sexta-feira, 20 de julho de 2018

Borboletas bebem lágrimas de tartarugas.


Você já observou um bando de borboletas voando e pousando em poças de lama, ou melhor ainda, rodeando a cabeça de répteis como tartarugas e jacarés? Então você já deve ter se perguntando o que esses insetos querem com a lama ou com os répteis.
O entomologista Phil Torres captou uma bela cena na Amazônia peruana: borboletas coloridas bebendo lágrimas diretamente dos olhos das tartarugas que tomam sol ao lado do rio Tambopata. O vídeo foi registrado em março de 2018 e compartilhado no canal de YouTube do pesquisador, O Diário da Selva.
Ele conta que oito espécies de três famílias diferentes de borboletas, de todas as cores e tamanhos, rodeavam as tartarugas.
Ele descreveu a cena como a mais “bizarra, estranha, bela, e fascinante” que ele já viu na vida. Segundo Phil, essa cena é relativamente rara de ser registrada, porque as tartarugas costumam pular para a água quando percebem a aproximação de barcos. Mas as borboletas parecem ter distraído essas tartarugas em questão.
“Eu diria que a chance é de uma em mil de ter a sorte de ver tantas borboletas voando assim”, diz ele.
Phil explica que as borboletas precisam fazer isso para sobreviver. A alimentação comum delas, que inclui néctar e seiva de algumas árvores, não fornece o sódio necessário para elas. O néctar é composto principalmente de água e açúcar, mas também contém proteínas, aminoácidos e vitaminas. Outra opção de fonte sódio além da lama e lágrima de répteis é o coco de animais.
Quem não parece gostar muito dessa relação de comensalismo são as tartarugas que produzem lágrimas. Os indivíduos da espécie Podocnemis unifilis não conseguem retrair a cabeça para dentro do casco, e precisam aguentar o bando de borboletas pousando em seus olhos. A única coisa que elas podem fazer para tomar banho de sol em paz é mexer a cabeça para os lados e tentar espantá-las com as patas, mas isso não parece surtir grande efeito.
As borboletas são insetos bastante insistentes, e não desistem de seu alvo. “Aposto que se eu ficasse parado por tempo suficiente, elas definitivamente viriam se alimentar de meu suor e talvez até tentar chegar perto dos meus olhos”, diz Phil. 

Fonte: Hypescience

Por que o vulcão Kilauea continua em erupção no Havaí e os cientistas não sabem até quando vai durar.

Direito de imagemAFP/GETTY IMAGESImage captionO Kilauea está ativo desde 1983 e não é a erupção em si que tem impressionado especialistas. A atividade do vulcão, afirmam eles, mudou
Durante mais de dois meses, ele não parou de expelir lava nem de sacudir a terra.
Em maio passado, o vulcão Kilauea, no Havaí, EUA, entrou em atividade e, desde então, rios de pedra derretida, fumaça e cinzas correm pela encosta no sudeste da Grande Ilha até as águas do Pacífico.
Mais de 10 mil pessoas foram evacuadas e dezenas de casas destruídas.
A magnitude da erupção fez surgir novas ilhas com a lava jogada no mar.
Quase três meses depois, o Kilauea ainda está acordado e os cientistas não veem sinais de que a atividade diminuirá a curto prazo.
"Não houve qualquer sinal de mudança: nem a quantidade de lava que emana nem os tremores de terra diminuíram...Não sabemos o quanto de magma ainda vai brotar", disse à BBC News Mundo a vulcanóloga Janine Krippner.
No entanto, de acordo com a pesquisadora da Universidade de Concord, da Virgínia Ocidental, o mais impressionante não é a erupção em si, já que o Kilauea está ativo desde 1983.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSegundo especialista, não houve qualquer sinal de mudança na atividade do vulcão: nem a quantidade de lava nem os tremores de terra diminuíram
"O que acontece é que, em maio, a atividade do vulcão mudou. Agora, observamos a subsidência do lago de lava dentro do vulcão e a lava chegando a uma das áreas habitadas. Está brotando lava em novos lugares e também foram reportados novos fluxos", diz ela.
A lava que brota agora, segundo a especialista, é mais líquida e mais rica em gases tóxicos do que nos primeiros dias, o que faz com que ela se mova mais rápido e que sejam reportadas explosões maiores.
Uma "bomba de lava", de fato, feriu no início desta semana 23 pessoas que viajavam em um barco pelas costas da Ilha Grande, a dezenas de quilômetros do vulcão.
Mas como se explica que, tanto tempo depois, a erupção do Kilauea não pareça diminuir?

