sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

25 milhões de animais marinhos são impactados por pesca fantasma no Brasil por ano, estima relatório.

Rede de emallhe atinge peixe na ilha do Arvoredo em Florianópolis, Santa Catarina.
O primeiro relatório produzido no Brasil sobre a pesca fantasma será apresentado nesta sexta-feira (7/12) e traz dados alarmantes. Por pesca fantasma, entende-se o impacto dos equipamentos, ou petrechos de pesca (redes de emalhar e de arrasto, varas, linhas, anzóis, espinhéis, armadilhas de covos, potes, entre outros), abandonados ou descartados no oceano. Eles são responsáveis pela morte de diversas espécies de peixes, crustáceos, baleias, tartarugas, tubarões e outros animais – não apenas no mar, mas também nos rios amazônicos.
Os petrechos de pesca ficam centenas de anos vagando nas águas dos mares e capturando involuntariamente os animais. E, depois que esse material, essencialmente feito de plástico, se decompõe, surge outro problema: a proliferação do microplástico nos oceanos.
Pescador maneja rede de pesca identificada, uma das soluções encontradas pela Iniciativa Global de Combate à Pesca Fantasma. (FOTO DE PROTEÇÃO ANIMAL MUNDIAL/DIVULGAÇÃO)
O estudo Maré Fantasma, conduzido pela Organização Proteção Animal Mundial, estima que, em um ano, 25 milhões de animais marinhos na costa brasileira podem ter sido impactados pelos petrechos, causando morte, mutilação, ferimentos ou aprisionamento. Isso quer dizer que é possível que, por dia, pelo menos 69 mil animais marinhos cruzem com essas equipamentos de pesca nos mais de 7 mil quilômetros de nosso litoral.
“Quando relacionamos o impacto das redes fantasmas, estamos falando de um grau de sofrimento do animal e de mortalidade em uma escala importante. Atinge praticamente todas as espécies em qualquer ambiente marinho”, explica João Almeida, gerente de Campanha de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.
O maior vilão destacado pelo estudo Maré Fantasma é a rede utilizada tanto na pesca artesanal quanto na pesca industrial. Considerando o volume produzido e importado desse petrecho e uma taxa global de descarte ou perda das redes, chegou-se à estimativa para o Brasil: aproximadamente 580 kg de redes são perdidas na costa brasileira diariamente.
“O animal que vive livre não deveria interagir com os petrechos. Toda vez que se encontram, de alguma forma, há um impacto na fauna marinha”, diz Maurício Forlani, gerente de Pesquisa da Proteção Animal Mundial.

Dados fantasmas

Existe uma enorme falta de informações sobre a atividade pesqueira no Brasil, então, não seria exagero pensar que a situação da fauna marinha pode ser ainda pior.
Apesar da grande extensão da costa brasileira, há pouca pesquisa dedicada à pesca fantasma, por isso a Proteção Animal Mundial precisou fazer estimativas nesse estudo inédito. Por exemplo: somente três estados, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, têm estudos consistentes, de cunho científico, com registros sobre a retirada de petrechos fantasmas. A somatória de dados disponíveis nessa pesquisa, além de relatos de agências de mergulho e limpeza de praia, aponta que, em pelo menos 70% do litoral brasileiro, há relatos de petrechos abandonados ou perdidos.
O impacto chega também à Amazônia. Apesar da inexistência de dados sistemáticos, o relatório aponta que a intensificação do uso de redes de emalhe já é o fator de maior pressão para as duas espécies de botos da região: o boto-cor-de-rosa e o tucuxi, provavelmente sendo o principal motivo da drástica redução dessas populações.
Peixe emaranhado em rede na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. (FOTO DE ÁTHILA BERTONCINI/DIVULGAÇÃO)

