sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O que aconteceria se todas as árvores do mundo desaparecessem?

Em Mad Max: Estrada da Fúria, a Furiosa de Charlize Theron se esforça para retornar ao “Lugar Verde” – um oásis cheio de árvores no deserto sem vida que a Terra se tornou. Quando Furiosa chega ao local sagrado, no entanto, ela encontra apenas troncos esqueléticos e dunas enormes. Ela grita de angústia. Sem árvores, toda a esperança parece perdida.

Os sentimentos de Furiosa foram justificados. “As florestas são a salvação do mundo”, diz Meg Lowman, diretor da Tree Foundation, organização sem fins lucrativos da Flórida, dedicada à pesquisa, exploração e educação em árvores. “Sem eles, perdemos funções extraordinárias e essenciais para a vida na Terra.”
Os serviços das árvores para este planeta variam desde o armazenamento de carbono e conservação do solo até a regulação do ciclo da água. Eles apóiam os sistemas alimentares naturais e humanos e fornecem casas para inúmeras espécies – inclusive nós, através de materiais de construção. No entanto, geralmente tratamos as árvores como descartáveis: como algo a ser colhido para ganho econômico ou como um inconveniente no caminho do desenvolvimento humano. Desde que nossa espécie começou a praticar agricultura há cerca de 12.000 anos, nós removemos quase metade das árvores – estimadas em 5,8 trilhões de árvores, de acordo com um estudo de 2015 publicado na revista Nature.
Grande parte do desmatamento aconteceu nos últimos anos. Desde o início da era industrial, florestas foram reduzidas em 32%. Especialmente nos trópicos, muitos dos três trilhões de árvores restantes do mundo estão caindo rapidamente, com cerca de 15 bilhões de cortes por ano, afirma o Naturestudy. Em muitos lugares, a perda de árvores está se acelerando. Em agosto, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostrou um aumento de 84% nos incêndios na floresta amazônica brasileira em comparação com o mesmo período de 2018. O corte-e-queima também estão em ascensão, especialmente na Indonésia e Madagascar.
Exceto em uma catástrofe inimaginável, entretanto, não há cenário em que todas as árvores do planeta seriam derrubadas. Mas, imaginar um mundo distópico, do estilo Mad Max, no qual todas as árvores da Terra morreram repentinamente pode nos ajudar a avaliar o quão perdidos estaríamos sem elas.
“Haveriam extinções maciças de todos os grupos de organismos, localmente e globalmente – Jayme Prevedello”.
“Vamos começar com o quão horrível seria um mundo sem árvores – elas são insubstituíveis”, diz Isabel Rosa, professora de dados e análises ambientais na Universidade de Bangor, no País de Gales. “Se nos livrarmos de todas as árvores, viveremos [em] um planeta que talvez não consiga mais nos sustentar”.
Para iniciantes, se as árvores desaparecessem da noite para o dia, o mesmo ocorreria com grande parte da biodiversidade do planeta. A perda de habitat já é o principal fator de extinção no mundo, portanto a destruição de todas as florestas remanescentes seria “catastrófica” para plantas, animais, fungos e muito mais “, diz Jayme Prevedello, ecologista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro no Brasil. “Haveria extinções maciças de todos os grupos de organismos, localmente e globalmente”.
A onda de extinções se estenderia além das florestas, esgotando a vida selvagem que depende de árvores únicas bem como das árvores pequenas. Em 2018, Prevedello e seus colegas descobriram, por exemplo, que a riqueza geral de espécies era 50 a 100% maior em áreas com árvores espalhadas do que em áreas abertas. “Mesmo uma única árvore isolada em uma área aberta pode atuar como um “ímã” da biodiversidade, atraindo e fornecendo recursos para muitos animais e plantas”, diz Prevedello. “Portanto, a perda de árvores individuais pode afetar gravemente a biodiversidade localmente.”
Exceto em uma catástrofe inimaginável, entretanto, não há cenário em que todas as árvores do planeta seriam derrubadas. Mas, imaginar um mundo distópico, do estilo Mad Max, no qual todas as árvores da Terra morreram repentinamente pode nos ajudar a avaliar o quão perdidos estaríamos sem elas.
“Haveriam extinções maciças de todos os grupos de organismos, localmente e globalmente – Jayme Prevedello”.
“Vamos começar com o quão horrível seria um mundo sem árvores – elas são insubstituíveis”, diz Isabel Rosa, professora de dados e análises ambientais na Universidade de Bangor, no País de Gales. “Se nos livrarmos de todas as árvores, viveremos [em] um planeta que talvez não consiga mais nos sustentar”.
