sexta-feira, 10 de maio de 2019

Como a tecnologia está trazendo florestas de volta à vida.

Mata Atlântica é alvo de recuperação florestal no Brasil. Há meio milênio, as florestas cobriam grande parte da Península Ibérica.
Mas séculos de guerras e invasões, expansão agrícola e corte de madeira para carvão e navegação destruíram a maior parte das matas e transformaram lugares como Matamorisca, uma pequena vila no norte da Espanha, em paisagens degradadas.
O clima árido e os solos desgastados da região seriam uma receita para o fracasso de um potencial programa de reflorestamento, mas para empresa Land Life, com sede em Amsterdã, este é o lugar ideal para intervir.
“Normalmente, operamos onde a natureza não se regenera sozinha”, diz o CEO Jurrian Ruys. “Vamos aonde as condições são mais difíceis em termos de clima, com verões instáveis e muito quentes.”
Em Matamorisca, a empresa interveio em 17 hectares áridos pertencentes ao governo regional e implantou seu sistema exclusivo: um reservatório de papelão biodegradável, com 25 litros d’água, que é colocado no subsolo para ajudar no primeiro ano de desenvolvimento das mudas de plantas.
Cerca de 16 mil carvalhos, freixos, nogueiras, sorveiras-bravas e mostajeiros-brancos foram plantados em maio de 2018, e a empresa divulgou que 96% das espécies sobreviveram ao último verão escaldante mesmo sem irrigação adicional, um marco decisivo para uma árvore jovem.
“A natureza retorna por si própria?”, questiona Arnout Asjes, diretor de tecnologia da Land Life, que supervisiona um programa que mistura imagens de drones e satélite, análise de big data, aprimoramento do solo, identificação por QR code e mapeamento das árvores ideias para o local. “Provavelmente sim, mas isso pode levar décadas ou centenas de anos, por isso estamos acelerando as coisas.”
Sua empresa integra um movimento global de organizações que tentam salvar áreas degradadas ou desmatadas, desde exuberantes planícies tropicais até colinas áridas em regiões temperadas. Estimulados pela perda da biodiversidade global e pelas mudanças climáticas, esses grupos estão estendendo os limites de como trazer de volta a cobertura florestal.
“Não é uma proposta teórica”, diz Walter Vergara, especialista em florestas e clima do Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês). “Isso requer os incentivos corretos, as partes interessadas certas, a análise correta e o capital suficiente, mas pode acontecer.”
A forma como esses fatores se reúnem em torno de um projeto específico – e se salvar vegetações arrasadas é mesmo possível – vai depender do tipo de ecossistema em questão. As florestas secundárias na Amazônia são diferentes dos pinheiros do Texas após incêndios ou da floresta boreal da Suécia. Programas de reflorestamento têm diferentes razões e métodos para recuperar cada uma desses biomas.

Reflorestamento e recuperação

Nas condições áridas da Matamorisca e em áreas similares na Espanha, a Land Life Company se preocupa com a rápida desertificação. Como seu foco é restaurar um ecossistema, a empresa trabalha com organizações que não esperam retorno financeiro.
A Land Life já recuperou cerca de 600 hectares em todo o mundo desde 2015 e planeja fazer o mesmo com outros 1.100 hectares este ano. Dessa forma, a motivação do grupo se encaixa no Bonn Challenge, um esforço global para restaurar, até 2020, 150 milhões de hectares de terra desmatada e degradada – uma área aproximadamente do tamanho do Irã ou da Mongólia.
Até 2030, a meta é atingir 350 milhões de hectares – uma área 20% maior que a da Índia.
Essas metas incluem tanto a reabilitação de áreas florestais que perderam densidade ou estão enfraquecidas (um processo conhecido como restauração, no jargão ambiental) quanto de áreas completamente desmatadas (o que é conhecido como reflorestamento).
Essa meta global é dividida em partes menores e toma forma na América Latina como a Iniciativa 20×20, um esforço para contribuir com 20 milhões de hectares para a meta geral, catalisando projetos de pequeno e médio porte com o apoio político dos governos. O Brasil aderiu à iniciativa em 2016 e prometeu restaurar 12 milhões de hectares de seu território até 2030.
Esse programa regional tem como prioridade a conservação, mas tem argumentos econômicos para ocorrer – ao contrário do caso da Land Life Company. “Você precisa trazer dinheiro do setor privado”, diz Vergara, da WRI, que lidera a iniciativa, “e esse capital precisa ver um retorno sobre seu investimento”.
Um estudo coordenado por ele estima para a América Latina um retorno líquido estimado de US$ 23 bilhões (R$ 87 bilhões) ao longo de um período de 50 anos se a meta de recuperação florestal for atingida.
O dinheiro pode vir das vendas de madeira em florestas geridas de forma sustentável ou da colheita de “produtos não-madeireiros”, como nozes, óleos e frutas das árvores. É possível registrar quanto de dióxido de carbono a floresta captura e vender créditos de carbono para empresas interessadas em compensar suas emissões.
Ou pode-se ainda cultivar a floresta na esperança de que a biodiversidade atraia ecoturistas que paguem por hospedagem, passeios de observação de aves e refeições.
Ainda assim, esses investidores não são bancos conhecidos. O dinheiro para a iniciativa 20×20 vem principalmente de organizações financeiras com objetivos triplos – um modesto retorno sobre seus investimentos, benefícios ambientais e ganhos sociais – conhecidos como investidores de impacto social.
Por exemplo, o fundo alemão 12Tree é um dos parceiros da 20×20. Ele investiu US$ 9,5 milhões (R$ 36 milhões) em Cuango, um vilarejo de 1.455 hectares na costa caribenha do Panamá, onde se combina uma plantação comercial de cacau com a extração de madeira florestal de forma sustentável.
Com o dinheiro, eles reflorestaram uma antiga fazenda de gado, criaram empregos para as comunidades vizinhas e garantiram o retorno sobre seus investimentos.

