quinta-feira, 7 de maio de 2020

Corais no litoral do Nordeste estão sofrendo branqueamento em massa, alertam pesquisadores.

O evento, que acontece quando algas simbiontes morrem devido ao aumento de temperatura da água, foi registrado em recifes desde o norte da Bahia até o Rio Grande do Norte.

Corais branqueados próximos a cidade de Tamandaré, litoral de Pernambuco. Devido às restrições de mobilidade impostas pela pandemia, o monitoramento dos recifes está limitado, o que dificulta a avaliação da exata gravidade do problema.
FOTO DE BEATRICE PADOVANI/REEF CHECK, PELD-TMAS
O branqueamento ocorre quando a temperatura da água aumenta e mata as algas simbiontes que vivem no tecido dos corais chamadas zooxantelas. Como o coral depende das algas para se alimentar, pode eventualmente morrer.
FOTO DE BEATRICE PADOVANI/REEF CHECK E PELD-TMAS

Nem tudo são golfinhos, tartarugas e baleias voltando o ocupar áreas que antes não víamos. Enquanto o planeta convive com a pandemia, pelas águas do Nordeste brasileiro outra epidemia se alastra desde o último verão devido à temperatura do mar acima da média, uma anomalia térmica. E esta doença está afetando outro tipo de vida animal marinha.

Pesquisadores alertam para um grande evento de branqueamento em recifes de corais desde o norte de Salvador, na Bahia, até o Rio Grande do Norte. Com águas chegando a 30° C, 2 graus acima da média para a época, o NOAA – a agência do governo americano que monitora oceanos – emitiu o alerta 2 de branqueamento, o mais alto, quando existe a possibilidade de morte de corais. A agência monitora corais do mundo inteiro e tem sete estações virtuais na costa brasileira.

O fenômeno está acontecendo em uma região emblemática do país, de recifes rasos, e atinge em cheio unidades de conservação como a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa do Corais, que vai do sul de Pernambuco até Alagoas e encobre cidades turísticas importantes. O branqueamento também foi registrado na APA Estadual dos Recifes de Corais, no Rio Grande do Norte, e APA Estadual de Guadalupe, Parque Municipal Marinho de Tamandaré, arquipélago de Fernando de Noronha e Reserva Biológica Atol da Rocas, em Pernambuco.

No alto, uma colônia saudável de corais da espécie Millepora alcicornis, com as algas zooxantelas vivas. Embaixo, depois de passar por evento de branqueamento.
FOTO DE CAMILA BRASIL/REEF CHECK, PELD-TMAS

“O fenômeno do branqueamento ocorre por perda das zooxantelas, algas simbiontes que vivem no tecido dos corais. Com o stress térmico, elas são expelidas, mas o coral continua se alimentando e pode sobreviver e recuperar as zooxantelas”, explica a pesquisadora Beatrice Padovani, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Porém, durante o período de stress o coral, que é um animal e normalmente se beneficia dos produtos da fotossíntese das algas, “passa fome” e fica mais suscetível a doenças e competição. Se isso for prolongado, a colônia pode sofrer mortalidade total ou parcial.”

Padovani é uma das maiores autoridades sobre corais no Brasil. Além de dar aulas na UFPE, ela coordena a rede de voluntários que monitoram recifes Reef Check Brasil e o Programa Ecológico de Longa Duração – Tamandaré Sustentável (PELD-TMAS), financiado pelo CNPQ e UFPE. Além disso, é uma das personagens da série de reportagens Mulheres na Conservação.

A pesquisadora explica que o fenômeno este ano, que também atinge a Austrália, é uma anomalia térmica, um evento no qual a temperatura superficial da água do mar fica acima da média histórica. O que preocupa agora é a frequência – está ficando crônico. Este é o terceiro fenômeno de branqueamento de corais nos últimos cinco anos no Nordeste.

Novos problemas

Em 2019 também foram registrados eventos de branqueamento na costa, mas apenas na área mais ao sul da distribuição dos recifes de coral, que se recuperaram.

IMAGENS DE DRONE MOSTRAM CORAIS BRANQUEADOS EM PERNAMBUCO
Vídeo de Reef Check e Peld-TMAS. Com a morte das algas simbiontes devido ao aumento da temperatura da água, os corais ficam sem comida e também podem morrer.

A ocorrência do fenômeno não significa necessariamente que vão morrer. Para os pesquisadores, o evento deste ano é mais grave por terem frequência e intensidades maiores.

