quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Homem arrisca a vida para salvar botos-cor-de-rosa na Amazônia

No Brasil, estima-se que essa atividade mate 1,5 mil botos por ano. A pesca da piracatinga foi proibida no país por isso.
Porém, a matança dos botos aumentou em vizinhos como Peru, Bolívia e Colômbia.
A espécie enfrenta ameaças à sua fonte de alimentos e ao habitat em que vive, o que tem mobilizado há décadas Trujillo, considerado uma das principais autoridades do mundo em botos-cor-de-rosa.
Além da pesca excessiva, o animal sofre com o crescimento da população humana na Amazônia – impulsionado por fatores como exploração de petróleo, mineração, grandes cultivos de soja, fazendas de gado e hidrelétricas, que levam à expansão de bairros nos arredores de estradas.
A pesca como vilã
“Por toda a minha vida eu trabalhei com botos. Mas só então me dei conta: agora questão não são eles, mas sim a pesca”, disse Trujillo em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Ele começou a investigar o consumo da piracatinga suspeitando que, pelo fato de se tratar de um peixe carnívoro, sua carne poderia ter altos índices de mercúrio, efeito da exploração ilegal de ouro na região.
Após estudos oficiais, o governo colombiano acabou condenando em 2015 o consume do peixe e, em setembro de 2017, proibiu permanentemente sua captura e comercialização.
O impacto da proibição na população de botos ainda não é estimado, mas a medida fez com que o biólogo se tornasse alvo de ameaças e precisasse usar coletes à prova de balas e proteção especial para voltar à região onde trabalhou por décadas.
Trujillo atua há 30 anos em áreas perigosas da Amazônia para preservar os botos-cor-de-rosa.
“Durante anos circulei por áreas com guerrilhas e forças militares, mas o fato de estar fazendo algo positivo para a conservação sempre me ajudou bastante, e me protegeu”, diz ele.
Em 2017, o biólogo venceu o prêmio da Whitley Fund for Nature (WFN), uma espécie de Oscar do meio ambiente que reconhece pessoas que lutam pela preservação nos países em desenvolvimento.
Fonte: BBC

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

LIXO PLÁSTICOS

Alemanha e o desafio de reduzir o lixo plástico

De acordo com o Departamento de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), a Alemanha é o maior consumidor de plástico da Europa. E a tendência é que o consumo continue aumentando devido a mudanças de estilo de vida – como compras pela internet, comida e bebida para viagem, e pessoas que vivem sozinhas.
eçam a perceber o impacto no meio ambiente do uso de plásticos. Tom Ohlendorf, especialista em embalagens da organização WWF, no país, aponta uma mudança na mentalidade de alguns compradores e varejistas que preferem as opções livres de plástico.
“A consciência dos varejistas e consumidores aumentou”, diz Ohlendorf. “Basta olhar para iniciativas como supermercados sem embalagens que surgiram em várias cidades alemãs.”

