terça-feira, 5 de novembro de 2019

Rochas da Terra são capazes de absorver quantidade impressionante de carbono.

Já acumulei cerca de 12,2 quilos de carbono durante a minha vida adulta. Você também está transportando carbono: cerca de 18% do seu corpo é constituído por átomos de carbono. Todos esses átomos já estiveram presentes nos alimentos que consumimos e, antes disso, no ar, nos oceanos, nas rochas e em outras formas de vida. O carbono, elemento proveniente de estrelas que explodiram, é essencial para todas as formas de vida e, portanto, o fato de mais de 90% do carbono do planeta ser subterrâneo é algo surpreendente.
Ainda mais impressionante é a descoberta de que a vida, na forma de micróbios e bactérias, prospera em tamanha abundância quilômetros abaixo de nossos pés que sua massa total de carbono é até 400 vezes maior que todos os 7,7 bilhões de humanos na superfície. O fato de um dos maiores ecossistemas da Terra estar nas profundezas do planeta é apenas uma das diversas descobertas do projeto Observatório de Carbono Profundo (DCO na sigla em inglês), que durou uma década e reuniu 1,2 mil pesquisadores de 55 países para explorar o funcionamento interno do nosso planeta.
O congresso do DCO aconteceu em Washington, D.C., de 24 a 26 de outubro, com centenas de cientistas de todo o mundo unidos para compartilhar e comemorar os resultados.
“Agora sabemos que a biosfera da Terra e sua geosfera são um sistema integrado e complexo, e o carbono é a chave”, afirma o Diretor Executivo do DCO, Robert Hazen, do Instituto Carnegie de Ciência. “Esta é uma forma totalmente nova de olhar para o nosso planeta”, diz Hazen em uma entrevista.
Na última década, o DCO lançou 268 projetos e produziu 1,4 mil estudos revisados por pares. Veja alguns destaques das dezenas, ou talvez centenas, de novas descobertas surpreendentes sobre o interior da Terra, incluindo seu papel no início à vida.

Entrada e saída de carbono

O carbono das plantas e dos animais se aprofunda no solo devido ao processo de subducção — quando as placas oceânicas afundam abaixo das placas continentais — que ocorre há centenas de milhões de anos. Esse carbono, que antes tinha vida, foi descoberto dentro de diamantes que se formaram 410 a 660 quilômetros abaixo da superfície. Se permitido tempo suficiente, o carbono na forma de diamantes, rochas ou dióxido de carbono proveniente de emissões de vulcões retorna à superfície, e recebe o brilho do Sol novamente.
Em outras palavras, assim como nós, o nosso planeta está constantemente ingerindo e expelindo carbono, geralmente na forma de dióxido de carbono (CO2). Esse ciclo de carbono que antes era estável foi interrompido, pois o homem passou a acelerar o retorno do carbono à superfície, escavando e queimando grandes quantidades de hidrocarbonetos: petróleo, gás e carvão. Ao mesmo tempo, derrubar florestas, construir cidades e estradas, e transformar a superfície prejudicaram a capacidade do planeta de ingerir carbono.
“As mudanças climáticas representam uma ameaça existencial à humanidade, não em um futuro distante, mas na próxima geração ou duas”, afirma ele.
Nos próximos 20 a 40 anos, as emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis precisarão ser eliminadas e grandes quantidades de CO2 já existentes na atmosfera precisam ser removidas para evitar que o aquecimento global atinja níveis extremamente perigosos.
No entanto novas informações sobre o ciclo do carbono profundo revelado pelo DCO deixam Hazen esperançoso. Há métodos naturais de sequestrar carbono que são “incrivelmente poderosos”, conta ele.

