quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Reflorestamento

Ainda é pouco: ‘Maior projeto de reflorestamento da história’ recupera menos de 5% do desmatamento anual na Amazônia

A iniciativa, anunciada na abertura do festival de música Rock in Rio, em setembro, quer recuperar 30 mil hectares e devolver 73 milhões de árvores à floresta brasileira até 2023. A previsão é de que as ações sejam intensificadas em 2018.
A perspectiva significa, na prática, recompor 4,52% do que foi desmatado somente entre agosto de 2016 e julho de 2017 (6.624 quilômetros quadrados, mais de 600 mil hectares) e resolver 0,75% do desmatamento total acumulado que atinge uma área de pelo menos 4 milhões de hectares.
“Apesar de ser sempre louvável que algo seja feito, ao invés da inação, o projeto é completamente insuficiente para compensar, minimamente, o que é destruído”, diz o pesquisador senior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Donato Nobre.
“Muvuca”
O projeto prevê, entre outras, a utilização de uma técnica de semeadura chamada “muvuca”, uma mistura de sementes espalhada na terra para tentar chegar o mais próximo possível ao comportamento da floresta.
A muvuca será usada principalmente nos primeiros hectares, como os da bacia do rio Xingu, e em outras cujas caraterísticas locais propiciam o uso da técnica.
O custo médio por hectare chega a ser 3 a 4 vezes menor do que os métodos mais tradicionais, como o plantio de mudas, diz Rodrigo Medeiros, da CI-Brasil. “Além da escala, o que torna o custo menor é o mix de técnicas que serão utilizadas, que vai desde a semeadura direta de sementes até a condução de regeneração natural”, acrescenta.
Na maioria das áreas a mistura é semeada com a ajuda de máquinas. Nas menos extensas, é feita manualmente.
“Por meio dessa técnica, cada uma das espécies vai cumprindo uma função dentro do ecossistema, que vai desde ajudar a enriquecer o solo, até trazer mais diversidade, propiciar condições para que os dispersores de sementes (pássaros, insetos, répteis e mamíferos), possam entrar nessa área e o princípio básico é: tentar imitar a dinâmica da floresta. Imitar como ela faria por conta própria”, descreve Junqueira, do Instituto Socioambiental.
Segundo ele, será possível ver que as sementes viraram floresta – ou caminham para isso – depois de três anos, quando as árvores estarão com um porte mais avantajado. Em 10 anos, estima, será possível identificar as espécies que predominam.
“Parte da solução”
Lançadas oficialmente à terra em novembro de 2016, as primeiras sementes da iniciativa começam a brotar na bacia do rio Xingu, onde 122,6 mil hectares de florestas foram desmatadas entre agosto de 2016 e julho de 2017.
Agora, 2 milhões de árvores estão sendo restauradas em uma área de 800 hectares.
“Hoje sabemos que no mínimo 4 milhões de hectares de florestas foram destruídos na Amazônia de maneira ilegal e desnecessária nas últimas décadas e precisam ser restaurados”, diz Rodrigo Medeiros, vice-presidente da Conservation International para o Brasil (CI-Brasil), uma das entidades que conduzem o projeto. “Queremos ser parte dessa solução”.
O reflorestamento é feito em parceria com o braço ambiental do Rock in Rio, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Socioambiental e o Banco Mundial.
Articulação
“A maioria das experiências anteriores de restauração registradas na Amazônia não alcançam 30 mil hectares, sem contar com o fato de que eram iniciativas singulares, sem a articulação que estamos promovendo agora”, diz Medeiros.
Quando oficialmente anunciada, em setembro de 2017, o CEO da Conservation, M. Sanjayan, descreveu a iniciativa como “incrivelmente audaciosa”.
A declaração foi propagada por diversos veículos nacionais e internacionais, e acrescentava: “Juntamente com uma aliança de parceiros, estamos realizando o maior projeto de restauração de florestas tropicais no mundo, reduzindo o custo de restauração no processo”.
E a ideia, segundo o vice-presidente da Conservation no Brasil, é agregar mais parceiros e recursos para ampliar as ações.
“Temos um horizonte de 6 anos com recursos garantidos, mas não podemos esquecer que a meta assumida pelo Brasil no Acordo de Paris, com restauração, vai até 2030. Então, temos muito trabalho pela frente”.