Deixar o plástico de lado
Uma pequena loja no bairro de Kreuzberg, em Berlim, é um dos negócios pioneiros do movimento livre de plásticos. Chamado Original Unverpackt (Original sem embalagem, em tradução livre), o supermercado, com suas paredes de azulejos brancos e prateleiras de madeira, abriu as portas há três anos.
Nele, os clientes enchem recipientes com grãos, legumes e até mesmo xampu. Além de produtos frescos, o,local vende escovas de dente de bambu, preservativos fair-trade e sacolas de pano com a frase “Não existe planeta B”.
Estabelecimentos do tipo ainda são um fenômeno de nicho, sendo que muitos ainda escolhem os produtos que compram pelo preço. Mas a mudança também está surgindo nos consumidores convencionais. Agora, redes gigantes de supermercados estão falando sobre diminuir as suas pegadas de plástico também.
Os clientes dos supermercados da rede Edeka e das lojas de produtos orgânicos Denn’s Biomarkt podem, por exemplo, usar seus próprios recipientes para comprar de queijos a produtos vendidos no balcão de carnes, seguindo os passos de uma série de cafeterias em Berlim e outras regiões que incentivam os clientes a adquirirem copos reutilizáveis.
O segundo maior varejista de alimentos da Alemanha, a rede de supermercados Rewe, decidiu adotar novos recipientes de ervas secas e madeira para as maçãs orgânicas. A rede também está avaliando os resultados de um projeto-piloto que tentou desencorajar os clientes em algumas de suas lojas de usar sacos de plástico translúcidos para comprar frutas e vegetais. A empresa afirmou à DW que ainda não está claro se implementará o esquema em todas as suas lojas.
Aterros sanitários repletos de plástico
Tobias Quast, especialista em resíduos e recursos na organização ambiental Friends of the Earth International, em Berlim, diz haver apenas ”tentativas iniciais” de cortar o consumo de plástico, e não uma verdadeira mudança.
“Esses projetos-piloto mostram que é completamente possível expandir a ideia ecologicamente responsável do uso de recipientes reutilizáveis”, disse à DW. “Mas os planos em andamento na política e no varejo alemães não são, de longe, suficientemente ambiciosos.”
Hábitos de compras mais ecológicos e políticas como um imposto sobre as empresas que produzem resíduos plásticos e a cobrança por sacolas plásticas em lojas não parecem ter diminuído a quantidade de plástico que flui para os aterros sanitários alemães.
Os dados mais recentes da Eurostat mostram que o uso de embalagens em geral e de plástico em particular aumentaram na Alemanha nos últimos anos. O total de resíduos de embalagens foi de 18,1 milhões de toneladas em 2015, tendo aumentado por três anos consecutivos.
Grupos ambientalistas criticam a nova legislação alemã sobre embalagens – que entrará em vigor em janeiro de 2018 – por não trazer avanços suficientes. A lei visa fortalecer a reciclagem, e reduzir a prevalência de garrafas de utilização única e embalagens em geral.
Impulso da Europa
Em breve, a Alemanha pode receber um novo impulso da União Europeia para reduzir o consumo de plástico. Citando a quantidade de plástico nos oceanos e nos peixes que ingerimos, Bruxelas afirmou que planeja tornar todas as embalagens plásticas do bloco recicláveis até 2030. Os países europeus produzem anualmente 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos – e menos de um terço é reciclado.
Observadores apontam que a nova abordagem do bloco seguiu a proibição da China de importar resíduos plásticos, o que pode forçar a União Europeia a incinerar ou aterrar seu plástico.
Diversas startups em toda a Europa estão testando diferentes abordagens para embalar produtos. A Miwa – com sede em Praga, na República Tcheca –, por exemplo, desenvolveu recipientes reutilizáveis para transportar produtos alimentícios de produtores para consumidores, gerando o mínimo de resíduos. A companhia testou o processo numa rede de fornecedores e planeja abrir suas primeiras lojas no outono europeu de 2018.
A empresa, que ganhou recentemente um prêmio de inovação, foi fundada por Petr Baca, que trabalhou por muitos anos com design de embalagens e desenvolveu uma consciência sobre o problema de resíduos.
Só é preciso “perceber o impacto negativo das embalagens de utilização única”, afirmou Baca à DW. Para ele, a tecnologia é parte da resposta para “ajudar as pessoas a superar a mentalidade atual sobre embalagens descartáveis, que é em grande parte responsável pela poluição em massa de todo o planeta”.
Fonte: Deutsche Welle

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

IBAMA

Ibama apreende balsa com 300 m³ de madeira ilegal no Rio Amazonas (AM)

A madeira era transportada em uma balsa, que foi abordada pelos agentes ambientais no entorno do município de Manaus (AM). Parte da mercadoria não estava acompanhada pelo Documento de Origem Florestal (DOF).
A embarcação também transportava 22 metros cúbicos de carvão sem documentação e dois tracajás que seriam consumidos pela tripulação. Os donos da balsa foram presos por receptação de madeira ilegal. Também foram aplicadas multas de R$ 5 mil por animal, em razão de a espécie estar ameaçada de extinção.
O monitoramento do Rio Amazonas é parte da Operação Arquimedes, que investiga irregularidades em 444 contêineres carregados de madeira nos portos de Manaus. “Após o início da operação, a fiscalização no Rio Amazonas foi reforçada. Há informações de que infratores estão evitando os portos da região”, diz o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em Manaus, Hugo Loss.
De acordo com a investigação, a balsa abordada seguia para um terminal privado onde a madeira ficaria depositada até o fim da operação. No local, agentes do Ibama encontraram mais madeira estocada.
Os envolvidos são acusados de crimes previstos na Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), além do crime de receptação. Os responsáveis pela compra e venda da madeira serão identificados e punidos.
Fonte: Ibama

domingo, 4 de fevereiro de 2018

PACIFICO

Até quando? A ilha inabitada do Pacífico que tem quantidade RECORDE de lixo plástico (vindo do mundo todo).