Segundo Padovani, foram observadas colônias que morreram depois de serem atingidas por águas aquecidas em anos seguidos. “[Essa] ocorrência sequencial de anomalias térmicas é um stress maior do que os corais podem suportar. Os eventos de aquecimento são “normais” quando ocorrem como fenômenos esporádicos, ou seja, em ciclos periódicos intercalados por períodos mais frios ou neutros”, disse Padovani. “Eventos intensos e sequenciais são o que se prevê em função do aquecimento global, e as perspectivas para os recifes de coral do mundo não são boas, particularmente quando não vemos perspectivas de mudança dos padrões de emissão de carbono.”

A pesquisadora também destaca que o que acontece aqui também se passa em outras partes do mundo. “Este evento também está ocorrendo em escala global e, no geral, o que se tem dito é que, com o aquecimento global, não precisamos mais de El Niño para termos anomalias térmicas como esta.”

Ciência cidadã e satélites

A região, que também foi especialmente afetada pelo ainda misterioso derramamento de óleo em meados de 2019, agora passa por mais uma crise. Desde o início da pandemia e das medidas de isolamento social, levantamento de dados estão limitados e, para se manter informados, os pesquisadores contam com uma rede de pesquisadores, voluntários, pescadores, tecnologia e saber popular.

O primeiro alerta veio por Tonho, jangadeiro e pescador em Tamandaré e colaborador do Reef Check Brasil. Em outubro de 2019 ele acompanhou esta mesma repórter até corais que haviam passado por eventos de branqueamento, mas que já estavam se recuperando.

[Veja também: Para recuperar a paisagem marinha do Brasil, esta pesquisadora une ciência e saber popular]

Pequeno peixe da espécie Microspathodon chrysurus nada entre corais completamente branqueados no litoral de Pernambuco.
FOTO DE CAMILA BRASIL/REEF CHECK, PELD-TMAS

Tonho fez o alerta de branqueamento em massa em 15 de fevereiro de 2020. No dia seguinte, a NOAA emitiu seu alerta. Os jangadeiros de Tamandaré são treinados e já monitoram há algum tempo os recifes de coral na região da APA Costa do Corais. O turismo de atrativos naturais está fortemente associado à conservação dos recifes de coral, gerando renda para a comunidade local.

Outra fonte de informações, além dos alertas da NOAA que tem três pontos de avistagem de satélite nesta área do Nordeste, são ONGs como o grupo Salve Maracaípe, o programa De Olho nos Corais e parceiros de mergulho da Reef Check Brasil.

No Arquipélago de Fernando de Noronha, antes das medidas de isolamento, os voluntários do Reef Check também tinham registrado o início de branqueamento. Como as unidades de conservação estão fechadas para atividades de campo, o monitoramento dos corais está limitado.

Com os dados e imagens levantados antes da pandemia, já é possível confirmar a ocorrência do branqueamento, mas as consequências, como mortandade em massa, ainda não são possíveis de concluir. “O evento ainda está em curso e a extensão dos danos só poderá ser conhecida após o término da anomalia climática, uma vez que, após o impacto, efeitos como recuperação ou morte ainda são esperados por vários meses”, diz Padovani.

Novas forma de interação

Vale lembrar que os recifes costeiros, mais rasos, sofrem de forma intensa anualmente outros impactos, como a poluição por plástico descartado e esgoto. Além de servir como ambiente seguro para a reprodução de certas espécies – como os gigantes meros – e proteger a costa de erosão por ondas, os recifes são essenciais para as comunidades locais por suportar atividades econômicas como a pesca artesanal e o turismo.

Os impactos diretos das atividades humanas podem contribuir para que a tragédia seja ainda maior. Competição e doenças são as principais causas de mortalidade secundária de corais após o branqueamento. Enquanto não sabemos qual será o impacto de mortandade dos corais nas águas do Nordeste brasileiro, algumas coisas poderiam já estar sendo feitas para minimizar os danos na costa brasileira. E não só para os corais.

Para Padovani, que também é especialista em biologia da conservação, temos agora uma chance de olhar para a Terra de uma forma diferente. “Sabemos que temos que tratar melhor o planeta. Que temos que tratar melhor a zona costeira. Que temos que saber resolver problemas antigos. E parar de inserir no nosso normal o que não é normal”, diz ela, referindo-se a problemas que antes eram pontuais e condenados e hoje são tolerados. “Esgoto não era normal, agora é normal. O plástico até dez anos atrás não era normal, agora é normal. E o aquecimento global virou normal também. A gente vai começar a perder tudo e não vão notar.”

Fonte: National Geographic Brasil

Desmatamento na América do Sul está mais lento, segundo a FAO.

(Arquivo) Parque natural na República Democrática do Congo. Enquanto a América do Sul reduziu seu desmatamento, a África acelerou na década de 2010-2020

A América do Sul diminuiu o ritmo da perda de suas florestas na última década – aponta um relatório divulgado nesta quinta-feira (7) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Embora tenha registrado uma das maiores taxas anuais de perda líquida de florestas (2,6 milhões de hectares), perdendo apenas para a África, a região reduziu seu ritmo de desmatamento.

