terça-feira, 14 de agosto de 2018

O lendário fruto de uma ilha que provocou motim histórico.

Agricultor tem dezenas de espécies de frutas na propriedade, um oásis no meio da cana (Foto: Reprodução / EPTV)
Na Polinésia Francesa, há uma lenda sobre a grande fome que ocorreu na ilha de Raiatea. Uma família de seis pessoas estava tão desesperada por comida que foi morar numa caverna e chegou a comer samambaias silvestres que cresciam no vale ao redor. Sem aguentar mais ver seus entes queridos sofrerem, o patriarca diz à sua esposa que cavaria um túmulo e se enterraria ali. No local, floresceria uma árvore que, então, poderia alimentá-los.
Quando, numa dada manhã, sua esposa acordou e não mais o viu, sabia o que tinha acontecido. Nas proximidades, havia uma árvore-do-pão que crescia rapidamente, com galhos carregados de frutos. Hoje, esse lugar é chamado de Mahina, mas muitos moradores locais ainda se referem a ele como Tua-uru, que significa “vale da fruta-pão”.
Em minha visita à Polinésia Francesa, não precisaria ter ouvido essa história para deduzir que a fruta-pão, ou uru, como dizem os polinésios, faz parte tanto da dieta dos moradores quanto de sua cultura.
Aonde quer que fosse, via as imponentes árvores com suas folhas brilhantes e frutas pesadas, cada uma do tamanho de bolas de beisebol ou até maiores. Elas decoravam as beiras das estradas e os quintais das casas. “Uma coisa comum”, um polinésio nativo chamado Tea me contou, “porque significa que você pode alimentar sua família por muitos anos”.
Nas feiras livres, a fruta-pão circular e oblonga (existem dezenas de variedades apenas na Polinésia Francesa) era exposta ao lado do coco, da banana-da-terra, da graviola e do maracujá, com o exterior verde coberto por minúsculas formas hexagonais. Algumas já haviam sido cortadas ao meio, exibindo uma polpa branca fibrosa. Elas se pareciam com a jaca, embora menores, e fazem parte da mesma família, junto com os figos.
Nas mais de 100 ilhas que formam a Polinésia Francesa, a fruta-pão é um alimento básico. O nome deriva do fato de que, quando está madura o suficiente para ser comida, a fruta se parece ao pão que acaba de sair da fornalha. Ela fica mais doce à medida que amadurece e pode ser preparada de várias maneiras, incluindo amassada, cozida, assada e frita, ou até mesmo consumida crua.
Alguns locais chamam a fruta-pão de ‘Árvore da Vida’, porque tanto o fruto quanto as folhas da árvore são comestíveis. Além disso, a madeira leve de seu tronco pode ser usada para construir casas e canoas tradicionais, e a casca é usada até mesmo para fazer roupas.
A fruta-pão é nativa da Nova Guiné, e o polinésios a cultivam em suas incursões pelo Pacífico Sul há milhares de anos.
Depois que os exploradores britânicos descobriram a planta e sua fruta nutritiva, foi apenas uma questão de tempo até que o uru se espalhasse pelo mundo. Hoje, as árvores de fruta-pão são abundantes em 90 países, em sua maioria tropicais, como o Brasil.
Em 1768, quando o capitão inglês James Cook partiu a bordo do navio HMS Endeavour, da Marinha Real britânica, junto com o botânico Sir Joseph Banks, sua viagem exploratória de três anos incluiu uma parada de três meses no Taiti.
Ali, os dois homens se encantaram pelo potencial da fruta-pão para alimentar escravos nas Índias Ocidentais Britânicas, visto que as árvores cresciam rapidamente, exigiam pouco cuidado e produziam grandes quantidades de frutos com alto teor de carboidratos. Ao retornar à Inglaterra, Banks (que mais tarde se tornou presidente da Royal Society, a instituição científica nacional mais antiga do mundo) alertou o rei George 3º de suas descobertas, chegando até a oferecer uma recompensa a qualquer pessoa que transportasse mil mudas da planta do Taiti para as Índias Ocidentais.