Oceano Pacífico é conhecido por concentrar grande quantidade de lixo produzido diariamente mundo afora. Isso porque, devido às correntes marítimas, os resíduos viajam por quilômetros e quilômetros após serem jogados (indevidamente, vale sempre lembrar!) nas praias. 
É por lá, no próprio Oceano Pacífico, que está localizada a ilha Henderson. Apesar de inabitada e visitada apenas em períodos de 5 a 10 anos para pesquisas, ela recebe 3.570 novos pedaços de plástico todos os dias (!). Segundo a Universidade da Tasmânia, responsável por pesquisa sobre o tema, a costa da ilha possui aproximadamente 671 pedaços de lixo a cada metro quadrado. Trata-se da maior densidade de plástico encontrado na face da Terra.
Considerada território britânico, a ilha faz parte do arquipélago Pitcairn Islands. Para ter noção do absurdo, a concentração humana mais próxima do local fica a cinco mil quilômetros de distância. Segundo os pesquisadores Jennifer Lavers e Alexander Bond, responsáveis pelo estudo, existem 37,7 milhões de pedaços de plástico no lugar, provenientes do mundo todo – inclusive América do Sul!
A pesquisa que revelou esses dados foi publicada online em editorial acadêmico da área. No texto, Jennifer ressalta: “O que acontece com a ilha Henderson mostra que nem mesmo os locais mais remotos do mundo estão escapando da poluição plástica”. Até quando?

sábado, 3 de fevereiro de 2018

MEIO AMBIENTE

Associação Natureza Portugal promete inovação em defesa do ambiente

A ambientalista acrescenta: “É uma ONG focada no ambiente” que vai dar prioridade a temas importantes para o WWF como a área florestal, a pesca ou os oceanos, “mas também os recursos hídricos e as alterações climáticas”, podendo estar “mais próximo dos portugueses”.
Pela relação com a WWF, a ANP, segundo Ângela Morgado, vai distinguir-se de outras associações em termos de estrutura de liderança e de “inovação de metodologias” e do conhecimento.
Para já, explicou, a ANP vai dar prioridade a cinco áreas, que vão dos ecossistemas do montado a um projeto sobre os grandes carnívoros da Europa, no caso português o lobo ibérico, passando por outro projeto de cogestão em pescas (apanha do percebe nas Berlengas). Na agenda ainda o consumo sustentável de pescado e a bacia hidrográfica do rio Douro.
A ANP diz ambicionar “ser um ator de conservação credível, influenciando as políticas e a proteção dos valores naturais e da biodiversidade nacional”, e acrescenta querer “ser líder na implementação de metodologias inovadoras de proteção dos recursos naturais e estar mais próxima da sociedade portuguesa, catalisando uma ampla gama de parcerias e alianças”.
A WWF tem como missão há mais de 50 anos proteger o futuro da natureza e o planeta, sendo a maior organização independente de conservação da natureza a nível mundial. Tem sede na Suíça, escritórios em 100 países e cinco milhões de associados de todos os continentes. Começou a trabalhar em Portugal na década de 90.
Fonte: TSF