Vulcão jovem

De acordo com Krippner, o Kilauea é um vulcão geologicamente muito jovem, o que o torna particularmente ativo.
Mas algo o diferencia dos outros vulcões.
"A maioria dos vulcões mais ativos do mundo está em zonas de subducção (convergência) de placas tectônicas - onde uma placa se move sob a outra - mas a situação no Havaí é diferente", diz ela.
"O que acontece é que os vulcões estão sobre uma espécie de pontos quentes, uma área de fluxos a uma temperatura muito alta, onde o calor faz com que o magma suba sob pressão. E, à medida que vai subindo, vai derretendo mais rocha. Esta é uma particularidade que torna esses vulcões do Havaí especialmente ativos ", acrescenta ela.
A vulcanóloga afirma que o que torna a atual erupção do Kilauea incomum é que ela está ocorrendo perto de uma região habitada e que a quantidade de lava que emana é alta.
No entanto, ela observa que há outros vulcões em erupção por mais tempo: tudo depende da quantidade de magma que se está gerando sob o local onde eles estão localizados.
"Há vulcões que entraram em atividade há meses ou há anos. O que acontece agora é que, como está perto de uma área habitada, ele tem recebido uma cobertura maior da mídia. Mas no momento há 43 vulcões em erupção em todo o mundo e muita gente não sabe ", diz ela.
A grande questão é saber quando essa atividade toda arrefecerá.
Mas por que os cientistas acham tão difícil prever o fim da erupção de um vulcão?
"É muito difícil prever quando a erupção de qualquer vulcão vai acabar porque depende da quantidade de magma abaixo da superfície e não temos como saber isso", explica Krippner.
Ela aponta que, em geral, os vulcanólogos conseguem prever quando uma erupção chegará ao fim quando os efeitos associados a isso começam a diminuir, como pode acontecer com os fluxos de lava ou os terremotos que eles geram.
No entanto, a especialista reitera que isso ainda não começou a ser percebido no Kilauea, por isso não é possível saber quanto tempo mais essa erupção pode durar.
Fonte: BBC

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Derretimento de geleiras: precisamos nos preocupar?

Um iceberg gigante, de 120 quilômetros quadrados, acaba de se desprender da geleira Petermann, que fica no mar ao longo da costa noroeste da Groelândia, e termina numa gigantesca língua de gelo flutuante. Em 2010, a mesma geleira desprendeu um iceberg com o dobro desse tamanho (250 km²).
Como outras geleiras que terminam no oceano, a Petermann produz icebergs regularmente. Até por conta disso, milhares de “desprendimentos” que liberam icebergs para o mar acontecem todos os anos na Groelândia, dos mais banais a outros muito impressionantes.
Então como podemos saber se os eventos recentes que tanto nos chocam são causa do aquecimento global – e portanto de preocupação – ou são normais?
Segundo os cientistas, é importante ter em mente que esses processos são naturais e periódicos, ou seja, vêm acontecendo desde muito antes de nós, humanos, os observarmos com nossas fotos de satélite.
Porém, não é preciso ser um gênio para notar que, com o aquecimento global, a Terra fica mais quente, e mais gelo derrete. Então, a questão principal é se a frequência desses eventos está mudando ou não, e por quê.