Plástico e lixo marinho

Quando a análise é global, surge um número mais consistente, mas igualmente alarmante: são pelo menos 640 mil toneladas de petrechos de pesca abandonados, perdidos ou descartados no oceano a cada ano. Estes equipamentos, que podem ser boias, anzóis, redes e quaisquer outras ferramentas de pesca, representam 10 % do lixo marinho. A rede de material plástico pode demorar até 600 anos para se degradar na natureza.
Existem caminhos sendo apresentados. Para compreender a dimensão do problema das redes fantasmas no mundo e agir, a mesma Proteção Animal Mundial começou, em 2015, uma aliança intersetorial para criar soluções. A Iniciativa Global de Combate à Pesca Fantasma (GGGI, na sigla em inglês) reúne governos, setor industrial da pesca e setor privado, como redes de supermercados, comunidades de pesca, academia e pesquisa, organizações não-governamentais e intergovernamentais.
Eles buscam soluções tanto para o mapeamento do problema quanto para firmar compromissos mais duradouros. Hoje são 13 países signatários, mas o governo brasileiro ainda não aderiu.
No lançamento do relatório, nesta sexta-feira (7/12), em São Paulo, haverá o anúncio da segunda instituição brasileira a representar o país no GGGI: o Instituto Baleia Jubarte. Isso significa que a instituição se comprometerá a fornecer dados e ter acesso a financiamento para projetos dedicados a mapear a pesca fantasma.

MPACTO DAS REDES NO BRASIL

  • 69 mil animais marinhos podem ser impactados diariamente pela quantidade de petrechos fantasmas abandonados por dia no Brasil, totalizando 25 milhões de animais por ano.
  • Estima-se que 580 kg de redes de pesca sejam abandonados por dia no Brasil.
  • 6,6 mil toneladas de novas redes de pesca são produzidas ou importadas para o Brasil por ano.
Fonte:World Animal Protection

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Em 20 anos, extremos climáticos custaram US$ 3,5 trilhões.

Furacão Maria devastou ilha de Dominica em setembro de 2017
Só no ano de 2017, fenômenos meteorológicos extremos causaram a morte mais de 11.500 pessoas e perdas materiais de 375 bilhões de dólares no mundo, revela um relatório da organização ambiental Germanwatch divulgado nesta terça-feira (04/12). Os países que mais sofreram foram Porto Rico, Sri Lanka, Dominica, Nepal e Peru.
Com base em dados da resseguradora Munich Re e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ambientalista David Eckstein e demais autores apresentaram o Índice de Risco Climático Global 2019na Conferência do Clima da ONU em Katowice, Polônia.
Segundo a Germanwatch, nos últimos 20 anos as condições climáticas extremas custaram mais de 526 mil vidas e um total de 3,5 trilhões de dólares em danos materiais. Ciclones tropicais de dimensões avassaladoras atingiram sobretudo as ilhas caribenhas de Porto Rico e Dominica, ambas seriamente devastadas pelo furacão Maria em setembro de 2017, com mais de 3 mil vítimas, segundo dados oficiais.