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ABROLHOS

Oficina discute as águas dos Abrolhos

Pelo menos 60 mil famílias de pescadores retiram seu sustento das águas doce e salgada que banham a Região dos Abrolhos, uma área de 56 mil quilômetros quadrados localizada entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. As soluções para os problemas e desafios enfrentados por essas comunidades em relação à escassez de água, de alimentos e à poluição estão em discussão nestas quinta e sexta-feiras, no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, durante o seminário Diálogos sobre as Águas dos Abrolhos, promovido pelo Projeto TerraMar.
Nos dois dias de evento, representantes do governo federal e dos estados da Bahia e do Espírito Santo, da academia, de instituições e de parceiros locais buscam, juntos, soluções para problemas que afetam essa parte da região costeira. Entre as preocupações estão os eventos extremos de estiagem severa ou de chuvas intensas, e as consequências da poluição descarregada nas águas dos rios das bacias que cercam a região e desaguam seus dejetos no mar, a exemplo da lama e dos metais pesados carreados para o oceano depois do desastre ambiental de Mariana (MG), ocorrido há pouco mais de dois anos.
CONTAMINAÇÃO
A Reserva Biológica (Rebio) de Comboios, no norte do Espírito Santo, pertence ao Banco de Abrolhos e foi afetada pela contaminação que desceu pelo rio Doce. “A lama continua impactando essa área, porque toda vez que chove forte ou venta muito a sujeira volta à superfície”, reclama o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Antônio de Pádua Almeida, chefe da Rebio de Comboios.
Mas os problemas das águas são históricos e vêm de longa data, explica Antônio de Pádua. Segundo ele, “as regiões alagadas e úmidas estão secando por causa da pastagem e da ocupação humana desordenada e, por causa disso, deixam de abastecer os lençóis freáticos. E a poluição vem a reboque, afetando os rios perenes. Ainda bem que, nesse processo de recuperação das águas, o TerraMar vem cumprido um papel muito importante”, afirma.
A crise hídrica que atinge a Bahia e o Espírito Santo, há algum tempo, está entre os pontos críticos do debate produzido nos Diálogos sobre as Águas dos Abrolhos. E a analista ambiental Larissa Godoy, coordenadora do Projeto TerraMar (MMA), aponta como uma das causas do flagelo o desastre que atingiu boa parte do leito do rio Doce. “Esse fato aconteceu em cima de uma crise hídrica que vem se agravando por causa da ocupação humana e dos projetos de drenagem das áreas alagadas na região da planície costeira do rio Doce”, descreve Larissa.
MOBILIZAÇÃO
Por isso mesmo, o TerraMar apoiou a realização de um seminário, em outubro de 2017, para discutir a falta de água na planície costeira do rio Doce. “Apoiamos a mobilização liderada por atores e instituições locais para discutir problematica da planície costeira. Essa mobilização pode ser o início de um processo de construção de pactos de gestão visando corrigir esses processos, que continuam acontecendo por conta do uso e ocupação sem critério que ainda se faz do solo”, diz a coordenadora do TerraMar.
Seguindo esse mesmo curso, a Agência Nacional de Águas (ANA) realizou estudos sobre a situação das águas no Brasil e no sul da Bahia, motivada pela grave seca registrada na região em 2016. O especialista da ANA em Geoprocessamento, Marcus Fuckner, confirma que a dura realidade está intimamente ligada ao uso intensivo do recurso na irrigação, no abastecimento humano e na indústria de papel e celulose. “As bacias dos rios Doce, Pardo e São Mateus foram duramente afetadas pelo assoreamento, uso irregular das águas e pelas atividades produtivas, sem mencionar as consequências do desastre de Mariana”, esclarece ele.
Os dados descritos pelo especialista em Geoprocessamento estão no relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos, produzido pela ANA em 2017 e que analisa a circunstância atual da crise da água, inclusive abrangendo a região do Banco de Abrolhos. Com base nos elementos da pesquisa, Marcus Fuckner quer saber: “Como será o futuro, com base na redução na precipitação de chuvas, no aumento dos usos da água e na falta de investimentos na construção de reservatórios”.
FUTURO
Parte da resposta ao questionamento de Fuckner pode estar no esclarecimento da coordenadora-substituta de Gerenciamento Costeiro do MMA, Angelita de Souza Coelho, que aponta a iniciativa do TerraMar como “um projeto-piloto de gestão ambiental e costeiro do que pode ser feito no futuro, um modelo do que o MMA quer para a zona costeira”.
Esse debate é apontado como um exercício de aproximação, gerado pelos Diálogos, como sugere o diretor de Recursos Hídricos do MMA, Sérgio Gonçalves: “Precisamos unir esforços para encontrar a melhor solução e construir um caminho usando os instrumentos do MMA, como leis, portarias, resoluções, instruções normativas, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos e a Câmara Técnica de Gerenciamento Costeiro”. Gonçalves reforça: “Vivemos um momento fundamental, com eventos extremos de seca e chuva que afetam os rios e o mar, colocando em risco as populações e as unidades de conservação”.
GESTÃO
Professor de gerenciamento costeiro na Universidade Federal do Espírito Santo, Gilberto Fonseca Barroso garante que o maior problema da água está na má gestão dos recursos hídricos e terrestres disponíveis: “Boa parte das situações adversas que geram efeito negativo no ambiente marinho decorre das ingerências humanas no continente, além das variações climáticas, como secas e inundações”. Barroso concorda que parte da solução está na revitalização das bacias hidrográficas, no ordenamento dos usos da água e da terra, no monitoramento socioambiental, no “empoderamento” e na articulação das instituições e da sociedade civil, bem como na gestão integrada dos recursos.
Do ponto de vista do gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Ponta da Baleia/Abrolhos, o baiano Benevaldo Nunes, servidor do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Abrolhos é, hoje, um polo de integração entre o setor produtivo, a comunidade tradicional e o meio ambiente.
E destaca o motivo: “O Banco de Abrolhos possui a maior representação de banco de corais do Atlântico Sul, razão pela qual podemos afirmar que a questão das águas passa, obrigatoriamente, pela gerência pública, levando-se em conta as necessidades sociais e a base econômica”. Nunes lembra: “Hoje, estamos aqui, no mesmo espaço, pensando num problema que é de todos e se não for assim vamos todos perder”.
DANOS
Vale destacar, segundo denuncia o coordenador da Comissão Nacional dos Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), Carlos Alberto Pinto dos Santos, que os pescadores das comunidades tradicionais da região dos Abrolhos estão com dificuldades para pescar e ter acesso à água limpa. Santos explica: “Eles estão sendo impedidos pelos grandes empreendimentos, que cercam as áreas e não deixam a comunidade usufruir dos recursos”.
E enumera os danos: perda das matas ciliares, assoreamento e construção de barragens que impedem a navegação nos rios, “como ocorre hoje com o Jequitinhonha”. Carlos Alberto destaca o rio Doce como fonte de preocupação da Confrem, pois, ali, os pescadores foram proibidos de pescar: “Eles estão sem futuro, com água e peixes contaminados”.
Vizinho do Doce, na parte norte do Espírito Santo, outro rio pede socorro, alerta a bióloga Márcia Lederman, da Sociedade Amigos por Itaúnas (Sapi). Ela contou aos participantes dos Diálogos que a entidade já propôs à comunidade a realização de um pacto para salvar o rio Itaúnas. “Já existem áreas, antes banhadas pelo rio, em acentuado processo de desertificação”, lamenta a bióloga.
As discussões prosseguem nesta sexta-feira (26), no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília.
SERVIÇO:
Diálogos sobre as Águas dos Abrolhos
25 e 26 de janeiro
Horário: 9h às 17h30
Acesse a programação
Local: Auditório do Ministério do Meio Ambiente (SEPN 505, Bloco B, Ed. Marie Prendi Cruz), Brasília-DF.
Fonte: MMA

