domingo, 21 de janeiro de 2018

INCÊNDIO

Incêndio queima 28% da maior reserva de cerrado do planeta.



Incêndio, que durou dez dias, destruiu 68 mil hectares do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no centro-oeste do Brasil

No mês de outubro, no Brasil, um incêndio arrasou com 68.000 hectares, uma área que corresponde ao 28% da área de conservação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás. Ele começou no dia 18 de outubro, e dez dias depois, após um sobrevoo pela área, não foram vistos mais focos de fogo.
Nunca houve um incêndio de tantas proporções neste parque, o que comoveu um grande número de pessoas que trabalharam na zona para combater o fogo. Ao total foram 400, entre bombeiros, policiais, brigadistas e voluntários. Estima-se que mais de 1 milhão de litros de água foram usados para combater a queimada.
O governo abriu uma investigação para conhecer as causas do incêndio. De acordo com o coordenador de prevenção e combate ao fogo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Christian Berlink, o fogo foi provocado de maneira intencional. A pessoa conhecia bem a zona e se aproveitou da direção do vento para que o fogo se espalhasse de forma rápida.
Em entrevista à BBC Brasil, o chefe do parque, Fernando Tatagiba, também concorda que a queimada foi um ato criminoso. “Não existe a possibilidade de combustão espontânea nessa região e 100% dos incêndios na seca no Cerrado são provocados pelo homem. O local onde ele começou deixa claro que o incêndio foi uma ação humana”, disse.
O parque é uma referência para o bioma cerrado, por ser uma das zonas mais importantes de espécies em extinção ou endêmicas, como o lobo-guará, o pato-mergulhão e a onça-pintada. No parque, há nascentes de seis das oito bacias hidrográficas brasileiras, e a região possui uma das maiores biodiversidades do mundo. Atualmente, o parque é a maior reserva do cerrado, com 240 mil hectares.
Os profissionais interessados em atuar na conservação ambiental podem optar por uma capacitação de qualidade com os programas da área de Meio Ambiente, patrocinados pela FUNIBER.
Incêndio que já destruiu 26% da Chapada dos Veadeiros ‘foi causado por ação humana’, diz chefe do parque
Foto: Alguns direitos reservados por Agência Brasil Fotografias

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Impacto ambiental

Qual é o impacto ambiental das viagens aéreas?

A Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês), com sede no Canadá, estima em 3,7 bilhões o total de viajantes aéreos em 2016, e a cada ano, desde 2009, se estabelece um novo recorde.
Até 2035, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) prevê um aumento para 7,2 bilhões de viajantes em aeronaves. Como os próprios aviões, os números só continuam subindo. E, diante do estrago que voar causa ao planeta, essas projeções dão o que pensar.
Muito além do dióxido de carbono
Muitos cálculos colocam a contribuição da aviação para as emissões globais de dióxido de carbono em apenas 2%, um número que a própria indústria costuma aceitar. Para Stefan Gössling, contudo, professor nas universidades suecas de Lund e Linnaeus e coeditor do livro Climate change and aviation: Issues, challenges and solutions(“Mudanças climáticas e aviação: Questões, desafios e soluções”, em tradução livre), “essa é apenas metade da verdade”.
Outras emissões da aviação têm efeitos adicionais sobre o aquecimento global: óxido de nitrogênio, vapor dꞌágua, material particulado, trilhas de condensação e alterações das nuvens do tipo cirro também contribuem para esquentar o clima.
“A contribuição do setor para o aquecimento global é pelo menos duas vezes maior que o efeito isolado do CO2″, explicou Gössling à DW. Ele estima a impacto total dos voos de avião sobre a mudança climática em “no mínimo” 5%.
Contudo, mesmo aceitando-se uma participação de 2% nas emissões globais, causada por apenas 3% da população que voou em 2017, um grupo relativamente pequeno seria responsável por uma parcela desproporcionalmente grande das emissões de gases poluentes.
Há alguns anos, o grupo ambiental Germanwatch calculou que uma única pessoa voando entre a Alemanha e o Caribe, ida e volta, produz cerca de quatro toneladas métricas de CO2 – o mesmo volume de emissões danosas que 80 residentes médios da Tanzânia num ano inteiro.
“Num nível individual, não existe outra atividade humana que emita tanto em tão pouco tempo quanto a aviação, pois ela consome grande quantidade de energia”, explica Gössling.
A calculadora de pegada ambiental da rede WWF é bastante elucidativa: até mesmo um ambientalista convicto, vegano, que aquece a casa com energia solar e vai para o trabalho de bicicleta, deixa de ser especialmente ecológico se continua a ocasionalmente viajar de avião. Pois bastam dois voos curtos e um longo por ano para transformar um ambientalista em vilão do clima.
Novas tecnologias não resolvem tudo
À medida que cresce a consciência de que é preciso reduzir a pegada ecológica tanto individual quanto coletiva, para evitar que a catástrofe climática, também aumenta a pressão sobre vários setores da economia para encontrar soluções ambientalmente limpas.
A aviação fez suas próprias promessas: em outubro de 2016, num acordo da ONU, 191 países se comprometeram a reduzir as emissões de CO2 da aviação global, em duas etapas: no ano 2035, até os níveis de 2020; e em 2050 até os de 2005.
Segundo Goater a aviação persegue quatro abordagens para alcançar essas metas: compensação de emissões de CO2 no curto prazo; desenvolvimento continuado de aviões mais eficientes; maiores investimentos em combustíveis sustentáveis, como os biocombustíveis; e melhor eficiência de rotas.
“Basicamente, o tráfego aéreo é muito ineficiente”, explica o porta-voz da Iata, “cria queima desnecessária de combustíveis, e um uso mais eficaz reduziria as emissões em 10%.” Ele também destaca que um número – embora pequeno – de voos comerciais atualmente é realizado com combustíveis sustentáveis todos os dias, apesar de o primeiro voo do tipo ter sido realizado há menos de uma década.
“Foi algo que aconteceu muito mais rápido do que se esperava”, resume Goater. Para ele, a chave agora é o setor priorizar os investimentos na área e os governos se comprometerem, assim como fizeram com a mobilidade elétrica, no setor automotivo.
Entretanto o pesquisador Gössling e muitos de seus colegas ainda não estão convencidos. “Acho que, essencialmente, precisamos de altas de preços. Entrevistamos líderes da indústria há alguns meses, e muitos deles concordaram secretamente – foram entrevistas anônimas – que, se não houver uma alta expressiva no preço dos combustíveis fósseis, não há como os combustíveis alternativos terem sucesso.”
Daniel Mittler, diretor político da ONG ambiental Greenpeace, concorda que os combustíveis fósseis precisam ser mais caros. “O primeiro passo é acabar com todos os subsídios aos combustíveis fósseis, incluindo os destinados à aviação, e taxar corretamente a indústria aérea.”
Para Goater, da Iata, a proposta é pouco realista. “O combustível já é responsável por uma porção significativa dos custos das companhias aéreas. Acredite: se pudéssemos voar sem petróleo, voaríamos.”
Consumismo é o vilão
Então, qual é a solução? O professor Gössling, que dedicou mais de 20 anos de pesquisas ao assunto, vê apenas uma: “Precisamos realmente voar tanto quanto voamos, ou a quantidade dos nossos voos é induzida pela indústria?”. E argumenta que o setor aéreo, além de baixar artificialmente os preços das passagens, também incentiva um certo estilo de vida.
“As campanhas publicitárias de companhias aéreas projetam a imagem de que você pode se tornar parte de um grupo de jovens, passageiros aéreos urbanos frequentes, visitando uma cidade diferente no espaço de poucas semanas.”
Já para Goater, a ideia de ditar quem pode voar e quando é irreal e antiquada. “A redução de emissões deve ser equilibrada com a oportunidade de voar – acho que esse é um consenso estabelecido no mainstream há anos. Não cabe às pessoas de uma parte do mundo assumir o papel de negar essas oportunidades a gente em outros lugares.”
Para Mittler, do Greenpeace, tudo se resume a uma escolha individual, como em tantas outras questões. Ele acredita que, ainda que ganhos de eficiência sejam vitais para evitar o aquecimento global, o primeiro passo é reduzir a quantidade de voos.
“Precisamos caminhar em direção a uma forma mais coletiva e solidária de viver neste planeta”, reivindica, acrescentando que renunciar às compras de fim de semana em Nova York pode ser uma das maneiras menos dolorosas de contribuir. “Precisamos de uma prosperidade baseada em comunidade e numa real riqueza de visão coletiva, em vez de baseada no consumo ininterrupto. A aviação é um símbolo desse tipo de consumo que precisamos deixar para trás.”
Fonte: Deutsche Welle