Observando o crescimento das rochas

Um desses métodos de sequestro envolve uma grande placa de rocha levantada do manto superior da Terra há muito tempo, na região onde hoje é o Omã. Conhecida como Ofiolito Samail, a erosão e a vida microbiana dentro da rocha retiram o dióxido de carbono do ar e o transformam em minerais carbonatados.
O processo é tão eficaz que “é possível observar o dióxido de carbono sendo sugado para fora da atmosfera e depositado na forma de rocha bem diante de nossos olhos”, diz Hazan.
Experimentos que bombearam fluidos ricos em carbono na formação rochosa de ofiolito mostram que os minerais carbonatados se formam muito rapidamente. Isso poderia remover bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, embora fosse um projeto enorme e muito diferente para o Omã, que depende das receitas geradas pelo petróleo, ele afirma.
Ofiolitos também são encontrados na América do Norte, África e em outros lugares. Outra forma natural de sequestro de carbono envolve rochas de formações de basalto, como as encontradas no Havaí, que podem absorver CO2 do ar quando trituradas. Na Islândia, outro projeto de sequestro natural do DCO, o CarbFix, envolve injetar fluidos contendo carbono no basalto e observá-los serem convertidos em material sólido.
Essas novas descobertas sobre a capacidade da Terra de absorver carbono “me deixam bastante otimista”, diz Hazen.

Um pouco sobre vidas alienígenas

O DCO também deu uma injeção de ânimo no que diz respeito às possibilidades de vida em outros planetas. Diamantes puros não contêm nada além de carbono, mas a maioria apresenta pequenas impurezas. Eles podem resultar em joias de má qualidade, mas seu valor é inestimável no campo da pesquisa. Essas impurezas, chamadas inclusões, revelaram metano “abiótico” como fonte de energia para a vida nas profundezas da Terra.
Quando a água entra em contato com a olivina, mineral bastante abundante, sob intensa pressão, a rocha se transforma em outro mineral, a serpentina, e ainda produz metano abiótico. Se os micróbios conseguem sobreviver utilizando energia química de rochas sob temperaturas e pressões extremas à tamanha profundidade, o mesmo pode ocorrer em outros corpos planetários.
A descoberta também alimenta a hipótese de que a vida se originou primeiro e evoluiu nas profundezas do planeta, não nos oceanos, como se acredita amplamente.
“O Observatório de Carbono Profundo produziu evidências importantes” para essa hipótese, diz Jesse Ausubel, da Universidade Rockefeller e consultor científico da Fundação Alfred P. Sloan.
Os diamantes também forneceram aos pesquisadores do DCO evidências de que as profundezas da Terra abrigam mais água — em sua maioria aprisionada em cristais de minerais, como íons, e não em sua forma líquida — do que todos os oceanos do mundo. Assim como o carbono, acredita-se que a subducção das grandes placas continentais e oceânicas tenha levado água às profundezas do planeta.

Alarmes da Terra

Os projetos do DCO que monitoram gases provenientes de vulcões resultaram na primeira detecção de uma alteração na proporção de CO2 para dióxido de enxofre (SO2) emitida antes da erupção de um vulcão na Costa Rica, oferecendo um possível sistema de alerta precoce.
“A alteração na proporção de gases antes de uma erupção era apenas uma teoria, mas o DCO nos permitiu desvendar isso”, disse Sami Mikhail, da Universidade de St. Andrews. “Pode funcionar como uma campainha, que nos avisa quando tem alguém à porta.”
Vários vulcões próximos a áreas povoadas, incluindo o Tungurahua, no Equador, o Etna, na Itália, e o Soufrière Hills, em Montserrat, estão sendo monitorados. Essas e outras estações de monitoramento de vulcões também forneceram evidências definitivas de que as emissões de CO2 dos vulcões correspondem a uma fração minúscula comparado às emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis. Os que negam o impacto da ação do homem nas mudanças climáticas há muito culpam os vulcões pelo aumento da concentração de CO2 na atmosfera.
Embora o DCO tenha sido encerrado, a comunidade global de cientistas de carbono profundo continuará a realizar novas pesquisas e a trabalhar em pesquisas já existentes, com o apoio de subsídios da Nasa, da Fundação Nacional de Ciências, da Fundação Alemã de Pesquisa, do Instituto Canadense de Pesquisa Avançada e de outras instituições.
O Instituto de Física do Globo de Paris será utilizado para a nova sede.
Fonte: Stephen Leahy – National Geographic

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Crise do petróleo no Nordeste: fragmentos de óleo são encontrados em Abrolhos, diz Marinha.

