quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Fazer isso poderia cancelar nossas emissões de CO2.

Finalmente, parece que temos uma boa notícia em relação ao aquecimento global. Um novo estudo mostra que replantar em grande escala as florestas do mundo seria uma arma eficiente contra as mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, este reflorestamento em massa “sugaria” dióxido de carbono suficiente da atmosfera para anular uma década de emissões humanas.
Segundo os autores, há espaço para mais 1,2 trilhões de árvores em parques, bosques e terras abandonadas em todo o planeta. Se tal meta fosse alcançada, superaria qualquer outro método já proposto para combater as mudanças climáticas – “desde a construção de turbinas eólicas a dietas vegetarianas”.
O estudo se baseia no fato de que houve, por anos, uma interpretação errada quanto ao número real de árvores na Terra. Essa falta de informações precisas significa que os especialistas subestimaram gravemente este número. Combinando dados de levantamentos terrestres e satélites, o ecologista Thomas Crowther e seus colegas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, chegaram a um número de três trilhões de árvores – mais de sete vezes mais do que uma estimativa anterior da Nasa, de acordo com matéria do site do jornal inglês Independent.
Essa mesma abordagem, usando aprendizado de máquina e inteligência artificial para analisar o enorme conjunto de dados, permitiu aos pesquisadores prever o número de árvores que poderiam ser plantadas em áreas vazias em todo o mundo. Crowther disse ao Independent que “subestimar as árvores significa que os cientistas também vêm subestimando maciçamente o potencial das florestas para combater as mudanças climáticas”.

Conta diferente

O Project Drawdown é um grupo que compara a capacidade e os méritos de diferentes técnicas de corte de emissões de gases de efeito estufa. Atualmente, eles colocam a energia eólica em terra e a melhora da reciclagem de geladeiras e ar-condicionados no topo de sua lista de melhores métodos para conter o efeito estufa. Se implementadas em uma escala realista, cada uma dessas técnicas reduziria mais de 80 gigatoneladas de emissões. O reflorestamento ficam em 15º lugar, com uma economia de apenas 18 gigatoneladas.
Porém, a nova pesquisa utilizou seus dados recém-descobertos para estimar a escala potencial de captura de carbono que poderia ser alcançada com o plantio de árvores para tentar revelar seu verdadeiro potencial.
“Há 400 gigatoneladas agora, nos 3 trilhões de árvores, e se você escalar isso em mais trilhões de árvores, isso é da ordem de centenas de gigatoneladas capturadas da atmosfera – pelo menos 10 anos de emissões antrópicas completamente aniquiladas”, prevê Crowther.
Embora os números exatos ainda não tenham sido divulgados, o pesquisador garante que as árvores são “nossa arma mais poderosa na luta contra a mudança climática”.
A restauração completa de todos os locais identificados pela pesquisa é irrealista – ainda mais em um mundo que segue a oposta tendência de desmatar ainda mais nossas florestas. O plantio de mais árvores, porém, é cada vez mais reconhecido como uma atividade crítica para preservar a vida na Terra.
Segundo a matéria do Independent, o novo estudo já está tendo efeitos sobre a comunidade científica. Um projeto das Nações Unidas – que já plantou 17 bilhões de árvores em todo o mundo – inicialmente chamado Campanha dos Bilhões de Árvores, foi renomeado para Campanha dos Trilhões de Árvores.
“Não estamos visando áreas urbanas ou agrícolas, apenas terras degradadas ou abandonadas, e isso tem o potencial de enfrentar os dois maiores desafios do nosso tempo – a mudança climática e a perda de biodiversidade. É uma coisa linda porque todos podem se envolver. As árvores literalmente apenas tornam as pessoas mais felizes em ambientes urbanos, elas melhoram a qualidade do ar, a qualidade da água, a qualidade dos alimentos, o serviço ecossistêmico, é uma coisa tão fácil e tangível”, aponta Crowther.
A tarefa é ao mesmo tempo simples e complexa – são só árvores, mas são muitas árvores. Se a pesquisa for aceita e difundida por toda a comunidade científica, podemos ter descoberto uma nova fonte de esperança para o planeta. [IndependentFuturism]
Fonte: Hypescience