Assim, segundo cálculos da FAO, o ritmo de desaparecimento das florestas sul-americanas diminuiu por volta da metade na década 2010-2020, em comparação com o período 2000-2010.

Na direção contrária, a agência da ONU relata que o desaparecimento de florestas na África acelerou entre esses dois períodos, passando de 3,4 para 3,9 milhões de hectares a menos a cada ano.

“São notícias muito ruins” para o continente africano, comentou Anne Branthomme, especialista da organização, que explica esses números pelo “crescimento demográfico”.

A Ásia, por sua vez, teve o maior aumento líquido de superfície florestal no período 2010-2020, seguida pela Oceania e pela Europa.

Em nível mundial, a FAO calcula que o ritmo de perda de florestas tenha diminuído de 7,8 milhões de hectares anuais na década de 1990 para 4,7 milhões entre 2010 e 2020.

Desde 1990, o mundo perdeu 178 milhões de hectares de florestas, ou seja, uma área equivalente às dimensões do Chile e da Bolívia juntos.

Fonte: AFP

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Poluição intensificou gravidade da covid-19, mas isolamento social deixou o ar mais limpo.

Antes do coronavírus, a poluição atmosférica já matava sete milhões de pessoas por ano. Será que o ar mais limpo de hoje servirá de inspiração para uma mudança futura?

A fumaça da central de aquecimento urbano ultrapassa as nuvens próximo de uma torre de observação de 100 metros de altura em Grenoble, França.
FOTO DE FRANCOIS HENRY, REA/REDUX

Com o novo coronavírus devastando o mundo todo, nossos maiores pontos fracos ficam em evidência, desde sistemas de saúde até a desigualdade social extrema. A relação do vírus com um problema generalizado e negligenciado, no entanto, é mais complexa: a poluição atmosférica intensificou a pandemia, mas a pandemia — temporariamente — limpou os céus.

Novas evidências mostram que o ar poluído torna a covid-19 mais letal, fato que não surpreendeu as pessoas interessadas na ciência da poluição atmosférica — mas a dimensão do efeito foi impressionante. Em estudo que ainda precisa ser revisado por pares para publicação, constatou-se que as minúsculas partículas poluentes denominadas MP2,5, quando respiradas por muitos anos, aumentam acentuadamente as chances de morte pelo vírus.

Pesquisadores da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade de Harvard, analisaram dados sobre os níveis de MP2,5 e mortes por covid-19 de cerca de três mil municípios dos Estados Unidos, abrangendo 98% da população do país. As cidades que tiveram em média apenas um micrograma por metro cúbico a mais de MP2,5 no ar apresentaram uma taxa de mortalidade 15% maior por covid-19.

“Se o vírus que causa a covid-19 está no ar e você respira ar poluído, é como colocar gasolina no fogo”, diz Francesca Dominici, professora de bioestatística da Harvard e principal autora do estudo.

Isso ocorre porque as partículas finas penetram profundamente no corpo, causando hipertensão, doenças cardíacas, problemas respiratórios e diabetes, condições que acentuam as complicações em pacientes com coronavírus. As partículas também enfraquecem o sistema imunológico e aumentam a inflamação nos pulmões e no trato respiratório, ampliando o risco de contrair covid-19 e apresentar sintomas graves.

Dominici e seus colegas ilustraram o impacto com um exemplo específico: Manhattan, atual epicentro da epidemia, teve 1.904 mortes confirmadas por covid-19 em 4 de abril e registra índices médios de MP2,5 que chegam a 11 microgramas por metro cúbico. Se os níveis de partículas da cidade tivessem atingido uma média de apenas uma unidade mais baixa nas últimas duas décadas, nas últimas semanas teriam morrido 248 pessoas a menos, de acordo com os pesquisadores. E obviamente a taxa de mortalidade aumentou desde 4 de abril.

Mas, mesmo que a poluição inalada no passado ainda cause danos hoje, a experiência temporária de um ar mais limpo, provocada pelas paralisações generalizadas, pode mostrar o tipo de mundo que queremos viver após a pandemia.

Ônibus passa sozinho por uma rodovia que geralmente fica lotada nos arredores de Nova Délhi, na Índia, em 5 de abril, após o governo indiano ter imposto isolamento forçado de três semanas para reduzir a disseminação da covid-19.
FOTO DE NASIR KACHROO, NURPHOTO/GETTY IMAGES

As pessoas que estão acostumadas com a poluição e nem sequer pensam nisso, agora podem perceber: “Na verdade, eu realmente gosto de ar puro: será que é possível atingir isso ou manter o ar assim?”, diz Simon Birkett, fundador e diretor da Clean Air em Londres, uma organização de defesa de direitos. “Há uma chance de que as pessoas parem e respirem fundo”, e reflitam sobre perguntas do tipo “Como ficou sua asma durante esse período?”

