terça-feira, 28 de abril de 2020

Conferência do clima da ONU é adiada para 2021 devido à pandemia de coronavírus.

Conferência do clima da ONU, a COP26, que ocorreria este ano em Glasgow, no Reino Unido, foi adiada para outubro de 2021. Foto: Unsplash/Adam Marikar
Sem fim à vista para a pandemia provocada pelo novo coronavírus, as negociações da ONU sobre mudanças climáticas que ocorreriam na Escócia no final do ano foram adiadas para outubro de 2021.
A decisão foi anunciada na noite de quarta-feira (1) pelo grupo consultivo para as negociações da COP26, supervisionadas pelo órgão da ONU sobre mudanças climáticas, a UNFCCC, após conversas envolvendo Reino Unido e outros países.
A UNFCCC disse que o adiamento permitirá que todas as partes se concentrem mais em importantes questões climáticas, além de permitir mais tempo de preparação.
“Atualmente, o mundo está enfrentando um desafio global sem precedentes e os países estão concentrando seus esforços corretamente em salvar vidas e combater a COVID-19”, disse Alok Sharma, presidente designado da COP26 e secretário de Estado de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido.
A secretária-executiva da ONU para mudanças climáticas, Patricia Espinosa, destacou que, embora a COVID-19 seja “a ameaça mais urgente que a humanidade enfrenta hoje, não podemos esquecer que a mudança climática é a maior ameaça que a humanidade enfrentará a longo prazo”.
Segundo ela, quando as economias retomarem, haverá uma chance para as nações “se recuperarem melhor, incluírem os mais vulneráveis ​​nesses planos e uma chance de moldar a economia do século 21 de maneira limpa, verde, saudável, justa, segura e mais resiliente”.
O presidente da última conferência, que acabou ocorrendo na Espanha, a política chilena Carolina Schmidt, disse que a decisão de adiar a COP26 era “uma medida necessária para proteger todos os delegados e observadores”.
“Nossa determinação é garantir que o impulso para a ambição climática continue”, concluiu ela.

Prioridades

“A necessidade de suprimir o vírus e salvaguardar vidas é nossa principal prioridade”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em comunicado divulgado logo após o anúncio, em nome do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O secretário-geral sustentou que os esforços para aumentar a ambição e a ação sobre as mudanças climáticas devem continuar, “especialmente quando os países tomam medidas para se recuperar dessa crise”.
A ciência do clima não mudou, disse ele, com as emissões em um nível recorde, enquanto os impactos do aquecimento global compõem os desafios socioeconômicos que essa crise irá intensificar.
O chefe da ONU enfatizou que “a crise da COVID-19 reforça a importância da ciência e das políticas de governo e da tomada de decisões baseadas em evidências”.
A ciência deixa claro que o comportamento humano está alterando a capacidade do planeta de se regular, afetando dramaticamente vidas e meios de subsistência, salientou.
“Esta dramática crise humana também é um exemplo de como os países, sociedades e economias vulneráveis ​​estão diante de ameaças existenciais”, observou ele, acrescentando que “os países devem trabalhar para proteger a saúde das pessoas e o planeta nunca esteve tanto em risco”.
Assegurando a continuação do trabalho que envolve o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, os Estados-membros e outros parceiros “emergem desta crise global mais forte”, disse.
A declaração foi encerrada com a afirmação de que “agora são necessárias mais do que nunca” solidariedade e maior ambição “para fazer a transição para uma “economia sustentável de baixo carbono que limite o aquecimento global a 1,5 grau Celsius”.
Fonte: ONU

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Cacique Raoni pede doações para indígenas brasileiros pela COVID-19.