Equilíbrio florestal

Mesmo em terras desmatadas há décadas e atualmente usadas por fazendeiros, algumas culturas podem coexistir com a floresta, se o equilíbrio for encontrado. Embora não seja tecnicamente um reflorestamento, a agrofloresta oferece uma oportunidade para os pequenos agricultores garantirem seus meios de subsistência ao mesmo tempo em que mantêm a cobertura florestal de suas fazendas.
Um projeto global chamado Breedcafs estuda como as árvores se comportam em fazendas de café, na esperança de encontrar variedades de culturas que consigam crescer sob a copa das árvores. O café cresce naturalmente nas florestas, portanto, replicar isso nas fazendas está trazendo a plantação de volta a suas raízes.
“Ao reintroduzir as árvores na paisagem, causamos impacto positivo na umidade, na captura de chuva, na conservação do solo e na preservação da biodiversidade”, diz o especialista em café Benoît Bertrand, que lidera o projeto do Centro Francês de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional (Cirad, na sigla em francês).
Bertrand está analisando qual das dezenas de variedades de café mais bem se encaixa a este sistema. Uma abordagem semelhante pode ser aplicada à terra com cacau, baunilha e árvores frutíferas.
Mas nem todo pedaço de terra pode ser reflorestado. Os sócios de Vergara buscam investimentos seguros e até a Land Life Company só executa grandes projetos no que considera países de “baixo risco”, como Espanha, México ou EUA.
“Nós tendemos a evitar operações de grande escala em países de algumas partes do Oriente Médio ou da África, onde a permanência não é garantida”, diz Ruys.
Mas num lugar prolífico, talvez tudo que se precise seja tempo. Na Costa Rica, 330 hectares de uma reserva nacional de vida silvestre não se parecem nada com a fazenda de gado de antes de 1987, quando Jack Ewing decidiu transformar a área em um destino de ecoturismo. Em vez de intervir, um amigo lhe disse para deixar a natureza seguir seu caminho natural.
As antigas terras de pastagem são agora florestas exuberantes, e a propriedade possui mais de 150 hectares de florestas sem intervenção humana. Nos últimos dez anos, macacos bugio, araras vermelhas e até pumas migratórios retornaram à terra de refúgio, impulsionando o turismo e revigorando o ecossistema.
Ewing, agora com 75 anos, explica esse sucesso usando as palavras que seu amigo escolheu há três décadas: “Na Costa Rica, quando você para de mexer com as plantas, a selva volta para se vingar”.
Fonte: BBC

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Energia limpa, reciclagem e multas: como 5 países fazem a diferença contra o aquecimento global.

Os últimos relatórios sobre clima não são positivos: uma pesquisa recente publicada no periódico científico Science indica que os oceanos estão sendo aquecidos 40% mais rápido do que se pensava e cientistas do painel da ONU sobre mudanças climáticas disseram em 2018 que o aumento das temperaturas pode causar enormes inundações, secas, falta de alimentos e incêndios até 2040.

Enquanto a comunidade global não adota ações drásticas, alguns países fazem suas contribuições globais ao planeta, segundo o Good Country Index (Índice dos Bons Países, em tradução livre), que mede o impacto de cada país no mundo, como uma marca ecológica em relação à economia e às porcentagens de energia reutilizável utilizada.
“Na nossa época de globalização avançada e interdependência massiva, tudo tem um impacto no sistema inteiro, cedo ou tarde”, diz Simon Anholt, consultor independente que criou o índice.
Países europeus dominam o top 10 da sessão Planeta & Clima do Índice dos Bons Países, mas há nações no mundo inteiro tomando atitudes para reduzir seu impacto negativo no meio ambiente. A BBC conversou com moradores em cinco países de ótima performance e perguntou como é viver em um lugar que está fazendo algo para salvar o planeta.