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Brasil libera uso de mais agrotóxicos

Entre os 28 agrotóxicos e princípios ativos permitidos recentemente pelo Ministério da Agricultura brasileiro, está o Sulfoxaflor, que vem causando polêmica nos Estados Unidos por ser altamente tóxico para as abelhas

O governo brasileiro aumentou o registro de agrotóxicos liberados na agricultura. Entre os 28 produtos liberados, quase todos são considerados perigosos para o meio ambiente, e quatro são classificados como altamente tóxicos. Alguns princípios ativos como o Metomil e o Imazetapir foram autorizados como ingredientes para a produção de agrotóxicos.
O Ministério da Agricultura alegou que os produtos não trazem riscos se são usados corretamente. Segundo notícia da Agência Pública, publicado no jornal El País, no ano passado foram registrados no país 450 agrotóxicos, sendo este um recorde histórico.
Um dos produtos liberados é o Sulfoxaflor, que teve o uso restringido nos Estados Unidos devido a um possível efeito danoso às abelhas. Atualmente, o produto está proibido para cultura de sementes, e só pode ser usado em plantações que atraem as abelhas após o florescimento. Segundo um estudo publicado na revista Nature, esta pesticida pode reduzir drasticamente o número de abelhas e reduzir a procriação em 54%.
Outro produto considerado muito perigoso para as abelhas, e autorizado no Brasil, é o Fipronil. Proibido em alguns países europeus, como a França, o inseticida foi acusado de dizimar enxames de abelhas. No Brasil ele é legalizado e indicado para algumas plantações como o arroz e o milho, entre outras.
Na contramão das tendências globais
Segundo o pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, esta liberação vai na contramão do que é a tendência mundial da agricultura sustentável. “Se nós tivermos uma agricultura que dependa basicamente do aumento constante no uso de agrotóxicos teremos problemas sérios de contaminação do meio ambiente”, afirmou para o jornal O Globo.
Ele afirma ainda que o uso de agrotóxicos considerados altamente tóxicos em outros países como Estados Unidos e Europa pode ocasionar problemas econômicos ao Brasil, já que muitos alimentos poderiam ser restringidos no mercado internacional e também por uma massa de brasileiros preocupados com uma comida saudável.
Os profissionais interessados em ampliar os conhecimentos sobre o desenvolvimento sustentável podem optar pelos programas patrocinados pela FUNIBER na área ambiental como o Mestrado em Engenharia e Tecnologia Ambiental.
Fontes:
Ministério da Agricultura aprova registro de agrotóxicos de alta toxicidade

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Energia eólica contribuiu para a Espanha 16,3 milhões de 2012 a 2017

Um estudo sobre o impacto do setor eólico indica que em 2017 a energia eólica contribuiu para a economia espanhola um total de 3.3 milhões de euros. O desenvolvimento desta energia renovável também permitiu reduzir a dependência energética de países terceiros, passando de 80% em 2006 para 72,3% em 2017

De acordo com um estudo realizado pela empresa de consultoria Deloitte para a Asociación Empresarial Eólica (AEE), entre 2012 e 2017, o setor eólico contribuiu com um total de 16,379 milhões de euros para a economia espanhola. Mais especificamente, em 2017, essa contribuição foi de 3,394 milhões de euros, que foi de 0,31 do PIB, ante 0,25% em 2015.
O documento, intitulado Estudo Macroeconômico do Impacto do Setor Eólico na Espanha, também indica que o desenvolvimento da energia eólica na Espanha permitiu reduzir a dependência energética de outros países, que caiu de 80% em 2006 para 72,3% em 2017
Com relação às exportações de energia renovável, elas totalizaram 15,9 milhões de euros entre 2012 e 2017. Mais especificamente, em 2017 as exportações representaram 2,3 milhões, tornando a Espanha a quarta maior exportadora mundial de turbinas eólicas, logo abaixo da China, Dinamarca e Alemanha. Em 2016, a Espanha chegou ao terceiro lugar, superando a Alemanha.
Em relação ao emprego, em 2017 as empresas eólicas empregaram, direta ou indiretamente, um total de 22.578 pessoas. No entanto, o número ainda está longe do máximo alcançado em 2008, com 41.438 trabalhadores.
No período 2012-2017, a utilização de energia eólica em vez de combustíveis fósseis significou uma economia para o sistema avaliado em 21,8 milhões de euros, devido ao fato de que o preço do pool de mercado de eletricidade foi reduzido.
Como a empresa Lucera explica, o pool refere-se ao mercado atacadista de eletricidade espanhol. Nele, o preço da energia é determinado de forma regulamentada pelos produtores e atacadistas.
Essa economia de 21,8 milhões entre 2012 e 2017 significou para um consumidor residencial médio, com um consumo de 4.000 quilowatts-hora (kWh) por ano, uma economia de 351 euros em sua conta de eletricidade.
FUNIBER patrocina o Mestrado em Energias Renováveis, um programa com detalhes sobre as especificidades das formas de energia limpa, bem como uma análise do contexto energético atual e possíveis cenários futuros. Além disso, o programa incorpora ferramentas de gestão ambiental para atender às necessidades de estudos de impacto e eficiência energética.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Poluição por plástico: a cidade sufocada por 17 mil toneladas de resíduos.

