passar 65 dias no escuro.
O fenômeno acontece ano após ano e Utqiaġvik é o primeiro lugar do Alasca a ser afetado, por sua localização extrema ao norte.
A cidade é o lar da população indígena Iñupiac e abriga várias estações de pesquisa climática.
80 dias de sol
Segundo o site Weather.com, “a partir de meados de novembro até o fim de janeiro, o sol não nasce ao norte do Círculo Ártico, devido à inclinação da Terra longe da luz solar direta”.
Localizada 530 km acima da linha que delimita o Círculo Ártico, Utqiaġvik não ficará, no entanto, mergulhada na escuridão total nos próximos dois meses.
Após 65 dias no crepúsculo, o povo de Utqiaġvik pode desfrutar de 80 dias sem pôr do sol, quando começar o verão
Um fenômeno chamado crepúsculo civil – que ocorre quando o sol está a 6 graus abaixo da linha do horizonte e cria uma pequena iluminação – permitirá que haja um pouco de luz.
O crepúsculo civil dura seis horas por noite, mas diminuirá para três horas por noite no fim de dezembro.
Embora o cenário pareça assustador, muitos destacam uma vantagem que a maioria dos lugares no mundo não tem: quando o verão chega a esta pequena cidade no Alasca, seus habitantes podem desfrutar de 80 dias seguidos sem pôr do sol.
Fonte: BBC
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Brasil desiste de sediar Conferência do Clima em 2019.
Última Conferência do Clima foi realizada em Bonn, na Alemanha, onde a UNFCC está baseada
Único candidato para sediar a 25° Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-25), em 2019, o Brasil desistiu de ser o país anfitrião. O governo brasileiro alegou restrições orçamentárias ao comunicar a retirada da candidatura à UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima).
“Tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP-25”, diz comunicado do Itamaraty enviado às Nações Unidas nesta terça-feira (27/11).
Há pouco mais de um mês, o Itamaraty comemorava a candidatura do Brasil como sede da COP-25, destinada a negociar a implementação do Acordo de Paris, destacando o “o papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável, em especial no que se refere à mudança do clima”.
Para o Observatório do Clima, coalização da sociedade civil formada por mais de 20 organizações, o motivo principal é a transição para o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.
“O novo governo já deu todas as indicações de que não vai levar adiante como prioridade aquilo que é o maior desafio do século 21: combater as mudanças climáticas”, criticou Carlos Rittl, secretário-executivo do observatório.
Em entrevista à DW Brasil, Rittl lamentou o abandono do protagonismo internacional do Brasil. “Se tinha uma única área em que o país se destacava, era meio ambiente e mudanças climáticas. Vemos um governo – que nem assumiu ainda – já abrindo mão desse papel e tentando desmontar tudo o que foi construído.”
A UNFCCC, que organiza as conferências do clima e coordena as negociações internacionais para conter o avanço das mudanças climáticas, foi criada na Rio 92, encontro sediado pelo Brasil. Vinte anos depois do evento histórico, em que 179 países concordaram em levar mais a sério os problemas ambientais globais, o Rio de Janeiro recebeu a Rio+20, que elaborou os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Para o Greenpeace, a retirada da candidatura demonstra que o próximo governo “vira as costas” para as mudanças climáticas, o que significa “virar as costas para as populações mais pobres”.
“São elas que sentirão primeiro os efeitos de um planeta mais quente, com consequências graves como a escassez de água e dificuldades para a produção de alimentos”, comenta a organização.
Fontes ligadas à administração federal disseram que a desistência provocou reações diferentes em Brasília. De um lado, teria livrado o país de uma “saia justa”, já que a organização de uma COP, em que circulam mais de 20 mil pessoas, requer tempo.
Por outro lado, a desistência aumentou as críticas e a preocupação quanto ao cumprimento das metas nacionais assumidas no Acordo de Paris para redução dos gases de efeito estufa, principais causadores das mudanças climáticas.
Entre as principais metas estão o corte de emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030 com base nos níveis de 2005, além do fim do desmatamento ilegal até 2020. A destruição da Floresta Amazônica, uma das maiores fontes de gases do efeito estufa do país, voltou a subir e atingiu em 2018 o patamar mais alto da última década, com uma área de 7.900 km2 de devastação.
A candidatura do Brasil como anfitrião da COP em 2019 fora anunciada por Sarney Filho, então ministro de Meio Ambiente, na última Conferência do Clima, realizada em Bonn, na Alemanha no ano passado. À época, os comentários nos bastidores eram de que a proposta não havia sido negociada entre os ministérios e que chegou a pegar alguns setores de surpresa.
Segundo a prática da UNFCCC, as sedes das COPs se alternam numa rotação de regiões do globo. Depois da Polônia, onde a COP-24 se inicia no próximo dia 2 de dezembro, na cidade de Katowice, caberia a um país da América Latina e do Caribe sediar o próximo fórum.