Para iniciantes, se as árvores desaparecessem da noite para o dia, o mesmo ocorreria com grande parte da biodiversidade do planeta. A perda de habitat já é o principal fator de extinção no mundo, portanto a destruição de todas as florestas remanescentes seria “catastrófica” para plantas, animais, fungos e muito mais “, diz Jayme Prevedello, ecologista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro no Brasil. “Haveria extinções maciças de todos os grupos de organismos, localmente e globalmente”.
A onda de extinções se estenderia além das florestas, esgotando a vida selvagem que depende de árvores únicas bem como das árvores pequenas. Em 2018, Prevedello e seus colegas descobriram, por exemplo, que a riqueza geral de espécies era 50 a 100% maior em áreas com árvores espalhadas do que em áreas abertas. “Mesmo uma única árvore isolada em uma área aberta pode atuar como um “ímã” da biodiversidade, atraindo e fornecendo recursos para muitos animais e plantas”, diz Prevedello. “Portanto, a perda de árvores individuais pode afetar gravemente a biodiversidade localmente.”
O clima do planeta também seria drasticamente alterado a curto e longo prazo. As árvores mediam o ciclo da água agindo como bombas biológicas: sugam a água do solo e a depositam na atmosfera, transformando-a de líquido em vapor. Ao fazer isso, as florestas contribuem para a formação e precipitação de nuvens. As árvores também evitam as inundações aprisionando a água em vez de deixá-la entrar em lagos e rios e protegendo as comunidades costeiras de tempestades. Eles mantêm o solo no lugar que, de outra forma, seria lavado pela chuva e suas estruturas radiculares ajudam as comunidades microbianas a prosperar.
Sem árvores, as áreas anteriormente florestadas se tornariam mais secas e mais propensas a secas extremas. Quando a chuva chegasse, as inundações seriam desastrosas. A erosão maciça impactaria os oceanos, sufocando os recifes de coral e outros habitats marinhos. Ilhas despojadas de árvores perderiam suas barreiras ao oceano e muitas seriam levadas pela correnteza. “Remover árvores significa perder grandes quantidades de terra para o oceano”, diz Thomas Crowther, ecologista de sistemas globais da ETH Zurich na Suíça e principal autor do estudo Natureza 2015.
Além de mediar o ciclo da água, as árvores têm um efeito de resfriamento localizado. Elas fornecem sombra que mantém a temperatura do solo e, como as coisas mais escuras da paisagem, absorvem o calor em vez de refleti-lo. No processo de evapotranspiração, elas também canalizam a energia da radiação solar para converter água líquida em vapor. Com todos esses serviços de refrigeração perdidos, a maioria dos lugares onde as árvores estavam anteriormente ficaria imediatamente mais quente. Em outro estudo, Prevedello e seus colegas descobriram que a remoção completa de um trecho de floresta de 25 quilômetros quadrados fez com que as temperaturas anuais locais aumentassem em pelo menos 2°C em áreas tropicais e 1°C em áreas temperadas. Os pesquisadores também descobriram diferenças de temperatura semelhantes ao comparar áreas abertas e áreas com florestas.
No entanto, o sofrimento da humanidade começaria bem antes do aquecimento global catastrófico. O aumento do calor, a interrupção do ciclo da água e a perda de sombra afetariam bilhões de pessoas e animais. A pobreza e a morte também cairiam sobre muitos dos 1,6 bilhões de pessoas que atualmente dependem diretamente das florestas para sobreviver, inclusive para colher alimentos e remédios. Ainda mais pessoas se veriam incapazes de cozinhar ou aquecer suas casas, dada a falta de lenha. Em todo o mundo, aqueles cujo trabalho gira em torno de árvores – seja como madeireiros ou fabricantes de papel, fruticultores ou carpinteiros – de repente ficariam desempregados, devastando a economia global. Somente o setor madeireiro emprega 13,2 milhões de pessoas e gera 600 bilhões de doláres a cada ano, de acordo com o Banco Mundial.
Da mesma forma, os sistemas agrícolas se descontrolariam. As culturas sombreadas como o café reduziriam drasticamente, assim como as que dependem de polinizadores que habitam árvores. Devido às flutuações de temperatura e precipitação, os locais que antes produziam certas culturas falhariam repentinamente enquanto outras, que eram impróprias anteriormente, poderiam se tornar desejáveis. Com o tempo, porém, os solos de todos os lugares se esgotariam, exigindo quantidades significativas de fertilizantes para as culturas sobreviverem. Um aquecimento adicional acabaria por tornar a maioria dos lugares incultiváveis ​​e inabitáveis.