Acordo
O acordo de Paris, que ele cita, é um compromisso mundial para reduzir a emissão de gases que causam mudanças no clima.
Por meio desse acordo, o Brasil quer restaurar 12 milhões de hectares de vegetação, até 2030 – número que corresponde a 60% dos 20 milhões de hectares estimados como passivo, ou tamanho do problema gerado pelo desmatamento em todo o território nacional. E isso vai além da Amazônia.
Medeiros considera que o objetivo do projeto que conduz é “grande” se comparado à escala do que foi feito anteriormente, mas admite que “pode parecer pequeno” se considerada “a escala do compromisso assumido pelo Brasil”.
Embora não zere o passivo que existe, a expectativa é que os 30 mil hectares da iniciativa se somem a outros para que os 12 milhões pretendidos como parte do Acordo sejam atingidos.
A meta brasileira é chegar ao ano 2025 com emissões de gases 37% menores que em 2005 e alcançar 43% de queda em 2030.
Para isso, além de estimular o replantio e a restauração da vegetação, o governo se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18% e a alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz.
Hoje, energia eólica, energia solar e biomassa, que integram a lista das fontes renováveis, representam uma fatia somada de 16,75% da potência instalada, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
País teria que plantar 2 mil árvores por minuto
Mesmo que do ponto de vista do reflorestamento não seja o único caminho vislumbrado para o cumprimento desse acordo, o projeto da Conservation International é usado como base por especialistas para mostrar o longo caminho que o país tem a percorrer.
De acordo com Antonio Donato Nobre, do INPE, as 73 milhões de árvores previstas no projeto “representam apenas 25 dias de destruição pelo ritmo médio do desmatamento nos últimos 40 anos” e, se plantadas em um ano, corresponderiam a algo em torno de 13% do requerido para repor o que foi destruído no mesmo período.
O cálculo considera a perda provocada por corte raso, que é a eliminação da vegetação, normalmente para dar lugar a pastos ou plantações.
“Para plantar um número de árvores equivalente ao que foi destruído seria necessário, em um ano, plantar por volta de um bilhão de árvores ou 2 mil por minuto”, estima. Pelo projeto, entretanto, seriam cerca de 14,16 milhões de árvores por ano, até 2023.
Segundo o pesquisador, “para que a recuperação de florestas na Amazônia tenha qualquer chance de fazer frente às mudanças climáticas locais e regionais – decorrentes do próprio desmatamento – é preciso que o passivo de desmatamento seja eliminado.
“A não recuperação desse passivo continuará a permitir a degradação de florestas devido à mudança climática em curso (mortalidade por secas sucessivas e degradação por fogo), e esta degradação comprometerá – e já está comprometendo – o compromisso mínimo do Brasil no acordo de Paris”.
Área maior que a Paraíba estaria em risco
Em um cenário em que a marcha pró-recuperação da floresta mede forças – em posição de desvantagem – com uma escala enorme de desmatamento, a realidade descrita por pesquisadores é avaliada como “alarmante”. E a tendência preocupa.
“Se houver um comportamento futuro igual ao do passado, significa que, entre 2023 e 2030 (anos considerados marcos para o projeto da Conservation International e para o Acordo de Paris), teremos um desmatamento de 65 mil a 75 mil quilômetros quadrados, uma área bastante superior a todo território da Paraíba e mais de 3 vezes o território de Sergipe”, diz o doutor em economia, professor visitante do Middlebury College (EUA) e pesquisador da Universidade Federal do Paraná, com trabalhos sobre a Amazônia, Rodolfo Coelho Prates.
O cálculo toma por base uma média de desmatamento de 11 mil quilômetros quadrados por ano, ou de 1 milhão e 100 mil hectares, que ele diz ter sido alcançada nos últimos 15 anos.
Só no período de agosto de 2016 a julho de 2017, dados do INPE mostram que a taxa atingiu 6.624 quilômetros quadrados de corte raso.