Noruega

Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 1
No topo da lista está a Noruega, líder mundial em uma série de iniciativas ambientais, incluindo a maior taxa de adoção de carros elétricos do mundo e um compromisso governamental de ser neutro em influências climáticas até 2030. Mas a relação aqui vai além da política. Os noruegueses abraçam o conceito de friluftsliv, que pode ser traduzido como “vida a céu aberto” e se refere à importância dada a passar tempo na natureza para ser saudável e feliz.
“Isso realmente está profundamente enraizado na nossa cultura e às vezes é quase uma religião para muitas pessoas”, disse o norueguês Axel Bentsen, fundador e CEO da Urban Sharing, a empresa por trás do popular programa de compartilhamento de bicicleta Oslo City Bike. “Nós passamos tempo na natureza em qualquer temperatura e nossos bebês até dormem do lado de fora. Nossa capital, Oslo, é única no sentido de que você pode usar o transporte público e ir parar numa floresta, então é algo popular de se fazer antes ou depois do trabalho”.
Oslo foi nomeada a Capital Verde da Europa em 2019 pela Comissão Europeia por restaurar seus canais, investir em bicicletas e transporte público e por sua estratégia financeira climática inovadora (tornando as emissões de dióxido de carbono rastreáveis assim como fundos financeiros). A cidade também tem trabalhado para barrar carros no centro. “No último ano, tem sido ótimo ver a cidade tirando estacionamentos para tornar as áreas mais amigáveis para pedestres e ciclistas, enquanto a infraestrutura para bicicletas também melhorou com mais ciclovias”, diz Bentsen.
Apesar de 99% das fontes de energia doméstica da Noruega serem sustentáveis por meio de hidrelétricas em seu litoral, nos fiordes e nas cachoeiras, a Noruega ainda é uma grande extrativista e exportadora de petróleo, o que se tornou uma questão política controversa.
“Vale a pena manter a contínua extração e exportação de petróleo e gás porque ela gera enormes quantidades de dinheiro que são usadas para infraestrutura ambiental que não seria possível de outra maneira?”, questiona David Nikel, um expatriado britânico que vive na Noruega desde 2011 e tem um blog sobre a vida no país. “Muitos acham que o dinheiro gasto nessa infraestrutura vai inspirar outras cidades e outros países e isso levará a um mundo mais verde. Outros pensam que são dois pesos e duas medidas. Depende de que lado você está.”

Portugal

Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 3
Portugal foi pioneiro no investimento em uma rede inteira de abastecimento de carros elétricos (que era grátis até recentemente), no incentivo aos seus cidadãos a instalarem painéis solares e energia renovável com preços mais baixos, além de oferecer a oportunidade de vender a energia de volta ao sistema.
“A maioria dos meus vizinhos têm painéis solares ou bomba de água. Na minha casa, meus pais instalaram essa bomba que transforma água da chuva em água potável, que usamos para aguar as plantas, lavar roupas e dar água aos nossos animais de estimação”, diz a portuguesa Mariana Magalhães, gerente de marca na agência britânica Forty8Creates.
Reciclar e compostar é um modo de vida normal aqui, com lixeiras específicas em cada bairro, incluindo uma para baterias. A educação tem um enorme papel nessa transformação. “No colégio, tínhamos várias aulas de educação ambiental e frequentemente tínhamos aulas em um parque local para criar esse amor ao meio ambiente”, diz Magalhães.
Ao longo de sua história, Portugal foi uma sociedade agrária que fez uso de suas abundantes fontes naturais. “Na fronteira entre Portugal e Espanha, no Norte, você consegue ver as montanhas cheias de equipamentos de captação de energia eólica. Você também consegue ver hidrelétricas nos lagos para coletar energia da água”, diz Magalhães.
“Nós temos condições naturais que favorecem o uso de energias renováveis”, acrescentou Joana Mendes, gerente da pousada Molinum no sul de Portugal. “Já que são mais baratas, gradualmente mudamos para elas.”
Na capital portuguesa, cheia de subidas e descidas, a adoção da bicicleta não é tão forte como em outras capitais europeias, mas outros modos sustentáveis de transporte estão começando a decolar. “Alugueis de patinetes elétricas foram introduzidos em Lisboa e se tornaram muito populares”, diz a americana Wendy Werneth, que viveu em Portugal por dois anos e escreve no blog O Vegano Nômade. “Os lisboetas realmente a abraçaram como uma maneira ecológica de se transportar”.

Uruguai

Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 15
No topo da lista dos países sul-americanos no índice Planeta & Clima e considerado um dos destinos mais éticos por causa de políticas socioambientais, o Uruguai se tornou um líder global de energia sustentável – tanto por necessidade quanto por respeito ao planeta.
“O Uruguai não possui reservas de petróleo e estava gastando muito dinheiro na importação. Por isso, começamos a substituir combustíveis com base de petróleo pelos de energia limpa, o que foi conquistado em menos de uma década”, diz a uruguaia-americana Lola Méndez, que escreve no blog Miss Filatelista.
Hoje, cerca de 95% da eletricidade vêm de fontes renováveis, a maioria de hidroelétricas, mas também de energia solar, eólica e biocombustíveis. “Em 2012, o Uruguai estava operando em um nível de 40% de energia renovável, então é uma mudança drástica em muito pouco tempo”, diz Méndez. O comprometimento valeu a pena, já que o país recebeu atenção mundial durante o Acordo de Paris em 2015 por causa da mudança, subsidiada pelo governo.
Além dos incentivos econômicos, os moradores têm uma conexão forte com a terra. “Os uruguaios sempre amaram e respeitaram a Tierra Madre”, diz Méndez. “Das tribos indígenas Charrua aos gaúchos que criam os milhões de gados e ovelhas”.
O transporte público (a maior parte dele mantido por eletricidade) pode ser encontrado nas grandes cidades. O Aeroporto Internacional de Carrasco, na capital de Montevidéu, também está próximo de ser totalmente sustentável com uma instalação de energia solar fotovoltaica – será o primeiro país da América Latina a ter essa estrutura.