Além dessas mudanças devastadoras, haveriam impactos à saúde. As árvores limpam o ar absorvendo poluentes e sequestram partículas atmosféricas em suas folhas, galhos e troncos. Pesquisadores do Serviço Florestal dos EUA calcularam que as árvores só nos EUA removem 17,4 milhões de toneladas de poluição do ar a cada ano, um serviço avaliado em US $ 6,8 bilhões. Pelo menos 850 vidas são salvas como resultado disso e pelo menos 670.000 casos de problemas respiratórios agudos são evitados.
D’Odorico acrescenta que também poderíamos ver surtos de doenças raras ou novas transferidas de espécies com as quais normalmente não entramos em contato. Ele e seus colegas descobriram que a transferência do Ebola para seres humanos ocorre em pontos críticos da fragmentação da floresta. Uma perda repentina de florestas em todos os lugares pode desencadear um aumento temporário em nossa exposição a infecções zoonóticas, como o Ebola, o vírus Nipah e o vírus do Nilo Ocidental, diz ele, além de doenças transmitidas por mosquitos, como malária e dengue.
Um crescente corpo de pesquisa também aponta para o fato de que as árvores e a natureza são boas para o nosso bem-estar mental. O Departamento de Conservação Ambiental do Estado de Nova York, por exemplo, recomenda caminhar nas florestas para melhorar a saúde geral, inclusive para reduzir o estresse, aumentar os níveis de energia e melhorar o sono. As árvores também parecem ajudar o corpo a se recuperar: um famoso estudo de 1984 revelou que os pacientes que se recuperavam de uma cirurgia tiveram estadias mais curtas no hospital se tivessem uma visão verde ao invés de uma parede de tijolos. Pesquisas mais recentes revelaram que gastar tempo em torno da grama e das árvores reduz os sintomas em crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, e vários estudos também documentaram uma correlação positiva entre o espaço verde e o desempenho das crianças na escola. As árvores podem até ajudar a combater o crime: um estudo descobriu que um aumento de 10% na cobertura de árvores estava associado a uma redução de 12% no crime em Baltimore.
“’Banho na floresta’ agora é receita médica no Japão – Kathy Willis”.
“Muitas coisas que levam a problemas de bem-estar físico e mental podem ser significativamente reduzidas se você passar um tempo em um ambiente florestal”, diz Kathy Willis, professora de biodiversidade da Universidade de Oxford. “É por isso que ‘banho na floresta’ agora é uma receita médica no Japão”.
A perda de árvores também seria lamentada em um nível cultural profundo. As árvores estão estampadas nas memórias de incontáveis ​​infâncias e se destacam na arte, literatura, poesia, música e muito mais. Elas tem sido alicerces em religiões animistas desde a pré-história e desempenham papéis proeminentes nas maiores religiões praticadas atualmente. Buda alcançou a iluminação depois de permanecer sentado sob a árvore Bodhi por 49 dias, enquanto os hindus adoram as árvores Peepal, que servem como um símbolo para Vishnu. Na Torá e no Antigo Testamento, Deus cria árvores no terceiro dia da criação – mesmo antes de animais ou seres humanos – e na Bíblia, Jesus morre em uma cruz de madeira construída a partir de árvores.
“Muitas pessoas vêem florestas com cifrões”, diz Lowman. “Mas nunca chegamos a um valor monetário para a importância espiritual das florestas”.
“Mesmo se pudéssemos viver em um mundo sem árvores, quem iria querer? – Thomas Crowther”.
Dito tudo isso, os seres humanos lutariam para sobreviver em um mundo sem árvores. Urbanizados, os estilos de vida ocidentais se tornariam rapidamente coisa do passado e muitos de nós morreria de fome, calor, seca e inundações. Lowman acredita que as comunidades sobreviventes provavelmente seriam aquelas que mantiveram o conhecimento tradicional sobre como viver em ambientes sem árvores, como os aborígines da Austrália. Crowther, por outro lado, suspeita que a vida persistiria apenas em uma colônia parecida com Marte, possibilitada pela tecnologia e totalmente separada da existência que sempre conhecemos.
“Mesmo se pudéssemos viver em um mundo sem árvores, quem iria querer?”, diz Crowther. “Este planeta é único em tudo o que conhecemos atualmente sobre o universo por causa dessa coisa inexplicável chamada vida, e sem árvores, quase tudo isso seria simplesmente destruído”.
Fonte: BBC Future / Rachel Nuwer
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse:
http://www.bbc.com/future/story/20190911-what-would-happen-if-all-the-worlds-trees-disappeared