Fatos, suposições e tendências preocupantes

O que é fato é que esses processos naturais acontecem periodicamente mesmo. Também é fato que a estabilidade das camadas de gelo em ambos os polos terrestres depende de vários fatores, como temperatura atmosférica, temperatura da superfície do mar, grau de cobertura do gelo no mar, entre outros.
Outro fato – que gera uma tendência preocupante – é que as margens da geleira Petermann recuaram para um ponto nunca visto nos últimos 150 anos. Ou seja, estão mais “derretidas” do que nunca.
Com isso, vêm as suposições: alguns cientistas acreditam a plataforma de gelo da Groelândia está derretendo, ou diluindo extensivamente por causa das temperaturas quentes; só que nenhum evento deste tipo pode ser atribuído sem dúvidas a alterações no clima.
Podemos dizer com certeza que, nas duas últimas décadas, a Groelândia experimentou um aquecimento significativamente maior do que a média atmosférica global. No mesmo período, o sul da região perdeu cada vez mais “massa” (tanto o tipo de desprendimento como o visto em Petermann quanto simples fusões do gelo de superfície) ano a ano, e os níveis de cobertura de gelo do mar Ártico estão prestes a se tornar um dos mais baixos já registrados.
Só que, a partir daí, acabam-se as conclusões. Não se pode dizer definitivamente as causas de tais fenômenos, e se eles são normais, ou preocupantes. A verdade é que o acúmulo e rompimento das geleiras podem mudar ao longo de períodos que variam de meses a milênios, e os cientistas simplesmente não têm dados suficientes para estabelecer um padrão, porque não observam atentamente esse processo há muito tempo.
A resposta? Como tantas vezes acontece na ciência, o que é necessário são mais observações.
“Se começarmos a ver padrões de desprendimentos em um certo intervalo, em um bom número de geleiras, em um mesmo setor no norte da Groenlândia, então isso seria muito preocupante, e um forte indicador de que há uma mudança ocorrendo, relacionada ou não com o aquecimento da atmosfera ou do oceano”, sugere Jonathan Bamber, diretor do Centro de Glaciologia da Universidade de Bristol (Reino Unido).
Ainda assim, ver o gelo derretendo mais e mais a cada ano é um evento dramático e perturbador de se assistir (imagem abaixo). Para qualquer pessoa consciente da nossa dependência da natureza, a impressão de que estamos fazendo algo errado fica.[BBC 1 e 2CientecBand]


Fonte: Hypescience

quarta-feira, 18 de julho de 2018

O que são as ‘bombas de lava’ como a do vulcão Kilauea que feriu 23 pessoas em um barco no Havaí.

                                                                        Direito de imagemREUTERS
Uma "bomba de lava" atingiu um barco no Havaí, ferindo 23 pessoas na segunda-feira (23). A explosão vulcânica lançou pedras e detritos pelos ares, que acabaram atingindo a embarcação repleta de turistas.
Um passageiro quebrou a perna, enquanto outros sofreram queimaduras. A lava veio do vulcão Kilauea, que entrou em erupção em maio e, desde então, vem expelindo gás e magma (rocha derretida).
A explosão causou um buraco no teto do barco turístico, que levava visitantes para ver o encontro entre lava e mar.
O barco retornou ao porto após o acidente e os feridos foram levados ao hospital. Will Bryan, que estava na embarcação com a namorada, Erin, descreveu os momentos de desespero que passaram.
"Assim que você vê que está vindo, não há mais tempo para se mexer. E a pior parte é que você está num barco pequeno", disse Bryan à BBC.
                                                                        Direito de imagemHAWAII DNLR
"Você não tem para onde ir enquanto é atingido pela lava. Você só tem 6 metros, e todo mundo está tentando se esconder e se proteger no mesmo lugar. Foi assustador."
Segundo ele, a atmosfera foi de "caos" por vários minutos. "O capitão fez o possível para deixar todo mundo calmo, mas é impossível. O rosto da Erin (namorada dele) estava coberto por fuligem e as minhas costas estavam fervendo", detalhou.
Autoridades locais disseram que o barco era operado pela Lava Ocean Tours, que cobra US$ 250 (cerca de R$ 965) para levar turistas para ver o fluxo de lava no oceano. A quantidade de lava expelida pelo Kilauea foi tão grande a ponto de formar uma nova ilha no Havaí, de pequenas proporções.
Mas o que, exatamente, são as 'bombas de lava'
                                                                               Direito de imagemUSGS