A Malásia se tornou um dos maiores importadores de plástico do mundo, recebendo o lixo que o resto do mundo não quer. Mas uma pequena cidade está pagando o preço por isso – e agora está sufocada por 17 mil toneladas de resíduos.

Começou no verão passado. Todas as noites, após o relógio dar meia-noite, Daniel Tay sabia exatamente o que estava por vir.
Ele fechava as portas e as janelas e aguardava o inevitável. Logo seu quarto seria tomado por um cheiro acre, que lembra borracha queimada. Ao tossir, seus pulmões eram pressionados.
Nos meses seguintes, o odor estranho voltaria todas as noites, com hora marcada.
Só mais tarde ele descobriu a origem do cheiro – usinas de reciclagem ilegais que queimavam plástico clandestinamente.

Sem lugar para ir

Naquele momento, ele não fazia ideia de que, em 2017, a China tinha decidido proibir a importação de resíduos plásticos. Só naquele ano haviam sido enviados sete milhões de toneladas de resíduos e muitos ambientalistas consideraram uma vitória quando a China reprimiu a prática.
Mas sem ter para onde ir, a maior parte do resíduo plástico – proveniente principalmente do Reino Unido, dos EUA e do Japão – foi simplesmente encaminhada para outro lugar: a Malásia.
Poderia ter sido qualquer cidade, mas a proximidade de Jenjarom de Port Klang – maior porto do país e porta de entrada da maior parte das importações de plástico – tornou o local ideal.
De janeiro a julho de 2018, cerca de 754 mil toneladas de resíduos plásticos foram importados pela Malásia.
As usinas ilegais de reciclagem de plástico começaram a surgir, na esperança de obter lucro rápido com a promissora indústria de reciclagem, avaliada em mais de 3 bilhões de ringgits malaios (cerca de R$ 2,7 bilhões).
De acordo com o Conselho de Estado, havia 33 fábricas ilegais em Kuala Langat – distrito em que a cidade de Jenjarom está localizada. Algumas foram instaladas perto de densas plantações de dendê, outras mais perto da cidade.
Mas levaria meses até os moradores tomarem conhecimento da sua existência – só perceberam depois que os sintomas começaram a aparecer.

‘Envenenados lentamente’

