segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Índios propõem criação de gigantesco “corredor da vida” na Amazônia.

DESMATAMENTO ACOMPANHA O CURSO DAS ESTRADAS NA AMAZÔNIA. (FOTO: NASA)
Um corredor de 200 milhões de hectares, conectando os Oceanos Atlântico e Pacífico com florestas, vida selvagem e os povos que vivem e dependem da floresta amazônica para viver. A ideia não é nova, e já vinha sendo articulada pela Colômbia, que, segundo noticiou o the Guardian, planejava apresentar com apoio do Equador na conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que acontece no início de dezembro em Katowice, na Polônia.
O Triplo A (Andes, Amazonas e Atlântico) chegou a fazer os olhos de muitos ambientalistas brilharem, mas perdeu força desde uma eleição em junho na qual o populista direitista Iván Duque assumiu o poder. A ideia também encontra ferrenha resistência de Jair Bolsonaro.
Em entrevista coletiva, o presidente eleito condicionou a permanência do Brasil no Acordo Climático de Paris à garantia de que o Triplo A não fizesse parte dele, embora nunca tenha feito. “136 milhões de hectares de terra e os rios Solimões e Amazonas não estariam em nossa jurisdição porque seriam considerados essenciais para a sobrevivência da humanidade”, afirmou. “Então, eu te pergunto, com esse acordo de Paris, nós correríamos o risco de desistir da Amazônia?”
A proposta da Colômbia, no entanto, não colocava em risco a soberania brasileira sobre a região. Apenas pregava a defesa da biodiversidade e o fim do desmatamento, por exemplo, o que seria visto como a grande contribuição da América do Sul para conter o avanço do aquecimento global e limitar os impactos das mudanças climáticas.
As chances de algo assim acontecer  são pequenas, principalmente pelo posicionamento dos governos conservadores, mas ganhou coro na última Conferência da ONU sobre biodiversidade, que aconteceu em meados de novembro no Egito, reportou o jornal The Guardian. Uma aliança indígena, que representa 500 culturas de nove países amazônicos, entrou na briga para a criação de um corredor  sagrado de vida e cultura”, que seria do tamanho do México.
“Nós viemos da floresta e nos preocupamos com o que está acontecendo”, disse Tuntiak Katan, vice-presidente do Coica (Coordenador da Organização Indígena da Bacia do Rio Amazonas). “Este espaço é o último grande santuário do mundo para a biodiversidade. Ele está lá, porque estamos lá. Diferente de outros lugares que foram destruídos.”
Ao contrário da versão colombiana, essa proposta colocaria limites à soberania do governo brasileiro sobre sua parcela da floresta amazônica, mas não em favor de interesses internacionais. Os favorecidos seriam os descendentes das populações que originariamente ocupam a região.
A organização não reconhece as fronteiras nacionais, que foram estabelecidas pelos governos coloniais e seus descendentes sem o consentimento dos povos indígenas que viveram na Amazônia por milênios. Katan disse que o grupo estava disposto a conversar com qualquer pessoa que estivesse pronta para proteger não apenas a biodiversidade, mas os direitos territoriais das comunidades florestais.
Os líderes do Coica disseram que iriam avançar com o plano, independentemente da situação política em mudança. Eles estão buscando representação no nível do governo na Convenção da ONU sobre Biodiversidade e querem se aliar com grupos indígenas e ONGs de outros países. Mas seu poder político é fraco e muitos temem que possam ser atacados de forma mais violenta pelo agronegócio e grupos mineradores diante da vista grossa dos governos.
Katan disse que o diálogo era o melhor caminho a seguir, mas algumas comunidades já estavam se preparando para defender suas terras com suas vidas. “Nós sabemos que os governos vão tentar passar por cima de nossas cabeças. Precisamos de uma estratégia defensiva, uma estratégia de comunicação. Isso não é novidade para nós. Nós enfrentamos desafios há centenas de anos ”.
Fonte: Revista Galileu