“O fato de as tempestades estarem ganhando intensidade, em velocidade dos ventos e precipitação pluvial, confere com os prognósticos da climatologia”, comenta Eckstein.
Nos últimos anos, o estudo tem indicado duas tendências: por um lado a violência dos eventos meteorológicos extremos aumenta. Para Porto Rico, com 3,3 milhões de habitantes, e Dominica, com 74 mil, isso significa que a reconstrução exigirá vários anos.
Países como Haiti, Filipinas, Sri Lanka e Paquistão foram tão regularmente atingidos por extremos meteorológicos, que não tiveram praticamente tempo de se recuperar dos danos. No Sul Asiático vem aumentando principalmente a frequência das chuvas de monção, com inundações e deslizamentos de terra.
Os últimos anos provaram que também as ricas nações industriais vêm sendo cada vez mais atingidas pela mudança do clima. “Com a seca recorde e o calor extremo deste ano, deve-se contar que no próximo índice os países europeus entrem ainda mais em foco”, prevê Eckstein.
Dos dez mais castigados pelo clima nos últimos 20 anos, oito são países em desenvolvimento e de baixas rendas. Como observa David Eckstein, eles contam com o menor número de recursos para se proteger das consequências da mudança climática ou compensar as perdas, necessitando, portanto, especialmente de ajuda.
Embora no ranking geral de vulnerabilidade figure longe do topo – 79ª posição em 2017 e na 90ª posição na média de 1998 para cá – o Brasil aparece em 18º na lista dos que mais perdem com as mudanças climáticas. Na média das últimas duas décadas, as perdas anuais passam de US$ 1,7 bilhão devido a eventos extremos como tempestades e inundações.
“Os principais Estados causadores precisam, por um lado, apoiar os mais pobres na adaptação à mudança climática. Por outro, devem também ajudá-los a enfrentar as perdas e danos”, frisa Eckstein. “Essa reivindicação terá um papel importante em Katowice.”
O Índice de Risco Climático só registra, porém, uma parte dos danos ocorridos em todo o mundo. Os efeitos indiretos das intempéries extremas, como incêndios florestais e secas, não são considerados. Do mesmo modo, os eventos de longo prazo, como a elevação do nível do mar ou a salinização dos solos, têm sido, até agora deixados de lado, ressalta Eckstein.
Um problema grande e, até o momento, irresolvido, é que numerosos países e cidadãos arcam sozinhos com seus danos. Quando, além disso, eles praticamente não contribuíram para a mudança climática, então trata-se de um “escândalo de justiça”, diz o funcionário da Germanwatch.
Por isso, do ponto de vista da política climática, devem assumir principalmente responsabilidade as nações que causaram a mudança global. Eckstein menciona estimativas de que pelo menos um terço dos eventos meteorológicos extremos em todo o mundo estão relacionados com os efeitos-estufa gerados pela humanidade. “Tomando isso como base, parece justo que os países causadores igualmente assumam cerca de um terço dos custos.”
Fonte: Deutsche Welle