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ICMBio

Regulamenta a visitação em Abrolhos

Por ano, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos recebe aproximadamente cinco mil visitantes, que a bordo de embarcações podem desenvolver diversas atividades recreativas e educativas, como o mergulho (livre e autônomo), a caminhada no arquipélago e a observação de baleias. A Portaria do ICMBio, publicada nessa quinta-feira (11/01), estabelece normas e regulamentos para as atividades de visitação que ocorrem na unidade de conservação. “A medida administrativa formaliza os critérios para visitação, estimula o ecoturismo e contribui para a segurança dos visitantes, assim como para a conservação do Parque Nacional Marinho”, explica Paulo Carneiro, diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio.
Abrolhos é rota migratória e área de reprodução de várias espécies de baleias, que proporcionam um dos mais belos espetáculos naturais vistos no Brasil. O arquipélago possui excelentes pontos de mergulho, onde podem ser encontrados espécies só existem na região de Abrolhos, como o coral cérebro, e formações coralíneas únicas no planeta, como os Chapeirões, além da trilha na ilha da Siriba onde podem ser observadas diversas espécies de aves marinhas.
Paulo Carneiro explica que o parque apresenta potencial e estrutura para expandir o número de visitantes, podendo se posicionar entre os mais visitados do Brasil, a exemplo do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, no litoral pernambucano. De acordo com o diretor do ICMBio, a visitação em unidades de conservação marinhas tem avançado muito nos últimos anos e, desde o ano passado, conta com mais um reforço: o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, criado em agosto de 2016 no litoral paulista e ordenado para iniciar a visitação pública em 2017. A estruturação da visitação em Alcatrazes está em andamento e, neste momento, a equipe da unidade de conservação trabalha na capacitação dos condutores que irão acompanhar os visitantes.
NORMAS PARA A VISITAÇÃO
Conforme a Portaria do ICMBio, embarcações que não forem cadastradas e sem autorização de uso não terão acesso às águas do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. O cadastramento, primeiro passo para a obtenção da Autorização, será implementada nos próximos meses pela administração da unidade de conservação. Além da documentação necessária para a navegação, demandada pela Capitania dos Portos, o ICMBio exigirá o Cadastro no Ministério do Turismo, a declaração de compromisso com a legislação ambiental e as normas e regulamentos do parque, o termo de reconhecimento de riscos inerentes às atividades e o seguro obrigatório. “Com isso, será aprimorada qualidade dos serviços oferecidos aos visitantes do parque”, avalia Paulo Carneiro..
Fonte: MMA

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Desmatamento Zero

Está na hora do desmatamento zero.