“O cheiro começou há um tempo, mas piorou em agosto deste ano”, conta Tay.
“Comecei a me sentir mal e continuei tossindo. Fiquei com muita raiva quando descobri que era por causa das fábricas.”
O resíduo plástico é normalmente reciclado em pellets (grânulos milimétricos de resina plástica), que podem ser usados para fabricar outros tipos de plástico.
Nem todo plástico pode ser reciclado, então as usinas de reciclagem precisam enviar o material não-reciclável ​​para centros de descarte – algo que custa dinheiro.
Mas muitas usinas ilegais preferem descartar o resíduo sem pagar nada, de forma insalubre – enterrando, ou mais comumente, queimando.
Outra moradora, Ngoo Kwi Hong, conta que a fumaça da incineração provocou uma tosse tão violenta que ela chegou a cuspir um coágulo de sangue.
“Eu não conseguia dormir à noite porque era muito fedorento. Virei um zumbi, estava muito cansada”, diz Ngoo.
“Só mais tarde descobri que havia usinas em volta da minha casa – ao norte, sul, leste, oeste.”
Aqueles que moravam mais perto das usinas foram os mais afetados.
Belle Tan, que descobriu que havia uma usina ilegal a apenas 1 km da sua casa, revela o impacto no filho de 11 anos.
“Ele teve uma erupção cutânea muito grave na barriga, no pescoço, nas pernas e nos braços. A pele dele continuava descascando, doía até quando tocávamos nele. Eu estava com raiva e temerosa pela saúde dele, mas o que eu podia fazer? O cheiro estava por toda parte.”
Não está claro se essas doenças estão diretamente ligadas à poluição do ar, mas um especialista afirmou que a inalação da fumaça proveniente da queima do plástico provavelmente causou impacto na saúde respiratória das pessoas.
“A principal questão sobre essa fumaça de plástico é que ela é cancerígena”, disse à BBC Tong Yen Wah, professor do Departamento de Química e Engenharia Biomolecular da Universidade Nacional de Singapura (NUS, na sigla em inglês).
“Também depende muito dos tipos de plástico que estão sendo queimados e da exposição a eles. Se você tiver uma exposição alta num curto prazo, poderá ter dificuldade para respirar… [ou pode] provocar alguns efeitos em seus pulmões. Mas se a exposição for em longo prazo… é aí que entram os efeitos cancerígenos.”
Muitos moradores da cidade permanecem, no entanto, completamente indiferentes aos potenciais efeitos da incineração.
“Muitas pessoas aqui estão apenas tentando ganhar a vida”, diz Tay. “Elas vão dizer só que é fedorento e continuar com suas vidas, elas não entendem que é algo que pode as estar envenenando lentamente.”
A BBC conversou com vários moradores, muitos dos quais relataram ter sentido o cheiro da fumaça, mas não pensaram muito a respeito.
“Você continua sentindo o cheiro e seu corpo se acostuma”, brincou um morador. “Talvez possa até ser bom para você.”

Um aterro improvisado

O governo da Malásia já fechou 33 usinas que considera ilegais em Jenjarom e, na maioria dos casos, a fumaça acabou.
Mas as 17 mil toneladas de lixo deixadas por essas fábricas ainda estão lá – e não são insignificantes para uma cidade de 30 mil habitantes.
A maior parte deste lixo foi apreendida pelas autoridades, mas 4 mil toneladas de resíduos plásticos ainda estão concentrados em um único local – à vista de qualquer um.
Uma montanha de resíduos está acumulada no que antes era aparentemente um terreno baldio, mas que agora se tornou um aterro improvisado.
Uma caminhada rápida pelo local revela que uma enorme quantidade de resíduos plásticos vem de outros países, sendo grande parte do Japão e do Reino Unido – é possível avistar marcas como Asda, Co-op e Fairy no lixo.
“Estamos tentando identificar quem é o dono do terreno, ainda estamos investigando”, diz a ministra da Habitação e Governo Local, Zuraida Kamaruddin, à BBC.
O Estado de Selangor, em que a cidade de Jenjarom está localizada, tentou fazer um leilão, mas sem sucesso.
“Ninguém quer isso porque está muito contaminado”, reconhece Yeo Bee Yin, ministra de Energia, Tecnologia, Ciência, Meio Ambiente e Mudança Climática.
Yeo afirma que existem várias opções disponíveis – o mais viável seria o envio dos resíduos para uma fábrica de cimento, que queimaria o plástico para gerar calor para sua caldeira. Mas essa solução teria um custo alto para o governo.
“[Estimamos que] vai custar cerca de 2,5 milhões de ringgits malaios apenas para transportar essa pilha [para a fábrica]”, revela Yeo.