O cacique Raoni Metuktire, líder dos caiapós, durante coletiva de imprensa na cidade de Piaracu, perto de São José do Xingu, Mato Grosso, 15 de janeiro de 2020
O cacique Raoni Metuktire, figura emblemática da luta contra o desmatamento da Amazônia, lançou neste domingo (26) um pedido internacional de doações para que os povos indígenas do Brasil possam sobreviver ao isolamento durante a pandemia do novo coronavírus.
“Precisamos receber alimentos básicos, produtos de higiene, medicamentos e também combustível para transportá-los” (os indígenas) para as comunidades, disse o líder caiapó em um vídeo postado pela ONG francesa Planète Amazone, que lançou a campanha internacional.
O cacique pediu “apoio financeiro” para adquirir estes produtos. “Sem a sua ajuda, os povos indígenas do Brasil não serão capazes de lidar com esta terrível doença”, acrescentou em dialeto caiapó, segundo tradução ao francês divulgada pela ONG em sua página na internet.
A organização lançou a campanha “COVID-19: protegendo os Guardiões da Amazônia” para financiar suas operações de ajuda a comunidades e que estas possam garantir seu “autoconfinamento” durante a pandemia.
“O respeito estrito ao isolamento é ainda mais vital, já que os nativos, devido à sua fragilidade imunológica e sua extrema precariedade em termos de acesso ao atendimento médico, são vítimas ideais para a COVID-19”, destacou a ONG.
Doenças importadas por colonos europeus dizimaram mais de 95% da população indígena das Américas.
“Vou ficar confinado na minha aldeia até que a situação se estabilize”, acrescentou Raoni, que tem perto de 90 anos. Depois, o cacique prevê organizar uma viagem à França.
A ONG justificou a campanha “ante o abandono dos povos indígenas da Amazônia por parte dos poderes públicos brasileiros” em plena crise sanitária.
Raoni tem criticado o governo de Jair Bolsonaro, que pretende autorizar as atividades de mineração em territórios indígenas e se nega a demarcar mais territórios para os povos ancestrais.
No Brasil, onde vivem 800.000 indígenas, pelo menos três nativos morreram de COVID-19 e mais d3 30 estão contagiados, razão pela qual as autoridades sanitárias proibiram as visitas às aldeias indígenas.
Na sexta-feira, líderes dos povos indígenas da COICA – que reúne os nove países amazônicos – pediram ajuda humanitária internacional ante o abandono em que se encontram e o risco que correm com o novo coronavírus.
Fonte: AFP

Efeitos da pandemia de coronavírus sobre o meio ambiente.

Melhor qualidade do ar

À medida que o mundo está parado, a paralisação repentina da maioria das atividades industriais reduziu drasticamente os níveis de poluição. Imagens de satélite revelam até mesmo uma clara queda nos níveis globais de dióxido de nitrogênio (NO2) – um gás produzido principalmente por veículos e, portanto, responsável pela má qualidade do ar nas grandes cidades.

Menos emissões de CO2

Da mesma forma como com o NO2, aconteceu uma redução nas emissões de dióxido de carbono devido à diminuição nas atividades econômicas. A última vez em que isso aconteceu foi durante a crise financeira de 2008-2009. Somente na China, as emissões caíram cerca de 25% quando o país começou com medidas restritivas, de acordo com o Carbon Brief. Mas essa mudança provavelmente será apenas temporária.

Mais espaço para a vida selvagem

Enquanto os seres humanos se isolam em suas casas, alguns animais aproveitam o espaço à disposição. Com o trânsito rodoviário reduzido, bichos menores, como porcos-espinhos saídos da hibernação, têm menos probabilidade de serem atropelados. Outras espécies, como os patos, podem estar se perguntando para onde foram as pessoas que lhes costumavam dar migalhas de pão no parque.

Mais atenção para o comércio de vida selvagem

Os conservacionistas esperam que o surto de coronavírus ajude a conter o comércio global de vida selvagem, responsável por deixar várias espécies à beira da extinção. A covid-19 provavelmente se originou em um mercado chinês que vende animais vivos e é um centro de vida selvagem traficada ilegal e ilegalmente. A repressão ao comércio de animais selvagens vivos pode ser um efeito positivo da crise.

