sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Rede Brasil do Pacto Global levanta fundos para reflorestamento em evento pelo clima.

Com o apoio de celebridades, a Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas lança na quinta-feira (26), em Nova Iorque, uma iniciativa de levantamento de fundos para reflorestamento.

Uma obra dos artistas plásticos e grafiteiros brasileiros Os Gêmeos será leiloada em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, como parte da frente de atuação de resposta às mudanças climáticas.
Os fundos arrecadados serão usados em projetos de restauração, reflorestamento e regeneração natural de terras desmatadas e degradadas. O Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris a reduzir em 37% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025, e em 43% até 2030. Para isso, precisa recuperar 12 milhões de hectares de terras. A Rede Brasil trabalha no engajamento do setor privado para que a restauração ganhe escala.
Com o apoio de celebridades como as modelos Fernanda Liz e Lais Ribeiro, a Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas lança na quinta-feira (26), em Nova Iorque, uma iniciativa de levantamento de fundos para reflorestamento.
Uma obra dos artistas plásticos e grafiteiros brasileiros Os Gêmeos será leiloada em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, como parte da frente de atuação de resposta às mudanças climáticas.
Os fundos arrecadados serão usados em projetos de restauração, reflorestamento e regeneração natural de terras desmatadas e degradadas. O Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris a reduzir em 37% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025, e em 43% até 2030. Para isso, precisa recuperar 12 milhões de hectares de terras. A Rede Brasil trabalha no engajamento do setor privado para que a restauração ganhe escala.
O evento com arrecadação de fundos e engajamento de celebridades em Nova Iorque faz parte da iniciativa Action4Climate, lançada pela Rede Brasil do Pacto Global para promover ações climáticas baseadas em metas definidas pela ciência.
Essas ações envolvem três frentes: mitigação, ou redução dos efeitos da mudança do clima; meios de implementação, ou seja, formas de garantir o financiamento e execução das ações; e adaptação, que corresponde a projetos para ajudar as empresas a lidar com mudanças previstas ou em andamento.
No contexto da Action4Climate, a Rede Brasil está envolvendo as empresas em uma campanha mundial do Pacto Global para limitar o aumento da temperatura global a 1.5°C acima de níveis pré-industriais e chegar ao objetivo de zero emissão de gases de efeito estufa antes de 2050.
No Brasil, as empresas Malwee, Natura e Klabin assumiram compromisso público com as metas baseadas na ciência e definidas pelo Science Based Targets Initiative (SBTi), instituição independente que avalia a redução de emissões de gases das indústrias e que é resultado de parceria entre CDP, Pacto Global, WRI e WWF. Outras 87 empresas em todo o mundo estão envolvidas.
Para as empresas que ainda não se sentem confortáveis com a meta de 1,5°C, a Rede Brasil lançará durante a COP25, que ocorre em dezembro no Chile, um guia de implementação para a adaptação gradual ao tema e o compromisso de assumir a meta em um futuro próximo. A Rede também está promovendo capacitações em precificação de carbono para gerar mais conhecimento sobre iniciativas de mitigação das mudanças do clima.
Precificar carbono significa atribuir um preço às emissões de gases causadores do efeito estufa, cuja concentração elevada colabora para a mudança do clima. Apesar de contarmos com fatores que nos diferenciam dos demais países, como uma matriz energética mais limpa, a nossa média de emissão per capita está acima da mundial, de 8,5 toneladas por habitante, contra 7,5 toneladas por habitante no mundo.
De acordo com dados do Banco Mundial, 57 ações de precificação de carbono já foram implementadas ou estão em fase de implementação no mundo. Em 2018, a receita decorrente da precificação chegou a 66,6 bilhão de dólares, embora as iniciativas existentes cubram apenas 20% das emissões globais. No Brasil, o setor tem potencial para crescer nos próximos anos. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a receita decorrente da precificação de carbono pode ser responsável por mais de 1% do PIB brasileiro em 2030.

Mobilização global

Subiu para 87 o número de grandes empresas globais – com um valor de mercado somado equivalente a mais de 2,3 trilhões de dólares anuais e emissões de gases de efeito estufa equivalentes a 73 usinas de carvão – que estão agindo para alinhar seus negócios às Metas Baseadas em Ciência e, assim, limitar os piores impactos da mudança do clima.
Em resposta a uma campanha criada em junho por um grupo de empresários, sociedade civil e líderes das Nações Unidas, as companhias signatárias representam mais de 4,2 milhões de trabalhadores de 28 setores diferentes, localizadas em pelo menos 27 países. Elas prometem implementar metas climáticas em suas operações com o objetivo de limitar a temperatura média global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
“É encorajador ver os pioneiros do setor privado se alinharem com a sociedade civil e com governos ambiciosos, intensificando o apoio a um futuro de 1,5°C (de aquecimento)”, disse Guterres. “Agora precisamos de mais empresas para participar do movimento, enviando um sinal claro de que os mercados estão mudando.”
Fonte: ONU

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Alemanha vai destinar 547 milhões de euros para recuperar florestas.