De uma cidade para outra

Mas Jenjarom é apenas uma cidade na Malásia – o problema da reciclagem ilegal de plásticos não termina aí.
“Muitos desses [operadores de usinas ilegais] arrendam a terra de fazendeiros malaios locais e montam usinas muito básicas”, afirma Ng Sze Han, vereador em Selangor, à BBC.
“Quando [pegamos os operadores das fábricas ilegais], eles simplesmente somem – nós fechamos [as usinas], eles se mudam para outra parte da Malásia.”
E não é surpreendente que eles sejam capazes de encontrar proprietários que arrendem terras tão facilmente.
Um proprietário com quem a BBC conversou conta que arrendou suas terras por 50 mil ringgits malaios por mês para um cidadão chinês. Ele diz que não estava ciente do que ele fazia, sua preocupação era apenas cobrar o aluguel.
Não é uma quantia insignificante quando você descobre que a renda média mensal de uma família na Malásia em 2016 era de 5.228 ringgits malaios.
Ng revela que já recebeu telefonemas de autoridades em Johor e Negeri Sembilan – outros Estados da Malásia – avisando que usinas ilegais começaram a surgir na sua região.
Ele diz que o problema da reciclagem ilegal provavelmente não será resolvido de maneira eficaz sem a proibição total do plástico.
Mas é improvável que isso aconteça.
Kamaruddin diz que o governo considerou inicialmente banir o plástico, mas “depois que estudamos, percebemos que [tinha muito] potencial de negócios para a Malásia”.
Em vez disso, diz ela, regras mais rigorosas estão sendo impostas aos importadores de plástico – eles agora terão de aderir aos novos critérios antes de serem capazes de obter uma permissão para importar resíduos plásticos.
Apenas empresas com permissão reconhecida poderão importar resíduos plásticos para a Malásia.
“Se você cortar o mal pela raiz e controlar a alfândega bem, acho que vai ser eficaz em reduzir muito”, acrescenta Yeo.

Para o resto do mundo

Existe um problema mais amplo – o que Jenjarom revela é que há uma enorme falha no sistema de reciclagem de plástico.
Os resíduos e sucatas de plástico têm seu próprio código de comércio internacional – HS3915.
Mas o que esse código não leva em conta é se o resíduo que está sendo importado é de boa qualidade ou contaminado – não há como saber, a menos que alguém faça isso manualmente.
Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 2017 reconheceu que era comum resíduo plástico misturado ser escondido em meio a “sucata de plástico limpa”.
O que é necessário, diz Yeo, é um sistema de classificação adequado que será capaz de levar em conta essa distinção.
“No fim, [o que precisamos é de uma] padronização sistêmica para os resíduos”, afirma.
Caso contrário, parece apenas uma questão de tempo até que outras cidades da Malásia – ou no resto do mundo – se tornem a próxima Jenjarom.
Fonte: BBC

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Maior apreensão de mamíferos de origem africana é registrada na Malásia.

DESDE 2014, AS OITO ESPÉCIES DE PANGOLIM ESTAVAM LISTADAS COMO AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO. (FOTO: DAVID BROSSARD/ FLICKR)
Quase 30 toneladas de pangolins africanos foram traficados ilegalmente na quinta-feira passada, 7. A apreensão, que aconteceu por autoridades no estado de Sabah, na ilha de Bornéu, na Malásia, é a maior já registrada no país, um dos principais responsáveis pelo comércio de pangolins, um mamífero que vive em regiões da África e da Ásia.Conhecidos pelo aspecto fofo e confundidos muitas das vezes com tatus, os pangolins são da família dos tamanduás escamosos.
De acordo com a TRAFFIC, organização sem fins lucrativos que trabalha no combate ao comércio de animais e plantas silvestres, o carregamento apreendido pelas autoridades tinha cerca de 1,8 mil caixas cheias de pangolins que estavam congelados em três recipientes refrigerados, além de 572 congelados em seis freezers, 61 que estavam vivos em gaiolas e 261 kg de balanças.
Duas patas de urso e quatro carcaças de raposas voadoras também estavam no carregamento. As autoridades contam que receberam uma denúncia e invadiram dois locais: uma fábrica na cidade de Sabah e um depósito em Tamparuli. Um homem de 35 anos que trabalhava na fábrica e estava no local foi preso.
“Detectar grandes volumes de contrabando de pangolim não é tarefa fácil e as autoridades de Sabah estão de parabéns por perseguir e derrubar essa operação de contrabando”, disse Kanitha Krishnasamy, diretor da TRAFFIC no sudeste asiático.
De acordo com o grupo IUCN SSC Pangolin, especializado na espécie, mais de um milhão de pangolins foram caçados só na última década. Em 2014, as oito espécies do animal estavam listadas como ameaçadas de extinção.
Fonte: Revista Galileu

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Madeira apreendida pelo Ibama é usada para construção de 50 pontes na Amazônia.