A Amazônia povoa nosso imaginário com suas florestas luxuriantes, rios caudalosos e riquezas naturais superlativas. Toda essa riqueza tem sido ameaçada por um ciclo de desmatamento que começou há mais de 40 anos e ainda persiste nos dias de hoje. Nesse período foram destruídos 20% das florestas (até a década de 1960 apenas 1% das florestas havia sido derrubado). Embora na última década o Brasil tenha conseguido reduzir o desmatamento em cerca de 70%, a perda de floresta na Amazônia ainda é preocupante. A persistência do desmatamento é um câncer que ameaça não apenas a floresta, mas dificulta o desenvolvimento econômico e social da região. Portanto, é hora de perseguir um desmatamento próximo de zero na Amazônia nos próximos anos. É claro que haverá muitos desafios e obstáculos para atingi-lo, mas há quatro razões que favorecem essa meta.
Já desmatamos toda a terra de que precisamos. De fato, a Amazônia já perdeu uma área florestal maior do que os estados de Minas Gerais e Paraná somados. Porém, quase 70% dessa área desmatada está subutilizada. Essa área devastada é mais do que necessária para abrigar toda a expansão de agronegócio, agricultura familiar, projetos de mineração e infraestrutura e o crescimento urbano. Em alguns lugares da Amazônia, como Alta Floresta (Mato Grosso) e Paragominas (Pará), os pecuaristas estão intensificando com sucesso suas áreas de produção. Além de poupar a floresta, estão aumentando a rentabilidade de seus empreendimentos.
O crescimento econômico não requer mais desmatamento. Na década de 1970, a Amazônia participava com menos de 8% do PIB do Brasil. Passadas mais de quatro décadas, depois de todo o desmatamento ocorrido, a região ainda patina nos mesmos 8% do PIB nacional. A economia baseada no desmatamento não contribuiu para melhorar a situação econômica da população da Amazônia. As pessoas fizeram sacrifícios enormes e comprometeram sua qualidade de vida ao substituir uma floresta exuberante por cidades caóticas e afetadas por fumaça de queimadas. Contudo, os benefícios desse crescimento com base no desmatamento foram colhidos apenas por uma fração pequena de indivíduos e empresas.
O valor da floresta é cada vez maior. Nosso entendimento sobre o valor econômico da floresta foi ampliado nos últimos anos. A Amazônia tem também um papel fundamental na regulação do clima de grande parte da América do Sul. É “provedora” de chuvas para o Centro-Sul do Brasil.
O mercado não quer mais o desmatamento. Destaca-se a iniciativa do Consumer Goods Forum, uma aliança das principais empresas globais, cuja receita bruta anual supera os US$ 4 trilhões (mais de duas vezes o PIB do Brasil), que assumiu a meta de desmatamento zero até 2020. Ou seja, a partir dessa data, essas empresas deixarão de comprar carne, soja, óleo de palma, madeira ou papel e celulose que venham de áreas recém-desmatadas na Amazônia e nas outras florestas tropicais.
É claro que o fim do desmatamento, embora desejável e necessário, não será imediato nem fácil. No curto prazo (até 2020) será necessário atingir no mínimo um desflorestamento abaixo de 3.900 quilômetros quadrados por ano e perseguir um desmatamento zero a partir de 2020, assumindo que qualquer novo desmatamento deverá ser recompensado com o plantio de floresta nativa. Infelizmente, a crise fiscal e política que se abateu sobre o Brasil tem dificultado o avanço dessa agenda. A Amazônia ainda tem cerca de 70 milhões de hectares de florestas públicas “desprotegidas”, ameaçadas pela grilagem de terras e subsequente desmatamento. A Amazônia precisará se tornar prioritária na agenda nacional, o que requer uma política de desenvolvimento para a região que enfatize o uso intensivo das áreas já desmatadas, a economia florestal com seus ativos da biodiversidade e serviços ambientais, a valorização da imensa riqueza cultural e étnica e a conservação da vegetação remanescente.
Fonte: Beto Veríssimo ( Época)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

CHINA

China e ONU Meio Ambiente assinam acordo de cooperação pelo desenvolvimento sustentável

O ministro chinês do Meio Ambiente, Li Ganjie, assinou na sexta-feira (5) um acordo de cooperação estratégica com o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, com o objetivo de apoiar a agência das Nações Unidas em seu suporte a países em desenvolvimento no enfrentamento de desafios ambientais.
O acordo também visa a apoiar esses países no desenvolvimento sustentável de suas economias e para aumentar o conhecimento sobre desafios ambientais. O pacto tem como foco a Cooperação Sul-Sul entre países asiáticos e africanos.
Após a bem sucedida implementação de 18 projetos na primeira fase, a China comprometeu outros 6 milhões de dólares para o período de 2016-2018, apoiando iniciativas em ecossistemas e biodiversidade, poluição, acordos ambientais multilaterais relacionados a produtos químicos, a iniciativa de investimentos “One Belt, One Road” e o centro de cooperação ambiental entre China e África.
Um acordo para o estabelecimento do centro também foi assinado por Ganjie e Solheim, assim como pelo ministro do Meio Ambiente do Quênia, Judi Wakhungu. Além disso, um acordo de financiamento de pequena escala foi fechado entre Zhou Guomei, diretor em exercício do Centro de Cooperação Ambiental China-África, e Sheila Aggarwal-Khan, diretora em exercício para a divisão de políticas e programas da ONU Meio Ambiente.
O fundo chinês cobre 81 países e apoia o portfólio mais amplo da ONU Meio Ambiente em política ambiental e governança.
Fonte: ONU

domingo, 14 de janeiro de 2018

Barulho de fábricas

Barulho de fábricas deixa pássaros com sintomas de transtorno do estresse, diz estudo