O resultado indica uma diminuição de 16% em relação a 2016, quando ficou em 7.893 quilômetros quadrados, e de 76% ante a taxa registrada em 2004, quando o Governo Federal lançou o Plano para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm).
Nobre, do INPE, afirma que não há, porém, o que comemorar. “Há que se confrontar o passivo”, diz, avaliando a degradação de florestas como “catastrófica.
Cabeceira dos rios
Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre estão entre os Estados onde o problema é mais crítico. Estão também entre os alvos prioritários no projeto que a Conservation International desenvolve na floresta, com parceiros.
O projeto abrange áreas nas cabeceiras e ao longo dos rios considerados essenciais para manter a regularidade hídrica na região.
O ponto de partida das ações foi a bacia do rio Xingu, onde o plantio começou em novembro de 2016 e se estendeu até 2017, na porção da bacia situada no Mato Grosso.
O plantio chegou a 1,5 milhão de árvores, com sementes colhidas e beneficiadas por índios e agricultores familiares, diz Rodrigo Junqueira, coordenador do programa Xingu – do Instituto Socioambiental (ISA) – e conselheiro da Associação Rede de Sementes do Xingu, que forneceu as sementes usadas nessa etapa do projeto.
Na área, foi utilizada a técnica muvuca de plantio, mais adequada às características locais.
Na lista das que foram plantadas estão, por exemplo, Abóbora, Angelim da Mata, Angico Cuiabano, Jatobá, Ipê Amarelo, Ipê Roxo, Baru, Carvoeiro, Caroba da Mata, Mirindiba, Murici, Guadu, Banana Brava, Oi da Mata, Feijão de Porco e Urucum.
Reflorestamento demandará US$ 10 milhões
Para chegar à área pretendida de 30 mil hectares, o projeto demandará um investimento total de US$ 10 milhões, equivalente a R$ 33 milhões. O custo médio por hectare gira em torno de US$ 3 mil (R$ 9,93 mil).
O custo do primeiro milhão de árvores foi bancado pelo Rock in Rio, com recursos próprios e angariados junto ao público. O segundo milhão será pago pela CI e os demais pelo projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia, iniciativa financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e implementado no Brasil pelo Banco Mundial tendo a CI e o Funbio como executores.
Em 2018, diz Medeiros, serão selecionadas as áreas e organizações que irão trabalhar na restauração dos próximos 28 mil hectares. A escolha será feita nos Estados do Pará, Amazonas, Acre e Rondônia. A expectativa é que os trabalhos em campo comecem no segundo semestre.
“Esse é de fato o início do processo de destravamento dessa agenda no Brasil e esperamos que, dentro dos próximos anos, a área em restauração cresça exponencialmente com várias iniciativas como essa”, ressalta o executivo.
“Divisor de águas”
Para o governo federal, políticas lançadas em 2017 são “um divisor de águas” do ponto de vista da restauração da vegetação e ações como o projeto da Conservation International não são inexpressivas. Mas há desafios.
Segundo o diretor do Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Jair Schimitt, a lista inclui fortalecer a cultura de recuperação no país, viabilizar fontes de financiamento e criar – além de dar musculatura – a uma cadeia produtiva, com produção de mudas, coleta de sementes e aperfeiçoamento das técnicas usadas, por meio de pesquisa e desenvolvimento.
Iniciativas nesse sentido são previstas no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado em novembro de 2017 como principal instrumento de implementação da Política Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), instituída em janeiro.
Tais políticas, diz Schimitt, dão diretrizes e estímulos para que mais ações aconteçam.
“Agora que temos instrumentos políticos robustos queremos induzir a disponibilidade financeira (para projetos na área)”, exemplifica o diretor.
Com base em estimativas da academia, ele afirma que seriam necessários R$ 50 bilhões ou mais para recuperar os 12 milhões de hectares previstos no Acordo de Paris. “Mas não quer dizer que o governo tenha que aportar esse recurso. Grande parte desse desmatamento é ilegal e é dever de quem fez isso recuperar o que foi destruído.”
Schimitt estima que os projetos de recuperação no Brasil somem, atualmente, 70 mil hectares. Mas afirma que a lista deverá crescer.