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Áreas de proteção ambiental já cobrem 15% da superfície terrestre, diz ONU

Em torno de 15% da superfície continental do planeta Terra está sob medidas de conservação ambiental, o que representa mais de 20 milhões de quilômetros quadrados — ou quase duas vezes a extensão territorial do Canadá. Áreas de proteção também já cobrem mais de 7% dos oceanos — em torno de 27 milhões de km2. Os números foram divulgados em novembro pela ONU Meio Ambiente, em pesquisa que avalia o cumprimento de objetivos internacionais sobre biodiversidade.
Pinguins-de-adélia na Ilha Paulet, na Antártica. Foto: Flickr (CC)/Scott Ableman.

Em torno de 15% da superfície continental do planeta Terra está sob medidas de conservação ambiental, o que representa mais de 20 milhões de quilômetros quadrados — ou quase duas vezes a extensão territorial do Canadá. Áreas de proteção também já cobrem mais de 7% dos oceanos — em torno de 27 milhões de km2. Os números foram divulgados em novembro pela ONU Meio Ambiente, em pesquisa que avalia o cumprimento de objetivos internacionais sobre biodiversidade.
A nova edição do relatório Planeta Protegido revela um aumento de 0,2% das áreas de proteção continentais e de 3,2% em unidades marinhas desde 2016, quando a última versão do levantamento foi divulgada. A pesquisa consolidada cobre dados até julho de 2018, mas estatísticas mais recentes estão disponíveis numa plataforma online que é atualizada mensalmente, com a inscrição de novas zonas sob esforços de conservação.
Uma das reservas incluídas na análise foi a região do Mar de Ross, considerada a maior área protegida do planeta, com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. Com o estabelecimento desse perímetro, a pesca foi proibia em aproximadamente 700 mil km2 dessa reserva na Antártica. A criação da unidade de conservação tem por objetivo preservar mais de 16 mil espécies, incluindo o Pinguim-de-adélia e a Baleia-Minke-antártica. A faixa territorial é gerida pelos governos da Nova Zelândia e dos Estados Unidos.
Em 2010, países adotaram as Metas de Aichi, um conjunto de compromissos para proteger e promover o uso sustentável da riqueza biológica da natureza. A meta 11 prevê que, até 2020, 17% das terras continentais e 10% das zonas costeiras marinhas de todo o mundo estejam resguardadas por mecanismos de gestão ambientalmente responsáveis.
Com os atuais números bem próximos do previsto por esse objetivo, as Nações Unidas veem com otimismo o cumprimento da agenda de Aichi. Neville Ash, diretor do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, da ONU Meio Ambiente, afirma que o crescimento contínuo de áreas protegias “é essencial” para o futuro da biodiversidade.
“Em particular, os grandes aumentos na proteção do ambiente marinho ao longo dos últimos dois anos terá um papel fundamental na restauração da saúde do oceano, e isso se deve a uma forte colaboração entre países, organizações não governamentais e organizações internacionais”, avalia o especialista.
Ash ressalta, porém, que é preciso garantir recursos para as unidades de proteção. Outra importante medida é combater as ameaças que a biodiversidade enfrenta dentro e fora dessas áreas.
Para o diretor do Programa Global de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das brechas nas conquistas rumo à meta 11 é “a necessidade de reconhecer plenamente e apoiar os esforços feitos por povos indígenas e comunidades locais, bem como por atores privados, que conservam áreas críticas”.
Na avaliação de Jonathan Baillie, vice-presidente-executivo e cientista-chefe da Sociedade National Geographic, o progresso tem sido encorajador, “mas se quisermos proteger a vida na Terra, temos que aumentar massivamente a nossa ambição”.
A organização e a IUCN trabalham em parceria com a ONU Meio Ambiente na produção do relatório Planeta Protegido e na manutenção da plataforma online. Com a pesquisa, a Sociedade National Geographic busca celebrar nações que assumem a liderança na defesa de um planeta saudável.
Fonte: ONU

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Desmatamento da floresta amazônica aumenta; castanheiras são alvos no Acre.

O desmatamento da floresta amazônica aumentou. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área desmatada neste ano é quase 14% maior do que no mesmo período do passado.
Em uma operação no Acre, que durou três semanas, fiscais fizeram flagrantes de derrubada ilegal.
A ação foi realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a polícia florestal. Foram aplicados R$ 3 milhões em multas por 600 hectares de mata destruídos.
A fiscalização foi na reserva extrativista Chico Mendes, que ocupa uma área de 970 mil hectares da floresta. Logo na chegada já era possível ver estragos causados pelo desmatamento (assista na reportagem acima).
Os fiscais encontraram um caminhão carregado com toras de castanheira que ficou atolado e quebrou. Dois homens foram detidos e os policiais destruíram a madeira no próprio local.
Cem metros à frente estava o que sobrou das castanheiras, árvores milenares. Uma delas tinha um tronco com mais de 2 metros de diâmetro. A árvore deveria ter de 30 a 40 metros de altura.
“A castanheira é uma espécie protegida por lei. E, hoje, dentro do estado, tem sido a maior fonte de renda para os extrativistas”, afirma Aécio Silva dos Santos, coordenador da operação.
Segundo o Inpe, a área desmatada no Acre passa de 470 quilômetros quadrados até agora. Um crescimento de 82% na comparação com o ano passado.
Fonte: Globo Rural

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Derretimento de permafrost ameaça plano de resgate climático, diz estudo.