Essa não é a primeira vez que o Kilauea fere alguém como "bombas de lavas". Em maio, Darryl Clinton estava usando um extintor de incêndio para proteger as casas do bairro onde mora, nas proximidades do vulcão, quando um "projétil quente e vermelho" atingiu sua perna, acima do calcanhar.
O impacto fez com que caísse no chão e cortou a pele até chegar ao osso. Clinton foi resgatado e levado ao hospital, onde teve a perna imobilizada e ficou internado para se recuperar dos ferimentos.
"Foi o impacto mais forte que já senti no meu corpo e na minha vida. Já fui atingido por ondas grandes, mas isso foi muito mais poderoso", contou ele à agência Reuters.
"Os médicos fizeram um trabalho incrível. Eu só queria viver, mesmo que tivessem que cortar a minha perna."
As "bombas de lava" são lançadas de aberturas dos vulcões quando gases interferem com o magma. Magma é a rocha líquida no interior da terra, e a lava é o magma expelido do vulcão.
As "bombas" saem como líquidos quentes e vermelhos de cerca de 1.500 graus Celsius de temperatura. Mas, ao entrar em contato com o ar, esfriam e formam crostas rígidas que variam de tamanho.
Dependendo da temperatura da lava, ela pode queimar ou gerar um foco de incêndio ao entrar em contato com objetos, árvores ou pessoas. Se o indivíduo estiver usando roupa de algodão ou tecido artificial, por exemplo, o pano pode queimar ou pegar fogo no contato com o magma.
O outro risco é o fato de que essas "bombas" podem atingir altas velocidades. Portanto, não só a temperatura, mas também o impacto, podem machucar.

Tamanhos variados

Uma "bomba de lava" pode ser do tamanho de uma maçã ou atingir dimensão e peso maiores que os de uma geladeira. A que atingiu Darryl Clinton teria o tamanho de uma bola de boliche, segundo a Reuters.
Qualquer fragmento de lava com mais de 64 milímetros já é considerado uma "bomba de lava". Algo menor que isso seria uma cinza de vulcão.
E essas "bombas" podem atingir até mil metros de altitude ao serem lançadas. As lavas do Kilauea destruíram centenas de casas e milhares de pessoas tiveram que ser evacuadas de bairros próximos ao vulcão.
Mas, felizmente, não foram registradas mortes. Os únicos atingidos com maior gravidade pelas "bombas de lava" foram os turistas do barco e Darryl Clinton.
Fonte: BBC

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Como demanda por óleo de dendê ameaça orangotangos.