Por meio do “Paisagens Sustentáveis”, por exemplo, a pretensão é recuperar 28 mil hectares nos próximos seis anos, o que deverá demandar um aporte de US$ 60 milhões (R$ 198 milhões) junto ao GEF, principal fundo de financiamento ambiental no mundo.
Também foi lançada uma chamada pública da ordem de R$ 200 milhões para recuperação da vegetação na Amazônia. “Espera-se (com isso) de 15 mil a 20 mil hectares ou mais sendo financiados”, diz, ressaltando que, “na história do país, recuperar a vegetação nunca esteve em uma agenda prioritária”, mas que “o assunto começou a se tornar importante” ao ser posto como compromisso dentro do Acordo de Paris e ao ser objeto de novas políticas.
“Essa iniciativa da Conservation International, se olharmos outras que estão em execução, é bastante robusta, porque promover a recuperação da vegetação nativa não é algo simples e fácil, que vai acontecer da noite para o dia”, diz Schimitt. “Então, a exemplo dessa iniciativa, o que a gente quer é fomentar outras dessa natureza ou ainda maiores para que, gradativamente, possamos atingir os resultados almejados”.
Por que preservar e reflorestar importa?
Pós-doutor em Ecologia e Gestão da Biodiversidade, Rodrigo Medeiros, da Conservation International, explica que manter a floresta em pé traz benefícios como a regulação do clima do planeta e do ciclo hidrológico – o movimento contínuo da água dos oceanos, continentes (superfície, solo e rocha) e na atmosfera.
“Cada hectare de floresta restaurada funciona como uma espécie de bomba dupla que ao mesmo tempo absorve carbono da atmosfera, reduzindo os efeitos das mudanças climáticas, enquanto bombeia para a atmosfera milhares de litros de água, sob a forma de vapor, essencial para a manutenção do regime hidrológico do continente”, explica.
A retirada de árvores contribui para tornar o clima “inóspito”, segundo os especialistas, e pode transformar grandes extensões territoriais do Brasil em desertos.
“Devemos lembrar que aproximadamente 60% das chuvas que caem sobre o Sudeste, Sul e Centro Oeste são provenientes da Amazônia. E sem floresta a chuva não alcança tais regiões”, diz o pesquisador Rodolfo Coelho Prates.
Zerar
Mas mais importante do que recuperar a vegetação é zerar o desmatamento, reforça o pesquisador. Mas ele opina que o ambiente atual não conspira a favor disso.
“Atualmente, é possível observar que, no ambiente institucional, o setor ruralista enfrenta um momento favorável, que reflete em segurança jurídica e políticas voltadas ao setor. Isso propicia o aumento do desmatamento”, afirma.
Ele faz referência, por exemplo, ao “Novo Código Florestal, que anistiou desmatamentos anteriores e flexibilizou restrições, principalmente a área de reserva legal; o perdão de dívidas previdenciárias (Funrural) – o que eleva a capacidade financeira dos produtores potencializando a expansão das atividades e, consequentemente, elevando o desmatamento – e mudanças na legislação trabalhista”.
Na visão do especialista, políticas públicas ligadas à questão envolvem ações para coibir o desmatamento ao mesmo tempo em que, de outro lado, o levam a avançar. Como exemplo do que gera a expansão das áreas desmatadas, ele cita o crédito rural e gastos para ampliação do sistema rodoviário que possibilitam, segundo o pesquisador, o avanço e a penetração de atividades econômicas em áreas que não alcançavam.
“Mas o maior problema na Amazônia é em relação aos direitos de propriedade. Pelo fato dos direitos não estarem bem definidos, há um imenso conflito pelas terras e suas riquezas minerais e florestais, envolvendo indígenas, ribeirinhos, madeireiros e grandes produtores rurais”, diz, acrescentando que “os dois últimos grupos detêm capital e consequentemente poder econômico e poder político e têm grande interesse no desmatamento”.
Prates também analisa que o Planaveg, na sua concepção geral, não tem novidades em relação ao Plano Nacional de Florestas, de 2000, por exemplo. E aponta: “Apenas nesses 17 anos o desmatamento totalizou 452.302 quilômetros quadrados, o que representa uma área superior a todo o território da Suécia”. “Portanto, é mais um que se soma a tantos outros planos ineficazes”.
Fonte: BBC