Pelo menos 50 pontes foram construídas na Amazônia com madeira apreendida em operações de fiscalização realizadas pelo Ibama em Mato Grosso no ano passado. Prefeituras e instituições de educação receberam mais de 3 mil metros cúbicos de madeira, que também foi aproveitada para manutenção de escolas, creches e na construção de mesas e cadeiras.
A apreensão é aplicada por agentes ambientais quando não há comprovação da origem da madeira ou quando é identificada fraude em sistemas de controle como o Documento de Origem Florestal (DOF). “As fraudes geralmente são realizadas para acobertar madeira extraída ilegalmente de Terras Indígenas e Unidades de Conservação”, afirma a superintendente do Ibama em Mato Grosso, Lívia Martins.
A madeira apreendida foi destinada para 11 prefeituras do estado (União do Sul, Cláudia, Terra Nova do Norte, Itaúba, Sinop, Feliz Natal, Nova Ubiratã, Cláudia, Nova Guarita, Marcelândia e Peixoto de Azevedo) e para o campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) em Sorriso.
Fonte: Ibama

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Parque Marinho dos Abrolhos inaugura trilha subaquática.

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, unidade de conservação (UC) administrada pelo ICMBio entre os estados da Bahia e do Espírito Santo, inaugura na semana que antecede o Carnaval o seu mais novo atrativo: a trilha subaquática do Chapeirão Mau-Mau.