                                              Direito de imagemKATEPHOTOGRAPHER / GETTY IMAGES

O orangotango habita florestas que hoje são visadas como áreas para produção de óleo de palma
Você sabia que o seu sabonete pode ser uma ameaça à sobrevivência  dos orangotangos, espécie com quem compartilhamos 97% do nosso DNA?
Pizza, sorvete, biscoitos, margarina, cosméticos – e sabonetes – são alguns dos milhares de produtos que contêm óleo de palma, ingrediente cuja exploração comercial ameaça essa e várias outras espécies.
Um novo estudo da International Union for the Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza, IUCN na sigla em inglês) sugere, no entanto, que o uso de óleos alternativos poderia trazer riscos ainda maiores para várias espécies de animais e vegetais.
O óleo de palma é produzido a partir de um ingrediente tradicionalíssimo na culinária baiana: o azeite de dendê. Uma vez refinado, o aromático dendê das moquecas, bobó de camarão e vatapá perde sua cor alaranjada e seu aroma e transforma-se em óleo de palma.
O cultivo da palma, também conhecida como dendezeiro ou coqueiro de dendê (nome científico Elaeis guineensis), de onde se extrai o óleo de palma, é frequentemente apontado como extremamente danoso para o meio ambiente. Isso ocorre porque, para ceder espaço para as plantações da árvore, que cresce em climas quentes, agricultores recorrem ao desmatamento em áreas ocupadas por florestas tropicais.
                                                                   Direito de imagemGETTY IMAGES
Originário do norte da África, o dendê ganhou o mundo e hoje é amplamente usado na indústria
O Brasil produz óleo de palma, ocupando o décimo lugar no ranking global de produtores. O cultivo no país tem seus problemas. Entre eles, a utilização de agrotóxicos que poluem rios e o impacto da produção em larga escala sobre populações vulneráveis que habitam as áreas de plantio, concentradas no Estado do Pará. No entanto, para evitar o desmatamento, o governo federal determina que o cultivo no país seja feito em terras já degradadas.
A situação é ainda mais desafiadora nos países que lideram a produção do óleo de palma no mundo.
Malásia e Indonésia
Em termos globais, o cultivo do dendezeiro responde por apenas 0,4% do desmatamento. No entanto, essa lavoura está tendo um impacto dramático em algumas regiões da Indonésia e Malásia, onde é responsável por até 50% do desmatamento.
Esses dois países são os maiores produtores de azeite de dendê do mundo, produzindo milhões de toneladas do óleo anualmente, em uma indústria que gera mais de US$ 40 bilhões.
Proibir a comercialização do óleo não resolveria o problema, dizem os autores do estudo. O mundo continuará precisando de óleos vegetais.
E o que também preocupa os especialistas é que esforços para aumentar a demanda por dendê produzido de maneira sustentável não surtiram efeito até o presente.
Os orangotangos demoram a se reproduzir – cada indivíduo morto diminui as chances de sobrevivência da população
Produzido a partir da polpa de cor avermelhada encontrada no dendezeiro, o óleo de palma é o óleo vegetal mais utilizado do mundo.
Acredita-se que esteja presente em cerca de 50% de todos os produtos encontrados em supermercados e lojas. Ele é um ingrediente importante, por exemplo, na fabricação de batom – porque é capaz de reter a cor, não tem sabor e não derrete facilmente. É encontrado em xampus, cereais matinais e macarrão tipo miojo, entre outros produtos.
Nos últimos 20 anos, a demanda crescente pelo produto levou à destruição de milhares de hectares de florestas tropicais centenárias.
E essas florestas são o habitat natural de algumas das espécies mais ameaçadas do mundo, incluindo o orangotango.
“Os orangotangos são nativos das terras baixas de Bornéu e Sumatra, e é lá que a palma de óleo é cultivada”, disse à BBC News o autor do relatório, Erik Mijaard.
“Os dois estão em constante conflito. A (plantação) desloca os orangotangos, eles são empurrados para os jardins da população local e é assim que ocorrem as matanças (de macacos).” “Orangotangos são muito versáteis, mas, se tem uma coisa com a qual orangotangos (enquanto espécie) não conseguem lidar, é a matança. Isso porque se reproduzem de forma muito lenta, então as mortes têm um impacto muito grande.” O óleo de palma responde por 35% do óleo vegetal, mas ocupa apenas 10% da terra destinado à produção do produto.
Problema complexo
Um estudo publicado em fevereiro de 2018 pela revista científica Current Biology revelou que mais de cem mil orangotangos foram mortos nos últimos 16 anos em Bornéu.
Coibir o cultivo do dendezeiro, por outro lado, não é a solução, diz o relatório da IUCN. Seus autores dizem que a lavoura de palma vem crescendo justamente porque o dendezeiro, com suas frutas vermelhas, é incrivelmente eficiente na produção de óleo.
O óleo de palma responde por 35% do suprimento global de óleos vegetais, mas ocupa apenas 10% da terra alocada para a produção de óleo no planeta.
Para substituí-lo com óleo de semente de colza, de girassol ou de soja seria necessário utilizar muito mais terra – segundo estimativas, até nove vezes mais espaço do que o utilizado no cultivo da palma.
Resultado: outras espécies seriam ameaçadas em outras regiões do planeta.
“Se não existisse óleo de palma, você ainda teria a mesma demanda por óleos vegetais”, argumentou Erik Meijaard.
“Se você deixa de produzir (óleo de) palma, (outro óleo) terá de ser produzido em outro lugar. Então, em vez de prejudicar os orangotangos, você vai ameaçar ursos, ou onças. Você simplesmente joga o problema para um outro lugar.” A produção de dendê tem provocado problemas ambientais na Malásia.
Governo e consumidores
Medidas adotadas pelos governos da Malásia e Indonésia para tentar evitar que o cultivo do dendezeiro destrua as florestas e os animais também têm sido pouco efetivas, dizem os especialistas.
Após identificar áreas da floresta que são mais importantes para a biodiversidade, autoridades dos dois países criaram várias iniciativas para tentar preservá-las. No entanto, segundo o relatório, as medidas não surtiram efeito.
“Analisamos a diferença entre índices de desmatamento em plantações que receberam certificações (de órgãos de inspeção) na parte indonésia de Bornéu e nas que não foram certificadas. Não vimos muita diferença”, diz Meijaard, ressaltando, porém, que a iniciativa é recente. “É preciso tempo para que haja uma melhoria nas práticas. Também é preciso que cresça a demanda por parto do consumidor por óleo de palma certificado.” 
Cultivo sustentável
Uma outra solução, apontam ambientalistas, é incentivar o cultivo sustentável do dendezeiro.
Para isso, foi criada a Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO). Em linhas gerais, produzir o óleo de palma de forma sustentável significa não desmatar e não desrespeitar os direitos dos trabalhadores da indústria.
O site da entidade faz várias recomendações a agricultores, fabricantes, comerciantes, consumidores e governos.
Entre elas, usar terras degradadas para plantio, investir em pesquisa para aumentar produtividade e eficiência e comprar apenas óleo de palma produzido de maneira sustentável (o que implica identificar todos os intermediários na cadeia de suprimento, do produtor até o varejista).
Consumidores devem pesquisar e apoiar marcas comprometidas com a sustentabilidade, participar e divulgar campanhas de conscientização e apoiar entidades de conservação.
O relatório da IUCN diz que o trabalho da RSPO tem sido limitado pela baixa demanda, dificuldades na identificação dos produtos sustentáveis e ausência de monitoramento e controle efetivos.
A RSPO, por sua vez, diz que é difícil melhorar seus resultados sem “o apoio mais amplo da sociedade”.
Fonte: BBC