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

LIXO

Lixo eletrônico representa ‘crescente risco’ ao meio ambiente e à saúde humana, diz relatório da ONU

O crescente volume de lixo eletrônico, incluindo produtos descartados com bateria ou tomada, tais como celulares, laptops, televisores, refrigeradores e brinquedos eletrônicos, representam uma importante ameaça ao meio ambiente e à saúde humana, alertaram as Nações Unidas em dezembro (13).
“A proteção do meio ambiente é um dos três pilares do desenvolvimento sustentável (…). A gestão do lixo eletrônico é uma questão urgente no mundo digitalmente dependente de hoje, onde o uso de aparelhos eletrônicos está aumentando”, disse Houlin Zhao, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT).
O relatório “Global E-Waste Monitor 2017”, lançado por UIT, Universidade da ONU e Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA, na sigla em inglês), enfatiza os crescentes volumes de lixo eletrônico e seu descarte e tratamento impróprios por meio de queimadas ou lançamento em lixões.
Em 2016, foram gerados 44,7 milhões de toneladas métricas de resíduos eletrônicos, um aumento de 8% na comparação com 2014. Especialistas preveem um crescimento de mais 17%, para 52,2 milhões de toneladas métricas, até 2021.
Em 2016, apenas 20%, ou 8,9 milhões de toneladas métricas, de todo o lixo eletrônico foram reciclados.
“O Global E-Waste Monitor serve como uma fonte valiosa para governos desenvolverem suas necessárias estratégias políticas, de gestão e padronização para reduzir os efeitos adversos do lixo eletrônico para a saúde e o meio ambiente”, disse Zhao.
Com 53,6% dos domicílios globais acessando a Internet, as legislações e políticas nacionais de lixo eletrônico têm importante papel em governar as ações dos atores envolvidos no tema.
Atualmente, 66% da população mundial, vivendo em 67 países, está coberta por leis nacionais de gestão do lixo eletrônico, um aumento significativo frente aos 44% de 2014.
As baixas taxas de reciclagem podem ter impactos econômicos negativos. Em 2016, foi estimado que o lixo eletrônico continha depósitos de ouro, prata, cobre, paládio e outros materiais recuperáveis, cujo valor total era estimado em 55 bilhões de dólares.
Fonte: ONU

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Batalhão Ambiental prendeu 547 pessoas por crime ao meio ambiente