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Peixe-leão está dominando o oceano Atlântico e isso preocupa especialistas.

Cientistas estão preocupados com a destruição causada por uma espécie de apetite voraz: o peixe-leão (Pterois volitans). Esses animais são um dos maiores invasores das águas dos Estados Unidos e têm causado um desequilíbrio ecológico no Oceano Atlântico, em especial nos ecossistemas da costa leste norte-americana até o Golfo do México.

Em um estudo publicado em 2012 no jornal Marine Ecology Progress Series, cientistas explicaram como ocorre o ataque dos peixes-leão: eles lançam um jato de água a partir da boca e engolem sua vítima por inteiro. O movimento é tão rápido, que mesmo os peixes que estão próximos não percebem o bote. Veja abaixo um vídeo do animal em ação: 

“É na verdade bem difícil descrever como um peixe-leão se alimenta, pois ele o faze em um segundo”, afirmou Kristen Dahl, pesquisador da Universidade da Flórida, ao portal Live Science.
Biólogos acreditam que os animais têm dominado a cadeia alimentar devido ao fator surpresa: a espécie é criada tradicionalmente em aquários, então é uma novidade na natureza e acaba não sendo reconhecida por outros peixes como uma ameaça.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), nos últimos 25 anos vários donos de peixes-leão despejaram os animais de seus aquários no Oceano Atlântico.
Desde os anos 2000 – quando os peixes-leão foram vistos pela primeira vez no oceano próximo ao estado norte-americano da Carolina do Norte –, a espécie tem se espalhado não apenas pelo Atlântico, mas conquistado também o Golfo do México e o Mar do Caribe.
Contendo o predador
Diversos cientistas e empresas estão trabalhando para conter os peixes-leão. São utilizadas armadilhas para capturá-los, baseadas em inteligência artificial para detectar os peixes.
A organização governamental dos Estados Unidos Fish and Wildlife Conservation Commission ajuda no controle dos peixes-leão ao proporcionar encontros nos quais os mergulhadores passam um dia inteiro removendo o máximo de peixes-leão que conseguem.
“Os encontros são uma ótima oportunidade para educar as pessoas sobre o peixe-leão e o perigo de soltá-los do aquário até à natureza”, afirmou Dahl. Por enquanto, há sinais de que as ações têm feito sucesso: em locais de mergulho no arquipélago Florida Keys, os mergulhadores não costumam mais ver o peixe-leão.
Fonte: Revista Galileu

Pequenos agricultores da Paraíba apresentam cultivo sustentável do algodão.

Em uma área de pouco mais de dois hectares, o casal de pequenos agricultores Marco Vitorino e Rosilda Vitorino produzem no roçado culturas como gergelim, milho, feijão, fava, frutas diversas e algodão.

Os agricultores foram anfitriões da visita técnica ao município paraibano de Alagoa Grande, a última etapa da viagem ao estado realizada por cerca de 30 representantes de países da América Latina e da África.
Tais nações são parceiras dos projetos de Cooperação Sul-Sul Trilateral com governo brasileiro — por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores —, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Em uma área de pouco mais de dois hectares, o casal de pequenos agricultores Marco Vitorino e Rosilda Vitorino produzem no roçado culturas como gergelim, milho, feijão, fava, frutas diversas e algodão.
Os agricultores foram anfitriões da visita técnica ao município paraibano de Alagoa Grande, a última etapa da viagem ao estado realizada por cerca de 30 representantes de países da América Latina e da África.
Tais nações são parceiras dos projetos de Cooperação Sul-Sul Trilateral com governo brasileiro — por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores —, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O grupo formado por especialistas de Colômbia, Mali e Moçambique e por representantes de ABC, OIT e FAO conheceu a vida e a experiência inspiradora dos agricultores que, com incentivo do governo brasileiro e da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER), lutaram por anos para criar meios de subsistência, se firmar na região e gerar renda.
Organizada por OIT, ABC e FAO, a missão técnica de uma semana à Paraíba teve como objetivo fomentar a troca de experiências nas áreas de produção de algodão sustentável, associativismo e inovações tecnológicas entre visitantes, pequenos produtores rurais, especialistas e pesquisadores no estado.
A OIT desenvolve o “Projeto Algodão com Trabalho Decente – Cooperação Sul-Sul para a Promoção do Trabalho Decente nos Países Produtores de Algodão da África e da América Latina” com a ABC e o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).
O objetivo da iniciativa é promover o trabalho decente na cadeia produtiva do algodão, com ênfase nos Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho e na melhoria das condições de trabalho em cinco países produtores da fibra: Paraguai, Peru, Mali, Moçambique e Tanzânia.
Fonte: ONU

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Humanos fazem plantas se extinguirem ao menos 500 vezes mais rápido do que fariam se não estivéssemos por perto.

Um novo estudo botânico, o mais exaustivo do seu tipo já feito, quadruplicou a taxa estimada de espécies de plantas que têm perecido nos tempos modernos.
Anteriormente, as estimativas provavelmente seriam menor que 150. Agora, os pesquisadores descobriram que, desde 1753, quando Carolus Linnaeus (conhecido em português como Carlos Lineu), “o pai da taxonomia moderna”, reuniu sua classificação de espécies de plantas, cerca de 571 delas foram extintas.
Além disso, desde 1900, uma média de três espécies de plantas desaparece a cada ano. Essa é uma taxa de extinção pelo menos 500 vezes mais rápida do que se esperaria naturalmente, e duas vezes o número total de extinções observadas em anfíbios, mamíferos e pássaros juntos.

Plantas endêmicas

Hoje, parece que a maioria das extinções de plantas está ocorrendo nos pontos de alta biodiversidade nos Trópicos e no Mediterrâneo, incluindo lugares como Austrália, Índia e Havaí. De todas as espécies de plantas extintas, metade viviam em ilhas e 18% floresciam no Pacífico.
“Isso provavelmente reflete a alta proporção de espécies únicas (endêmicas) em biotas insulares e sua vulnerabilidade à invasão biológica”, sugerem os autores do estudo.
Os padrões, no entanto, também podem ser devidos ao viés humano. Afinal de contas, nosso conhecimento até agora é quase inteiramente baseado em plantas que têm sido historicamente úteis para os seres humanos.