domingo, 15 de julho de 2018

Adivinhe o que estas 13 baleias tinham no estômago quando morreram.


Uma autópsia em 13 baleias cachalote que encalharam perto da cidade de Toenning, em Schleswig-Holstein, Alemanha, encontrou em seus estômagos algo que, infelizmente, cada vez mais faz parte da dieta destes animais: plástico. As baleias provavelmente morreram de insuficiência cardíaca e circulatória devido à fome, no entanto, e não por causa do lixo em seus intestinos.
Ainda assim, o conteúdo do estômago – que inclui uma rede de pesca de 13 metros de comprimento e um pedaço de 70 centímetros de plástico de um carro – são lembretes do impacto ambiental do lixo humano.
“Estes resultados nos mostram os efeitos de nossa sociedade consumidora de plástico”, afirmou Robert Habeck, ministro do meio-ambiente de Schleswig-Holstein. “Animais inadvertidamente consumem plástico e seus resíduos, o que faz com que eles sofram e, na pior das hipóteses, faz com que morram de fome mesmo com o estômago cheio”.
Todas as baleias eram do sexo masculino, na faixa etária entre 10 e 15 anos, e pesavam cerca de 15 toneladas – um peso baixo, considerando que cachalotes normalmente pesam de 32 a 41 toneladas. Especialistas acreditam que as tempestades no nordeste do Atlântico afetaram a fonte de alimento das baleias no Mar do Norte. Guiadas por seus estômagos famintos, as baleias seguiram as lulas e acabaram encalhando em águas rasas.