Em 12 meses, o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA) prendeu 547 pessoas e aplicou mais de R$ 13 milhões em multas por crime ambiental. Ao todo, 670 animais foram resgatados e 99 armas de fogo e 1.227 munições foram apreendidas.
De janeiro a dezembro de 2017 foram apreendidas mais de cinco toneladas de pescado e 1.137 unidades de material de pesca (anzóis, caixa de pesca, chumbada, espinhel, gancho, molinete, rede, tarrafa e vara). Parte desta apreensão aconteceu durante o período da Piracema, que iniciou em outubro de 2017 e encerrará em 31 de janeiro de 2018.
O Batalhão Ambiental atua no Estado de Mato Grosso, com sede em Cuiabá, e subunidades em Rondonópolis, Cáceres e Barra do Bugres, e tem por missão desenvolver atividade de policiamento e fiscalização ambiental, objetivando a proteção a fauna, flora, os recursos hídricos e florestais, das extensões de água e de mananciais, além de policiamento ostensivo geral, como forma de coibir os impactos ambientais.
O comandante do Batalhão, tenente coronel PM Rodrigo Eduardo Costa, ressaltou a importância da contribuição da sociedade em denunciar práticas de crimes ambientais. Ainda segundo o comandante, há vários canais para denúncias, como por exemplo, o 190 da Polícia Militar, o telefone fixo do Batalhão 3684-1633 e o 0800 65 3838, da Secretaria do Estado de Meio Ambiente.
“A sociedade pode ajudar denunciando maus tratos ou criação irregular de animais, ou ainda quaisquer ações que resultem em danos ao meio ambiente. Temos equipes 24 horas trabalhando em defesa da vida, protegendo o meio ambiente”, afirmou.
Atualmente o Batalhão Ambiental desenvolve patrulhamento terrestre e fluvial, palestras de conscientização ambiental e exposição de animais taxidermizados (técnica de preservação da forma da pele, planos e tamanho dos animais), por meio do Centro de Educação Ambiental (CEA), realiza captura de animais silvestres, coordena operações nos municípios do interior e presta apoio a outros órgãos, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), por meio da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Resgate
Os animais resgatados, na maioria das vezes, possuem sequelas permanentes. No Centro de Triagem é feito o primeiro atendimento e depois são encaminhados aos hospitais veterinários da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou da Universidade de Cuiabá (Unic).
As espécies de animais resgatados variam de acordo com o período do ano. Em período chuvoso, são mais comuns os resgates de serpentes, marsupiais e mamíferos. Já entre setembro e outubro, são mais frequentes os resgates de aves, que estão em fase de procriação, como as araras, papagaios, periquitos, que são os alvos mais escolhidos pelos traficantes.
Conscientização
Os policiais militares do Batalhão Ambiental, por meio do Centro de Educação Ambiental, ministraram palestras para aproximadamente 82 mil pessoas, entre estudantes de escolas estaduais, municipais e particulares, funcionários de empresas públicas e privadas, e em exposição de animais taxidermizados em eventos educativos. Estes eventos têm o intuito de fortalecer a conscientização ambiental, de maneira que o ouvinte da palestra seja um defensor ambiental, que respeite o local em que vive e entenda a importância do seu comportamento na preservação do meio ambiente.
Hérica Teixeira Assessoria/PMMT 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Mata Atlântica

Acordo destinará mais de R$ 30 milhões para recuperação da Mata Atlântica em Santa Catarina

O montante será arrecadado por meio de editais de conversão indireta de multas, o primeiro em 2018 e o segundo em 2020. O objetivo da medida é garantir ações para proteger espécies nativas ameaçadas de extinção.
Os projetos de recuperação deverão ter início no prazo de seis meses a partir da abertura dos editais, mesmo que o valor total não tenha sido arrecadado.
Caberá ao Ibama indicar, até 30 de março de 2018, as áreas prioritárias para recuperação da Mata Atlântica em Santa Catarina, com especial atenção a unidades de conservação, corredores de remanescentes e áreas de proteção de elementos hídricos.
Ampliação
O presidente da República, Michel Temer, assinou decretos em outubro deste ano para ampliação de três unidades de conservação federais e criação de um parque nacional. O País passou a contar, então, com mais 282 mil hectares de áreas protegidas no Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e no bioma Marinho Costeiro.
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ibama