Águas mais limpas

Logo após a Itália impor o isolamento, imagens de canais cristalinos de Veneza foram compartilhadas em todo o mundo – as águas hoje estão muito longe de sua aparência turva habitual. E com os navios de cruzeiro temporariamente ancorados, os oceanos também experimentam queda na poluição sonora, diminuindo o estresse de animais marinhos, como baleias.

Problema dos plásticos continua

Mas não há só notícias positivas. Um dos piores efeitos colaterais ambientais da pandemia de coronavírus é o rápido aumento no uso de plástico descartável – de equipamentos médicos, como luvas, ​​a embalagens plásticas, à medida que mais pessoas optam por alimentos pré-embalados. Mesmo cafés que continuam abertos não usam mais copos reutilizáveis, na tentativa de impedir a propagação do vírus.

A crise do clima continua

Com o coronavírus dominando o noticiário, o problema do aquecimento global por enquanto parece deixado de lado. Especialistas alertam que decisões importantes sobre o clima não devem ser adiadas – mesmo com a conferência da ONU sobre o clima adiada para 2021. Embora as emissões tenham caído desde o início da pandemia, é improvável que em longo prazo ocorram mudanças generalizadas.
Fonte: Deutsche Welle

Pandemia reduz poluição do ar, mas tem ‘pouco efeito’ no clima, diz especialista.

Vista aérea mostrando baixa visibilidade devido à poluição do ar na Cidade do México, em 30 de março de 2020
Fábricas paradas, carros na garagem, aviões no chão: apesar de ter reduzido as emissões poluentes em um planeta em confinamento, a pandemia de COVID-19 terá “pouco efeito” no clima – alerta um funcionário da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
É provável que o fenômeno seja “efêmero”, com as emissões de CO2 voltando a seu nível pré-pandêmico, uma vez a crise atual sob controle, estimou nesta quarta-feira (1) Lars Peter Riishojgaard, diretor do Escritório do Sistema Terrestre da OMM, uma agência da ONU, em coletiva de imprensa virtual.
PERGUNTA: Qual é o impacto da pandemia no clima?
RESPOSTA: Tem pouco efeito no clima. Temos visto muita especulação na mídia sobre o que isso significa para o clima, para as emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global a longo prazo. A resposta é que, provavelmente, tem muito pouco efeito.
No curto prazo, as emissões de CO2 diminuem, porque os carros ficam na garagem, os aviões são imobilizados nas pistas dos aeroportos. Mas esperamos que o impacto seja relativamente curto. Acreditamos que, assim que a pandemia terminar, o mundo voltará ao trabalho e, ao fazê-lo, as emissões de CO2 começarão novamente, talvez no mesmo nível, talvez não.
P: Qual é o impacto real da pandemia na poluição atmosférica?
R: O impacto mais imediato, que já vimos nas imagens de satélite e em fotos de Nova Délhi é que, de repente, a visibilidade se tornou muito melhor, porque o tráfego parou. Provavelmente é um efeito real, você não precisa ser um gênio para entender isso: assim que você desliga o motor do seu carro, ele não emite mais (…) e, assim que um avião para de voar, ele para de emitir.
Mas acho que temos que ter cuidado, para não nos alegrarmos muito rápido, porque é uma cessação artificial da atividade econômica (…). Não é necessariamente uma situação sustentável.
P: Essa pandemia pode modificar o comportamento dos Estados diante do aquecimento global?
R: Isso levará algumas pessoas e talvez alguns governos a pensarem (…). Não é a primeira vez que vemos isso. O governo chinês suspendeu grande parte da produção industrial em torno de Pequim durante os Jogos Olímpicos de 2008 e demonstrou, com muita clareza, que pode absolutamente, por meio de ordens, interromper a poluição do ar (…).
Mas acho que não devemos comemorar vitória tão cedo, porque a poluição voltará a subir”.
Fonte: AFP

Casos de Covid-19 poderão ser rastreados com teste em água de esgoto.