O metano e o CO2 retidos nos resíduos congelados da Rússia, Canadá e norte da Europa são equivalentes a 15 anos de emissões provocadas pelo homem – AFP
As metas globais que visam afastar o aquecimento planetário descontrolado poderiam ser ultrapassadas antes do esperado, conforme os gases liberados pelo derretimento do permafrost ameaçam minar os esforços humanos para evitar o desastre climático, alertaram especialista.
Sob o atual plano de resgate, delineado no tratado climático de Paris de 2015, os países concordaram em limitar o aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius e, se possível, de 1,5ºC.
Esse curso de ação pressupõe que lidar com os gases de efeito estufa produzidos pelo homem – seja desacelerando suas emissões ou removendo-as da atmosfera – será suficiente para controlar o aquecimento global.
O que os modelos climáticos não permitem são cenários nos quais a Terra começa a contribuir para o problema, mostra uma nova pesquisa.
Uma equipe de especialistas do Instituto Internacional para Análise de Sistemas Aplicados na Áustria (Iiasa) disse nesta segunda-feira que incluiu pela primeira vez as emissões projetadas do derretimento do permafrost nos modelos globais de mudança climática, e os resultados geraram preocupação.
“A liberação de carbono do permafrost é causada pelo aquecimento global e certamente diminuirá o orçamento de CO2 que podemos emitir para permanecer abaixo de um certo nível de aquecimento global”, disse o pesquisador do Iiasa e principal autor do estudo, Thomas Gasser.
Como a dependência dos combustíveis fósseis persiste, os cientistas calcularam que é provável que “excedamos” as metas de temperatura do acordo de Paris no curto ou médio prazo.
Com apenas 1ºC de aquecimento acima dos níveis pré-industriais até agora, o permafrost do mundo já está descongelando, ainda que lentamente.
Mas a taxa desse derretimento certamente acelerará à medida que a Terra continuar a aquecer.
Gasser advertiu que o cenário das metas excedidas deixaria o planeta ainda mais vulnerável às emissões do permafrost e, em um ciclo vicioso, ainda mais aquecido.
Efetivamente, sob alguns modelos considerados no estudo, publicado na revista Nature Geoscience, nós já ultrapassamos a meta de 1,5ºC como resultado das emissões do permafrost.
A ultrapassagem do limite “é uma estratégia arriscada, e voltar aos níveis mais baixos após a ultrapassagem será extremamente difícil”, disse Gasser à AFP.
“Temos que nos preparar para a possibilidade de nunca mais voltarmos a níveis mais seguros de aquecimento”.
– ‘Temperaturas mais altas, maior risco’ –
O metano e o CO2 retidos nos resíduos congelados da Rússia, Canadá e norte da Europa são aproximadamente equivalentes a 15 anos de emissões produzidas pelo homem no nível atual.
O problema com os objetivos de Paris, segundo Gasser, é que eles estabelecem metas de emissões com base na suposição de que a temperatura global e os níveis atmosféricos de CO2 mudam simultaneamente.
Eles, portanto, permitem que os países excedam as metas com a condição de que carbono suficiente possa ser capturado do ar para fazer as temperaturas descerem de novo até o final do século.
Mas o permafrost está sujeito ao que os cientistas chamam de “tipping point” (ponto de ruptura), o que significa que além de um certo limite de temperatura, ele continuará derretendo e liberando gases de efeito estufa, em um ciclo de feedback autoperpetuante, independente da queda dos níveis de emissão.
Os modelos não responderão por esses gases de efeito estufa adicionais, principalmente metano e dióxido de carbono.
“Sem nem mencionar o debate sobre se poderíamos ou não capturar CO2 em uma escala grande o suficiente, há também o risco de que quanto mais alto formos, maior o risco de desencadear algo que não entendemos”, disse Gasser.
Enquanto o mundo luta para frear a poluição provocada pelo carbono que amplifica a probabilidade e intensidade de tempestades, ondas de calor e secas mortais, o estudo desta segunda-feira vai aumentar os temores de que a própria Terra poderia sobrecarregar os esforços para limitar a mudança climática.
Outros possíveis “tipping points” climáticos incluem o derretimento do gelo marinho, que cria água do mar que absorve em vez de refletir a luz do sol, e o desaparecimento das florestas – que levaria à liberação de bilhões de toneladas de carbono quando a biomassa absorvente de CO2 fosse perdida.
Fonte: AFP

O que você precisa saber sobre a Conferência do Clima da ONU na Polônia, a COP24.