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

POLUIÇÃO

A poluição está a matar milhares de peixes

“O proTEJO já em 16 de setembro de 2017 tinha alertado que o rio Tejo estava a ser vítima de eutrofização no alto Tejo, trazendo consigo um tapete verde de algas desde Espanha (…) causado pela poluição e pela redução do caudal, que consome o oxigénio da água e reduz os seus níveis colocando os ecossistemas aquáticos em perigo de sobrevivência e, consequentemente, matando os peixes”, refere o documento.
“À poluição que chega de Espanha acrescem as contínuas descargas poluentes das celuloses de Vila Velha de Ródão que se acumulam até à barragem do Fratel”, pode ler-se na mesma nota, assinada por Paulo Constantino e José Moura, porta-vozes do proTEJO
Os ambientalistas referem ser “inacreditável, inconcebível, inaceitável e intolerável” as “imagens de milhares de peixes que jazem mortos, desde 13 de outubro, nas águas do Tejo sujo e poluído entre Vila Velha de Ródão e a barragem do Fratel”, tendo afirmado assistirem a “outros tantos milhares de peixes a nadarem continuamente à superfície da água com as bocas fora de água para poderem respirar o oxigénio que a água poluída não tem e que o buscam à superfície”.
Nesse sentido, o movimento ambientalista reclama do Governo, através do ministério do Ambiente, o “incremento da intervenção da IGAMAOT [Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território] e da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] de forma eficaz e determinada tendo em vista a deteção das origens e dos focos de poluição que estão a agravar-se neste momento, bem como a tomada das ações coercivas que impeçam a continuidade da ação poluidora”.
Por outro lado, pedem a “tomada de medidas para a contenção das descargas poluentes no rio Tejo, nomeadamente para garantir que as emissões de efluentes da Celtejo para o rio Tejo estejam dentro de parâmetros que garantam o objetivo de alcançar o bom estado ecológico das suas massas de águas ao longo de todo o seu curso em território português, seja pela maior fiscalização, seja pela revisão ou suspensão das licenças de emissão de efluentes”.
Por fim, o movimento ambientalista requer a “determinação das causas da morte de milhares de peixes ocorrida desde 13 de outubro de 2017, entre Vila Velha de Ródão e a barragem do Fratel, identificando e responsabilizando os agentes poluidores”.
Fonte: Diário de Noticias

domingo, 31 de dezembro de 2017

QUE VENHA 2018


AMAZÔNIA

Amazônia: desmatamento em queda.