O governo da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, anunciou nesta quarta-feira (25) que deve destinar mais de meio milhão de euros para revitalizar as florestas do país, que sofrem com os efeitos das mudanças climáticas, pragas, longos períodos de estiagem e incêndios.

O anúncio foi feito pela ministra alemã da Agricultura, Julia Klöckner, durante a Cúpula Nacional da Floresta, em Berlim. Segundo ela, o governo alemão vai destinar 547 milhões de euros (2,5 bilhões de reais) para medidas de reflorestamento e adaptação.
De acordo com a ministra, essa quantia poderá ser ampliada para até 800 milhões de euros (3,65 bilhões de reais) com a participação de governos estaduais. Esse dinheiro poderá ser gasto nos próximos quatro anos, acrescentou Klöckner.
“Temos que agir com urgência”, disse Klöckner perante representantes de mais de 170 grupos de interesse e instituições, com vista aos danos florestais que vêm aumentando na Alemanha desde o ano passado. “A floresta está morrendo, em algumas partes. A mudança climática nos atingiu muito mais rápido do que o esperado.”
Klöckner também disse à emissora pública SWR antes da Cúpula Nacional da Floresta que a Alemanha precisa revitalizar suas matas para combater as mudanças climáticas.
“Toda árvore que falta é um soldado que não vai poder agir contra as mudanças climáticas. Tudo o que não reflorestarmos hoje, nossos netos vão sentir falta, é claro.” – ministra alemã da Agricultura, Julia Klöckner
Estima-se que os longos períodos de estiagem e as tempestades repentinas, os incêndios florestais e os besouros que se espalham agressivamente estão afetando 180 mil hectares de florestas no país, de acordo com os dados mais recentes.
No entanto, a Associação dos Agentes Florestais da Alemanha (BDF) acredita que essa área chegará a 250 mil hectares até o final do ano – superfície equivalente ao menor estado da Alemanha, o Sarre.
A BDF já havia solicitado anteriormente o plantio de um bilhão de novas árvores na Alemanha na próxima década. Na quarta-feira, Klöckner disse que o programa precisava produzir pelo menos tantas árvores quanto aquelas que foram perdidas nos últimos anos. O tipo de árvores plantadas varia de região para região, de acordo com o clima local.
Além disso, dinheiro público seria investido na remoção de árvores mortas das áreas afetadas. A ministra alemã da Defesa, Annagret Kramp-Karrenbauer, prometeu a ajuda dos militares nesse esforço.
No entanto, outros políticos criticaram a iniciativa como muito vaga.
“Não quero nos ver despejando milhões como de um regador”, disse a ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, em entrevista ao grupo de mídia Funke. Ela pediu mudanças nas leis florestais da Alemanha e metas específicas de investimento.
O secretário do Meio Ambiente do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, também criticou Klöckner por querer discutir, simplesmente, sua própria proposta em vez de exortar o intercâmbio com outros tomadores de decisão, como governos estaduais.
O IG Bau, um sindicato que inclui agentes florestais, pediu a contratação de outros 11 mil funcionários para facilitar os esforços de reflorestamento.
Fonte: Deutsche Welle

Geleira do norte da Itália corre o risco de desmoronar.

A geleira Planpincieux, no vale de Aosta, o lado italiano do Mont Blanc, está derretendo a uma velocidade acelerada e corre risco de desmoronar perto da famosa cidade alpina de Courmayeur, atualmente quase desabitada, informaram autoridades da Itália nesta quarta-feira (25).

“Com o calor anômalo do verão registrado em agosto e na primeira quinzena de setembro, a geleira derreteu em média 35 cm por dia, com picos de 50 a 60 cm em alguns dias”, disse à AFP Moreno Vignolini, da assessoria de imprensa da prefeitura de Courmayeur.
Segundo ele, uma porção que representa “um quinto ou um sexto” da geleira, o que corresponde a cerca de 250 mil metros cúbicos de gelo, ou seja, 100 piscinas olímpicas, pode derramar em todo vale.
O prefeito de Courmayeur, Stefano Miserocchi, ordenou o fechamento total durante a noite da estrada de acesso a Val Ferret.
A decisão foi tomada depois que especialistas da Fundação Montagna Sicura, encarregada de monitorar a geleira desde 2013, alertaram a prefeitura sobre a situação.