Especialistas criaram dispositivo de papel que indica presença do Sars-CoV-2 em águas residuais. Mecanismo pode ajudar a detectar comunidades infectadas
Testar esgoto para novo coronavírus pode ajudar a combater pandemia: entenda (Foto: Pixabay)
Pesquisadores da Universidade de Cranfield, no Reino Unido, estão trabalhando em um novo teste para detectar a presença do Sars-CoV-2 na água residual proveniente de comunidades infectadas pelo novo coronavírus. Os avanços da equipe foram compartilhados em um artigo publicado no periódico Environmental Science & Technology.
A abordagem com base em águas residuais pode se tornar uma forma rápida e eficaz de prever a possível propagação da Covid-19 em determinada região. Segundo os especialistas, o teste seria aplicado no esgoto e captaria os biomarcadores do microrganismo presentes nas fezes e na urina dos infectados.
Kits de teste rápido feitos de papel poderiam ser utilizados nas estações de tratamento de águas residuais tanto para indicar se existem pessoas infectadas com Covid-19 em determinada região quanto para rastrear a proveniência do esgoto, fortalecendo as medidas de profilaxia na área. Outro benefício do monitoramento seria a identificação de casos assintomáticos da doença.
“Se a doença puder ser monitorada em uma comunidade ainda durante o estágio inicial por meio do teste, uma intervenção eficaz poderá ser realizada o mais rápido possível para restringir a movimentação da população local, minimizando a propagação de patógenos e de ameaças à saúde pública”, disse Zhugen Yang, que participou da pesquisa, em comunicado.
Teste de papel desenvolvido pelos especialistas para detectar o novo coronavírus em águas residuais (Foto: Universidade de Cranfield )
De acordo com os especialistas, o teste de papel é simples de ser utilizado: basta ser inserido na água residual e ser dobrado e desdobrado em etapas. O processo permite a filtração dos ácidos nucléicos de patógenos e permite reações bioquímicas que indicam ou não a presença do Sars-CoV-2. Os resultados são visíveis a olho nu: um círculo verde indica positivo e um círculo azul, negativo. “Esse dispositivo é barato, custa menos de uma libra esterlina [R$ 6,44], e será fácil de usar por não especialistas”, afirmou Yang.
Testes do tipo já são utilizados para a detecção de outros patógenos e até para rastrear o uso de drogas ilícitas em algumas regiões do mundo, o que torna o projeto de Yang e sua equipe ainda mais palpável, segundo os especialistas. O próprio pesquisador já trabalhou com técnicas semelhantes na Índia, onde utilizou testes de papel para diagnósticos veterinários, e em Uganda, onde testou o sangue de populações rurais para malária.
“Prevemos que o dispositivo será capaz de oferecer uma imagem completa e imediata da saúde da população assim que o teste puder ser implantado em um futuro próximo”, pontuou Yang.
Fonte: Revista Galileu

domingo, 26 de abril de 2020

De morcegos a pangolins: como vírus chegam até o ser humano?

Estudos apontam pangolins como o elo mais provável entre o Sars-Cov-2 e humanos. Mas, assim como no caso de outros patógenos, a provável origem do novo coronavírus está em morcegos.
O pangolim, cobiçado pela medicina tradicional chinesa, é um dos animais mais traficados no planeta
Enquanto diversos países lutam para conter a pandemia do novo coronavírus, o Sars-Cov-2, que já matou dezenas de milhares de pessoas, provocou o fechamento de fronteiras e uma crise mundial, cientistas tentam descobrir como exatamente o surto começou.
Um estudo publicado no dia 26 de março pela revista científica Nature sugere que o pangolim – um mamífero que se assemelha ao tatu-bola e é vítima do tráfico ilegal de animais selvagens – seria o elo mais provável entre o Sars-Cov-2, morcegos e humanos.
Enquanto as especulações iniciais apontavam para frutos do mar, cobras e morcegos da província de Yunnan, no sudoeste da China, pesquisadores de Hong Kong, da China e da Austrália descobriram que as sequências genéticas de coronavírus em pangolins são 85,5% a 92,4% idênticas ao novo coronavírus. Isso significa que, antes de chegar aos seres humanos, o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para o pangolim.
Mais de 39 mil pessoas já morreram em decorrência do novo coronavírus, detectado pela primeira vez em dezembro de 2019 em Wuhan, na China.