Logo me vi em uma pequena expedição pessoal da fruta-pão. No Tropical Garden, uma fazenda familiar cheia de flores tropicais e árvores frutíferas na ilha de Moorea, me deliciei com um pedaço doce de uma fruta-pão cozida a vapor mergulhada em tapioca, conhecida como po’e (um pudim de frutas taitiano).
A partir do momento em que provei a sobremesa, com seu sabor rico e cremoso, me apaixonei. Aonde quer que fosse, vasculhava os cardápios em busca de fruta-pão em aperitivos, saladas e até sorvete. Ouvi falar de versões que consistiam na fruta cozida a fogo baixo, saturada em leite de coco fermentado, servida quente com punu pua’atoro, ou carne salgada enlatada, e moída em farinha para fazer pão sem glúten.
Alguns especialistas em plantas dizem que a fruta-pão é um superalimento do futuro, que tem o potencial de acabar com a fome no mundo.
Me perguntei, então, como nunca tinha ouvido falar – ou provado – uma fruta tão importante?
Quase duas décadas após a expedição original de Cook, o rei George 3º nomeou o tenente William Bligh para liderar a expedição da fruta-pão ao Taiti. Em 28 de novembro de 1787, Bligh embarcou com sua tripulação a bordo do HMS Bounty. Sua jornada foi difícil desde o início. Ventos fortes e tempestades reduziram significativamente a velocidade da viagem. Quando chegaram ao Taiti, Bligh e sua tripulação tiveram que esperar mais cinco meses para que as plantas estivessem prontas para o transporte.
Quando chegou a hora de zarpar ao Caribe, os homens de Bligh já haviam se acostumado a viver na ilha – e às mulheres taitianas. Muitos deles não queriam ir embora.
Então, em 29 de abril de 1789, passado um mês de sua viagem pelo Pacífico Sul em direção às Índias Ocidentais, Fletcher Christian e outros 18 tripulantes, descontentes com a situação, forçaram Bligh e seus correligionários a entrar em um barco de 7 m, deixado à deriva. Junto com eles, também se livraram de todas as frutas-pão.
O “mutiny on the Bounty” (“motim do HMS Bounty”) tornou-se uma lenda urbana, e a maioria dos historiadores acredita que o episódio aconteceu porque aqueles que apoiavam Christian acreditavam que ele poderia ajudá-los a voltar ao Taiti – algo que, embora tenha acontecido, não saiu como planejado.
Surpreendentemente, Bligh e sua tripulação sobreviveram, avançando por instinto e memória por 3,6 mil milhas náuticas (6,7 mil km) em 48 dias para Timor, uma ilha no sudeste da Ásia. Bligh logo retornou à Inglaterra, onde foi absolvido de qualquer ilegalidade que tivesse cometido e, dois anos depois, partiu novamente para o Taiti, desta vez completando com sucesso sua missão. Na verdade, algumas das árvores que Bligh levou ao Caribe ainda estão produzindo frutos na Jamaica.
No último dia da minha viagem, me vi no movimentado Mercado de Papeete, a poucos quarteirões da baía no Taiti.
Enquanto outros turistas zanzavam pelas inúmeras barracas que vendiam pareos com estampas coloridas, uma espécie de canga, garrafas de monoï (uma mistura de óleo de coco e flores) e óleos de baunilha e adornos de cabelo perfumados de gardênia, subi as escadas em direção ao Cafe Maeva para provar um prato à base de fruta-pão que até então não havia comido: batatas fritas de uru, ou chips de fruta-pão.
Ao fim da refeição, cheguei a uma conclusão óbvia: essa realmente é uma fruta digna de uma história lendária.
Fonte: BBC