Ameaça a chalés alpinos

O secretário da fundação, Jean-Pierre Fosson, explicou ao jornal italiano Il Messaggero que “essa geleira é atípica, porque é considerada ‘temperada’, ou seja, é afetada pela temperatura da água que flui abaixo, o que a expõe particularmente ao aquecimento global”.
O especialista ressaltou que, “desde o ano passado”, foram registradas perdas anormais de volume, incluindo “um destacamento em bloco a uma velocidade de movimento de 60 cm”, o que os levou a notificar as autoridades locais.
Segundo Fosson, a geleira “pode se soltar em bloco, desmoronar ou não cair”, reconheceu.
O porta-voz da prefeitura criticou “o cenário apocalíptico” descrito por alguns meios de comunicação que alertaram sobre a possibilidade de uma geleira do Mont Blanc destruir a famosa estação de esqui de Courmayeur.
“É verdade que é uma zona turística”, mas neste momento a ameaça é sobre uma zona em que “existem uns poucos chalés desocupados”, disse ele.
O acesso ao vale foi autorizado pelo prefeito por três faixas horárias de uma hora e meia (manhã, meio-dia e tarde). Uma estrada alternativa será aberta a partir de sexta-feira.
De acordo com Fosson, cuja fundação monitora 180 geleiras no vale de Aosta, esses fenômenos são inevitáveis.
“Todos os anos vemos dois quilômetros quadrados de gelo desaparecerem, um fenômeno que está piorando devido aos verões e outonos cada vez mais quentes”, explicou ele.
Fonte: AFP

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Victor Vescovo, o 1º explorador a visitar os pontos mais profundos de todos os oceanos.

O explorador americano Victor Vescovo se tornou a primeira pessoa no mundo a visitar os pontos mais profundos em todos os oceanos.

Seu quinto e último mergulho foi à Fossa de Molloy, no Oceano Ártico, a 5.500 metros de profundidade.
Nos últimos dez meses, o milionário havia feito mergulhos profundos nos oceanos Pacífico, Índico, Atlântico e Antártico. O time dele também visitou o naufrágio do Titanic.
A última parte da Expedição Five Deeps (Cinco Profundezas, em inglês) foi concluída em 24 de agosto, quando o explorador alcançou o ponto conhecido como Buraco Molloy, que fica a 275 km do arquipélago Svalbard, na Noruega.
A profundeza recorde da exploração foi de cerca de 5.500 metros – a primeira vez que um humano esteve nesse local.

Embarcação especial

Todas as explorações de Vescovo foram feitas usando um submarino do tipo DSV (Deep Sea Vehicle), um tipo de embarcação tripulada especial para grandes profundezas. O veículo da expedição ganhou o nome de Limiting Factor (Fator Limitante, em tradução livre) e pode carregar dois tripulantes.
Ele tem 12 toneladas e pode suportar a pressão esmagadora no fundo do oceano, operar no escuro e em temperaturas congelantes. É lançado e recuperado a partir de um “nave-mãe”, um navio de apoio, que ganhou o nome de Pressure Drop (Queda de Pressão, em tradução livre).
Vescovo disse que tinha muito a agradecer às pessoas que trabalharam com ele.
“São coisas que precisam ser feitas” disse ele à BBC News. “Tenho a filosofia de que não estamos aqui apenas para sobreviver ou apenas para estarmos confortáveis, mas para contribuir de alguma forma. E o caminho que eu escolhi foi o de viver uma aventura enquanto faço algo que possa nos levar para frente enquanto espécie.”
O explorador é investidor e reservista da Marinha americana. Sua riqueza já o permitiu esquiar em ambos os polos e escalar as maiores montanhas em cada continente.