Vista aérea do fiorde de gelo de Ilulissat, na Groenlândia. Foto: ONU/Mark Garten
No domingo (2), as Nações Unidas dão início a negociações críticas sobre como responder de forma coletiva e urgente ao aquecimento global. Durante duas semanas, líderes mundiais, pesquisadores, ativistas, representantes do setor privado e de comunidades locais estarão reunidos em Katowice, na Polônia, para a COP24, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Os participantes vão trabalhar em um plano de ação para implementar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, firmado há três anos na capital francesa.
Abaixo está um guia para a COP 24, feito para esclarecer as maiores dúvidas que você pode ter sobre o encontro.
1. O básico: UNFCCC, ONU Meio Ambiente, OMM, IPCC, COP24, Protocolo de Kyoto, Acordo de Paris… Alguém me explica tudo isso?
Estas siglas e nomes de lugares representam ferramentas e termos internacionais que, sob a liderança da ONU, foram criados para ajudar a avançar a ação climática globalmente. Todos eles desempenham funções específicas e diferentes para alcançar a sustentabilidade ambiental. Veja como eles se encaixam:
Em 1992, a ONU organizou um grande evento no Rio de Janeiro, chamado Cúpula da Terra, no qual a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) foi adotada.
Neste tratado, países concordaram em “estabilizar concentrações de gases causadores do efeito estufa na atmosfera”, para impedir a interferência perigosa das atividades humanas no sistema climático. Atualmente, a convenção possui 197 signatários. A cada ano, desde que o tratado entrou em vigor, em 1994, uma “conferência das partes” – uma COP – é realizada para discutir como caminhar rumo a esse propósito. Desde então, foram realizadas 23 COPs e a 24ª será neste ano.
Como a UNFCCC estipulava valores não vinculantes sobre emissões de gases do efeito estufa nem possuía um mecanismo de aplicação, várias “extensões” do tratado foram negociadas durante as COPs, incluindo o famoso Protocolo de Kyoto, em 1997. Esse acordo definiu limites de emissões para países desenvolvidos, que deviam ser alcançados até 2012.
Outro documento foi o Acordo de Paris, adotado em 2015, no qual todos os países do mundo concordaram em aumentar esforços para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima de temperaturas pré-industriais. Os Estados signatários também se comprometeram a impulsionar o financiamento de ações climáticas.
Duas agências apoiam os trabalhos científicos da ONU sobre mudanças climáticas: a ONU Meio Ambiente e a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Juntas, elas estabeleceram em 1988 o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC). O organismo é formado por centenas de especialistas, que se dedicam a analisar dados e fornecer evidências científicas confiáveis para negociações sobre as mudanças climáticas, incluindo as que serão feitas em Katowice.
2. A ONU parece estar fazendo várias conferências e cúpulas sobre esta questão… Elas são frutíferas?
Estes encontros têm sido vitais para encontrar um consenso sobre uma questão que exige uma solução global. Embora avanços tenham sido mais lentos que o necessário, o processo – que tem sido tão desafiador quanto ambicioso – conseguiu unir todos os países, em meio a circunstâncias muito diferentes. Progresso tem sido verificado a cada passo do caminho. Algumas das ações concretas adotadas até agora provam uma coisa: ações climáticas têm um impacto positivo real e podem realmente ajudar a impedir o pior.
Entre conquistas notáveis já alcançadas, estão:
  • Ao menos 57 países conseguiram diminuir suas emissões de gases do efeito estufa aos níveis exigidos para conter o aquecimento global.
  • Existem ao menos 51 iniciativas de “precificação do carbono”, para cobrar aqueles que emitem dióxido de carbono por cada tonelada emitida.
  • Em 2015, 18 países de alta renda se comprometeram a doar 100 bilhões de dólares ao ano para ações climáticas em países em desenvolvimento. Até o momento, mais de 70 bilhões de dólares foram mobilizados.