Cientistas observaram que pássaros expostos ao barulho possuíam alterações nos níveis de cortisol (hormônio relacionado ao estresse). Essas alterações, sugerem os cientistas, provavelmente estão relacionadas ao aumento da ansiedade e da vigilância provocada pelo ruído.
Ainda, havia mais dificuldade de reprodução e, em alguns casos, a ninhada nascia atrofiada. Pesquisadores também idenficaram que alguns passáros possuíam corpo menor e menos penas em relação à média de animais que não vivem em regiões próximas a excesso de ruído.
“Eles não conseguem obter informações do ambiente e, por isso, estão sempre estressados ​​porque não conseguem descobrir o que está acontecendo”, diz Rob Guralnick, um dos autores do estudo e pesquisador do Museu de Historia Natural da Florida, em nota.
“Assim como o estresse constante tende a degradar muitos aspectos da saúde de uma pessoa, ele tem um efeito cascata completo na saúde fisiológica [dos pássaros]“, completa.
Como foi o estudo
Para medir o efeito do barulho, pesquisadores acompanharam três espécies de aves que se reproduzem perto de operações de petróleo e gás no Departamento de Gestão de Terras no Novo México, nos Estados Unidos.
Cientistas deixaram 240 ninhos em 12 regiões diferentes. Além da observação, eles colheram amostras de sangue dos pássaros em três momentos diferentes. Curiosamente, as aves apresentavam níveis menores de cortisol, o hormônio do estresse, indica o estudo.
Segundo os pesquisadores, embora isso leve a acreditar que os animais estariam menos estressados, o resultado indica justamente o oposto — que os animais estão tão estressados que passaram a diminuir a produção do hormônio como um mecanismo de defesa.
Ainda, segundo o estudo, esse resultado crônico de níveis baixos de hormônio do estresse também foi observado nas ninhadas dos pássaros que viviam na região.
Adaptação ao estresse constante
Christopher Lowry, fisiologista do estresse e coautor do estudo explica, em nota, que o resultado da pesquisa é consistente com outras pesquisas em humanos e roedores.
A ciência vem descobrindo que, naqueles seres com estresse crônico constante, o hormônio do estresse (cortisol) acaba ficando extremamente baixo.
Segundo o pesquisador, quando há uma demanda constante por fuga ou luta, o corpo às vezes se adapta para economizar energia, e economiza também o hormônio. Esse “hipocortismo” tem sido relacionado à inflamação que, por sua vez, está associada a uma série de doenças e disfunções.
O estudo, sugerem os pesquisadores, pode ser extrapolado para outras regiões com ruído — e isso tem implicações importantes para a preservação do meio ambiente e da saúde humana.
Fonte: G1

sábado, 13 de janeiro de 2018

Oceanos mais quentes podem arruinar cadeia alimentar marinha

Roma – O fracasso em controlar o aumento da temperatura global poderia levar ao colapso da cadeia alimentar marinha, devastando os meios de subsistência de dezenas de milhões de pessoas que dependem da pesca para alimentos e renda, alertaram cientistas.
Oceanos mais quentes restringem fluxos de energia vitais entre as diferentes espécies do ecossistema marinho, reduzindo a quantidade de comida disponível para os grandes animais, na maioria peixes, no topo da cadeia alimentar, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira no periódico PLOS Biology.
Isso pode ter “implicações sérias” para a quantidade de peixes, disse Ivan Nagelkerken, professor de ecologia marinha da Universidade de Adelaide, na Austrália, um dos autores do estudo.
No mundo, cerca de 56,5 milhões de pessoas praticaram a pesca e a aquicultura em 2015, de acordo com dados da FAO, a agência das Nações Unidas para alimentação.
Segundo a agência, quase um quinto da proteína animal consumida por 3,2 bilhões de pessoas em 2015 veio do peixe.
Os cientistas de Adelaide montaram doze grandes tanques, cada um com 1.800 litros de água, num ambiente controlado para reproduzir as cadeias alimentares marinhas. Eles testaram os efeitos da acidificação e do aumento da temperatura durante seis meses.
A produtividade das plantas aumentou sob temperaturas mais quentes, mas isso se deu principalmente por causa da expansão de bactérias que os peixes não comem, disse Nagelderken.
Os resultados do estudo mostraram que o acordo climático de Paris de 2015 deve ser cumprido “para proteger os nossos oceanos do colapso, perda da biodiversidade e menos produção de peixes”.
Arquivado em:CIÊNCIA