Pequenos fragmentos de óleo foram encontrados em Abrolhos neste sábado. A região, no extremo sul da Bahia, tem a mais extensa bancada de corais do Brasil e resguarda a maior biodiversidade marinha da porção sul do Atlântico.
A Marinha informou que foram retirados fragmentos de óleo em Ponta da Baleia, em Caravelas, e na Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos. A remoção foi feita pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A preocupação com a chegada do óleo em Abrolhos aumentou nos últimos dias. Na segunda-feira (28), surgiram os primeiros sinais de que, de fato, a mancha estava se aproximando de Abrolhos. Segundo a organização Conservação Internacional, pescadores retiraram do alto mar cerca de 40 quilos de óleo, perto da Reserva Extrativista (Resex) Canavieiras.
A entidade afirmou ainda que pequenas manchas já foram avistadas em praias das cidades de Belmonte e Santa Cruz Cabrália, que estão ao sul de Canavieiras e mais próximas ao núcleo central do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Até ali, os sinais eram de que o material tinha chegado à região de Abrolhos, mas não ao parque nacional.
Na ocasião, a professora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Zelinda Leão, que desde a década de 1970 estuda os recifes de coral ali presentes, disse que “nada poderia ser pior” que as manchas de óleo chegarem a Abrolhos.
Com a maior biodiversidade marinha da porção sul do Atlântico, o santuário na Bahia já tem mais de 1.300 espécies registradas entre fauna e flora.
A região possui ainda a maior produção pesqueira da Bahia, movimentando aproximadamente R$ 100 milhões por ano e provendo sustento a mais de 20 mil famílias.
Não à toa, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, criado em 1983, é a primeira unidade de conservação marinha do país, protegendo o arco de recifes costeiros e o Arquipélago dos Abrolhos, formado por cinco ilhas.
Soma-se a tudo isso, já chegando na terra, rios que penetram por imensos manguezais, como o da Reserva Extrativista de Cassurubá, que tem mais de 10 mil hectares.
Segundo Zelinda Leão, se o óleo atingir os corais é muito provável que eles morram, dando início a uma reação em cadeia de total desequilíbrio do ecossistema. Sem os corais, os organismos satélites somem, levando embora também moluscos, crustáceos e peixes que deles se alimentam.
Na ponta da cadeia, estão as baleias jubarte, que todos os anos deixam o Polo Sul para se reproduzir nestas águas da Bahia – também graças aos corais.
Fonte: BBC

domingo, 3 de novembro de 2019

Ave ameaçada inspira modelo de negócio para preservá-la no Paraná.

Além dos benefícios socioambientais, conservar a natureza também pode ser um negócio rentável. Negócios e investimentos de impacto – termos que têm ganhado espaço no desenvolvimento de novos modelos de geração de renda – trazem essa perspectiva. Eles objetivam garantir retorno socioambiental positivo à sociedade e ganho financeiro ao empreendimento, simultaneamente. Nesse contexto, o projeto Ateliê Bicudinho-do-Brejo, desenvolvido no litoral paranaense, é um exemplo.
A partir de um programa de conservação da espécie, conduzido há mais de 20 anos com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a bióloga e idealizadora da Reserva Bicudinho-do-Brejo, Bianca Reinert, encontrou na arte com cerâmica uma nova forma de homenagear o passarinho e fazer com que as pessoas olhassem e valorizassem o ambiente ao redor dele. “Entendemos que os negócios também podem e devem gerar formas de conservação da natureza. Está mais do que na hora de entendermos que a conservação não deve contar apenas com recursos de caráter filantrópico, mas também com recursos privados. No caso do bicudinho, a reserva tem potencial de captar recursos e o ateliê apoia na sensibilização de atores de outras áreas do conhecimento para a causa”, comenta Thiago Valente, analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário.