Embora uma interrupção quase completa na vida normal e na atividade econômica não seja a melhor forma de reduzir a poluição, a breve pausa pode, na visão de Birkett, transformar esse momento sombrio em “um catalisador ou ponto de inflexão que poderia nos levar a dizer ‘O ar limpo é algo realmente especial.’”

Céus mais limpos em tempos de pandemia

Da província de Hubei, na China, ao norte industrial da Itália e outros lugares, os níveis de poluição despencaram após os bloqueios, cujo objetivo é desacelerar a propagação do vírus, terem fechado empresas e deixado bilhões de pessoas em casa. Na Índia, onde a poluição atmosférica está entre as piores do mundo, “as pessoas estão dizendo que viram o Himalaia pela primeira vez do lugar onde moram”, contou Lauri Myllyvirta, analista do Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo de Helsinque por e-mail.

As paralisações impostas às pressas na Índia foram devastadoras, deixando centenas de milhares de trabalhadores migrantes sem moradia ou emprego. Mas em Délhi, onde o ar normalmente é asfixiante, os níveis de MP2,5 e do perigoso gás dióxido de nitrogênio caíram mais de 70%.

Os declínios certamente serão temporários. Para que o ar fique mais saudável em longo prazo, segundo Myllyvirta, é preciso passar a utilizar energia limpa e meios de transporte ecologicamente corretos, e “não ordenar que as pessoas fiquem em casa a um custo econômico drástico”. Mas o céu mais limpo em tempos de pandemia mostra como podemos reduzir a poluição rapidamente com a diminuição da queima de combustíveis fósseis.

Imagens de antes e depois de uma via principal na cidade de Ahvaz, no Irã, mostram os efeitos na poluição do ar resultantes do toque de recolher imposto pelo governo iraniano para combater a covid-19.
FOTO DE SEYED MADYAR SHOJAEIFAR, REDUX

O ar mais limpo também é um lembrete de que a poluição atmosférica pode ser fatal. A Organização Mundial de Saúde diz que o ar poluído, dentro e fora de casa, interrompe a vida de sete milhões de pessoas anualmente em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, décadas de regulamentação resultaram em uma qualidade do ar muito melhor do que em grande parte do mundo. Na cidade de Nova York, por exemplo, os níveis de MP2,5 caíram 30% entre 2009 e 2017, possivelmente salvando muitas vidas durante a atual pandemia. No entanto, a poluição atmosférica ainda mata mais de 100 mil norte-americanos todos os anos.

A constatação de que a covid-19 pode corresponder ou até ultrapassar essa taxa aterrorizou, e com razão, os norte-americanos. Mas os efeitos letais da poluição atmosférica são pouco discutidos — e ativistas e cientistas esperam que isso mude.

A poluição e a covid-19

Antes mesmo do novo estudo da Harvard, os cientistas estavam convencidos de que a poluição atmosférica provavelmente agravava o impacto da covid-19 e os danos à saúde que ela causa. Um estudo de 2003 sobre o surto de SARS, vírus que mais se assemelha ao novo coronavírus, constatou que as taxas de mortalidade nas áreas mais poluídas da China foram duas vezes maiores do que nas menos poluídas.

“É certo que Londres e outros lugares mais poluídos terão taxas de mortalidade mais altas [em decorrência do vírus] por haver mais pessoas com condições pré-existentes,” disse Birkett. Os cientistas também acreditam que os vírus podem se ligar a partículas poluentes, fazendo com que permaneçam no ar por mais tempo e facilitando o acesso ao corpo.

Por outro lado, o ar mais limpo, mesmo que temporariamente, pode ajudar a “achatar a curva” da pandemia, aliviando a pressão sobre os sistemas de saúde com redução do número de pessoas que sofrem com os sintomas graves da covid-19, segundo Christopher Carlsten, chefe de medicina respiratória da Faculdade de Estudos Populacionais e de Saúde Pública da Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver.

O céu mais limpo em tempos de pandemia também pode reduzir a pressão sobre os hospitais que tratam os casos de covid-19, explica Carlsten. Apesar dos efeitos cumulativos de respirar ar poluído por anos, diversas evidências mostram que as mudanças em curto prazo na qualidade do ar têm um impacto imediato em ataques cardíacos, derrames e idas ao pronto socorro. Tudo volta a aumentar quando a poluição dispara.

As autoridades da Colúmbia Britânica tinham essa esperança quando impuseram restrições às queimadas tipicamente realizadas pelos agricultores em meados de março todos os anos para limpar a terra. Uma região da Colúmbia Britânica chegou a proibir fogueiras. A fumaça proveniente da queima de madeira possui muitas partículas de MP2,5.