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mundo deve ter onda de calor a cada dois anos; efeitos incluem mortes, incêndios e prejuízos econômicos.

                      Pessoas assistem a incêndio em Rafina, na Grécia (Foto: Reuters/Alkis Konstantinidis)
Quase todo o mundo adora os dias ensolarados e gosta de reclamar quando chove. No entanto, o céu azul e o brilho do sol do verão no Hemisfério Norte ocultam o fato nada agradável de que, em todo o globo, as temperaturas máximas alcançaram um nível preocupante. As consequências são incêndios florestais, safras destruídas e a morte de muitos seres humanos.
O ano de 2016 acusou as temperaturas mais elevadas desde as primeiras medições. A culpa foi uma combinação do evento climático El Niño com o aquecimento global. Embora em 2018 se vivencie o fenômeno contrário, La Niña, que faz baixarem as temperaturas, este foi o junho mais quente já registrado, o que indica uma onda de calor.
Tecnicamente, uma onda de calor é quando em pelo menos cinco dias seguidos as temperaturas ultrapassam as médias em 5ºC ou mais. Dias extremamente quentes isolados, por sua vez, não são atribuídos a uma onda de calor ou ao aquecimento global.
Segundo a porta-voz da Organização Mundial de Meteorologia Clare Nullis, “a tendência é continuarmos tendo ondas de calor extremas, como consequência das mudanças climáticas”.
Para os habitantes do sul da Europa, 30 ºC no verão não são nada demais. Para alguém do Reino Unido ou da Irlanda, em contrapartida, isso é mais do que fora do comum, pois lá as temperaturas em junho normalmente mal ultrapassam os 20 ºC.
Sobe para 80 o número de mortos nos incêndios florestais na Grécia
Em 28 de junho de 2018, os termômetros marcaram 31,9 ºC em Glasgow, na Escócia. Em Shannon, na Irlanda, eles chegaram aos 32 ºC, estabelecendo um novo recorde.
Os alemães, por sua vez, já se acostumaram a mais de 30 ºC em maio e junho, e em parte até gostam do calor. Na Geórgia, por outro lado, mediu-se em junho o recorde absoluto de 40,5 ºC. Em Ouargla, cidade saariana na Argélia, registraram-se incríveis 51,3 ºC.
Montreal, no Canadá, acusou no início de julho suas maiores máximas em 147 anos. A onda de calor custou a vida a mais de 70 pessoas, sobretudo devido a problemas circulatórios; da mesma forma que a 14 no Japão, onde mais de 2 mil tiveram que ser hospitalizadas.
Do sono a insetos
Em face do atual cenário de mudança climática global, ondas de calor deverão ocorrer “a cada dois anos, na segunda metade do século 21″, prediz Vladimir Kendrovski, responsável pelo departamento Mudança Climática e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Nas últimas décadas, a onda de calor na Europa causou mais mortes do que qualquer outro fenômeno meteorológico extremo”. A razão para tal é que, sob certas condições, as temperaturas altas resultam em “smog veranil”, agravando afecções circulatórias e respiratórias, enquanto o pólen no ar provoca ataques de asma mais frequentes.
O calor igualmente perturba o sono. Então, embora o corpo precise se recuperar urgentemente do estresse adicional, não consegue fazê-lo nem durante a noite. “Crianças pequenas e idosos são os que mais sofrem”, explica Simone Sandholz, do Instituto Universitário de Meio Ambiente e Segurança Humana das Nações Unidas.
A maioria das vítimas das ondas de calor “vive em cidades densamente habitadas, com pouca ventilação”, complementa Sandholz. Segundo Nullis, a combinação de calor e umidade revela-se especialmente fatal.
Até mesmo o cérebro deixa de funcionar devidamente, se o tempo é quente demais, podendo perder até 10% de sua velocidade. Uma pesquisa realizada em escolas de Nova York concluiu que, devido ao calor, 90 mil alunos talvez tenham fracassado em exames em que normalmente passariam.
O clima quente igualmente oferece condições perfeitas à reprodução de vespas e outros insetos agressivos. Na Inglaterra, as chamadas de emergência devido a picadas de insetos quase duplicaram em julho.
No entanto, bem mais perigoso do que os que provocam um doloroso calombo são os mosquitos, como potenciais transmissores de malária, dengue e outras doenças infecciosas. Kendrovski, da OMS, está seguro da correlação entre as mudanças climáticas e as moléstias transmitidas por esses vetores.
Moradores tentam extinguir chamas de incêndio florestal que ameaçam igreja na cidade de Rafina, perto de Atenas, na Grécia, na segunda-feira (23) (Foto: Reuters/Costas Baltas)
Florestas e colheitas destruídas
Incêndios florestais são outra consequência do sol ardente. Só no Reino Unido, Suécia e Rússia, 80 mil hectares de florestas foram devastados devido a fenômenos meteorológicos extremos.
Campos cultivados também secam e até pegam fogo. No Reino Unido, os fazendeiros estão tendo dificuldade de cobrir a demanda de verduras frescas e ervilhas, devido às safras insuficientes ou mesmo ausentes. Em menor escala, plantações de trigo, repolho e brócolis estão ameaçadas.
Na Alemanha, os agricultores já se acostumaram com a ideia de que a safra de cereais será muito inferior à dos anos anteriores.
“Novamente vamos ter uma colheita muito abaixo da média”, queixa-se Joachim Rukwied, presidente da Federação dos Agricultores Alemães (DVB). Ele revela que alguns fazendeiros consideram sequer fazer a colheita, mas sim destruí-la logo, já que o trabalho envolvido não compensaria.
Adaptação e urbanismo
Com tais temperaturas, o acesso a condicionadores de ar e refrigeradores parece ser um fator de grande importância. No entanto ele também tem seu lado negativo, uma vez que a eletricidade consumida por esses sistemas provém sobretudo de fontes fósseis. Portanto, quanto mais se refrigera, mais se contribui para a mudança climática e mais as temperaturas sobem, formando-se um círculo vicioso.
Em termos de combate aos efeitos da mudança do clima global, Kendrovski ressalta que “se o sistema de saúde fosse mais bem adaptado aos sistemas meteorológicos, seria possível evitar muitos problemas de saúde causados pela onda de calor”.
Lançando o apelo “Não devemos subestimar o calor”, Sandholz, por sua vez, prefere apostar no planejamento urbano: parques ou corredores de vento poderiam minorar o efeito das altas temperaturas sobre as cidades, defende a funcionária da ONU.
Fonte: Deutsche Welle