Legado

Foi em 2016, por conta de um câncer que a impedia de continuar indo a campo, que Bianca Reinert, falecida em setembro de 2018, deixou o seu lado artístico falar mais alto e começou a produção de colares de argila. Nesse momento, a parceria e o apoio do marido – e também biólogo –, Ricardo Lopes, foram essenciais, sendo ele o primeiro a modelar um pequeno passarinho de cerâmica. A partir daí, o projeto desenvolveu uma série de produtos artísticos – entre canecas e outros artigos, acessórios e um livro – que sustenta a ação, sem auxílio financeiro de outros atores. “Iniciamos esse trabalho pensando somente na renda que teríamos para ajudar no projeto da reserva. Do valor arrecadado, uma parte fica para o projeto e outra para as despesas do ateliê. Nessa iniciativa sempre fomos eu e ela, mas contamos com a ajuda de algumas pessoas que embarcaram nessa jornada com a gente”, conta Lopes.
Ao unir arte e conservação, informação e cultura, Ricardo deseja tornar conhecido um mundo tão próximo das pessoas, mas ainda pouco apreciado: o da natureza. O ateliê tem como objetivo gerar recursos para a manutenção do Projeto Bicudinho-do-Brejo na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba, que continua ativa pela conservação da espécie e em memória à Bianca. O estúdio está atualmente montado na residência de Ricardo, mas a intenção é mudar a estrutura para uma chácara em Piraquara (PR). “Hoje, nossa venda é por meio da divulgação que fazemos nas redes sociais e em algumas lojas de aromaterapia, que comercializam nossos produtos, entre eles um colar difusor de óleos essenciais aromáticos na forma do passarinho”, conta o biólogo.
Recentemente, o ateliê participou do Projeto Legado 2018 com o objetivo de refinar seu modelo de negócio para ampliar seu impacto socioambiental. A Fundação Grupo Boticário contribuiu tecnicamente para que o projeto do bicudinho se encaixasse nas normas e seguisse adiante. A iniciativa reuniu 44 organizações em uma jornada que incluiu mentorias e capacitações nas áreas de marketing, gestão de projetos, planejamento e aspectos jurídicos. Após essas ações, uma pré-banca foi realizada e dali selecionadas as doze organizações mais promissoras, entre elas o Ateliê. “O projeto não ficou entre os três selecionados, mas, é importante ressaltar que o Ateliê Bicudinho-do-Brejo é um projeto novo e que tem muito a crescer”, comenta Thiago Valente.
De acordo com Julyanna Costa, coordenadora do Projeto Legado, a participação de iniciativas como a do Ateliê é muito importante porque traz para o debate do ecossistema de empreendedorismo social também o aspecto ambiental. “Para o Ateliê, a maior contribuição do Projeto foi a descoberta de um modelo de negócio sustentável, que permite que o trabalho deles alcance maior escala e faz com que o impacto deles seja ainda maior e mais eficiente. Outra coisa importante foi que despertamos a ideia de envolver a comunidade para aumentar a equipe, e agora eles vão dar empregos na região e criar uma rede de artesãos locais envolvidos com o projeto”, comenta Julyanna.

Sobre a Reserva Bicudinho-do-Brejo

A Reserva Bicudinho-do-Brejo, adquirida em 2009, está localizada na entrada da Lagoa do Parado, no município de Guaratuba (PR). Está em andamento o processo de criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na região. Atualmente, a reserva tem 43 hectares e conta com uma casa com capacidade para oito pessoas, a qual é usada como base para pesquisa. Na área, além do próprio bicudinho-do-brejo, podem ser encontradas outras espécies de aves ameaçadas, como a maria-da-restinga, a maria-catarinense, o papagaio-da-cara-roxa, o apuim-de-costas-pretas e a saíra-sapucaia, revelando grande potencial para uso público e observação de aves, mecanismos que também podem desenvolver economicamente a região.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.
Fonte: Fundação Grupo Boticário

Como cabras ajudaram a salvar biblioteca presidencial de Reagan dos incêndios na Califórnia.