Quênia

Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 26
Com padrões climáticos extremos e frequentes períodos de seca, o Quênia já está vivendo os efeitos iniciais das mudanças climáticas. Em resposta, o governo está trabalhando para proteger sua economia extremamente dependente da agricultura por meio de um Plano de Mudanças Climáticas, se comprometendo a reduzir suas emissões de gás em 30% até 2030.
Outro esforço é a recente proibição a sacolas plásticas, a fim de proteger principalmente as fontes de águas do país. A proibição se tornou uma das mais estritas do mundo, com punição de prisão e multas altas caso moradores (ou até turistas) sejam vistos carregando uma.
No entanto, não é necessária muita intervenção do governo para proteger o ambiente. “As comunidades locais aqui têm sistemas tradicionais de proteção ambiental, e eles funcionam”, disse Faye Cuevas, que mora em Nairóbi e é vice-presidente do Fundo Internacional de Proteção Ambiental. “A floresta de Maasai Loita é um exemplo – é uma das únicas florestas geridas por indígenas que sobraram no Quênia e é intocada, muito devido às regras locais e os sistemas tradicionais que a protegem”.
Família e meio ambiente não podem ser separados para os Maasai, uma comunidade indígena no sul do Quênia e norte da Tanzânia. “Quando você ouve o povo Maasai se cumprimentar, há uma série de discussões. Primeiro, eles discutem o ambiente – chuva, saúde da grama, água. Então, discutem gado. E, por fim, perguntam sobre a família”, explica o queniano John Kamanga um ancião Maasai e diretor do Conservatório Soralo no Quênia. “Os mesmos princípios tradicionais são usados para gerenciar a vida – falta de saúde ambiental significa o fim das vacas, o que significa o fim das crianças, o que significa a perda de cultura ambiental e de um modo antigo de vida.”

Nova Zelândia

Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 39
Líder da região Ásia-Pacífico, a Nova Zelândia leva a proteção de suas fontes naturais muito a sério, especialmente porque sua agricultura – e economia baseada no turismo – depende disso.
“Nosso país é conhecido no mundo como ‘Nova Zelândia Limpa e Verde’ e nós acoplamos nossa identidade a isso”, diz Brendan Lee, originalmente da Nova Zelândia e blogueiro do site Bren on the Road. “Os kiwis (como são chamados os neozelandeses) têm muito orgulho quando os turistas nos dizem que nossa natureza é linda.”
A Nova Zelândia está entre os principais emissores de carbono per capita principalmente devido a suas emissões de metano por causa da grande indústria de gado e ovelha, assim como uma crescente energia industrial. Mas o país criou uma coalizão de vários partidos no Parlamento para criar a Rede Zero na Nova Zelândia, um plano para mapear as políticas necessárias para serem neutros na emissão de carbono até 2050.
Apesar de a Nova Zelândia ter dois terços do tamanho do Estado americano da Califórnia, tem cerca de 10% da população americana, o que lhes dá a liberdade de se preocupar menos com questões ambientais do dia a dia, como poluição do ar ou transbordamento de aterros, comparado a outros grandes centros urbanos. Mas isso tem mudado nos últimos anos também.
“As sacolas plásticas foram banidas dos supermercados – você não vê canudos plásticos e está na moda ter uma garrafa de água reutilizável”, explica Brit Jess Tonking, que agora vive em Queenstown e trabalha na marca sustentável Sundried. “Eu levo o meio ambiente muito mais em consideração agora que vivo na Nova Zelândia. Eu reciclo tudo aqui, reduzi os produtos animais que compro e gosto de pensar que tenho um estilo de vida mais sustentável.”
Veja a lista dos 10 países mais verdes do mundo, segundo a sessão Planeta & Clima do Índice de Bons Países:
1. Noruega
2. Suíça
3. Portugal
4. Eslovênia
5. Chipre
6. Finlândia
7. Suécia
8. Alemanha
9. Croácia
10. Eslováquia
Fonte: BBC

quarta-feira, 8 de maio de 2019

1 milhão de espécies ameaçadas: o que diz preocupante relatório da ONU sobre impacto humano.

O impacto dos seres humanos na natureza é devastador – seja em terra, nos mares ou no céu. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).