O que os morcegos têm de diferente

Não é a primeira vez que o mundo testemunha um surto de um vírus transmitido por morcegos. Acredita-se que o ebola tenha se originado em morcegos, assim como dois outros tipos de coronavírus – o Sars-Cov, que surgiu na Ásia em 2003 após ser transmitido de morcegos para civetas e depois para humanos, e o Mers-Cov, que infectou cerca de 2.500 pessoas desde 2012, após ser transmitido de camelos para humanos.
Considerando o tamanho e a disseminação da população de morcegos, o papel do mamífero em tais surtos não é necessariamente surpreendente, comenta Yan Xiang, professor de virologia da Universidade do Texas. O morcego é o segundo mamífero mais comum depois dos roedores, representando quase 20% de todas as espécies de mamíferos. Existem mais de 1.300 espécies de morcegos, e alguns deles podem viver até 40 anos.
Especialistas acreditam que a particularidade do sistema imunológico do morcego o permite abrigar tantos vírus
Especialistas acreditam que o peculiar sistema imunológico do morcego faz com que ele seja capaz de abrigar tantos vírus. Xiang afirma que os cientistas “ainda não têm uma visão completa” do sistema imunológico dos morcegos e aponta dois elementos-chave para a resposta imune do mamífero, a chamada “imunidade inata”: as altas temperaturas corporais e os altos níveis da proteína interferon, que induz um estado de resistência antiviral.
O morcego é o único mamífero com capacidade de voar, o que aumenta a temperatura corporal e a taxa metabólica do animal, colocando-o em constante estado “febril”. Alguns cientistas acreditam que os morcegos suprimiram o seu sistema imunológico para compensar isso, o que os tornaria tolerantes a mais vírus.

Hospedeiros intermediários

Os coronavírus são doenças virais zoonóticas, ou seja, que podem se espalhar entre animais e humanos. O vírus passa por uma série de mutações genéticas no animal, o que o permite infectar seres humanos e se multiplicar. Embora haja evidências de que o novo coronavírus tenha se originado em morcegos, isso não significa que foi transmitido diretamente de morcegos para humanos.
Os pesquisadores envolvidos no estudo da Nature sugerem que as diferenças biológicas entre morcegos e humanos indicam que é provável que o novo coronavírus precise passar por outro mamífero para se multiplicar ou sofrer mais mutações antes de chegar aos seres humanos.
“O vírus provavelmente não foi capaz de infectar humanos diretamente através de morcegos, então, teve que passar por um animal intermediário para sofrer mais mutações e infectar humanos”, disse Xiang à DW. No caso de coronavírus anteriores, civetas e camelos atuaram como os hospedeiros intermediários.
A ligação entre o novo coronavírus e os pangolins foi sugerida anteriormente por um estudo realizado no início de fevereiro por pesquisadores da Universidade Agrícola do Sul da China, que analisaram mais de mil amostras de animais selvagens.
Xiang comenta que as evidências para essas alegações já existiam em um artigo publicado em outubro de 2019, que afirma ter detectado a presença de coronavírus em sequências genômicas de pangolins doentes contrabandeados da Malásia para a China.
Embora exista uma forte semelhança entre os coronavírus encontrados nos pangolins e o Sars-Cov-2, mais pesquisas são necessárias para estabelecer exatamente como o vírus foi transmitido do animal para os seres humanos.