Na China, a poluição reduzida resultante dos bloqueios impostos como medida para conter o coronavírus provavelmente salvaram entre 53 e 77 mil vidas — muito mais do que a taxa de mortalidade diretamente relacionada ao vírus — de acordo com os cálculos de Marshall Burke, cientista do sistema terrestre da Universidade de Stanford. Essa informação pode parecer surpreendente, mas não deveria ser, segundo ele, considerando que a poluição atmosférica é responsável por mais de 1,2 milhão de mortes por ano na China. De fato, um estudo de 2016 constatou que as medidas agressivas da China para limpar o ar em Pequim e arredores, em vista das Olimpíadas de 2008, resultaram em uma queda temporária de 8% na taxa de mortalidade geral.

Burke enfatizou que, ao mensurar o benefício do ar menos poluído da China, ele não estava minimizando as perdas ou a calamidade da pandemia. Mas que “essas outras providências tomadas e mudanças que podemos fazer também são importantes,” explicou ele. “As vidas perdidas em um mundo sem pandemia também são importantes e são vidas que não deveríamos perder.”

Depois da pandemia — o que acontecerá?

Não há dúvidas de que o ar limpo resultante da pandemia não durará muito tempo, sendo que as emissões certamente retornarão, ou ultrapassarão, os níveis normais assim que as fábricas retomarem suas atividades e as pessoas voltarem a dirigir seus carros.

Isso já está acontecendo na China, a poluição voltou aos níveis registrados antes do coronavírus, disse Myllyvirta, embora algumas indústrias ainda não estejam em atividade total — um indício preocupante de que a qualidade do ar pode ficar ainda pior do que antes, acrescentou.

Isso também representa uma ameaça para outros lugares. Quando a pandemia finalmente for controlada, as indústrias poluidoras podem tentar compensar o tempo perdido com uma produção ainda maior, disse François Gemenne, cientista político e pesquisador ambiental da Universidade de Liège, na Bélgica. Se o vírus deixa as pessoas com medo do transporte público, o carro poderá ser usado ainda mais.

Além disso, “muitos governos estarão dispostos a dar um novo começo à indústria de combustíveis fósseis por ser a indústria imediatamente disponível”, disse Gemenne. Com a recessão iminente e os mercados financeiros fortemente atingidos, analistas preveem que os investimentos em energia eólica e solar sejam reduzidos.

Os problemas econômicos geralmente levam os governos a afrouxar as regulamentações de proteção à saúde. Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental citou a pandemia como justificativa para suspender a fiscalização das normas de poluição. O governo Trump também está revertendo as ambiciosas regras de produção de automóveis ecologicamente corretos da era Obama, além de estar cancelando outras regulamentações.

Em meio a uma emergência de saúde, esse é exatamente o tipo de decisão errada, disse Susan Anenberg, professora associada de saúde ambiental da Universidade George Washington. Por outro lado, ela argumentou: “esse é o momento de considerarmos se o status quo que tínhamos antes desse desastre é o mesmo que queremos daqui para frente. Não precisamos tolerar esse nível de poluição atmosférica.”

Fonte: National Geographic Brasil

Cultivos em algumas regiões da Amazônia começaram ‘há 10 mil anos’.

As ilhas florestais desta parte da Bolívia vistas do ar. Fonte: Umberto Lombardo.

Longe de ser um deserto intocado, algumas regiões da Amazônia foram profundamente alteradas por seres humanos que remontam a 10.000 anos, dizem os pesquisadores.

Uma equipe internacional descobriu que, durante esse período, os cultivos estavam sendo realizados em um local remoto no que é agora o norte da Bolívia.

Os cientistas acreditam que os humanos que moravam aqui estavam plantando abóbora, mandioca e milho.

Os habitantes também criaram milhares de ilhas artificiais na floresta.

O fim da última era glacial, há cerca de 12.000 anos, viu um aumento sustentado das temperaturas globais que iniciou muitas mudanças em todo o mundo.

Imagens dos fitólitos encontrados pelos cientistas – a esfera recortada no canto superior direito é de abóbora. Fonte: Umberto Lombardo.

Talvez o mais importante deles tenha sido que as primeiras civilizações começaram a deixar de viver como caçadores-coletores e começaram a cultivar colheitas como alimento.

Pesquisadores já descobriram evidências de que as culturas foram domesticadas em quatro locais importantes em todo o mundo.

Assim, a China vivenciou o cultivo de arroz, enquanto no Oriente Médio eram grãos, na América Central e México era milho, enquanto batatas e quinoa emergiam nos Andes.

Agora, os cientistas dizem que a região de Llanos de Moxos, no sudoeste da Amazônia, deve ser vista como uma quinta região-chave.