Segundo a organização, 1 milhão de espécies de animais e vegetais estão ameaçados de extinção.
O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.
Essa tendência pode ser revertida, diz o estudo, mas será necessária uma “mudança transformadora” em todos os aspectos de como os seres humanos interagem com a natureza.
Elaborada nos últimos três anos, essa avaliação do ecossistema mundial é baseada na análise de 15 mil materiais de referência e foi compilada pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). São 1.800 páginas no total.
O resumo de 40 páginas, publicado nesta segunda-feira, talvez seja a mais forte denúncia de como os homens trataram seu único lar.
O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos esses arranhões se tornaram cicatrizes profundas.

Expansão humana

A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior.
Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais.
Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.
A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000.
Nossas cidades se expandiram rapidamente; as áreas urbanas dobraram desde 1992.
Toda essa atividade humana está matando mais espécies do que nunca.
De acordo com a avaliação global, uma média de cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados.
As tendências globais em relação às populações de insetos não são conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões.
Tudo isso sugere que cerca de 1 milhão de espécies estão à beira da extinção nas próximas décadas, um ritmo de destruição de dezenas a centenas de vezes maior do que a média dos últimos 10 milhões de anos.
“Nós documentamos um declínio realmente sem precedentes na biodiversidade e na natureza, isso é completamente diferente de qualquer coisa que tenhamos visto na história da humanidade em termos de taxa de declínio e escala da ameaça”, afirma Kate Brauman, da Universidade de Minnesota, nos EUA, uma das principais autoras e coordenadoras do estudo.
A avaliação também revela que os solos estão sendo degradados como nunca, o que reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre do planeta.
Nosso apetite insaciável ​​está produzindo, por sua vez, uma montanha de lixo.
A poluição causada por plástico aumentou dez vezes desde 1980.
Todos os anos despejamos de 300 milhões a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos nas águas do planeta.

O que há por trás da crise?

Os autores do relatório dizem que há uma série de fatores que levaram a este cenário, apontando como principal a mudança no uso do solo.
Isso significa essencialmente a substituição de prados pela agricultura intensiva, a substituição de florestas antigas por plantações florestais ou o desmatamento de florestas para cultivar alimentos. Isso está acontecendo em muitas partes do mundo, especialmente nos trópicos.
Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.
No mar, a situação é semelhante.
Apenas 3% dos oceanos foram descritos como livres da pressão humana em 2014.
Os peixes estão sendo explorados como nunca. Em 2015, 33% das populações de peixe foram capturadas de forma insustentável.
A cobertura de corais vivos nos recifes caiu quase pela metade nos últimos 150 anos.
No entanto, impulsionando tudo isso, há uma demanda crescente por alimentos da população mundial em expansão e, especificamente, nosso apetite cada vez maior por carne e peixe.
“O uso da terra aparece agora como o principal fator do colapso da biodiversidade, com 70% da agropecuária relacionada à produção de carne”, diz Yann Laurans, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês).
“É hora de reconsiderar a participação da carne industrial e laticínios na nossa alimentação.”
Os outros fatores-chave são a caça e a exploração direta de animais, assim como as mudanças climáticas, a poluição e espécies invasoras.
O relatório conclui que muitos desses fatores atuam juntos para agravar a situação.

O declínio em númerosRisco de extinção de espécies: aproximadamente 25% delas já estão ameaçadas de extinção na maioria dos grupos de animais e plantas analisados.

Ecossistemas naturais: diminuíram em média 47%.
Biomassa e abundância de espécies: a biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%. E os indicadores de abundância de vertebrados recuaram rapidamente desde 1970.
Natureza para os povos indígenas: 72% dos indicadores desenvolvidos pelas comunidades locais mostram uma deterioração contínua dos elementos da natureza importantes para eles.

O que o futuro nos reserva?

Tudo depende do que vamos fazer.Os autores analisaram uma série de cenários para o futuro, incluindo a trajetória atual, mas também examinaram opções baseadas em práticas mais sustentáveis.
Em quase todos os casos, as tendências negativas para o meio ambiente vão continuar para além de 2050.
Os únicos que não seguem em direção ao desastre ecológico envolveram o que os cientistas chamam de “mudança transformadora”.

O que significa a ‘mudança transformadora’?

O estudo não diz aos governos o que fazer, mas dá conselhos bem fortes.
Uma das ideias principais é se distanciar do “limitado paradigma do crescimento econômico”.
O relatório sugere deixar de lado o Produto Interno Bruto (PIB) como principal indicador de riqueza econômica e, em vez disso, adotar abordagens mais holísticas que capturem a qualidade de vida e os efeitos no longo prazo.
Eles argumentam que a nossa noção tradicional de “boa qualidade de vida” envolve o aumento do consumo em todos os níveis. E isso tem que mudar.
Da mesma forma, deve haver mudanças quando se trata de incentivos financeiros que prejudicam a biodiversidade.
“Os governos precisam acabar com os subsídios destrutivos, incluindo os combustíveis fósseis, a pesca industrial e a agricultura”, afirmou Andrew Norton, diretor do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento.
“Eles impulsionam a pilhagem da terra e do oceano às custas de um ambiente limpo, saudável e diversificado, do qual bilhões de mulheres, crianças e homens dependem agora e no futuro.”
A quantidade de terra e mar que está sob proteção precisa aumentar rapidamente – segundo os especialistas, um terço de nossas terras precisa ser preservado.
“Precisamos proteger metade do planeta até 2050, com uma meta intermediária de 30% até 2030”, afirmou Jonathan Baillie, da National Geographic Society.
“Então, devemos recuperar a natureza e impulsionar a inovação. Só assim deixaremos para as futuras gerações um planeta saudável e sustentável.”