Experimentos científicos

Suas explorações também permitiram diversos avanços científicos, já que ele financia as pesquisas necessárias para as empreitadas. No curso da sua última expedição mundial, pesquisadores usaram mais de 100 aterrissadores – estruturas que são afundadas para o fundo do mar e que gravam o que veem e o que sentem ao longo do caminho e quando chegam no fundo.
O time científico da expedição diz que descobriu quase 40 novas espécies no processo. Um grande catálogo de amostras biológicas e aquáticas aguarda análise no laboratório, incluindo um grupo único de amostras de águas profundas obtido em cada um dos cinco locais visitados.
O cientista-chefe da expedição, Alan Jamieson, ressaltou a importância das medidas de salinidade, temperatura e profundidade feitas pelo submarino e pelos aterrissadores.
“Você mede na descida e na subida, e se você somar os metros medidos, são 1,5 milhão de metros de água”, diz ele. Isso vai ajudar os pesquisadores a entenderem melhor a circulação do oceano, o que é necessário para melhorar os modelos computacionais que projetam futuros cenários climáticos.
“Temos muito poucas medidas das partes mais profundas dos oceanos, abaixo de 6 mil metros de profundidade”, diz o cientista, que é biólogo marinho da universidade de Newcastle, no Reino Unido.
O navio DSSV Pressure Drop mapeou o fundo do mar conforme atravessou os cinco oceanos. Os dados de profundidade cobrem cerca de 300 mil quilômetros quadrados – uma área equivalente à da Itália.
Os dados estão sendo compartilhados com um projeto internacional que procura mapear todo o chão do oceano até 2030. Atualmente, menos de 20% foi mapeado com uma boa resolução.
A expedição também demonstrou a alta capacidade da tecnologia de mar profundo mais recente.
A expectativa é que o submarino Limiting Factor seja o primeiro de muitos do tipo.
“Eu acho que o que Victor fez é notável e outros vão continuar o que ele começou, voltando a esses lugares e passando mais tempo lá”, diz Patrick Lahey, co-criador da Triton Submarines, que construiu a embarcação.
“Você está começando a ver mais pesquisa marinha financiada e conduzida por pessoas ricas que compraram submarinos. Eles acharam que iriam usá-los para recreação mas agora estão usando para completar expedições científicas, para dar a pessoas como Al Jamieson uma plataforma para trabalhar.”
Vescovo agora está pensando no espaço e conversando com pessoas que podem ajudá-lo a chegar lá.
No entanto, ele está longe de querer abandonar a pesquisa marinha e espera fazer novos mergulhos no ano que vem em fossas que não foram exploradas no círculo do Pacífico.
Vescovo foi parabenizado pelo oceanógrafo americano Don Walsh, que fez história em 1960 quando se juntou a Jacques Piccard na primeira expedição tripulada ao ponto mais profundo da Terra – a depressão Challenger, na Fossa das Marianas.
Walsh também elogiou a nova tecnologia utilizada.
“O que você vê aqui é um sistema – o navio, o submarino e os aterrissadores. Eles interagem e cooperam, e quando você os vê trabalhando junto é como um balê”, disse Walsh à BBC News.
“O que é impressionante é a capacidade de repetir o feito – ser capaz de mergulhar de novo e de novo.”
A Atlantic Productions está fazendo um documentário sobre a Expedição Five Deeps para o Discovery Channel que deve estrear no ano que vem.
Fonte: BBC

Quais países produzem mais petróleo e o que isso representa no xadrez mundial.

O preço do petróleo subiu e sobraram acusações. Mas o ataque às instalações da Arábia Saudita não provocou a resposta dramática que teria sido normal há 30 anos na região do Golfo Pérsico, uma zona historicamente marcada por conflitos que afetam o controle do preço do petróleo.

Isso porque, embora as tensões entre o reino saudita e o Irã tenham se acentuado, envolvendo também os EUA, as opções militares ficaram em segundo plano, segundo analistas ouvidos pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Uma mudança em relação ao passado é que o abastecimento da principal potência militar e econômica do mundo não está em risco.
Os EUA têm seu fornecimento assegurado, o que faz especialistas avaliarem que o episódio não desemboracá em um conflito armado.
“Nesse caso, é muito mais provável que os países com interesses petrolíferos evitem a guerra em vez de provocá-la”, diz Yves Bonzon, analista do banco suíço Julius Baer.
Durante muitos anos, as decisões sobre a oferta e a demanda adotadas pelos países árabes produtores de petróleo foram capazes de reger o mercado e provocar numerosos problemas nas economias do Ocidente.
Nos fins dos anos 1970 e início dos 1980, a Arábia Saudita tinha um papel importante como o maior produtor global e um grande poder para regular o mercado.
“Esse já não é o caso”, explica Philippe Waechter, economista chefe da gestora Ostrum AM.
“O mercado internacional do petróleo sofreu uma transformação radical” desde então, ele acrescenta.
Com 15,3 milhões de barris por dia e alta de 17% na produção em 2018 em comparação com o ano anterior, os EUA lideram a produção mundial de petróleo, sobretudo graças à tecnologia do fracking.
Esse método implica a injeção de água em reservas subterrâneas, o que permite a extração de xisto, um tipo de hidrocarboneto que fica retido entre rochas em grande profundidade.
A indústria do petróleo dos EUA começou a usar essa tecnologia em grande escala no início deste século, o que lhe permitiu aumentar sua produção e se tornar o maior produtor global.