A área é uma savana, mas é pontilhada com áreas elevadas de terra, agora cobertas por árvores.

Uma das 4.700 ilhas florestais da região da Amazônia. Fonte: Umberto Lombardo.

A área inunda por parte do ano, mas essas “ilhas florestais” permanecem acima das águas.

Cerca de 4.700 desses pequenos montes foram desenvolvidos por seres humanos ao longo do tempo, de uma maneira bem mundana.

“Estes são apenas lugares onde as pessoas jogam o lixo e, com o tempo, crescem”, disse o principal autor, Dr. Umberto Lombardo, da Universidade de Berna, na Suíça.

“É claro que o lixo é muito rico em nutrientes e, à medida que essas áreas crescem, elas se elevam acima do nível da inundação durante a estação chuvosa, tornando-se um bom lugar para se acomodar em solo fértil, para que as pessoas voltem continuamente para os mesmos lugares.”

Os pesquisadores examinaram cerca de 30 dessas ilhas em busca de evidências de plantio de culturas.

Eles descobriram pequenos fragmentos de sílica chamados fitólitos, descritos como pequenos pedaços de vidro que se formam dentro das células das plantas.

A forma desses pequenos fragmentos de vidro é diferente, dependendo de quais plantas eles se originam.

Os pesquisadores foram capazes de identificar evidências de mandioca cultivadas 10.350 anos atrás. A abóbora aparece 10.250 anos atrás e o milho mais recentemente – apenas 6.850 anos atrás.

“Isso é bastante surpreendente”, disse Lombardo.

Os cientistas trabalhando no local. Fonte: Umberto Lombardo.

“Esta é a Amazônia, é um desses lugares que alguns anos atrás pensávamos ser como uma floresta virgem, um ambiente intocado.”

“Agora estamos descobrindo essa evidência de que as pessoas moravam lá há 10.500 anos atrás e começaram a praticar o cultivo”.

As pessoas que viviam nessa época provavelmente também sobreviveram com batata doce e amendoim, além de peixes e grandes herbívoros.

Os pesquisadores dizem que é provável que os humanos que moraram aqui possam ter trazido suas plantas.

Eles acreditam que o estudo é outro exemplo do impacto global das mudanças ambientais, quando o mundo se aqueceu no final da última era glacial.

“É interessante, pois confirma mais uma vez que a domesticação começa no início do período do Holoceno, quando temos essa mudança climática que vemos ao sair da era do gelo”, disse Lombardo.

“Entramos neste período quente, quando em todo o mundo, ao mesmo tempo, as pessoas começam a cultivar”.

O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: BBC News / Matt McGrath
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse: https://www.bbc.com/news/science-environment-52217636

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Atividades humanas afetam interações entre plantas e aves dispersoras de sementes.

Tucano de bico preto (Ramphastos vitellinus) regurgitando sementes de palmito-juçara (Euterpe edulis) em fragmentos da Mata Atlântica. As espécies remanescentes, que realizam interações mutualistas como a dispersão de sementes, definem as relações entre área e redes ecológicas em paisagens fragmentadas.” (Foto: Pedro Jordano)
André Julião | Agência FAPESP – Nas últimas décadas, pesquisas têm mostrado como a perda de florestas tem impacto direto na diminuição do número de espécies. Agora, um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstra que mudanças na paisagem causadas pelo desmatamento, perda de área e fragmentação florestal resultam não apenas na diminuição de espécies, mas também de suas interações ecológicas. O trabalho, publicado com destaque na capa da revista Biotropica, teve apoio da FAPESP.
“Em ecologia, sabemos muito sobre a relação espécie-área, mas pouco ou quase nada sobre a relação interações-área. Neste estudo, utilizamos redes ecológicas para desvendar como interações de dispersão de sementes respondem à perda de área e à fragmentação da paisagem. Conforme os fragmentos florestais ficam menores, perdemos interações ecológicas importantes para o funcionamento das florestas e manutenção da biodiversidade”, disse Carine Emer, primeira autora do artigo, produzido durante seu pós-doutorado no Laboratório de Biologia da Conservação (Labic) do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, em Rio Claro.
A pesquisa integra o Projeto Temático “Consequências ecológicas da defaunação na Mata Atlântica”, coordenado por Mauro Galetti, professor do IB-Unesp. Para este trabalho, os pesquisadores compilaram dados de 16 estudos, cada um sobre um fragmento florestal diferente de Mata Atlântica, formando um gradiente de perturbação humana inferido pelo tamanho da área remanescente de cada fragmento. Foram cruzadas informações como número de espécies de aves, de plantas e de interações entre esses organismos. Os pesquisadores concluíram que, quanto menor o fragmento florestal, menor é o número de espécies e de interações que ali conseguem persistir. No estudo, a interação considerada foi a dispersão de sementes por aves frugívoras, essencial para a constante regeneração da floresta.