Isso é pior que a mudança climática?

A mudança climática é um fator subjacente crucial que está ajudando a impulsionar a destruição em todo o mundo.
As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980 e as temperaturas subiram 0,7°C como resultado. Isso teve um grande impacto em algumas espécies, tornando sua extinção mais provável.
A avaliação global conclui que se as temperaturas subirem 2°C, então 5% das espécies estarão correndo o risco de extinção por causa do clima. Este percentual sobe para 16% se o mundo ficar 4,3°C mais quente.
“Da lista dos principais fatores determinantes do declínio da biodiversidade, a mudança climática é apenas a de número três”, afirmou o professor John Spicer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.
“A mudança climática é certamente uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta em um futuro próximo – então o que isso nos diz sobre o primeiro e o segundo (fator), alterações no uso da terra/mar, e a exploração direta? A situação atual é desesperadora e há algum tempo.”
Os autores do estudo esperam que sua avaliação se torne tão decisiva para o debate sobre a perda de biodiversidade quanto o relatório do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C foi para a discussão sobre a mudança climática.

O que eu posso fazer?

A ideia de ação transformadora não se limita apenas aos governos ou autoridades locais. Os indivíduos certamente podem fazer a diferença.
“Sabemos que a maneira como as pessoas se alimentam hoje é muitas vezes prejudicial para elas e para o planeta”, afirma Kate Brauman, uma das autoras do relatório.
“Podemos nos tornar mais saudáveis ​​como indivíduos ao adotar uma dieta mais diversificada, com mais legumes e verduras, e também podemos tornar o planeta mais saudável cultivando esses alimentos de maneiras mais sustentáveis”.
Além das opções de consumo e estilo de vida, outros autores acreditam que as pessoas podem fazer a diferença por meio da política.
“Pode ser mais importante para a sociedade investir mais em energias renováveis ​​do que em carvão”, afirma Rinku Roy Chowdhury, da Universidade Clark, em Massachusetts, nos EUA.
“Mas como você faz isso? Pelo comportamento individual, na cabine de votação.”
“Em vez de apenas economizar energia apagando as luzes, alguns meios menos óbvios podem ser por meio da ação política.”
Fonte: BBC Brasil

domingo, 5 de maio de 2019

Ativistas protestam contra desmatamento da Amazônia em Berlim.

Ativistas do movimento ambiental Extinction Rebellion (Rebelião da Extinção) protestaram nesta segunda-feira (29/04) em Berlim contra o desmatamento da Amazônia. A manifestação apoiou os  mais de 600 cientistas europeus que pediram para a União Europeia vincular as importações oriundas do Brasil à proteção do meio ambiente e dos direitos humanos.