Um rebanho de 500 cabras ajudou a salvar a Biblioteca Presidencial Ronald Reagan dos recentes incêndios na Califórnia.
Reagan foi presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989. Em maio, como medida preventiva, a biblioteca “contratou” as cabras de uma empresa local para que elas comessem uma área de pasto — material altamente inflamável — que ficava no entorno do complexo.
As cabras comeram o mato, criando uma barreira contra o avanço do fogo. Essa área “livre” das chamas deu aos bombeiros mais tempo para reagir aos incêndios.
Há mais de uma semana, uma onda de incêndios atinge a Califórnia. Há alguns dias, o fogo chegou a Los Angeles, segunda maior cidade americana, o que causou a evacuação de centenas de prédios e o corte de energia elétrica como medidas de segurança.
A biblioteca de Reagan fica perto de Los Angeles e acabou ameaçada pelo fogo.
Entre as cabras, havia animais chamados Vincent van Goat, Selena Goatmez e Goatzart. Os apelidos são uma brincadeira que juntou a palavra “goat” (cabra ou bode, em inglês) com os nomes dos artistas Vincent Van Gogh, Selena Gomez e Mozart.
Os animais ajudaram a salvar algumas exposições hospedadas na biblioteca, incluindo uma peça do Air Force One (avião presidencial dos Estados Unidos) e um pedaço do Muro de Berlim.
“Um dos bombeiros nos disse que eles acreditavam que a barreira contra o fogo facilitava o trabalho (de combate ao incêndio)”, disse Melissa Giller, porta-voz da biblioteca.
As cabras foram contratadas de uma empresa local — a 805 Goats — para limpar cerca de 52 mil metros quadrados de terra.
O empresário Scott Morris abriu a empresa em novembro passado. Enquanto a Califórnia continuar a ter ondas de incêndios, Morris diz que precisará dobrar seu rebanho para atender à demanda.
Outra grande instituição do sul da Califórnia — o Museu Getty, em Los Angeles — também foi protegida nesta semana pelo trabalho de limpeza realizado pelos funcionários.

O que aconteceu com os animais?

Fazendeiros e voluntários têm se esforçado para retirar animais de fazendas que estão no caminho do fogo na Califórnia, levando-os para trailers ou a outros locais seguros.
Em alguns casos, quando as chamas se movem muito rapidamente, os animais são simplesmente soltos na esperança de que possam escapar por conta própria e, mais tarde, recuperados.
Juntamente com seus donos, os animais de estimação também foram retirados de suas casas, mas muitos morreram ou se perderam.
Um grupo de Facebook de resgate de animais de estimação, dedicado a ajudar a devolver pets perdidos a seus donos, é diariamente inundado com fotos de bichos desaparecidos em meio aos incêndios.
Vários abrigos sob ameaça de incêndio também tiveram que evacuar os animais.
Dos mais de dez incêndios florestais em atividade na Califórnia, o chamado Kincade Fire, no norte do Estado, é o maior, com cerca de 3,7 milhões de metros quadrados queimados até o momento.
Na sexta-feira (25/10), o governador Gavin Newsom declarou estado de emergência em toda a Califórnia.
Fonte: BBC

sábado, 2 de novembro de 2019

Conheça as origens desses cristais do tamanho de uma pessoa.