domingo, 12 de agosto de 2018

Polícia recupera tubarão que foi roubado de aquário em carrinho de bebê.

Tubarões como Miss Helen chegam a ter 1 metro e vivem em águas rasas
Um tubarão fêmea que havia sido roubado de um aquário nos Estados Unidos foi achado e devolvido são e salvo.
Conhecido como Miss Helen, o animal foi levado por ladrões escondido dentro de carrinho de bebê.
O tubarão está em quarentena e se recuperando bem até agora, informou o Aquário de San Antonio, no Estado do Texas.
No sábado, Miss Helen foi retirada de uma piscina por dois homens e uma mulher. Depois, foi carregada em um cobertor molhado e colocada em um balde com uma solução salina.
O recipiente foi escondido, então, dentro de um carrinho para disfarçar o tubarão e retirá-lo do local, deixando um rastro de água pelo caminho.

Cidadãos ajudaram a recuperar o tubarão


Um funcionário do aquário notou o que estava ocorrendo e alertou a direção. Mas os criminosos conseguiram escapar em um carro.
Cidadãos ajudaram a polícia a achar o veículo após identificá-lo por meio de imagens veiculadas na TV.
Miss Helen foi encontrada dentro de uma garagem, onde um dos suspeitos mantinha uma grande coleção clandestina de animais marinhos.
"Quando chegamos, parecia ser uma réplica do aquário de San Antonio", disse o policial Joseph Salvaggio.
"Ele sabia muito bem o que estava fazendo e manteve o animal vivo."
Um suspeito foi detido, e a polícia quer interrogar seus dois parceiros no sequestro.
O aquário disse esperar que o tubarão de 41 cm de comprimento se recupere completamente do choque. "O 'sequestrubarão' fracassou! Bem-vinda ao lar, Miss Helen", celebrou a instituição pelas redes sociais.
Fonte: BBC

sábado, 11 de agosto de 2018

Um fenômeno estranho está afetando praticamente todo o Caribe.
Sargaço mudou a paisagem em Playa del Carmen, no México
São alga marrom, chamada sargaço, que podem duplicar de tamanho a cada 18 dias, mudam a cor da água, começam a se decompor e devido ao calor liberam cheiro ruim.
As algas quando ficam nas zonas costeiras elas começam a entrar em decomposição e consomem o oxigênio da água e soltando substâncias tóxicas que causam a morte dos peixes.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Alerta: possível ocorrência do peixe-leão no Brasil.