O preço se estabiliza

Esse fator, junto com o compromisso de Donald Trump de mobilizar as reservas estratégicas para abastecer o mercado e suprir o vácuo na produção deixado pela Arábia Saudita, fez com que a cotação do barril se estabilizasse nesta quinta-feira.
“Ainda se desconhecem muitos detalhes do ocorrido, incluindo se o ataque se originou no Iraque, Iêmen ou Irã”, diz Paul Sheldon, assessor geopolítico chefe da S&P Global Platts Analytics.
“A conclusão final das investigações será importante, mas acreditamos que a resposta mais provável à suposta participação iraniana seria cibernética ou algo menos dramático que uma ação militar”, avalia.
Donald Trump, que desde o início acusou o Irã de estar por trás do ataque de drones, escreveu nesta quarta-feira em sua conta no Twitter que havia dado instruções ao secretário do Tesouro para “incrementar substancialmente” as sanções contra o Irã, embora ainda se desconheçam os resultados da investigação saudita-americana.
Nesta quarta, numa coletiva de imprensa, militares sauditas mostraram o que, segundo eles, seriam provas de que o Irã está por trás dos ataques a suas instalações petrolíferas.

Luta feroz

O segundo produtor de petróleo do mundo é a Arábia Saudita, um aliado dos EUA que mantém há anos um enfrentamento aberto com um poderoso vizinho, o Irã.
Ambos travam uma luta feroz pelo domínio regional.
Por meio da estatal petrolífera Aramco, a mais rentável do mundo, o reino é capaz de levar aos mercados internacionais até 12,2 milhões de barris de petróleo ao dia.
Mas só um dia após o ataque à refinaria de Abqaiq, a principal do país, e ao campo petroleiro de Khurais, as autoridades sauditas reconheceram que deixariam de produzir até 5,7 milhões de barris por dia até consertarem as instalações.
Essa quantia equivale a 5% da oferta mundial.
A China, o Japão e a Índia são seus principais clientes.

Os laços com a Rússia

O terceiro colocado no ranking de maiores produtores de petróleo do mundo é a Rússia.
Apesar da queda nos preços do petróleo e das sanções impostas pela comunidade internacional pela anexação da região ucraniana da Crimeia, a indústria russa conseguiu aumentar ligeiramente sua produção entre 2017 e 2018.
Em 2017, os russos extraíam 11,2 milhões de barris ao dia; em 2018, aumentaram ligeiramente a produção para um total diário de 11,4 milhões.
No último mês de julho, os 14 membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus dez aliados, liderados pela Rússia, aprovaram em bloco a redução da oferta global de petróleo durante os próximos nove meses para manter o preço do barril num patamar mais elevado.
Esse objetivo, compartilhado pela Arábia Saudita, fez com que os dois países se aproximassem nos últimos anos.
Antes dos ataques, a cotação do petróleo havia se estabilizado abaixo dos US$ 60 pelo barril do tipo Brent.
Esse nível é considerado demasiado baixo para as expectativas de Moscou e Riad, que buscam um preço pelo menos US$ 20 mais alto para cumprir seus objetivos econômicos.
Isso mostra que, em relação aos preços do petróleo, países diferentes têm posturas distintas.

Objetivos distintos

Enquanto a Rússia, a Arábia Saudita e o resto dos exportadores querem elevar preços para ampliar os lucros derivados da venda do petróleo, a crise do petróleo chegou num momento inoportuno para os EUA, diz Esty Dwek, responsável pela estratégia global de mercados da empresa Natixis Investment Managers.
“Especialmente Trump não ficará feliz com um preço mais alto (do barril de petróleo)”, pois isso na prática significa uma carga no bolso dos consumidores, que são um pilar da atividade economica americana, diz Dwek.
Em poucas palavras: a saúde do gasto dos consumidores nos EUA é chave para o crescimento econômico do país, mas também do resto do mundo.
É por isso que o governo Trump tem feito tudo o que pode para reduzir os temores sobre restrições no abastecimento nos mercados globais.