O projeto é fruto de um trabalho conjunto que envolveu a equipe gestora da UC marinha, condutores de visitantes, empresas autorizadas para a visitação comercial na unidade, entre outros representantes de instituições que atuam na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável na região dos Abrolhos. A nova trilha subaquática do Chapeirão Mau-Mau conta ainda com o apoio do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar).
Chapeirões são formações recifais de rara beleza, só existentes em Abrolhos. Apresentam formato de cogumelo e chegam a medir 20 metros de altura e 50 metros de diâmetro no topo. O percurso da trilha, que poderá ser feito à noite com mergulho autônomo, acompanhado por condutores, tem tudo para proporcionar aos visitantes uma experiência inédita e inesquecível, estimulando a visitação na UC.
De acordo com Fernando Repinaldo Filho, chefe do parque, a trilha subaquática deve ajudar a conscientizar os visitantes sobre a diversidade de ambientes marinhos, ampliando o conhecimento sobre a fauna e a flora locais, em especial os chapeirões. Além disso, a ideia é aumentar a conscientização a respeito das melhores práticas de mergulho, com ênfase nos cuidados necessários para que essa atividade prazerosa de recreação na natureza seja aliada à conservação. “Nossa intenção é estimular uma mudança de atitude das pessoas perante a natureza marinha”, afirma o gestor.
MERGULHO NOTURNO
Ainda segundo Repinaldo, a trilha subaquática reforça um novo atrativo no parque, que é o mergulho noturno em chapeirões, agregando mais requisitos de segurança e interpretação ambiental a sua visitação. Atualmente, os mergulhos noturnos em Abrolhos são restritos aos pontos próximos à ilha Santa Bárbara.
“Esperamos que o público aproveite essa experiência fantástica e que consigamos ressaltar ainda mais as belezas naturais de Abrolhos e a importância de sua conservação, assim como o valor das unidades de conservação, de modo que as pessoas se inspirem e passem a preservar os oceanos e a vida marinha”, ressalta o chefe do parque.
TRILHA INTERPRETATIVA E GUIADA
A trilha subaquática será interpretativa e guiada, como são todos os demais mergulhos autônomos realizados no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. São 140 metros de extensão, com 14 pinos instalados na areia e cabos que interligam os pontos de interesse, guiando o trajeto e facilitando a interpretação de cada ponto com seus atrativos específicos.
O percurso abrange um complexo com 16 chapeirões e outras formações recifais de variados tamanhos e formas, atravessando ambientes como bancos de algas e gramas marinhas. Seu fundo de areia branca propicia boa visibilidade, mesmo em situações de contatos eventuais com o fundo. Devido a essas condições, o mergulho noturno poderá ser feito com a segurança necessária, tanto para o ambiente quanto para as pessoas.
Entre os chapeirões, a trilha oferece pontos de destaque, como a “Janela do Coração”, um conjunto de “cogumelos gigantes” em formato de coração. O local é ideal para fotos e pequenas passagens que garantem uma experiência única para os mergulhadores, principalmente os de primeira viagem.
BIODIVERSIDADE MARINHA
Outro destaque da trilha subaquática é a presença expressiva de anêmonas gigantes (Condylactis gigantea), espécie marinha atualmente classificada como ”em perigo de extinção”. As anêmonas parecem flores, mas, na verdade, são animais de corpo mole que ficam grudados na superfície das rochas no fundo do mar. Junto com elas, é possível encontrar diversos camarões-palhaço, sendo em sua maioria camarões limpadores, animais que retiram parasitas de peixes.
O trajeto também abriga grande variedade de esponjas de diferentes cores, formatos e tamanhos. Também chama a atenção, durante o mergulho noturno, a quantidade expressiva do gorgonocéfalo, ou estrela-de-cesto (animal da família das estrelas-do-mar), e dos ouriços que, de “braços” estendidos à noite, podem atingir 1 metro de comprimento.
Em relação aos peixes, além dos normalmente encontrados nos recifes de coral, como os peixes-cofre, moreias, entre outros, há grandes arraias, cardumes de enxadas e demais peixes que costumam circular pelo mar dos Abrolhos e são encontrados neste ponto de mergulho, como xaréu, olhe-te, guarajuba, arabaiana, olho-de-boi e pampo.
REGRAS DA TRILHA SUBAQUÁTICA
Conheça as principais regras e orientações para manter a segurança e qualidade do ambiente:
1 – A trilha subaquática poderá ser operada apenas por embarcações autorizadas para visitação comercial na UC.
2 – Somente estarão aptos a conduzir visitantes na trilha os condutores que participarem de formação específica promovida pelo Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e com pelos menos dois mergulhos registrados no trajeto.
3 – O fundeio deverá ser feito na poita instalada no local, com cabo adequado para evitar danos ao ambiente e não poderá ser lançada âncora no local.
4 – Todos os equipamentos obrigatórios deverão estar funcionando adequadamente.
5 – Para o mergulho noturno, exige-se o uso de equipamentos mínimos: duas lanternas por mergulhador, sinalizador de mergulho Strobo fixado no cabo de fundeio da embarcação, além de recomendado o uso do sinalizador tipo “Sea Lume” individual para o condutor e para cada visitante durante o mergulho.
6 – Somente os visitantes com credenciamento específico (night dive avançado ou superior) poderão realizar o mergulho noturno.
7 – A proporção de visitantes por condutor deverá seguir o estabelecido para os demais pontos de mergulho no parque, podendo ser revisto caso assim indique o monitoramento das atividades.
8 – Somente uma embarcação por vez poderá operar na trilha.
9 – As embarcações interessadas em realizar a trilha subaquática deverão informar à equipe do ICMBio no local, que organizará a escala de uso.
10 – Será dada prioridade para operar: a) à embarcação que tiver agendado a visita há mais tempo, quando da chegada ao arquipélago; b) à embarcação que tiver o maior número de pernoites no parque nacional.
MONITORAMENTO
Considerando que a trilha subaquática tem como uma das principais finalidades qualificar a visitação baseada no mergulho autônomo, será elaborado e implementado pela equipe do parque um formulário de aplicação direta ao visitante sobre a sua satisfação e condições de realização da trilha – incluindo fatores como número de mergulhadores na água, biodiversidade, e informações recebidas pelos condutores –, a fim de subsidiar medidas de ordenamento na UC.
Fonte: ICMBio