Florestas e interações

A floresta mais conservada e extensa do estudo, situada no Parque Estadual Intervales, no sul do Estado de São Paulo, tem 42 mil hectares e apresentou a maior diversidade de espécies (81 de aves frugívoras e 185 de plantas frutíferas) e de interações planta-dispersor de sementes (1.100 ou 3,65 por espécie).
No outro extremo do gradiente, um fragmento de seis hectares que se regenera há pouco mais de oito anos em Piracicaba, por sua vez, apresentou um número bem menor de aves frugívoras (28 espécies) interagindo com poucas espécies de plantas frutíferas (6). Foram registrados, portanto, apenas 169 interações de dispersão de sementes, ou seja, 1.47 por espécie.
Enquanto na primeira área uma espécie de ave pode dispersar sementes de três a quatro espécies de plantas, na última não dispersa mais do que duas.
“Primeiramente, desaparecem as aves maiores, essenciais para dispersar espécies de plantas com sementes grandes. A perda, portanto, não é só numérica, mas também funcional, influenciando diretamente o processo de regeneração florestal. A médio-longo prazo, plantas com sementes grandes que perderam seus principais dispersores tendem a desaparecer da paisagem, ficando restritas a áreas maiores e bem preservadas. A floresta fragmentada torna-se mais pobre numérica e funcionalmente, onde persistem apenas espécies de aves pequenas cujo papel funcional é dispersar espécies de plantas com sementes pequenas; ou seja, perdemos a função ecológica de dispersão de sementes grandes, que pode alterar para sempre nossas florestas”, disse a pesquisadora.
Estudo anterior do grupo, que também teve Emer como primeira autora, mostrou que interações envolvendo espécies de grande porte se perdem em fragmentos florestais com menos de 10 mil hectares. O trabalho mostrou também a importância de aves pequenas e generalistas, que dispersam plantas com sementes pequenas e também de hábitos generalistas, para manter a conectividade da paisagem fragmentada. Em outras palavras, “a Mata Atlântica é hoje conectada por interações de aves generalistas dispersando espécies de plantas adaptadas a ambientes perturbados”, explicou Emer.
Além de espécies maiores, a fragmentação prejudica as chamadas interações específicas. Assim, uma planta dispersada por apenas uma ou poucas espécies de ave, por exemplo, corre mais risco de extinção do que outra cujos frutos são comidos por várias aves diferentes.
Para completar, em um trabalho publicado no ano passado na revista Science Advances, o grupo quantificou quantos milhões de anos de história evolutiva de dispersão de sementes são perdidos na Mata Atlântica devido à defaunação, direcionada a aves de grande porte.
“Temos hoje em torno de 12% da Mata Atlântica, a maior parte em pequenos fragmentos florestais. Entre as áreas que analisamos, há uma grande diversidade de interações de dispersão de sementes, a maioria ocorrendo em apenas um ou poucos fragmentos. Estas interações correspondem a milhões de anos de evolução, ou seja, espécies com diferentes trajetórias evolutivas que no tempo atual, interagem entre si, e estão cada vez mais restritas a poucas áreas. Ou seja, chegamos a um limiar em que não podemos perder mais nada – cada fragmento florestal da Mata Atlântica corresponde a milhões de anos de história evolutiva única a ser preservada.” disse.
Fonte: FADESP

Justiça proíbe mineradora de lançar rejeitos em barragem de Brumadinho.

Mineração Geral do Brasil S.A. deve adotar medidas preventivas e emergenciais para prevenir riscos ambientais
Imagem de satélite mostra área de barragem da Mina Casa Branca, em Brumadinho — Foto: Reprodução / TV Globo
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) conseguiu uma decisão liminar para impedir que a Mineração Geral do Brasil S.A. (MGB) continue depositando rejeitos de minério na Barragem B1 da Mina Casa Branca, em Brumadinho. A decisão foi divulgada na terça-feira (14).
Segundo o MPMG, a liminar é resultado de uma Ação Civil Pública que pede à mineradora a adoção de medidas preventivas e emergenciais para prevenir e reduzir os riscos ambientais que poderão ser causados por eventual rompimento da barragem. A justiça determinou o pagamento de multa diária no valor de R$ 50 mil, em caso de descumprimento.

Estabilidade

De acordo com o Ministério Público, a Agência Nacional de Mineração (ANM) não atestou a estabilidade da Barragem B1. A estrutura, de alteamento a montante ou desconhecido, tem 47 metros de altura e volume armazenado de 190 mil metros cúbicos. O documento do MPMG diz que a barragem “representa risco elevado de gravíssimos danos sociais e ambientais, entre os quais destacam-se o de perda de vidas humanas, soterramento de dezenas de quilômetros de vegetação, de edificações, estradas, cursos d’água, nascentes e mananciais de abastecimento, além de danos à fauna”.