domingo, 25 de novembro de 2018

Descoberto no Brasil dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Ilustração mostra como seria o “Macrocollum itaquii”
Pesquisadores brasileiros apresentaram uma nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil em estudo publicado na revista científica britânica Biology Letters nesta quarta-feira (21/11). O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, seria o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul. Trata-se também da primeira descoberta de esqueletos completos de dinossauros no Brasil, segundo nota divulgada pela UFSM.
Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço bastante longo – uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes pescoçudos, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.
As rochas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.
Cientificamente, a descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros, pois há diversos esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, mas aqueles com aproximadamente 225 milhões de anos são bastante raros. Trata-se de um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, pois antecede ao período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.
Arqueólogos descobriram e iniciaram a escavação dos esqueletos do dinossauro “Macrocollum itaquii” em 2013
A dentição do Macrocollum itaquii indica que ele se alimentava de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas que as alcançadas por outros animais e que isso tenha sido o que garantiu o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.
Com base em fósseis de outros animais desse grupo no Rio Grande do Sul, mas de diferentes idades, os pesquisadores concluíram que durante um intervalo de 8 milhões de anos, a dieta herbívora foi aprimorada, os sauropodomorfos cresceram significativamente e o pescoço se tornou proporcionalmente duas vezes mais longo.
O nome “Macrocollum” significa pescoço longo, e “itaquii” é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.
Fóssil do “Macrocollum itaquii”, descoberto no Rio Grande do Sul 
Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e passaram por um cuidadoso processo de extração da rocha em que seus restos foram preservados. Os fósseis serão mantidos no Cappa, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados.

Fonte: Deutsche Welle

Cientistas descobrem nova população de ursos polares.

NOVA POPULAÇÃO DE URSOS POLARES É DESCOBERTA NO MAR DE CHUKCHI (FOTO: PIXABAY)
Não é de hoje que as mudanças climáticas preocupam os cientistas. Mas, em meio à tanta tragédia, ainda há uma esperança: biólogos do Centro de Ciências Polares da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram uma nova população de ursos polares (Ursos Maritimus) ainda não estudada, no Mar de Chukchi, entre o Alasca e a Rússia. Os resultados foram publicados na revista científicaScientific Reports.
O mar de Chukchi é, de acordo com estudos anteriores, abundante em vida selvagem, incluindo focas, que são boas refeições para os ursos. “A maior parte do mar de Chukchi é rasa, com águas ricas em nutrientes vindas do Pacífico”, disse disse o biólogo e um dos responsáveis pelo estudo, Eric Rogehr. “Isso se traduz em alta produtividade biológica.”
A descoberta é resultado de uma década de pesquisas. “Ele nos dá uma primeira estimativa da abundância e da situação da subpopulação do Mar Chukchi”, afirma Rogehr. Mas, apesar de ser uma excelente notícia, os pesquisadores ressaltam que os animais não estão isentos das ameaças. “A perda de gelo marinho, resultante das mudanças climáticas, continuam sendo a principal ameaça à espécie.”
Entre 2008 e 2016, os ursos de Chukchi mantiveram uma população bastante saudável. No entanto, se compararmos o período com 25 anos atrás, eles estão passando cerca de um mês a menos em gelo do mar. O habitat é onde os ursos polares costumam caçar, se reproduzir e até mesmo migrar.
Existem 19 subpopulações de ursos polares no mundo inteiro. Eles estão oficalmente listados como vulneráveis na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Estima-se que 26 mil ursos polares estejam nessas condições, sendo que algumas subpopulações estão diminuindo mais rápido do que outras. Uma dessas subpopulações afetadas pelas mudanças climáticas são os Beaufort, que perambulam entre os Estados Unidos e o Canadá, e estão ficando sem gelo em seu habitat natural.
O fato de os ursos passarem menos tempo no gelo é motivo de preocupação. Pesquisas recentes da NASA descobriram que mais da metade do gelo permanente do Ártico foi perdido desde 1958.
Os pesquisadores conseguem identificar 60 ursos polares anualmente, alguns inclusive com dispositivos de GPS. De acordo com o estudo, a subpopulação contava com pouco menos de 3 mil animais que tinham boas taxas de sobrevivência reprodutiva.
Fonte: Revista Galileu

sábado, 24 de novembro de 2018

Ibama aplica multa de R$ 450 mil por desmatamento em terra indígena no centro-oeste de MS.

O Ibama identificou desmatamento de 90 hectares de Cerradão na Terra Indígena (TI) Taunay-Ipégue, em Aquidauana (MS), durante operação realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). Agentes ambientais embargaram a área de especial preservação, que integra o bioma Pantanal, e aplicaram multa de R$ 450 mil (R$ 5 mil por hectare) ao proprietário rural responsável pelo desmate.
Em 5 de outubro de 2017, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do Mato Grossso do Sul havia emitido a Autorização Ambiental para Supressão Vegetal n˚ 760/2017, que permitia o desmatamento de 573,21 hectares. Deveriam ser áreas privadas, mas 90 hectares estão dentro da TI.
Com cerca de 33,9 mil hectares no município de Aquidauana (MS), a Terra Indígena Taunay-Ipégue foi declarada posse permanente da etnia Terena pela Portaria n.º 497/2016 do Ministério da Justiça.
A Portaria Interministerial nº 60 de 24/03/2015 define como Terra Indígena as áreas ocupadas por povos indígenas, cujo relatório circunstanciado de identificação e delimitação tenha sido aprovado por ato da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicado no Diário Oficial da União.
Fonte: Ibama

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Ibama impede captura diária de até 64 mil aves em rota migratória no sertão da PB.