Essas cavidades reluzentes, repletas de lustrosos cristais, apelidas de geodos, costumam passar por pequenos artigos que cabem em uma prateleira. Algumas, no entanto, assemelham-se mais a gigantescas catedrais ornadas com torres de vidro.
O Geodo de Pulpí, descoberto em 1999 no interior de uma mina de prata abandonada, na província de Almería, Espanha, é um dos maiores do mundo. Trata-se de uma cavidade de cerca de 11 metros cúbicos de volume, adornada de imponentes cristais de gipsita de quase dois metros de comprimento. Por conta das impressionantes dimensões desse templo de espirais transparentes, os cientistas já há muito anseiam por conhecer sua origem.
Conforme relatado na revista científica Geology, Juan Manuel García-Ruiz, da Universidade de Granada, e seus colegas suspeitam que a formação do local tenha envolvido um misto de canibalismo químico — cristais minúsculos sendo devorados pelos irmãos maiores — e mudanças climáticas primitivas.
No novo estudo, García-Ruiz também empregou as técnicas de detetive utilizadas em uma análise anterior que realizou em um sítio com espécimes ainda maiores — a Caverna dos Cristais, que ostenta cristais de gipsita de 10 metros de altura, na mina de Naica, no México. Com mais pesquisa, nossa compreensão acerca dos geodos gigantes se expandirá com o tempo — e isso é importante.
“Para mim, os cristais gigantes de Naica, ou o geodo de Pulpí, são como as pirâmides do Egito”, diz García-Ruiz. Todos eles são monumentos memoráveis, mas esses geodos já estão há eras em formação, sendo efetivamente insubstituíveis.
Ao decifrarmos os mistérios que os envolvem, afirma ele, poderemos apreciá-los melhor e preservá-los por muitas eras mais.

Receita para um geodo

“Não se pode fazer um geodo”, diz Gabriela Farfan, mineralogista ambiental do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano, que não participou do estudo. No caso de alguns geodos, no entanto, a ciência envolvida é basicamente a mesma.
Uma cavidade rochosa — buracos que foram em algum momento bolhas de gás escapando do magma, rachaduras criadas pelo movimento tectônico e assim por diante — recebe a infiltração de fluidos hidrotermais. Uma vez dentro, os elementos que se dissolvem a partir deles acabam se cristalizando nas paredes internas. A combinação de temperaturas estáveis, a abundância de ingredientes e a passagem de um grande período costuma resultar em cristais maiores.
A gipsita não é exceção. Sua composição química contém sulfato de cálcio, junto a diversas moléculas de água. Há também o anidrido, que é o sulfato de cálcio sem a água. Abaixo dos 57ºC, a gipsita transforma-se no composto mais estável, com o anidrido se dissolvendo na água sem qualquer esforço, criando o que seriam os tijolos da gipsita. Quando a água se vai, a gipsita se cristaliza.
A gipsita, contudo, tem uma particular aptidão para a formação de cristais de porte colossal, afirma Mike Rogerson, cientista de sistemas terrestres da Universidade de Hull, que não participou do trabalho. A composição cristalina da gipsita pode receber muita água, produzindo um grande volume com uma massa relativamente pequena de anidrido.
Só que essa característica não explica sozinha os cristais do tamanho de um ser humano encontrados no Geodo de Pulpí.