Determinações da justiça

Na decisão liminar, a juíza Perla Saliba Brito especificou ações que precisam ser realizadas pela empresa.
  • Não lançamento de rejeitos: enquanto a empresa não apresentar o laudo que comprove a estabilidade da estrutura;
  • Elevação de risco: imediata comunicação aos órgãos competentes caso o risco de rompimento seja aumentado;
  • Emergência: em caso de emergência, a empresa deverá agir conforme o Plano de Ações Emergenciais para Barragens de Mineração (PAEBM) para neutralizar riscos à população e ao meio ambiente;
  • Auditoria: em até cinco dias, a MGB deverá manter a contratação ou contratar auditoria técnica independente para acompanhamento e fiscalização das medidas de reparo e reforço de barragem;
  • Plano de ação: elaboração e apresentação em até 10 dias de documento que garanta a total segurança e estabilidade da barragem;
  • Zona de Impacto: apresentação de documento que especifique as possíveis áreas atingidas em eventual rompimento de barragem, com as providências da empresa e órgãos públicos competentes;
  • Audiência de conciliação: comparecimento no dia 7 de maio, às 16h.
O G1 tentou contato com a Mineração Geral do Brasil S.A., mas os responsáveis não foram localizados.
Fonte: G1

Incêndio perto de Chernobyl está sob controle, afirma Ucrânia.

Bombeiros conseguem conter fogo nas proximidades da usina que gerou pior acidente nuclear da história. Presidente garante que não há motivos para pânico.
Incêndio na região da antiga usina nuclear de Chernobyl atingiu uma região contaminada por radiação
Autoridades dos serviços de emergência da Ucrânia afirmaram nesta terça-feira (14/04) que conseguiram conter o incêndio florestal na região da antiga usina nuclear de Chernobyl, mas alertaram que o fogo ainda persiste em alguns pontos. O incêndio atingiu uma região contaminada por radiação.
Há dez dias, centenas de bombeiros, apoiados por aviões de combate a incêndios, lutam contra as chamas em torno da usina desativada. Eles haviam conseguido conter os primeiros focos de queimadas, mas o fogo ressurgiu em áreas próximas do epicentro do desastre nuclear de 1986.
O chefe dos serviços de emergência, Nikolai Chechetkin, comunicou ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que chuvas no local ajudaram os bombeiros a conter as chamas, mas que ainda serão necessários mais alguns dias até que seja possível extinguir totalmente as brasas na vegetação.
Chechetkin afirmou que as equipes conseguiram evitar que o fogo chegasse a depósitos de resíduos radioativos e outras instalações em Chernobyl. Os níveis de radiação em Kiev, a cerca de 100 quilômetros de Chernobyl, se mantiveram dentro dos limites de normalidade durante os incêndios.
Zelensky assegurou que não há motivos para pânico. “Todos nos lembramos das lições de 26 de abril de 1986”, disse o presidente em nota divulgada nesta terça-feira. “Ninguém está escondendo a verdade de vocês. No momento, a verdade é que a situação no local está sob controle”, afirmou.
Nesta segunda-feira, grupos de ativistas alertavam que as chamas se aproximavam perigosamente de depósitos de resíduos nucleares, com um foco de incêndio localizado a dois quilômetros de um dos depósitos. O Centro Regional de Monitoramento de Incêndios no Leste Europeu estima que as chamas tenham devastado uma área de 20 mil hectares.
Na semana passada, autoridades disseram que conseguiram localizar o suspeito de atear fogo à vegetação seca na área. O homem de 27 anos disse que iniciou o fogo “por diversão” e que não conseguiu apagá-lo quando os ventos fizeram com que se espalhasse rapidamente.
Na segunda-feira, outro morador da região realizou uma queima de lixo, iniciando acidentalmente outro foco de incêndio de grandes proporções.
A chamada Área de Exclusão de Chernobyl, de 2,6 mil quilômetros quadrados, foi criada após o desastre na usina, que gerou uma nuvem de radiação que atingiu boa parte da Europa. A região é amplamente desabitada, com a exceção de um grupo de cerca de 200 pessoas que ainda permanece no local, ignorando as ordens de evacuação. A circulação de pessoas é proibida em uma área de 30 quilômetros ao redor da usina.
Os incêndios florestais são comuns na região, geralmente iniciados por moradores que ateiam fogo à vegetação seca no início da primavera, o que é uma prática bastante comum na Ucrânia, Rússia e outros países da antiga União Soviética, muitas vezes resultando em incêndios devastadores.
Fonte: Deutsche Welle