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

SEM ÁGUA

Cidade do Cabo prestes a ficar sem água

Os níveis das represas que abastecem a cidade, de 4 milhões de habitantes, voltaram a cair, de 26,6% na semana passada para 25,3% nos últimos dias, segundo dados apresentados nesta quarta-feira (24/01) pelas autoridades responsáveis pelo abastecimento de água. Há um ano, esses níveis eram de quase 40%
Os reservatórios ao redor da Cidade do Cabo estão abaixo dos níveis ideais há mais de três anos. A crise aumenta os temores por parte dos cidadãos de serem forçados a enfrentar filas para obter rações diárias de água, o que, segundo estimativas deverá ocorrer a partir do dia 12 de abril, chamado de “dia zero”. As autoridades locais afirmam que o abastecimento de água encanada será cortado quando os níveis dos reservatórios baixarem para 13,5%.
Se confirmada a tendência, os moradores terão de coletar rações diárias de 25 litros de água em 200 pontos de distribuição. Um banho de chuveiro utiliza em média 15 litros de água por minuto, e um vaso sanitário consome 15 litros a cada descarga, segundo a campanha sul-africana para conscientizar sobre o uso da água WaterWise.
Os habitantes da Cidade do Cabo receberam a ordem de utilizar diariamente no máximo 87 litros de água. A partir de 1º de fevereiro, essa quantidade será reduzida para 50 litros por dia.
A cidade conseguiu reduzir praticamente à metade o consumo de água, de 1,1 bilhão de litros em 2016 para 586 milhões nos dias atuais. Entretanto, a redução drástica no consumo se reflete no valor arrecadado com as contas de água, acarretando prejuízos aos cofres públicos.
A crise representa uma séria ameaça à industria de turismo na cidade, que recebe anualmente em torno de 2 milhões de visitantes. Apenas o distrito central de negócios deve ser poupado do corte no abastecimento.
Em razão da seca, a África do Sul, o sétimo maior produtor mundial de vinhos, deverá ter neste ano a menor colheita de uvas em mais de uma década.
Fonte: Deutsche Welle