Embora tenha sido um ano de muitos desafios na área ambiental, 2017 também apresentou bons resultados, como a redução de 16% do desmatamento na Amazônia Legal. Por traz dessa queda, anunciada em outubro deste ano, estão o fortalecimento do orçamento dos órgãos de comando e controle, a intensificação das ações de fiscalização e parcerias com os governos dos estados da Amazônia Legal.
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, explica, entretanto, que as ações de comando e controle estão longe de ser a única maneira para reduzir de forma permanente o desmatamento ilegal na Amazônia. “Só vamos conseguir isso quando viabilizarmos a valoração ambiental. Quando a floresta em pé valer mais do que a floresta derrubada”, destaca o ministro.
Nesse sentido, o ministério tem trabalhado em duas vertentes específicas: o manejo florestal e o fortalecimento de Reservas Extrativistas (Resex). De acordo com Sarney Filho, o lançamento do Sistema Nacional de Controle de Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), desenvolvido para controlar a origem, autorização de exploração até o transporte, armazenamento, industrialização e exportação de produtos e subprodutos florestais, além do Cadastro Ambiental Rural (CAR), trazem segurança e tranquilidade para que essa agenda seja trabalhada. “Com esse novo método de fiscalização, a gente ampliou em 20% o manejo florestal este ano. Também é importante que as Resex sejam fortalecidas. Com isso, atingimos dois objetivos: o combate à pobreza e ao desmatamento”, explicou o ministro.
COMANDO E CONTROLE
De primeiro de janeiro a 21 de dezembro de 2017, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou, em todas as unidades da federação, um total de 16.605 ações fiscalizatórias. Quase metade desse total (49%) aconteceu nos estados que fazem parte da Amazônia Legal.
O coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Renê de Oliveira, destaca que as ações de comando e controle são o principal eixo do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Portanto, segundo ele, é possível apontar a intensificação da fiscalização como um dos fatores que levam à queda do desmatamento.
“Apesar do cenário econômico desfavorável para toda a Administração Pública, o empenho do Ministério do Meio Ambiente em manter o orçamento do Ibama e o acesso aos recursos do Fundo Amazônia permitiram intensificar a presença em campo, principalmente em áreas mais críticas, como o noroeste do Mato Grosso, o sul do Amazonas e o eixo da BR-163. Também intensificamos ações em áreas protegidas. Em 2017, o Ibama atuou em mais de 60 Terras Indígenas, combatendo ilícitos contra a flora e o garimpo ilegal”, informa o coordenador.
Para o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, as novas linhas de fiscalização tecnológicas, como a Operação Controle Remeto, também contribuíram significativamente para a redução. “Hoje, utilizando dados dos cadastros brasileiros, incluindo aí o CAR, a gente consegue fazer uma autuação em todos os desmatamentos irregulares apontados pelo Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, diz. Evaristo lembra, ainda, que o instituto consolidou o Deter B, o que melhorou consideravelmente o sistema de detecção em tempo real do desmatamento.
PERSPECTIVAS
Luciano Evaristo conta que as perspectivas para o ano que vem são bem positivas. “Teremos um aumento no orçamento do Ibama, então estaremos em condições até de ampliar as nossas ações”.
O diretor destaca ainda a chegada do Amazônia Protege, uma parceria do Ministério Público Federal, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ibama que utiliza imagens de satélite e cruzamento de dados públicos para combater o desmatamento ilegal.
Com essa nova metodologia, o MPF pretende ajuizar ações civis públicas contra os responsáveis pelos desmatamentos ilegais com mais de 60 hectares registrados entre 2015 e 2016, baseado nos dados do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes/Inpe).
“Então, além da ação de repressão, da ação remota e da ação direta no campo, os infratores terão a certeza que responderão em juízo pela recuperação dos danos causados à Floresta Amazônica. 2018 promete, será um ano de bastante luta, mas estaremos com certeza em condições melhores do que tivemos este ano e em anos anteriores”, reforça Evaristo.
CARAVANA VERDE
Outra ação de fortalecimento das medidas de combate ao desmatamento na Floresta Amazônica em 2017 foi a Caravana Verde. No início do ano, o ministro Sarney Filho realizou uma série de viagens aos estados da Amazônia Legal para fortalecer parcerias, lançar projetos e analisar as ações em curso de proteção ao bioma.
“Eu visitei a Amazônia, tive a oportunidade de conversar com governadores. Nós fizemos uma série de diagnósticos, fui à região conversar com a sociedade civil, assembleia legislativa, associação comercial e produtores. Nosso objetivo era a busca por um caminho para que a gente pudesse combater o desmatamento”, diz.
A Caravana Verde de combate ao desmatamento passou, no mês de fevereiro, por Amazonas, Rondônia, Acre, Mato Grosso e Pará. Liderada por Sarney Filho, a equipe contou ainda com os secretários do MMA e com os chefes do Ibama, ICMBio, Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e Agência Nacional de Águas (ANA).
DESMATAMENTO
O desmatamento na Floresta Amazônica apresentou uma estimativa de queda de 16% entre agosto de 2016 e julho deste ano. Os dados foram divulgados em outubro e indicam que o corte raso no bioma corresponde a 6.624 km², 1.269 km² a menos do que o registrado no período anterior.
A redução chega a 76% quando comparada a 2004, ano de criação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Segundo as estimativas do Prodes 2017, os estados com maior redução foram Tocantins (55%), Roraima (43%), Acre (34%) e Pará (19%). Os dados consolidados serão divulgados no primeiro semestre de 2018.
Além disso, as unidades de conservação federais também apresentaram redução no desmatamento este ano. A redução foi de 28% entre agosto de 2016 e julho deste ano, segunda menor taxa desde 1997 em relação às unidades de conservação.
Fonte: MMA