No último domingo (5) foi entregue um vídeo à equipe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos sobre a possível ocorrência do peixe-leão (Pterois volitans ou P. miles) na região do Arquipélago dos Abrolhos (Portinho Sul), dentro do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. O vídeo foi gravado por um visitante, que estava realizando mergulho livre, no final da tarde do último sábado (4). Uma cópia em baixa resolução (filmagem de celular do vídeo sendo reproduzido em uma tela de computador) foi entregue pela empresa responsável pelo controle e monitoramento da visitação do Parna à equipe do ICMBio e pesquisadores autorizados que estavam em atividade no local.

“Considerando a gravidade do fato, iniciamos uma mobilização com os cientistas, condutores de mergulho, pescadores, entre outros, para confirmar a identificação da espécie e verificar possíveis registros de ocorrência do peixe-leão na região”, explica o chefe do Parque, Fernando Repinaldo Filho. Segundo ele, a unidade vem mantendo uma equipe no Arquipélago que está fazendo buscas do suposto peixe-leão na área da filmagem realizada pelo mergulhador. Até o momento, pelo menos 20 especialistas, profissionais da unidade de conservação, condutores de visitantes do Parque e profissionais do turismo na região, têm acompanhado e prestado informações referentes ao caso para a equipe do Parna.

O peixe-leão é uma espécie recifal invasora no Oceano Atlântico, e peçonhenta capaz de causar prejuízos aos ambientes aquáticos brasileiros e acidentes graves a turistas e pescadores que tentarem manuseá-lo sem orientação e capacitação. “Devido à baixa qualidade do vídeo, há suspeita de que seja uma notícia falsa, produzida com gravação de um peixe de brinquedo. A apuração das informações aguarda os relatos fidedignos dos envolvidos no episódio e recebimento de vídeo original”, afirma.
É importante que condutores de visitantes, mergulhadores, pesquisadores, pescadores, entre outros, que frequentem o mar e estuários na região dos Abrolhos e demais locais do Brasil, registrem e informem ao ICMBio e aos pesquisadores associados ao tema caso encontrem essa espécie. Pois assim, serão acionados, com a maior brevidade, planos de emergência para identificação, captura, sequenciamento genético, entre outras ações capazes de avaliar ou reparar potenciais danos.

O monitoramento da invasão do peixe-leão é uma ação alinhada com o objetivo 7 do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN/Corais). A espécie se tornou invasora no Caribe, causando sérios danos à saúde dos ambientes recifais e já possui dois registros confirmados no Brasil em Arraial do Cabo/ RJ. Algumas Unidades de Conservação marinhas já iniciaram campanhas de sensibilização e divulgação sobre a temática, como a APA Costa dos Corais, APA de Fernando de Noronha e Resex Marinha de Arraial do Cabo/RJ.

A mobilização de pesquisadores, parceiros, condutores e empresas de turismo, visitantes, pescadores entre outros é fundamental para que se tenha maior vigilância e monitoramento para essa ameaça aos recifes brasileiros.

Fonte: ICMBio

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Mudanças climáticas poderão extinguir 10% das espécies de anfíbios da Mata Atlântica.