“Compramos muitos produtos vindos do Brasil e temos a responsabilidade de dizer aos nossos líderes que não queremos esses produtos associados a danos ambientais ou abusos de direitos humanos do outro lado do mundo. Além disso, temos que tomar uma posição, principalmente, em relação ao impacto do desmatamento nas mudanças climáticas”, afirmou a zoóloga Claire Wordley, da Universidade de Cambridge, que organizou o protesto.
“Queremos lembrar os países europeus de suas responsabilidades. A UE tem uma ótima legislação para padrões ambientais e de direitos humanos, mas no momento eles são somente aplicados nos países europeus”, destacou Wordley, que também é uma das signatárias da carta apoiada por mais de 600 cientistas europeus, publicada na semana anterior na revista científica Science.
No manifesto, os pesquisadores pediram à União Europeia que faça um esforço maior para evitar importações do Brasil oriundas de regiões desmatadas ou de conflito agrário. No documento, o grupo destaca ainda a importância da Amazônia no combate ao aquecimento global.
Realizado diante do Portão de Brandemburgo, o protesto reuniu cerca de 40 pessoas, segundo a estimativa da polícia. Além de bandeiras com o símbolo da Extinction Rebellion, os ativistas levaram cartazes com dizeres: “Sem levante, sem futuro”, e fotografias de indígenas e da Floresta Amazônica.
Durante o ato, os ativistas destacaram a importância da Amazônia para o clima global e acusaram o presidente Jair Bolsonaro de promover uma política de destruição ambiental e de ameaça aos direitos dos povos indígenas. Os manifestantes também contestaram as alegações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que, em entrevista à GloboNews, disse que o manifesto não tinha credibilidade e que escondia uma guerra comercial com o Brasil, além de supostos interesses econômicos dos cientistas.
“Não fazemos ideia quais seriam os interesses econômicos que o ministro falou que temos. Publicamos a carta porque estamos preocupados com a situação no Brasil. Estamos fazendo isso para o nosso futuro e para o futuro dos brasileiros, especialmente os indígenas”, ressaltou Wordley.
Ao comentar a alegação de Salles de que o Brasil seria um exemplo de preservação do meio ambiente, Wordley argumentou que os impactos negativos do desmatamento da Amazônia já pode ser sentido e que eles podem piorar se o desmatamento continuar. “As políticas precisam ser muito mais duras do que estão sendo. Não podemos mais arcar com a destruição da Amazônia e também de outros ecossistemas no Brasil”, afirmou.
A pesquisadora destacou que a iniciativa dos cientistas europeus não é para banir as importações oriundas do Brasil, mas para estimular um comércio responsável e sustentável, que não gere danos ambientais e abusos de direitos humanos. “Não queremos comer desmatamento no jantar”, disse.
Após a leitura da carta, os manifestantes homenagearam os ativistas ambientais mortos no Brasil. Foram lidos os nomes de ambientalistas assassinados no ano passado e de indígenas mortos nos últimos anos.
A Extinction Rebellion surgiu em 2018, quando milhares de manifestantes tomaram as ruas de Londres. Desde então, os “rebeldes da extinção” do Reino Unido ocuparam pontes sobre o Tâmisa e se despiram no Parlamento Britânico. O movimento já se expandiu para mais de 30 países ao redor do mundo.
Recentemente, o movimento parece ter conseguido um associado ilustre. Um grafite atribuído ao artista britânico Banksy com mensagem de apoio à causa foi descoberto num dos cruzamentos mais movimentados de Londres.
Fonte: Deutsche Welle

Parlamento do Reino Unido declara emergência climática.

A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou nesta quarta-feira (1º) uma moção da oposição trabalhista para declarar “estado de emergência climática” no país. A medida chega em meio a uma série de protestos de jovens e ambientalistas em defesa de ações mais eficazes para combater o aquecimento global.

O objetivo da moção é zerar as emissões de gases nocivos antes de 2050 e aumentar os investimentos em fontes renováveis de energia. Durante os debates na Câmara, o secretário de Meio Ambiente do Reino Unido, Michael Gove, reconheceu a existência de uma emergência, mas descartou a hipótese de declará-la.
A moção não é vinculativa, ou seja, não obriga o governo a adotar nenhuma medida. “Este pode ser o início de uma série de ações. Assumimos o compromisso de trabalhar com outros países para afastar a catástrofe climática e deixar claro a Donald Trump que ele não pode ignorar os acordos internacionais”, disse o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, em referência ao Acordo de Paris.
Dezenas de cidades britânicas já declararam estado de emergência climática, como Londres e Manchester, além dos governos da Escócia e do País de Gales.
Fonte: ANSA

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Com apoio da ONU, Albânia capacita equipes em gestão sustentável de florestas.