Descobertas e redescobertas igualmente caminham para a extinção

Nas últimas três décadas, cerca de 300.000 espécies de plantas foram adicionadas ao banco de dados de Kew e, a cada ano, encontramos cerca de 16 plantas que pensávamos que haviam sido extintas.
Ainda assim, é improvável que a redescoberta de espécies diminua as taxas “assustadoras” de extinção apresentadas por pesquisadores, bem como a redescoberta nas ilhas é muito menos provável do que nos continentes.
Encontrar ou classificar novas espécies não significa muita coisa. Muitas novas espécies estão sem dúvida encaminhadas para a extinção. Com a perda de habitat, a mudança climática e a exploração humana, as plantas recém-descritas podem ter taxas mais altas de extinção, e algumas poderiam até desaparecer antes de sabermos que elas existem.
“Os cientistas não estudaram a grande maioria das plantas do mundo em nenhum detalhe, então os autores do novo estudo estão certos em pensar que os números que eles produziram são muito subestimados e provavelmente haverá extinções que foram negligenciadas”, concorda Alan Gray, ecologista que não esteve envolvido no estudo.
Como milhões de outras espécies, incluindo a nossa, dependem das plantas para sobreviver, Gray diz que precisamos mudar urgentemente nossa narrativa: começar a perguntar o que podemos fazer pela biodiversidade, e não o que ela pode fazer por nós.
A pesquisa foi publicada em um artigo na revista científica Nature Ecology & Evolution. [ScienceAlert]
Fonte: Hypescience

As plantas nativas que desafiaram a urbanização e surgem entre o concreto e o asfalto de São Paulo.

As epífitas – plantas que vivem sobre outras, mas sem parasitá-las, como bromélias, orquídeas, samambaias e alguns cactos – são antes de tudo resistentes e teimosas. Embora tenham sido praticamente dizimadas com a expansão e a urbanização da cidade de São Paulo, elas voltaram, desafiando o concreto e o asfalto.

Hoje há uma média de duas epífitas em cada árvore nativa ou plantada. Foi o que descobriu a bióloga Andrea Vasconcellos Crespo, numa pesquisa que realizou para seu trabalho de iniciação científica apresentado na Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com ela, os estudos sobre a variedade de espécies e a distribuição de epífitas no Brasil são escassos. Em cidades, mais ainda.
“Levando em consideração a carência de pesquisa sobre epifitismo em áreas urbanas, sobretudo no Estado de São Paulo, meu trabalho teve como objetivo realizar um levantamento daquelas que ocorrem na arborização da capital”, explica. “O objetivo era determinar as de maior ocorrência, sua frequência, abundância e outras características da estrutura da comunidade.”
Para isso, ela selecionou três bairros da zona oeste da cidade, um mais arborizado (Butantã), um médio (Pinheiros) e outro menos (Itaim Bibi). Escolhidas as áreas, Andrea fez o levantamento das espécies de árvores, de rua em rua, concomitantemente ao das epífitas sobre elas apoiadas. O número variou de uma para outra, porque algumas ruas tinham um maior adensamento de plantas e, em outras, a distância entre elas era maior. “No total, analisei 300 árvores, 100 em cada um dos bairros”, conta.
A pesquisadora encontrou 28 espécies de árvores distribuídas nos três bairros. “Em números absolutos houve predominância de duas exóticas, a tipuana (Tipuana tipu), originária do norte da Argentina e Bolívia, com 69 indivíduos, e o alfeneiro (Ligustrum vulgare), nativo da Europa, com 38, que foram plantadas em dois projetos de arborização de São Paulo em diferentes épocas”, informa Andrea. “Essas duas espécies representaram 30% da riqueza de árvores coletadas.”
A nativa sibipiruna (Caesalpinia pluviosa) também esteve bem representada, com 61 espécimes.

Dispersadas pelo vento

Quanto às epífitas, foram encontradas 29 espécies, sendo 15 exóticas, pertencentes a 19 gêneros de 10 diferentes famílias. Apesar de mais da metade das encontradas serem de fora, elas estiveram presentes em apenas 35% das árvores. No total, Andrea registrou 751 indivíduos nas 300 estudadas, o que dá uma média de pouco mais de dois em cada uma.
A epífita encontrada em maior número foi o cipó-cabeludo (Microgramma squamulosa), que, apesar do nome popular, é uma pequena samambaia nativa. “Achei 169 delas, ou seja, ela estava presente de 56% das árvores”, conta a pesquisadora. “Em seguida vieram duas outras samambaias, a Pleopeltis pleopeltifolia (118 ou 39%) e a Pleopeltis hirsutissima (77 ou 25%).”
Segundo Andrea, a surpresa nos resultados do trabalho ficou por conta de haver uma maior diversidade de epífitas na cidade do que as próprias espécies de árvores.
“Esperávamos encontrar pouca riqueza e pouca diversidade dessas plantas por estarem em áreas que, mesmo quando consideradas mais arborizadas, possuem um baixo adensamento, estando enfileiradas nas calçadas a médias e grandes distâncias umas das outras”, diz. “Foi interessante ver também um número relativamente alto de orquídeas associada ao manejo humano.”
Diante desses dados, pode-se perguntar: se as epífitas foram praticamente erradicadas da cidade, junto com a mata nativa original, como agora elas estão em toda parte? Para responder essa questão, primeiro deve-se considerar que elas provavelmente não sumiram completamente da cidade, porque a vegetação local também não foi totalmente extinta.
“Possivelmente, elas conseguiram se manter e se expandir graças a alguns pontos de dispersão, como a cidade universitária (câmpus da USP), que tem uma área de reserva, o Parque Ibirapuera e outros parques ou praças que possuem uma arborização um pouco mais condensada do que a das calçadas”, explica Andrea. “Elas devem ter sido dispersas pelo vento ou por animais.”