Canadá

O Canadá é o quarto maior produtor no mundo. É uma das grandes potências energéticas, e suas reservas de petróleo são as terceiras maiores, atrás da Arábia Saudita e da Venezuela.
Acumula 169 bilhões de barris e produz 5,2 milhões ao dia.
Seu principal problema é que o custo da extração é muito alto, porque seu petróleo é majoritariamente pesado.
A produção da Venezuela, dona das maiores reservas comprovadas do mundo, tem declinado constantemente por conta da profunda crise econômica que atravessa. O país atualmente produz apenas cerca de 2 milhões de barris por dia, inferior à produção do Brasil, por exemplo.
Em dezembro de 2018, o Brasil estava produzindo diariamente 2,7 milhões de barris, sendo que os campos do pré-sal respondiam por pouco mais de 60% da produção total.

O quinto produtor

Com uma produção global equivalente a 4,7 milhões de barris ao dia, o Irã é o quinto maior produtor de petróleo no mundo.
As sanções impostas ao país e a campanha de “máxima pressão” internacional associada ao desenvolvimento de tecnologia nuclear fizeram com que sua produção diminuísse entre 2017 e 2018.
O país tem dificuldades para vender sem petróleo, e sua rede de compradores diminuiu consideravelmente.
Além disso, sua rivalidade com a Arábia Saudita tem sido exacerbada pelas diferenças religiosas, já que cada país segue um dos principais ramos do islã: o Irã é principalmente xiita, e a Arábia Saudita se vê como a principal potência muçulmana sunita.
Embora os rebeldes houthis do Iêmen tenham assumido a autoria dos ataques, os EUA acusaram o Irã de estar por trás da operação, o que as autoridades iranianas negam.

Quem pode substituir a Arábia Saudita no mercado global?

Tudo depende do tempo que levará até a Aramco consertar suas instalações e voltar a produzir no nível anterior ao ataque.
As reservas estratégicas de petróleo mantidas pelos EUA ou pela própria Arábia Saudita podem satisfazer as necessidades de demanda no curto prazo.
O ministro de Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, disse esperar que a maior parte da produção se restabeleça em duas semanas.
Mas, se isso não for possível, o cenário global pode se complicar e fazer com que a turbulência nos preços do barril se mantenha por mais tempo.
Junto com a debilidade da demanda chinesa e os temores de uma recessão global, um preço mais alto do petróleo criaria outro obstáculo para a economia mundial.
Fonte: BBC

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Queimadas deixam céu vermelho na Indonésia: ‘Isso não é Marte, é a Província de Jambi’.

O céu ficou vermelho sobre uma Província da Indonésia neste fim de semana, devido a incêndios florestais que se espalharam em grande parte do país.

Todos os anos, incêndios na Indonésia criam uma fumaça que pode pode acabar cobrindo todo o sudeste da Ásia.
Uma moradora da Província de Jambi que tirou fotos do céu disse que a fumaça “feriu seus olhos e sua garganta.”
Eka Wulandari, da cidade de Mekar Sari, capturou a vermelhidão do céu em uma série de fotos tiradas por volta do meio-dia no sábado (21).
“A neblina gerada pela fumaça estava especialmente espessa aquele dia”, disse ela.
Um metereologista disse à BBC que a estranha coloração do céu foi causada por um fenômeno chamado Dispersão de Rayleigh, em que a luz é dispersada pelas partículas, e isso muda a cor do céu.
Eka Wulandari postou as fotos no Facebook e elas foram compartilhadas mais de 21 mil vezes desde então.
Mas ela disse à BBC News Indonésia que muitas pessoas duvidaram da veracidade.
“São fotos e vídeos reais, que tirei com meu telefone”, diz ela, que afirma que as condições continuaram na segunda-feira.
Outro usuário do Twitter postou um vídeo mostrando o céu com cores similares.
“Isso não é Marte, é a Província de Jambi”, disse Zuni Shofi Yatun Nisa. “Nós, humanos, precisamos de ar puro, não de fumaça.”