Florestas em todo o mundo são extremamente importantes por uma série de razões, desde a purificação do ar que respiramos até o fornecimento de habitats para milhares de espécies, passando pela garantia de meios de subsistência para os seres humanos. Na Albânia, autoridades buscam novas estratégias para restaurar ecossistemas e ampliar a gestão sustentável das florestas. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Edmond Prifti, um especialista em projetos e investimentos de Kolonja, na Albânia, tenta há anos cultivar certas espécies de árvores em sua cidade. Embora terras possuídas pelo Estado estejam prontas para esse fim, a falta de conhecimentos de Prifti dificultou bastante o progresso na empreitada.
A Albânia tem sido palco de uma série de episódios infelizes na área ambiental, incluindo desmatamento, extração ilegal de madeira, erosão e enchentes. Esses acontecimentos contribuem para tornar a degradação do solo um grande problema no país.
“A degradação do solo agrícola e das pastagens, junto com o desmatamento dramático, representa um sério risco à segurança socioeconômica geral da região dos Bálcãs Ocidentais, especialmente levando em conta as rápidas mudanças climáticas”, afirma Sonja Gebert, da ONU Meio Ambiente.
As temperaturas nos Bálcãs Ocidentais devem aumentar 1,2°C no futuro próximo. Até o final do século, a elevação pode variar de 1,7 a 4,0°C, dependendo dos níveis de emissões globais de gases do efeito estufa. O aquecimento terá grandes impactos na agricultura, silvicultura e saúde da região.
Florestas em todo o mundo são extremamente importantes por uma série de razões, desde a purificação do ar que respiramos até o fornecimento de habitats para milhares de espécies, passando pela garantia de meios de subsistência para os seres humanos. Quando geridas de forma sustentável, as florestas podem ser uma ajuda valiosa na mitigação ou adaptação às mudanças climáticas.
Para ajudar pessoas como Prifti a superar lacunas de conhecimento, a ONU Meio Ambiente, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e o Ministério do Turismo e do Meio Ambiente da Albânia uniram esforços para promover a gestão sustentável de terras, por meio da restauração de ecossistemas.
O projeto tem o apoio do Centro de Treinamento Florestal da Áustria, que está ajudando autoridades albanesas a capacitar seus agentes. Técnicos austríacos têm compartilhado boas práticas com seus pares albaneses, gerando aprendizado e respostas mais eficientes à degradação do solo. O objetivo é impulsionar a gestão sustentável dos recursos florestais da Albânia.
A ONU Meio Ambiente lembra que esse tipo de cooperação é uma maneira de promover abordagens multilaterais para responder às mudanças climáticas. A troca também pode ter um impacto positivo mais amplo na região dos Bálcãs Ocidentais.
A Áustria é conhecida por seu uso sustentável da terra. Seu setor de florestas se tornou um forte pilar econômico do país, mas sem prejudicar o meio ambiente ou a biodiversidade. O exemplo austríaco mostra que é possível desenvolver um setor próspero de processamento de madeira e, ao mesmo tempo, proteger ecossistemas.
“Gerir nossas florestas com sucesso, dentro de limites ecológicos, econômicos e técnicos, e ao mesmo tempo melhorar a segurança, (isso) exige especialistas com um alto nível de conhecimento teórico e de habilidades práticas”, aponta Johann Zöscher, chefe do Centro de Treinamento Florestal da Áustria, localizado em Ossiach.
Com seus colegas austríacos, autoridades albanesas adquiriram conhecimentos sobre gestão e planejamento de florestas e descobriram como a tecnologia desempenha um papel essencial no setor florestal austríaco. Ela é usada, por exemplo, para colher madeiras e para realizar inventários florestais, produzindo dados que são usados em decisões políticas e também na construção de redes internacionais de monitoramento.
Participantes do workshop aprenderam ainda como produzir e armazenar sementes e mudas. Especialistas austríacos compartilharam habilidades em gestão sustentável de viveiros de árvores. No país, esses “criadouros” funcionam como empresas parcialmente estatais.
“Adotar este tipo de modelo comercial na Albânia, especialmente em Kolonja, onde já temos terras possuídas pelo Estado para este propósito, será um grande passo para ajudar nossas florestas a crescer”, reconheceu Prifti.
O aumento da cobertura florestal também pode diminuir os riscos de saúde ambiental mais urgentes de nosso tempo: a poluição do ar, que todos os anos mata 7 milhões de pessoas no mundo. As principais fontes de poluição do ar são as mesmas que impulsionam as mudanças climáticas — o que significa que esforços para mitigar um problema podem ajudar a combater o outro.
Árvores podem contribuir com essa causa, pois conseguem absorver grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa e remover poluentes. Uma única árvore consegue retirar mais de uma tonelada de CO2 da atmosfera durante seu tempo de vida, dando aos viveiros de árvores um bom custo-benefício para limpar o ar e mitigar as mudanças climáticas.
Os benefícios de ecossistemas florestais são amplos e podem ser ambientais, socioculturais e econômicos. A proteção das florestas, por meio de estratégias viáveis de gestão, como a que a Albânia busca, é essencial para garantir um futuro sustentável para todos.
A poluição do ar é tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, celebrado em 5 de junho. A qualidade do ar que respiramos depende das escolhas que fazemos todos os dias. Saiba mais sobre como a poluição do ar afeta você e o que está sendo feito para limpar o ar. O que você está fazendo para reduzir a pegada das suas emissões? As celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente 2019 serão sediadas pela China.
Fonte: ONU

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Ibama controla número recorde de focos de calor em RR.

O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Ibama controlou na segunda metade de abril incêndios florestais que atingiam as terras indígenas São Marcos, Raposa Serra do Sol, Araçá, Serra da Moça, Tabalascada, Malacacheta e Canauanim, que totalizam cerca de 2,5 milhões de hectares em Roraima.

Em março, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia identificado 2.433 focos de calor na região, índice mais elevado nos últimos dez anos. Somente nos dez primeiros dias de abril, foram registrados outros 853. Em 2018, haviam sido contabilizados 181 focos no mesmo período.
Os preparativos para o enfrentamento do período de estiagem no estado tiveram início em setembro de 2018, com a seleção, capacitação e contratação de 116 brigadistas temporários.
Em novembro começaram as atividades de prevenção, educação ambiental e definição de cronograma para queimas controladas. Antes que o ano chegasse ao fim, já haviam sido realizadas 605 queimas prescritas em áreas de lavoura, 105 atividades de conscientização sobre problemas relacionados ao fogo e 82 queimadas controladas de roça com a participação das comunidades.
O combate aos incêndios florestais foi iniciado em janeiro. O maior risco foi constatado em Pacaraima, onde incêndios simultâneos ameaçavam comunidades indígenas e a linha de transmissão de Guri.
Além dos 116 brigadistas, foram mobilizados 11 técnicos, três helicópteros, 13 caminhonetes e um caminhão para combate às chamas. Algumas prefeituras municipais contribuíram com apoio logístico.
Fonte: Ibama