Projeto de arborização

Além de mostrar a diversidade das epífitas em São Paulo, a pesquisa de Andrea também pode ter aplicação prática. “O trabalho foi feito em parte pensando na possibilidade de um novo projeto de arborização para a cidade e em estimular o desenvolvimento de espécies que originalmente a habitaram, buscando a recomposição, ainda que de maneira ínfima, de sua flora original”, explica.
“Esse era um dos objetivos, porque com a flora nativa, espera-se também que haja uma maior possibilidade de aumento da diversidade e riqueza de epífitas também nativas, ao invés de só priorizarmos plantas herbáceas, que também possuem sua importância na composição dos espaços verdes, mas não permitem um maior grau de complexidade desses microambientes dentro do perímetro urbano.”
Além disso, diz a pesquisadora, as epífitas possuem um papel ecológico importante, pois geram microclimas e microhabitats, abrigando parte da diversidade daquele ecossistema. “Elas também disponibilizam recursos como flores, frutos e néctar para insetos, pássaros e outros animais e, até armazenam e oferecem água, umidificando o ambiente do dossel, melhorando a qualidade do ar, o que traz benefícios para o ambiente urbano”, acrescenta.
Fonte: BBC

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Os indígenas premiados na ONU por produtos que geram renda e mantêm floresta em pé.

Um dos líderes da Terra Indígena Wawi, em Mato Grosso, Winti Kisêdjê relata à BBC News Brasil uma conversa recente entre um fazendeiro e um cacique de seu povo.

Grande produtor de soja da região de Querência (MT), o fazendeiro ofereceu à comunidade cursos para que indígenas pudessem trabalhar como operadores de máquinas agrícolas em sua propriedade. “O cacique respondeu que o fazendeiro não precisava mais nos procurar, porque a gente já tem o nosso trabalho”, conta o indígena.
Winti se referia à produção de óleo de pequi, fruto típico do Cerrado com múltiplas aplicações culinárias, cosméticas e medicinais. O projeto dos kisêdjê foi agraciado neste ano com o Prêmio Equatorial, com que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) reconheceu 22 soluções de desenvolvimento sustentável promovidas por comunidades locais e indígenas. Membros do grupo viajarão a Nova York neste mês para receber o prêmio, durante a Assembleia Geral da ONU.
A atividade – uma das duas iniciativas brasileiras premiadas entre 847 candidaturas de 127 países – se soma a uma crescente lista de empreendimentos reconhecidos internacionalmente com que indígenas brasileiros têm conciliado geração de renda e preservação ambiental.
No caso do óleo de pequi, a coisa vai além, pois os frutos são colhidos em terras que estavam degradadas após terem sido ocupadas por pecuaristas no passado. Depois de retomarem o território, nos anos 1990, os kisêdjê espalharam pequizeiros pelas pastagens – que, aos poucos, vão recuperando sua feição original de floresta de transição entre o Cerrado e a Amazônia.
A lista de casos de sucesso inclui a produção de mel e de óleo de babaçu por indígenas da bacia do Xingu e a instalação de miniusinas para beneficiar produtos de ribeirinhos na região da Terra do Meio, no Pará. Entre os clientes dos grupos estão marcas como Pão de Açúcar, Mercur e Wickbold, além de chefs como Alex Atala e Bela Gil.
As iniciativas se destacam num momento em que o governo Jair Bolsonaro defende abrir terras indígenas para a mineração e a agropecuária, argumentando que as atividades ajudariam melhorar as condições de vida dos grupos. O presidente costuma dizer que o “índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica” – afirmação duramente criticada por indígenas presentes no 4º encontro da Rede Xingu+, conferência de povos da floresta acompanhada pela BBC entre 21 e 23 de agosto (leia mais abaixo).