Explicação científica

A agência meteorológica da Indonésia, BMKG, disse que imagens de satélite revelaram diversos pontos de distribuição de “fumação espessa” na região de Jambi.
O professor Koh Tieh Yong, da Universidade de Ciências Sociais de Singapura, explica que o fenômeno tem a ver com certos tipos de partículas que estão presentes no ar quando há neblina causada pela fumaça.
“Na neblina causada pela fumaça, as partículas mais abundantes têm cerca de 1 micrômetro, mas elas não mudam a cor da luz que nós vemos”, explica ele à BBC.
“No entanto, também há partículas menores, com cerca de 0.05 micrômetros ou menos, que não fazem muita neblina mas têm a tendência de dispersar mais a luz vermelha do que a azul — e é por isso que você veria mais vermelho que azul.”
Ele diz que o fato de as fotos terem sido tiradas por volta do meio-dia pode ter feito o céu parecer ainda mais vermelho.
“Se o céu está no alto e você olha para cima, você está olhando para a linha do sol, então pareceria que uma porção maior do céu é vermelha.”
O professor Koh acrescentou que esse fenômeno não “modificaria a temperatura do ar”.
O nível de fumaça e neblina observado em 2019 foi o pior em anos. Elas são causadas por queimadas na Indonésia e, em menor grau, na Malásia.
Os incêndios normalmente têm um pico entre julho e outubro, que é a temporada seca na Indonésia. De acordo com a agência nacional de resposta a desastres do país, mais de 328 mil hectares já queimaram só nos primeiros oito meses do ano.
Parte da culpa é de grandes corporações, fazendeiros e pequenos agricultores que se aproveitam das condições de seca para limpar a vegetação por meio de queimadas. A área depois é usada para plantações de palma, que geram polpa, óleo de palma e papel.
A técnica de queimada é a forma mais fácil para os agricultores da região para limpar suas terras e se livrar de doenças que afetam suas plantações.
No entanto, o fogo frequentemente foge de controle e atinge áreas florestais protegidas.
As queimadas são ilegais na Indonésia, mas têm sido toleradas pelas autoridades, com muitos críticos dizendo que corrupção e má administração contribuem para a situação.
Fonte: BBC

Declínio drástico de aves canoras está ligado a inseticida comum.

O inseticida mais usado no mundo está ligado ao drástico declínio de pássaros na América do Norte. Estudo inédito sobre aves na natureza descobriu que um pássaro migrando que comeu o equivalente a uma ou duas sementes tratadas com inseticida neonicotinoide sofreu imediata perda de peso, atrasando sua jornada.

Apesar dos pássaros terem se recuperado, o atraso pode prejudicar seriamente suas chances de sobreviver e reproduzir, dizem os pesquisadores canadenses, cujo estudo foi publicado na Revista Science.
“Mostramos uma ligação clara entre a exposição aos neonicotinoides nos níveis do mundo real e o impacto nos pássaros”, diz a autora principal Margaret Eng, pós-doutorada na University of Saskatchewan Toxicology Center.
A migração de aves na primavera ocorre quando os fazendeiros estão plantando, e a maioria das plantações dos Estados Unidos e Canadá são cultivadas com sementes tratadas com neonicotinoides. Os pássaros podem ser expostos repetidas vezes em diversas paradas, quando descansam e se alimentam. Isso pode causar atrasos na migração e suas consequências, o estudo conclui.
Neonicotinoides, introduzidos no final dos anos 1980, deveriam ser uma alternativa mais segura que inseticidas anteriores. Mas estudos mostram que eles desempenham um papel fundamental no declínio de insetos, especialmente abelhas. A UE baniu o uso dos produtos químicos em 2018 pois estavam matando polinizadores. Esse estudo é mais um elo na cadeia de problemas ambientais, que mostra que o uso de neonicotinoides é prejudicial aos pássaros, e que as populações de aves estão em risco, Eng disse em entrevista.
É a primeira prova de “efeitos comportamentais em pássaros livres como resultado de intoxicação de neonicotinoides”, diz Caspar Hallmann, ecólogo da Universidade Radboud, na Holanda.
Os resultados podem ser aplicados a outras espécies de aves que consomem grãos tratados com pesticidas, disse Hallmann, que não estava envolvido no estudo da Science. A pesquisa publicada de Hallmann liga a queda generalizada de pássaros que comem insetos ao uso do neonicotinoide.
A população de mais de 75% de pássaros e outras aves que dependem da produção agrícola na América do Norte declinou significativamente desde 1966. O novo estudo revela como neonicotinoides podem estar contribuindo diretamente nas mortes. Há um mês, um estudo abrangente concluiu que o uso generalizado de neonicotinoides deixou a paisagem agrícola americana 48 vezes mais tóxica para abelhas, e provavelmente outros insetos, do que estava há 25 anos.