O imbróglio terá agora que ser resolvido pelo Grupo de Países Latino-americanos e Caribenhos (Grulac), que havia endossado a candidatura do Brasil junto à UNFCCC. Por enquanto, a sede da COP em 2019 está indefinida.
O presidente em exercício do Grulac, o senador argentino Rodolfo Urtubey, disse que ficou decepcionado com a reviravolta. Para ele, é muito estranho que o Brasil tenha mudado de ideia menos de dois meses após o grupo ter comunicado oficialmente à UNFCCC a intenção do país de sediar o evento.
Urtubey vai procurar a União Interparlamentar (UIP), a qual integra, para encontrar uma saída para o impasse. A organização internacional trabalha em estreita colaboração com a ONU.
“Acho que a discussão de mudanças climáticas deve acontecer numa nação em desenvolvimento. A agenda de desenvolvimento não é incompatível com a luta contra as mudanças climáticas. Ainda queremos que a COP seja sediada na América Latina ou Caribe para mostrar que também temos esse compromisso com o desenvolvimento sustentável”, disse à DW Brasil.
O senador argentino, no entanto, evitou relacionar a desistência do Brasil com a ascensão de Bolsonaro à Presidência da República. “Eu gostaria de pensar que não foi uma decisão por influência de Bolsonaro. É estranho. Mas não podemos julgar ainda a situação”, declarou.
Fonte: Deutsche Welle
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Mundo se distancia da meta climática.
Aquecimento provavelmente atingirá 3,2°C até o final do século, diz ONU
Detalhando o abismo entre a real situação das emissões de CO2 e aquela que seria desejável, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou nesta terça-feira (27/11) seu relatório anual sobre a emissão de gases de efeito estufa, antes da cúpula climática COP24 na próxima semana na Polônia.
O relatório concluiu que os atuais compromissos assumidos pelos países no Acordo de Paris estão aquém do necessário para manter o aquecimento global abaixo de 2°C. O lapso entre a real situação da proteção climática e aquela que realmente precisa-se alcançar é conhecido como o hiato de emissões.
O Pnuma adverte que, se não for fechado o hiato de emissões até 2030, a possibilidade de limitar o aquecimento a um máximo de 2° Celsius será inacessível. O relatório também levanta preocupações sobre a minguante probabilidade de alcançar o teto de aquecimento de 1,5°C, muito mais desejável.
Se as tendências atuais continuarem como estão, o aquecimento provavelmente atingirá 3,2°C até o final do século, de acordo com os autores do relatório.
“Se o estudo do IPCC [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas] representou um alarme global de incêndio, este relatório é a investigação incendiária”, diz em comunicado Joyce Msuya, vice-diretora-executiva do Pnuma. “Estamos alimentando este fogo enquanto os meios para extingui-lo estão ao nosso alcance.”
O relatório também destaca como as emissões de CO2 aumentaram em 2017 após uma redução de três anos, refreando o otimismo de que as emissões globais possam estar chegando ao máximo.
Segundo a equipe internacional de cientistas que preparou a avaliação, limitar o aquecimento a 2°C exigiria triplicar os compromissos nacionais assumidos no Acordo de Paris. Isso se destina apenas a atingir a meta de 2°C. Para manter o aquecimento global a 1,5°C, os esforços precisariam ser quintuplicados.
Philip Drost, coordenador do comitê de orientação do relatório, aponta Costa Rica, Suécia e Marrocos como os países “incrivelmente ambiciosos” quando se trata de seus objetivos e esforços.
Ele explica ainda que alguns países que vão além de seus compromissos podem não ter estabelecido metas suficientemente ambiciosas, deixando espaço para melhorias.
“Nem tudo são más notícias”, afirma Drost à DW, apontando para a inovação em torno da proteção climática e formas concretas de os países melhorarem seu desempenho. “Todo mundo é capaz de encontrar algo em que podem melhorar.”
As áreas sugeridas, onde esse hiato pode ser fechado, incluem o desenvolvimento de energias renováveis, eletrodomésticos e carros energeticamente eficientes e a reversão do desmatamento.
“O relatório mostra que os países têm poucas desculpas”, diz Jan Burck, do grupo ambiental alemão Germanwatch, que não participou do estudo. “As energias renováveis são muito baratas, a proteção climática traz fortes cobenefícios – como o ar mais limpo – e as vantagens para o desenvolvimento sustentável são evidentes.”
Ele acrescentou que uma rápida e completa eliminação do carvão seria decisiva para fechar o hiato.
A política fiscal – especialmente a precificação de carbono – também foi um dos principais focos do relatório.
Brigitte Knopf, secretária-geral do Mercator Research Institute e um dos 20 autores do relatório, diz que o “hiato político” deve ser abordado. “Eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e estabelecer um preço nas emissões de carbono seriam fundamentais para fechar essa lacuna e cumprir o Acordo de Paris”, disse Knopf em comunicado.
Tecnologias inovadoras também foram consideradas cruciais: o Pnuma apontou para um “impulso crescente do setor privado” como um ponto de otimismo.