14 etnias unidas no Xingu

Grupos indígenas brasileiros mantêm graus variados de trocas econômicas com a sociedade envolvente. Há situações em que as trocas são mínimas – caso de alguns povos isolados na Amazônia – até grupos com relações comerciais antigas e consolidadas. Em vários pontos do Brasil, comunidades indígenas ajudam a abastecer mercados locais com frutas, peixes e legumes. Na região do Alto Rio Negro (AM), por exemplo, boa parte da farinha de mandioca à venda em cidades é fabricada por comunidades indígenas.
A novidade é o surgimento de iniciativas que buscam agregar mais valor aos produtos, focando, em muitos casos, públicos de grandes cidades do Brasil e do exterior – como o óleo de pequi dos kisêdjê.
A experiência do grupo com o item foi apresentada no encontro, ocorrido na Terra Indígena Menkragnoti, no Pará. A reunião agregou líderes de 14 etnias indígenas e de quatro reservas extrativistas da bacia do Xingu para debater o cenário político brasileiro e alternativas econômicas a atividades que destroem a floresta.
Ao anunciar os vencedores do Prêmio Equatorial, o Pnud disse que os kisêdjê transformaram “o status quo, recuperando suas terras tradicionais e desenvolvendo um modelo empresarial inovador que usa árvores de pequi nativo para restaurar paisagens, fomentar a segurança alimentar e desenvolver produtos para mercados locais e nacionais”.
A outra entidade brasileira premiada foi o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Segundo o Pnud, o grupo “garantiu os direitos de 55 mil indígenas sobre 1,7 milhão de hectares de terras ao promover a resiliência ecológica e social por meio da conservação de variedades de espécies tradicionais”.

Produção recorde

O pequi dos kisêdjê é colhido e processado em uma miniusina, instalada em 2011 na aldeia Ngôjhwêrê. O projeto foi desenvolvido com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.
Em 2018, a produção de óleo chegou a 315 litros – um recorde. Parte foi exportada para os EUA, e o resto foi comercializado em supermercados da rede Pão de Açúcar e no Mercado de Pinheiros, em São Paulo.
Ao apresentar o caso no encontro da Rede Xingu +, Winti Kisêdjê comparou a produção de óleo de pequi a práticas do agronegócio.
Em algumas terras indígenas brasileiras, comunidades têm arrendado áreas para o plantio de grãos em troca de um percentual da produção. A atividade é hoje proibida, embora o governo Jair Bolsonaro e congressistas da bancada ruralista tentem mudar a legislação para permiti-la.
Para Winti, porém, o agronegócio é incompatível com os modos de vida das comunidades. “Não podemos pensar só em economia, temos que pensar na sobrevivência de nossa cultura”, ele afirmou.
Winti lembrou que o plantio de grãos no Brasil envolve o uso intensivo de agrotóxicos, que podem contaminar rios e animais. Por isso, diz ele, indígenas que optem por aderir à atividade talvez tenham de abrir mão de práticas milenares como a caça e a pesca para não correr o risco de se contaminar.

Mel de índios do Xingu

Não foi a primeira vez que indígenas brasileiros receberam reconhecimento internacional por algumas de suas atividades econômicas.
Em 2017, grupos do Território Indígena do Xingu (MT) ganharam o Prêmio Equatorial do Pnud por seu trabalho na autocertificação de mel orgânico. O projeto envolve cem apicultores de 39 aldeias dos povos kawaiwete, yudja, kisêdjê e ikpeng.
Em 2018, a FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar) deu uma menção honrosa no prêmio “Saberes e Sabores” às mulheres do povo Xikrin da aldeia Pot-Krô, da Terra Indígena Trincheira Bacajá (PA), pela produção de óleo de babaçu.
O óleo, tradicionalmente usado como cosmético nas aldeias, é hoje processado em uma miniusina e comercializado também fora do território.
Outros itens produzidos por indígenas que têm atraído a atenção de grandes marcas no Brasil e no exterior são a pimenta produzida pelo povo baniwa, no Amazonas, e os cogumelos do povo yanomami da região de Awaris, em Roraima. Os chefs Alex Atala e Bela Gil já usaram os produtos em receitas.

Rede de cantinas

Na Terra do Meio, região formada por reservas extrativistas e terras indígenas no médio Xingu, no Pará, comunidades locais encontraram uma solução para a falta de capital de giro, problema que inviabilizava atividades econômicas mais vultosas.
Os grupos formaram coletivos batizados de cantinas para processar e vender produtos da floresta extraídos sem desmatamento.
Hoje há 27 cantinas na região, que contam com oito miniusinas e produzem itens como farinha de babaçu, óleo de copaíba e castanha-do-pará. A clientela da rede conta com multinacionais como Mercur, Firmenich e Wickbold, além de prefeituras da região.
Entre 2009 e 2018, as cantinas comercializaram produtos no valor de R$ 3,75 milhões, dos quais R$ 2,08 milhões em 2018. O capital de giro dos coletivos é de cerca de R$ 500 mil.
Integrante da rede e moradora da Reserva Extrativista do Rio Iriri, a ribeirinha Liliane Ferreira, de 26 anos, criticou Bolsonaro por ele afirmar que povos amazônicos seriam pobres.
“Ele (Bolsonaro) diz que somos pobres porque não conhece a nossa realidade. A gente luta, temos dificuldades e pedras no caminho que temos de empurrar, mas temos nossos produtos da floresta. Não precisamos derrubar árvores para ter nosso sustento”, afirmou Ferreira.