Mecanismo de defesa humana

Embora seja difícil prever a devastação que tais pandemias podem causar, Stuart Neil, diretor de virologia do King’s College London, na Inglaterra, diz que surtos como esse “não acontecem com muita frequência”.
“Provavelmente estamos expostos a vírus de outras espécies com muito mais frequência do que novos vírus vindos de animais e essas epidemias sustentadas”, disse ele à DW.
A razão para isso, explica Neil, são nossos “mecanismos de defesa intrínsecos”. Ele explica que não existe um vírus inerentemente mortal, porque o que pode ser inofensivo para uma espécie, como provam os inúmeros coronavírus que circulam em morcegos, pode ser mortal para outra.
“Depende inteiramente dos mecanismos de defesa das espécies hospedeiras e se elas podem viver em harmonia com o vírus ou não”, comenta Neil.
Porém, epidemias estão se tornando mais prováveis à medida que o ser humano invade os habitats de animais selvagens, aponta o pesquisador. “Os humanos são expostos a vírus como este pela maneira como se comportam e interagem com os animais.”
Fonte: Deutsche Welle

Os distanciamentos do coronavírus mudaram a maneira como a Terra se move.

As pessoas têm ficado em casa para diminuir a velocidade com a qual o novo coronavírus se espalha. Mas essa atitude pode significar que o planeta também está se movendo um pouco menos.
Pesquisadores que estudam o movimento da Terra relataram diminuição no ruído sísmico. Essa redução pode ser resultado da diminuição da rede de transporte e parada de outras atividades. De acordo com os cientistas, isso abre a possibilidade de detectar terremotos menores, impulsionar os esforços para monitorar atividades vulcânicas e outros eventos sísmicos.
A crosta da Terra se move apenas em decorrência de eventos naturais, como terremotos. Também por vibrações causadas pelo movimento de veículos e máquinas industriais. Os efeitos provocados individualmente são pequenos, mas somados criam um ruído. Este reduz a possibilidade de detectar outros sinais que ocorrem na mesma frequência.
O sismólogo do Observatório Real da Bélgica, Thomas Lecocq, falou que semelhantes reduções de ruído normalmente são percebidas de forma breve perto do Natal. É nesse observatório que foram observadas as reduções de ruído.
O sismômetro do local, de acordo com Lacocq, agora é quase tão sensível quanto um detector enterrado em poço de 100 metros.
Novos dados
As medidas para conter a Covid-19 em Bruxelas provocaram redução de aproximadamente um terço do ruído sísmico provocado pela atividade humana. Isso de acordo com os dados do sismômetro do observatório, informou Lecocq. Entre as medidas estão fechamento de escolas, restaurantes e outros locais públicos, desde 14 de março. A partir do dia 18 também foram canceladas as viagens não essenciais.
O sismólogo do Incorporated Research Institutions for Seismology em Washington, Andy Frassetto, considera que se o isolamento continuar nos próximos meses, detectores ao redor do mundo poderão indicar melhor a localização de terremotos e terremotos secundários. Com o sinal mais claros será possível extrair mais informações dos eventos.
Essa redução de ruído também pode contribuir para o trabalho de sismólogos que usam vibrações como as provocadas pela quebra das ondas do mar, para monitorar a crosta terrestre.
Essa redução foi sentida em outros países, mas não será percebida de forma tão evidente em todas as estações de monitoramente. Porque, de acordo com a geóloga do Serviço Geológico dos Estados Unidos, Emily Wolin, muitas estações são propositalmente localizadas em áreas remotas ou em profundidade para evitar o ruído provocado pela atividade humana.
Os benefícios para algumas pesquisas não compensam o sofrimento provocado pela pandemia. Mas podemos perceber como a soma de pequenas interferências tem um resultado significativo. [Nature]
Fonte: Hypescience