Fonte: Hypescience

Moradores observam cachorros azuis aparecendo pelas ruas e descobrem um problema maior do que esperavam.


Um problema ambiental no bairro industrial de Taloja, na cidade indiana de Mumbai, deixou os moradores da região assustados na última semana. A água no rio que corta o bairro é tão poluída que está colorindo o pelo dos cães de azul.
Há muito anos o rio Kasadi foi declarado como com água não-potável por causa da alta concentração de resíduos químicos. O problema, porém, ficou dez vezes pior de lá para cá.

Os animais apareceram dessa cor da noite para o dia, e no início muitas pessoas acreditaram que este era o resultado da ação intencional de alguém, que estaria tingindo os cães de azul um a um. Mas este não era o caso.
Protetores de animais foram informados sobre o que estava acontecendo e atuaram rapidamente para encontrar os cães de rua azuis e ajudá-los. “Foi chocante ver como os pelos brancos dos cães haviam ficado azuis. Encontramos cinco cachorros aqui e pedimos que o conselho de controle de poluição aja contra as indústria poluidoras”, afirma um dos ativistas, Arati Chauhan.

Os ativistas conseguiram capturar apenas um cão, que foi levado para uma clínica onde tomou banho e foi examinado. “A tinta é possivelmente à base de água e saiu depois de dois banhos comuns. Além do banho, amostras da pele superficial do cão foram retiradas para verificar se a tinta é tóxica.

Os ativistas conseguiram capturar apenas um cão, que foi levado para uma clínica onde tomou banho e foi examinado. “A tinta é possivelmente à base de água e saiu depois de dois banhos comuns. Além do banho, amostras da pele superficial do cão foram retiradas para verificar se a tinta é tóxica.

Um jornal local afirma que o nível de poluição do rio foi multiplicado por 13 desde quando foi declarado como não-potável. Os cães da região bebem e nadam nessa água, e ela está colorindo sua pelagem com corantes das indústrias que despejam os resíduos ali ilegalmente.
Pescadores locais têm reclamado do problema há anos, mas nada foi feito até agora. Os peixes estão morrendo e há um cheiro terrível. Mesmo assim, a população depende dos peixes pescados neste rio para complementar a alimentação familiar, e isso levanta uma importante preocupação sobre quais as consequências de ingerir essas substâncias na saúde humana.
De acordo com a Times, representantes da comissão de controle de poluição identificaram uma fábrica de detergentes que seria responsável pelo descarte ilegal do corante no rio. Uma investigação foi aberta e a área foi cercada para que mais animais e pessoas não se aproximem da água. Essa cerca, porém, é frágil e tem buracos, e os ativistas animais acreditam que há mais cachorros azuis ainda não encontrados.

Cães de rua na Índia


O país de 1 bilhão de habitantes tem 30 milhões de cães, que são protegidos por lei. No último mês de maio, o governo aprovou regulamentações que visam acabar com a criação de cães indiscriminada e oferecer fundos para necessidades básicas como alimentação e abrigo para os animais de rua. De acordo com a Humane Society, 60% dos cães do país não têm dono, mas são cuidados por donos de pequenos negócios e pela comunidade em geral.
Em Mumbai, mais da metade dos habitantes vive nas ruas ou em favelas, e cães são fonte de companhia enquanto catadores de material reciclável andam pela cidade. [National GeographicShareably]