3. Por que todos estão falando sobre o Acordo de Paris?

O documento de Paris — que fornece ao mundo a única opção viável para responder às mudanças climáticas — foi ratificado por 184 partes e entrou em vigor em novembro de 2016.
Os compromissos contidos no acordo são significativos:
  • Limitar o aumento da temperatura média global para menos de 2°C e buscar esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C.
  • Intensificar o financiamentos das ações climáticas, incluindo a meta de 100 bilhões de dólares ao ano de países doadores para países de menor renda.
  • Desenvolver planos climáticos nacionais até 2020, incluindo metas e objetivos autodeterminados.
  • Proteger ecossistemas benéficos que absorvem gases causadores do efeito estufa, incluindo florestas.
  • Fortalecer a resiliência e reduzir a vulnerabilidade climáticas.
  • Finalizar um programa de trabalho para implementar o acordo em 2018.
Os Estados Unidos, que aderiram ao acordo em 2016, anunciaram em julho de 2017 a intenção de abandoná-lo. No entanto, o país permanece parte do acordo até pelo menos novembro de 2020, que é o prazo mais cedo para deixar o tratado legalmente.
4. Por que o teto de 1,5°C é uma linha crítica?
De acordo com o mais recente relatório científico do IPCC, conter o aquecimento global a 1,5°C, acima de níveis pré-industriais, irá ajudar a protelar danos devastadores e permanentes ao planeta e seus habitantes. Essas consequências incluem: a perda irreversível de habitat para animais do Ártico e da Antártida; maior número de casos frequentes de mortes por calor extremo; escassez de água, podendo afetar mais de 300 milhões de pessoas; desaparecimento de recifes de corais que são essenciais para comunidades inteiras e para a vida marinha; aumento do nível do mar, o que ameaça o futuro e a economia de ilhas inteiras.
A ONU estima que as mudanças climáticas afetariam 420 milhões de pessoas a menos se conseguirmos manter um aumento de 1,5°C, em de 2°C.
Ainda estamos longe de alcançar um futuro neutro em carbono, com um total líquido de zero emissões de CO2, e a necessidade de seguir em frente é maior do que nunca. Os dados nos mostram que ainda é possível limitar as mudanças climáticas para 1,5°C, mas a janela de oportunidade está se fechando e irá exigir mudanças sem precedentes em todos os aspectos da sociedade.
5. Por que a COP24 é tão importante?
A COP deste ano em Katowice, na Polônia, é especialmente importante porque 2018 é o prazo com que os signatários do Acordo de Paris concordaram para adotar um programa de trabalho capaz de implementar os compromissos do tratado. Isto exige o ingrediente mais importante e único: confiança entre todos os países.
Entre as muitas outras questões que precisam ser resolvidas, está o financiamento de ações climáticas em todo o mundo. O mundo não pode perder mais tempo: precisamos concordar coletivamente com um caminho corajoso, ambicioso e decisivo para seguir em frente.
6. Quais evidências serão usadas para as negociações na COP24?
As discussões terão base em evidências científicas coletadas ao longo dos anos e analisadas por especialistas. Serão usados principalmente os relatórios a seguir:
  • O relatório Especial do IPCC sobre o Aquecimento Global a 1,5°C
  • O relatório sobre a Lacuna de Emissões 2018, da ONU Meio Ambiente
  • O boletim 2018 sobre concentração de gases causadores do efeito estufa, da OMS
  • A análise 2018 sobre a camada de ozônio, da OMM e ONU Meio Ambiente
7. Como você pode acompanhar as discussões na COP24?
Existem muitas maneiras para acompanhar os acontecimentos:
  • Acompanhar a página especial sobre a COP24 em português do serviço de notícias da ONU
  • Se inscrever no newsletter sobre Mudança Climática para receber destaques diários do serviço de notícias da ONU direto da Polônia (em português).
  • Acompanhar as publicações da ONU Brasil sobre a conferência para ver as notícias da COP24.
  • Seguir a hashtag #ClimateAction no Twitter;
8. Como você pode participar da discussão e fazer a sua parte?
Você pode seguir a ferramenta Climate Action ActNow.bot, na página do Facebook das Nações Unidas . A iniciativa vai recomendar ações diárias para salvar o planeta e contabilizar o número de ações realizadas, para medir o impacto que movimentos coletivos podem ter.
Ao compartilhar seus esforços de ações climáticas nas redes sociais, você pode encorajar mais pessoas a fazerem o mesmo.
Além disso, a iniciativa People’s Seat, lançada pelo secretariado da UNFCCC, garante que você contribua diretamente com as conversas na COP24.
9. Por que a ONU também está planejando uma Cúpula sobre Mudanças Climáticas para 2019?
Para fortalecer as ambições e ações climáticas a partir dos resultados da COP24, o secretário-geral da ONU, António Guterres, está convocando uma Cúpula sobre Mudanças Climáticas para setembro do ano que vem. Marcado antes do prazo de 2020 para países finalizarem seus planos climáticos nacionais, o encontro tem o objetivo de focar em iniciativas práticas para limitar emissões.
A cúpula vai se concentrar em ações em seis áreas: transição para energia renovável; financiamento de ações climáticas e precificação de carbono; redução de emissões das indústrias; uso da natureza como uma solução; cidades sustentáveis e ações locais; e resiliência.
Fonte: ONU