Encurtamento de distâncias

Para Pablo Molloy, engenheiro agrônomo formado pela USP que assessora associações indígenas em seus negócios, os principais desafios enfrentados pelas comunidades para que iniciativas econômicas sustentáveis deslanchem são distâncias de três ordens.
A primeira é a distância geográfica entre vários dos territórios desses grupos e os locais onde os bens são comercializados, o que dificulta sua chegada aos mercados e encarece os produtos.
A segunda é a distância técnica – os cuidados necessários para que os produtos mantenham sua qualidade até os pontos de venda, fatores que exigem capacitação profissional e o uso de boas práticas do mercado.
A terceira é a distância de comunicação – a importância de saber contar a história desses produtos por meio de seus rótulos, tornando-os atraentes para consumidores que podem estar a milhares de quilômetros de seu local de origem.
Ele diz que os produtos premiados conseguiram encurtar essas três distâncias. Nesse processo, segundo ele, foi fundamental o fortalecimento das associações indígenas que encabeçam as iniciativas. “Elas têm CNPJ e são capazes de conversar com compradores nas grandes cidades ou no exterior”, afirma.

Soja x produtos da floresta

Molloy afirma que dificilmente uma atividade econômica de baixo impacto ambiental conduzida por indígenas ou ribeirinhos poderá competir, em termos de lucro, com atividades mais destrutivas que têm seduzido várias comunidades, como o garimpo, a extração de madeira ou o cultivo de grãos em larga escala.
“Pode ser que o óleo de pequi saia perdendo em relação a uma mala de dinheiro dada por um garimpeiro ou a um contrato de arrendamento de terras”, afirma Molloy. “Por outro lado, quando se colocam os dois negócios em perspectiva temporal, passamos a conversar sobre autonomia e liberdade.”
Segundo Molloy, uma comunidade indígena que passe a produzir soja “será um elo frágil em uma cadeia muito maior, onde sua palavra, sua autonomia e sua liberdade estão encurtadas”.
Já iniciativas sustentáveis que valorizem produtos locais permitiriam ao grupo “ser ator da construção daquele produto, definir seu preços, associar-se a ele para transformá-lo em dinheiro”.
Além disso, ele diz que atividades destrutivas podem se mostrar menos vantajosas ainda que resultem em lucros maiores, caso se considerem todos os seus impactos para a comunidade. Por exemplo, um grupo indígena que deixe de pescar e se banhar num rio contaminado por garimpo terá de gastar mais com comida adquirida na cidade e com outras formas de lazer. “Eles terão de gastar muito mais dinheiro do que gastariam caso suas tradições tivessem sido levadas em consideração”, afirma.

Mercados locais

Apesar dos avanços de várias comunidades em seus empreendimentos sustentáveis, Molloy diz que ainda há espaço para melhorias nesses casos – especialmente na comunicação com moradores de regiões vizinhas.
Um relato presenciado pela BBC no encontro da Rede Xingu+ ilustra esse ponto. Representantes do Território Indígena do Xingu disseram ter dificuldade para vender seu mel em mercados de municípios vizinhos, onde moradores teriam receio quanto à qualidade de produtos fabricados por indígenas – embora o item esteja nas prateleiras de uma das principais redes de supermercados do país, o Pão de Açúcar.
“Seria interessante que os mercados locais também pudessem ter contato com os produtos da floresta, o que passa pela desconstrução de preconceitos”, afirma.
Fonte: BBC

Desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 91% entre janeiro e agosto.

O desmatamento na Amazônia brasileira praticamente dobrou entre janeiro e agosto, totalizando 6.404,4 km², frente aos 3.336,7 km² no mesmo período de 2018 (+91,9%), segundo dados oficiais provisórios divulgados em meio à polêmica internacional envolvendo a preservação da maior floresta tropical do planeta.
Apenas em agosto, 1.700,8 km² foram desmatados, menos do que em julho (quando quadruplicou), porém mais do triplo do que em agosto de 2018 (526,5 km²), de acordo com o sistema Deter de alertas de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O desmatamento no Brasil se mantinha nos níveis dos últimos anos, porém disparou nos últimos quatro meses: 738,2 km² em maio (+34,1%), 936,3 km² en junho (+91,7%) e 2.255,4 km² em julho (+278%), e, agora, 1.700,8 km² em agosto (+91,90%).
Especialistas avaliam que, este ano, o desmatamento poderia chegar, pela primeira vez desde 2008, a 10.000 km². Segundo os mesmos e ambientalistas, a escalada se explica pela pressão de madeireiros e criadores de gado estimulados pelo apoio do presidente Jair Bolsonaro à abertura de reservas indígenas e áreas protegidas para estas atividades e a mineração.
A polêmica aumentou com a multiplicação das queimadas, com 97.972 focos de incêndio em todo o Brasil de janeiro até ontem, uma alta de 53% em relação ao mesmo período de 2018, 51,4%% deles na região amazônica.
Segundo especialistas, deve haver mais focos na região amazônica em setembro, uma vez que “o pico do desmatamento é em julho e o do fogo, em setembro”, aponta a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar. “Que bom que tenha havido menos desmatamento em agosto, mas é preocupante, porque há três vezes mais do que no mesmo período do ano passado.”
O Deter se baseia em dados colhidos por um sistema de alertas sobre o período agosto-julho, que, em seguida, é apurado por outro sistema, chamado Prodes, com o qual são elaborados os relatórios anuais de desmatamento.
Fonte: AFP