Clima favorável aos cristais

O anidrido encontrado em Pulpí teve início há cerca de 250 milhões de anos, durante o período Triássico, quando ainda existia o supercontinente Pangeia e já se iniciara a era dos dinossauros. É difícil estabelecer o momento do crescimento da gipsita, porque os cristais contêm poucas impurezas datáveis, mas a manta de carbonato que cobre os cristais, submetida à datação radiométrica, revela que eles se formaram há, pelo menos, 60 mil anos. Com base no tempo da deformação tectônica presente no sítio, acredita-se que começaram a crescer há, no máximo, dois milhões de anos.
Os minerais de alta temperatura, como a barita e a celestina, apareceram primeiro. O sistema hidrotérmico quente, contudo, acabou se esvaindo. As temperaturas caíram para baixo do limite mínimo crítico dos 57ºC e, por fim, estabilizaram-se em 20ºC por um longo período. Tendo à disposição tais condições perfeitas, houve uma cristalização em massa da gipsita.
Também se acredita que as enormes proporções desses cristais tenham, como culpado parcial, um estranho fenômeno químico conhecido como Amadurecimento de Ostwald. Na fervura dessa sopa química, os cristais menores de gipsita se dissolvem na mistura e, então, têm seus ingredientes canibalizados pelos cristais maiores, o que alavanca o crescimento destes.
Ao mesmo tempo, o ambiente subterrâneo passou por oscilações térmicas ao longo dos períodos geológicos, alternando para mais ou para menos de 20ºC. Em épocas levemente mais quentes, esses cristais menores se dissolvem com mais facilidade. Em tempos um tanto mais frios, os cristais maiores conseguem crescer mais. O efeito final disso tudo, diz García-Ruiz, é a amplificação do processo de amadurecimento.
Quanto ao que teria causado essas pequenas variações térmicas ao longo de períodos tão longos, a equipe aponta para os ciclos naturais de aquecimento e resfriamento do planeta, orientados pelas variações na circunavegação da Terra em torno do Sol.

Sinal dos tempos

Estabelecer uma narrativa da evolução de Pulpí foi mais desafiador que a da Caverna dos Cristais de Naica, que ainda é um sítio hidrotérmico ativo, afirma García-Ruiz. Os cristais de lá ainda estão crescendo, o que torna um pouco mais fácil fazer a engenharia reversa da evolução deles. A atividade hidrotérmica de Pulpí já está extinta, fazendo o local assemelhar-se mais a um fóssil.
Talvez em função dessa dificuldade, nem toda a verdade sobre a história do Geodo de Pulpí está “cristalina”.
Um trabalho experimental com cristais em laboratório sugere que essas oscilações na temperatura, e não o amadurecimento de Ostwald, consistem no mecanismo dominante por trás dos grandes cristais, observa Farfan. Dito isso, os cristais de Pulpí se formaram com temperaturas diferentes e são significativamente maiores que os cristais de laboratório, de modo que é difícil afirmar se valem sempre as mesmas regras.
Rogerson salienta que as variações na temperatura climática podem não ter a capacidade de alterar significativamente o ambiente em torno de um geodo subterrâneo. Na verdade, é mais plausível que as oscilações no próprio ambiente geotérmico tenham causado as pequenas mudanças térmicas que acabaram sendo vetores do crescimento.
É possível, porém, que as mudanças climáticas também tenham desempenhado algum papel. As épocas mais quentes e úmidas mergulhariam o sítio numa maior quantidade de água e promoveriam a dissolução do anidrido, ele afirma. As épocas mais frias e secas permitiram a cristalização de grandes volumes de gipsita.
Rogerson acrescenta que aprecia a tentativa de revelar a história original desse geodo — aliás, de qualquer geodo gigante. Pelo fato de o desenvolvimento desses cristais ter uma história incerta, a ciência por trás dele, e o que se comunica ao público, às vezes apresenta lacunas.
“É animador poder pegar esses pedaços de celebridade geológica e dar um pouco mais de substância”, ele afirma.
Fonte: Robin George Andrews National Geographic

Cientistas desenvolvem projetos para reaproveitar o óleo que está poluindo o litoral do Nordeste.