O aquecimento global poderá levar à extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica em cerca de 50 anos. Isso porque regimes de temperatura e chuva previstas para ocorrer entre 2050 e 2070 serão fatais para espécies com menor adaptação à variação climática, que habitam pontos específicos da Mata Atlântica.
Essa é uma das conclusões de um estudo que analisa a distribuição presente e futura de anfíbios (anuros, ou seja, sapos, rãs e pererecas) na Mata Atlântica e no Cerrado, à luz das mudanças climáticas em decorrência do contínuo aquecimento global.
O estudo foi publicado na revista Ecology and Evolution. O trabalho teve como autor principal o herpetólogo Tiago da Silveira Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, e foi feito com apoio da FAPESP no âmbito do  Programa FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais.
Colaboraram Bruno Tavar Marinho do Nascimento, também da Unesp, e Vitor Hugo Mendonça do Prado, da Universidade Estadual de Goiás.
“O objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as espécies de anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica e caracterizar suas preferências climáticas nas diferentes áreas que habitam. Com os dados em mãos, buscamos fazer modelagens para poder projetar cenários de aumento ou de redução das áreas climáticas favoráveis às diferentes espécies, em função dos regimes climáticos estimados para 2050 e 2070”, disse Vasconcelos.
Conhecem-se atualmente 550 espécies de anfíbios na Mata Atlântica (80% delas, endêmicas) e 209 espécies no Cerrado. Vasconcelos trabalhou com os dados de distribuição espacial de 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado, aquelas encontradas em ao menos cinco ocorrências espaciais diferentes.
“Desse modo, foi possível identificar as áreas com maior riqueza de espécies de anfíbios, ou com composição de espécies únicas, tanto no Cerrado como na Mata Atlântica. Uma vez identificadas tais áreas, avaliamos a comunidade de anfíbios no cenário de clima atual e futuro, de modo a determinar quais são as áreas de clima favorável para cada uma das 505 espécies analisadas, e se haverá expansão ou redução dessas áreas em 2050 e 2070, em função do aquecimento global”, disse Vasconcelos.
Os dados de distribuição espacial das 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado foram aplicados em duas métricas de ecologia de comunidade. A primeira, denominada diversidade alfa, é a diversidade local, correspondente ao número de espécies em uma pequena área de hábitat homogêneo. A diversidade beta é a variação na composição de espécies entre diferentes hábitats e que revela a heterogeneidade da estrutura de toda a comunidade.
Vasconcelos conta que o passo seguinte foi usar os dados de clima para fazer a modelagem de nicho climático. Foram usados quatro algoritmos diferentes baseados nas características de clima favorável a cada espécie. Trata-se de algoritmos de modelo linear generalizado, de árvore de regressão, de floresta aleatória e de máquina de vetores de suporte.
Os algoritmos serviram para determinar, na Mata Atlântica e no Cerrado, quais são as áreas de climas semelhantes, gerando um mapa da distribuição das áreas atuais onde cada espécie pode sobreviver.
A seguir foi a vez de calibrar os mesmos algoritmos com os cenários de clima futuro, a partir das estimativas feitas disponíveis no portal WorldClim.
“Para cada cenário futuro, em 2050 e 2070, utilizamos dois cenários de emissão de gás carbônico na atmosfera, um cenário mais otimista, com menor aquecimento global, e outro pessimista e mais quente. Também usamos três modelos de circulação global atmosférica e oceânica”, disse Vasconcelos. Os dados são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
“Para cada uma das 505 espécies analisadas geramos 24 mapas de distribuição [quatro algoritmos x dois cenários de emissões de CO2 x 3 modelos de circulação global]. Ao todo, foram mais de 12 mil mapas”, disse.
A partir dos resultados dos 24 mapas de distribuição para cada espécie, foi gerado um mapa consensual e, então, uma matriz de presença e ausência de espécies, determinando a ocorrência prevista de cada espécie em 2050 e 2070.
“O primeiro impacto esperado da mudança climática nos anfíbios da Mata Atlântica e Cerrado é a extinção de 42 espécies por meio da perda completa de suas áreas climaticamente favoráveis entre 2050 e 2070″, disse Vasconcelos.
Os dados apontam para a extinção de 37 espécies na Mata Atlântica (ou 10,6% do total) e cinco no Cerrado. Das 42 espécies, apenas cinco são atualmente consideradas como em risco de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente.
Homogeneização de anfíbios no Cerrado
A maior riqueza de anfíbios da Mata Atlântica ocorre atualmente na porção sudeste, nos estados do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Já as regiões interioranas da Mata Atlântica são as áreas com menor riqueza de anfíbios.
Embora os resultados do estudo apontem para a perda de espécies em toda a Mata Atlântica, mesmo as taxas mais altas de perdas no sudeste do bioma não deverão alterar o fato de que esta região específica permanecerá como a mais rica em anfíbios.
Por outro lado, no Cerrado haverá perda generalizada, mas também ganho de biodiversidade em determinadas regiões.
“Os resultados da pesquisa indicam uma expansão das áreas climaticamente favoráveis aos anfíbios, dado que em função do aumento das temperaturas se espera uma expansão das áreas de Cerrado nas direções norte e nordeste, ocupando espaços que hoje são de floresta amazônica. A savanização de porções da floresta amazônica abrirá novas áreas para ocupação dos anfíbios do Cerrado”, disse.
Especificamente, a mudança climática não deverá alterar a área de maior riqueza de anfíbios do Cerrado, que fica na margem sul deste bioma, mas uma considerável perda de espécies é esperada no oeste e sudoeste, que faz contato com as terras baixas do Pantanal Mato-Grossense. Por outro lado, poderá haver ganho de espécies em Tocantins, no norte de Minas Gerais e no oeste da Bahia.
“Os cenários futuros de mudança climática sugerem que poderá haver uma homogeneização da fauna de anfíbios ao longo da extensão do Cerrado. Ou seja, aquelas espécies mais generalistas, adaptadas a diferentes hábitats e que suportam uma variação maior de temperatura e umidade, têm a previsão de expandir suas áreas de ocupação”, disse Vasconcelos.
O artigo Expected impacts of climate change threaten the anuran diversity in the Brazilian hotspots, de Tiago S. Vasconcelos, Bruno T. M. do Nascimento e Vitor H. M. Prado (doi: 10.1002/ece3.4357), está publicado em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/ece3.4357?campaign=wolearlyview&.
Fonte: FAPESP