sábado, 1 de dezembro de 2018

Guarujá recebe em janeiro campanha de conscientização sobre coleta de óleo de cozinha usado.

A ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) coordena em janeiro a “Campanha Óleo Sustentável no Verão”, em Guarujá. Em parceria com as empresas de alimentos ADM, Bunge, Cargill, Imcopa e Louis Dreyfus, a cidade ganhará mais sete pontos de recolhimento de óleo de cozinha e contará com promotores que promoverão atividades de educação ambiental.

Para Cindy Moreira, coordenadora de sustentabilidade da ABIOVE, nessa época a cidade triplica sua população em razão do turismo e, com isso, o uso de óleo comestível aumenta. “É preciso informar sobre as consequências negativas que o descarte incorreto de óleo pode trazer para a cidade e o meio ambiente. O intuito é preservar a natureza e fazer dessa ação um hábito da população”, explica.
Os promotores estarão em todos os fins de semana de janeiro na praia da Enseada, das 10h às 16h, e em redes de supermercados da cidade. Serão distribuídos funis para facilitar a separação do resíduo nas residências, cartilhas de educação ambiental para as crianças, sacolas biodegradáveis contendo informações dos pontos de entrega de óleo, além das abordagens para levar informação a turistas e moradores de Guarujá.
Cindy relata que a iniciativa da campanha surgiu da Secretaria de Meio Ambiente do Guarujá – Semam, com apoio da prefeitura, e foi muito bem recebida pelo setor produtivo. “Essa ação é pioneira e inaugura os projetos setoriais no âmbito do Óleo Sustentável. Queremos ampliar a ação nesse formato de parceria público-privada e contribuir para aumentar a conscientização ambiental e o volume de óleo coletado no estado”, afirma.
Para completar a campanha, a entidade lança o novo portal do Óleo Sustentável (http://www.oleosustentavel.org.br/), que conta com as ações de educação ambiental das empresas participantes da iniciativa, além da localização dos pontos de entrega voluntário no estado, curiosidades e vídeos educativos.
Para colaborar com o projeto, confira os supermercados com pontos de entrega do produto:Krill Caiçara (Avenida dos Caiçaras)
Krill Guarujá (Avenida Presidente Tancredo Neves nº 100)
Kril Vicente (Via Santos Dumont nº 1.503)
Roldão (Rua Valdomiro Macário nº 59)
Vencedor Atacadista (Avenida Adhemar de Barros nº 1.660)
Mercadão Perequê (Avenida Bidu Sayão, nº 619)
Mercadão Guarujá (Avenida Santos Dumont, nº 1.071)