Desde que a primeira mancha de óleo foi observada no dia 30 de agosto no estado da Paraíba, munícpios e governos tentam combater o pior desastre ambiental já registrado na região: mais de 250 locais que incluem praias e reservas ambientais já foram contaminados pelo vazamento, que ainda não tem origem oficialmente esclarecida. Já foram recolhidas mais de 1 mil toneladas do resíduo, mas a questão que fica é: qual será o destino desse óleo todo?
Em nota enviada à GALILEU, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conta que parte do material recolhido está a cargo da Petrobras e o restante do resíduo recolhido foi destinado a empresas de tratamento ligadas a governos estaduais e municipais.
“Está sendo feito um trabalho de interlocução direta com os estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para, oportunamente, realizar a destinação final ambientalmente adequada”, diz o instituto.
A indústria do cimento
Em Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife, o petróleo está sendo utilizado em fábricas cimenteiras, além de servir como matéria-prima para fabricar combustível usado pelas indústrias. O processo de reaproveitamento do óleo ocorre no centro de tratamento de resíduos Ecoparque Pernambuco (CRT).
O diretor técnico do CRT, Laércio Braga Chaves, conta à GALILEU que desde sábado chegaram ao centro de tratamento mais de 18 toneladas de petróleo. “O óleo é misturado com outros resíduos industriais que a gente recebe como papelão, papel, plástico e madeira”, diz.
Segundo Chaves, a mistura de materiais passa por um pré-triturador, segue por uma esteira e por uma peneira, saindo mais fino. Depois, passa por outra peneira e por um triturador com mecanismo de rotação. O resultado é uma mistura energética, conhecida como blend, formada de pequenas partículas de cinco milímetros, que depois é vendida para duas fábricas cimenteiras no estado vizinho da Paraíba.
As indústrias usam esse produto nos fornos como combustível: de acordo com especialistas, tal material conta com um maior poder de queima e substitui outro derivado do óleo usado pelas indústrias de cimento, chamado de coque. Chaves explica que essa opção é melhor do que levar o petróleo até aterros sanitários, onde o material pode degradar o solo. 
Fonte: Revista Galileu

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Bolha do tamanho de um ser humano flutua por mergulhadores – e está cheia de lulas bebê.

Três mergulhadores do navio de pesquisa norueguês REV Ocean encontraram um saco gigante transparente enquanto visitavam um naufrágio da Segunda Guerra Mundial em Ørstafjorden, a cerca de 200 metros da costa na Noruega.
Ao nadar de volta à costa, a uma profundidade de 17 metros, eles notaram a estranha bolha – uma espécie de saco recheado de ovos de lula.
O vídeo abaixo foi compartilhado na plataforma YouTube no dia 6 de outubro. Nele, um dos mergulhadores circula a bolha iluminando-a com uma lanterna.
Enquanto inicialmente parece apenas um saco desajeitado com uma massa escura no centro, mais para o final da filmagem é possível enxergar os verdadeiros e minúsculos ovos de lula que o habitam.

Raro

Apesar de não ser uma visão comum, essa não é a primeira vez que mergulhadores se deparam com uma bolha de ovos de lula. Houveram outros registros na própria Noruega, além de Espanha, França e Itália.
Esses sacos são difíceis de estudar, entretanto, uma vez que suas membranas são muito delicadas. Mesmo assim, pesquisadores realizaram análises de DNA em uma dessas bolhas em 2017, confirmando que se tratavam de ovos de lula da espécie Illex coindetii (foto abaixo).
A nova esfera observada pelos noruegueses é parecida com um saco de Illex coindetii na aparência, tamanho e localização, de forma que também deve pertencer à espécie. Enquanto parece se comparar a um ser humano no vídeo, esses sacos possuem tipicamente um metro de diâmetro.
“A massa escura é provavelmente tinta da lula fêmea, que a injetou enquanto fazia a esfera”, explicou Halldis Ringvold, pesquisador do Sea Snack Norway e líder do projeto “Huge Spheres”, uma investigação de tais sacos esféricos.

Illex coindetii

Um ovo de lula Illex coindetii mede cerca de 0,2 centímetros em diâmetro quando o filhote está pronto para nascer.
Fêmeas podem produzir entre 50.000 e 200.000 ovos de uma vez nesses sacos. O processo embrionário leva cerca de 10 a 14 dias em uma temperatura aquática de 15 graus Celsius.
Além dos vídeos e fotos, os pesquisadores estão coletando amostras de tecido da bolha recentemente encontrada, para aprender mais sobre esses animais elusivos. [LiveScience]
Fonte: Hypescience