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

CIÊNCIA E SAÚDE

Ararinhas-azuis nascidas na Alemanha chegam ao Brasil.

Doação das aves de apenas 11 meses de idade faz parte de um programa de preservação da espécie, conduzido em parceria entre Brasil, Alemanha e Catar. Objetivo é a reinserção da ararinha-azul na Caatinga até 2021.
A ministra alemã do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, com as araras no aeroporto de Berlim
Carla e Tiago, duas ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) de apenas 11 meses nascidas em Berlim, chegaram nesta terça-feira (03/03) a São Paulo. Em contrapartida, uma arara fêmea nascida no Brasil deverá ser levada para a Alemanha. A iniciativa visa preservar a espécie, uma das mais raras do mundo e que não existe mais em liberdade desde 2000.
A troca foi possibilitada por uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Agência Federal de Proteção da Natureza (Bfn), da Alemanha. "A troca é parte de um projeto de reinserção de longo prazo e um belo exemplo de proteção da natureza além das fronteiras continentais", disse a presidente do BfN, Beate Jessel.
O BfN obteve há dez anos uma licença para a manutenção de três araras, dando início à parceria com o ICMBio. Esta é a segunda vez que ararinhas-azuis (também chamadas araras-spix) nascidas na Alemanha são encaminhadas ao Brasil.
Carla e Tiago, que foram batizadas em homenagem aos protagonistas do filme de animação Rio 2, nasceram em abril de 2014. No âmbito do projeto, Carla pertence às autoridades brasileiras desde o início, enquanto Tiago foi doado pelos alemães como gesto de comprometimento com o programa de preservação da espécie.
Logo após chegarem a Guarulhos, na manhã desta terça, as duas aves foram levadas a Cananeia, onde ficarão em quarentena por 15 dias. Depois serão transferidas para o criadouro Nest, no interior de São Paulo. A expectativa dos responsáveis pelo projeto é que, até 2021, as primeiras ararinhas-azuis sejam reinseridas no seu habitat natural, a Caatinga, na região da cidade de Curacá, na Bahia.
"Esperamos que elas ou seus descendentes sejam soltas na natureza daqui a alguns anos", disse a ministra alemã do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, no aeroporto de Berlim, pouco antes do embarque dos dois animais.
Os mantenedores da ararinha-azul no Brasil e no exterior, que trabalham para viabilizar a reprodução da espécie, são a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha, a Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar, o criadouro Nest e a Fundação Lymington, no Brasil.
Fonte: Deutsche Welle