Pássaros magros

Para investigar o impacto em pássaros selvagens, pesquisadores capturaram pardais de coroa branca durante uma parada em sua rota migratória dos Estados Unidos para a região boreal do Canadá. Os pardais, divididos em três grupos, foram alimentados ou com uma pequena dose do neonicotinoide mais utilizado, chamado imidacloprid, ou com uma dose um pouco maior, ou com uma sem inseticida.
Cada pássaro foi pesado e sua composição corporal foi medida antes e depois da exposição. Pássaros que receberam uma dose maior do pesticida perderam 6% de sua massa corporal quando pesados novamente seis horas depois.
A dose alta administrada é comparável a um décimo de uma única semente de girassol ou semente de milho tratada com imidacloprid, ou três ou mais sementes de trigo, diz a coautora Christy Morrissey, ecotoxicologista da Universidade de Saskatchewan. “É uma quantidade minúscula, uma pequena fração do que esses pássaros comeriam diariamente”, Morrissey disse em entrevista.
O imidaclorid, até em doses extremamente pequenas, tem um efeito inibidor de apetite nos pardais. Eles estavam letárgicos e sem interesse em comer, ela disse. “Nós vimos a mesma coisa com pássaros em cativeiro em um estudo anterior.” Este estudo foi publicado em 2017 no jornal online Scientific Reports.
Isso não é surpresa, já que neonicotinoides são quimicamente semelhantes à nicotina e estimulam células nervosas, matando em altas doses. Envenenamento por nicotina em humanos é raro porque o grande consumo normalmente deixa a pessoa muito doente para consumir mais. A mesma coisa parece estar acontecendo com os pássaros.

Ressaca de neonicotinoides

Os pardais capturados foram soltos logo após a segunda pesagem – e depois que um pequeno transmissor foi colado entre as asas. O transmissor permitiu o rastreamento de seus movimentos na natureza. Os pardais que receberam a dose não continuaram sua migração imediatamente. Já os que não receberam, logo seguiram em frente. Os pardais que receberam a dose alta ficaram na parada 3 dias e meio s a mais, recuperando-se da intoxicação e recuperando a perda de peso, o estudo concluiu.
Felizmente, o imidacloprid é metabolizado rápido em pássaros. Mas um atraso de 3,5 dias na migração pode significar a perda da chance de reprodução, diz Morrisey. “Pequenos pássaros se reproduzem apenas uma ou duas vezes em suas vidas, e perder essa chance pode causar declínios na população.
“Quando pássaros migram, precisam desesperadamente ganhar peso nos pontos de parada para abastecer sua jornada,” diz Steve Holmer, do American Bird Conservancy.
O novo estudo mostrou que pardais perderam quantidades cruciais de gordura corporal, somando 9% nos que receberam a dose pequena e 17% nos que receberam a dose maior. Essa exposição a um neonicotinoide pode deixá-los sem a “energia para reproduzir com sucesso depois de voar até o local de reprodução”, escreveu Holmer em um e-mail.
David Fisher, cientista chefe de Polinização Segura na Bayer CropScience, a principal fabricante de imidacloprid, diz que não há evidência de que as doses administradas no estudo “são representativas das exposições que os pássaros normalmente recebem nos campos agrícolas no mundo real.”
Pequenos pássaros, como o pardal de coroa branca, são “incapazes de engolir grandes sementes como de milho e soja”, Fisher escreveu por e-mail.
No entanto, Charlotte Roy gravou diferentes espécies de pardais e outros pássaros, além de ratos, cervos e até ursos negros comendo sementes de milho, soja e trigo em um novo estudo publicado 10 de setembro no periódico Science of The Total Environment. Roy, ecologista da vida selvagem no Departamento de Recursos Naturais de Minnesota, diz que pequenos pássaros quebram grandes sementes e comem o que está dentro ou fragmentos dela.
“Eles não precisam necessariamente consumir a semente inteira para serem expostos”, ela disse em entrevista.
Em seu estudo, Roy e seus colegas simularam as sementes espalhadas durante a plantação da primavera para ver se vida selvagem iria ser atraída por essa fonte de comida. Os pássaros acharam as sementes em um dia e meio em média. Eles também acharam sementes tratadas com neonicotinoides na superfície do solo em 35% dos 71 campos recentemente plantados examinados.
Foi a primeira comprovação de que sementes tratadas estão facilmente acessíveis para ser consumidas pela vida selvagem na América do Norte. “O índice de sementes espalhadas foi bem mais alto do que o esperado”, ela disse.
Fazendeiros geralmente não sabem o quanto essas sementes tratadas são ruins para vida selvagem, diz Roy.
Fonte: National Geographic Stephen Leahy