Segundo o relatório, é tecnicamente possível preencher o hiato de emissões, o que implica que a verdadeira questão é se há vontade política e econômica para realizar as mudanças necessárias.
“Vontade política – no final, essa sempre é a questão”, diz Drost. “É realmente difícil prever o que esta COP trará.”
Embora o relatório tenha a intenção de influenciar a COP24 na próxima semana e disponibilizar muitas soluções, ainda não se sabe se tal alerta causará verdadeiras mudanças políticas entre as nações.
Fonte: Deutsche Welle
terça-feira, 27 de novembro de 2018
As baleias, estrelas do ecoturismo na Islândia, escapam da caça.
Durante muito tempo, as baleias na Islândia tradicionalmente acabavam nos pratos em forma de filés. Mas os tempos mudaram, e com a peregrinação de turistas a esta ilha no Atlântico Norte, esses animais se tornaram estrelas do ecoturismo.
“Uma baleia Minke no fundo à direita, a cerca de 200 metros!”, gritou Alberto Alejandro, um guia espanhol da companhia Elding, cujo barco navega ao longo da costa da capital, Reykjavík.
O aparecimento do cetáceo é rápido e furtivo, e só se vê a barbatana caudal, mas esses poucos segundos são suficientes para tirar o fôlego dos 60 turistas a bordo da embarcação, que suspiram em coro.
“Esta é uma das coisas que queríamos fazer de qualquer jeito em nossa primeira visita aqui”, disse Joachim Holm, um visitante sueco. “Temos poucas chances de ver baleias vivas”, acrescentou.
Em um momento em que grupos ambientalistas e alguns cientistas lutam contra a caça destes animais, a presença dos turistas também não é inócua, e perturba estes mamíferos marinhos.
Mas no fim das contas, é preferível que os animais estejam vivos a que terminem esfolados, segundo os defensores do meio ambiente.
Em Húsavík, no norte do país, e também na baía de Faxaflói, perto de Reykjavík, mais de 355 mil pessoas foram observar baleias em 2016, na esperança de vislumbrar os animais no Atlântico Norte.
Isto representa um aumento de 30% em relação a 2015, e quadruplica o número de dez anos atrás.
– Tradição versus turismo verde –
Na baía de Faxaflói também ocorre a pesca da baleia Minke, cuja população estável nas águas islandesas é estimada em cerca de 32.000 exemplares, segundo dados do governo.
Ao contrário da pesca da baleia-comum, suspensa após a falta de interesse comercial do Japão, a caça da baleia Minke persiste na Islândia, que é um dos dois únicos países do mundo, junto com a Noruega, que ignora a moratória sobre a pesca comercial destes cetáceos, que data de 1986.
Alessandro Rosa, um turista italiano, disse que respeita “as tradições” da Islândia, onde a pesca de baleias é registrada desde o século XIII. Mas “nunca comi carne de baleia e não tenho intenção de fazer isso”, assegurou.
Os próprios islandeses consomem pouca carne de baleia, e se a pesca continua é sobretudo para satisfazer a demanda dos turistas. No ano passado, o país recebeu 1,8 milhão de visitantes, e deve receber mais de dois milhões neste ano.
Há vários anos, a Islândia está longe de explorar as cotas às que tem direito, devido, em grande parte, ao mau tempo.
A empresa IP-Utgerd Ltd, uma companhia especializada na caça da baleia Minke, abateu 17 mamíferos em 2017 (em comparação com 46 em 2016), muito abaixo do limite estabelecido, de 224.
– Baleia no cardápio –
Em Reikiavik, o restaurante Thrír Frakkar inclui carne de baleia em seu cardápio desde que abriu suas portas, em 1989. Os asiáticos são os clientes mais assíduos.
“Eles estão acostumados com a carne de baleia, é algo que está na sua cultura”, explicou o chef, Stefán Úlfarsson.
A americana Sarah Krieger disse que não tem nada contra este costume, defendendo uma gestão “responsável” das populações. “Os humanos estão no topo da cadeia alimentar”, argumentou.
Entre a caça e a observação, as baleias contribuem com cerca de 100 milhões de euros em rendimentos por ano no país, uma pequena ilha com cerca de 300.000 habitantes e um PIB de 20 bilhões de euros, segundo dados dos especialistas.
A caça continua sendo rentável e, segundo dados do setor, com cerca de 45 exemplares pescados a cada ano desde 2003, seu preço dobrou em uma década, passando a 2.500 coroas por quilo (20 euros, 24 dólares), mais que o frango ou o porco.
Mas os consumidores são cada vez mais escassos. Segundo pesquisas do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (IFAW), o consumo da carne de baleia caiu entre os turistas estrangeiros. Em 2016, só 12% afirmaram ter comido, em comparação com 40% em 2009, segundo esta ONG.
O responsável da filial islandesa da IFAW, Sigursteinn Másson, disse estar convencido de que a caça de baleias vive suas últimas horas, devido à mudança de mentalidade da população.