Foto: Ibama
Operação de combate à caça e ao tráfico de arribaçãs (Zenaida auriculata) iniciada pelo Ibama no fim de setembro impediu a captura diária de pelo menos 64 mil aves em rota migratória no sertão da Paraíba. Agentes ambientais apreenderam e incineraram 16.130 armadilhas, cada uma com capacidade para aprisionar 4 pássaros por dia.
As multas aplicadas durante a Operação Migratorius II totalizam R$ 96,5 mil. Trinta e duas aves silvestres recolhidas com vida pela equipe de fiscalização foram devolvidas à natureza.
As operações de fiscalização na região foram intensificadas para evitar a matança de espécies e assegurar o ciclo reprodutivo.
A arribaçã é uma ave migratória de dorso pardo, com duas faixas negras nas laterais da cabeça e manchas nas asas. Nesta época do ano, a espécie faz ninhos diretamente no solo da caatinga, em áreas chamadas de pombais, que chegam a ter 12 km² de extensão, com 3 a 4 ninhos por km². Este hábito torna a arribaçã uma presa fácil para caçadores.
Fonte: Ibama

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Agronegócio segue como maior emissor de gases de efeito estufa no Brasil.

(FOTO: CREATIVE COMMONS / AMISSPHOTOS)
atualização dos dados sobre a participação brasileira no aquecimento global, divulgado na manhã desta quarta-feira (21 de novembro) pelo Observatório do Clima, traz boas e más notícias. Como dado positivo, reduzimos nossas emissões de gases de efeito estufa, que caíram 2,3% em 2017 em comparação ao ano anterior.
Foram 2,071 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), uma conta que converte todos os gases e seu potencial de aquecimento no equivalente em CO2, que foram parar na atmosfera, contra 2,119 bilhões de toneladas emitidos em 2016, revelaram os dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Essa redução de 49 bilhões foi puxada principalmente pela redução da taxa de destruição da Amazônia, que caiu em 12%. Isso fez as emissões por mudança de uso da terra, setor que responde por quase metade do total nacional de gases-estufa, recuarem 5,5% em 2017.
A situação geral, porém, não mudou muito. O desmatamento continua sendo o principal responsável por nossas emissões de gases poluentes. Embora tenha caído na Amazônia, aumentou quase 11% no no Cerrado no mesmo período. Mudanças no uso da terra contribuíram com 46% das emissões nacionais. Isso faz com que um habitante dos estados de Mato Grosso e Rondônia tenham emissões até nove vezes mais que a média global.
Ao realizar a avaliação por atividade econômica, é a agropecuária a grande responsável pela liberação de gases poluentes. Se o Brasil é hoje o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, o agronegócio brasileiro sozinho seria o oitavo maior emissor do mundo: em números, essa atividade econômica representa 71% de todas as emissões, contra 72% do ano passado.
Em 2017, as emissões diretas do setor caíram principalmente por conta do acentuado abate de animais devido aos baixos preços. A lenta saída da recessão aumentou o consumo de carne e o número de bois mais jovens nos pastos, o que reduz as emissões de metano.
O rebanho bovino brasileiro diminuiu 1,5% em 2017 na comparação com o ano anterior, enquanto houve aumento de 4% nos abates e 7% nas exportações de carne. No ano de 2016, o inverso ocorreu: a crise reduziu o consumo e aumentou o número de animais mais velhos, que emitem mais gases poluentes com flatulência e excrementos.
(Foto: Flickr/ stanze)
Quase todos os outros setores da economia tiveram aumento nas emissões em 2017, ano em que o Brasil começou a sair da pior recessão de sua história. A elevação mais expressiva (4%) foi no setor de processos industriais, que saiu de 95,6 milhões de toneladas de COe para 99 milhões de toneladas CO2e. Já o setor de energia representou a emissão de 431 milhões de toneladas CO2e.
Pela primeira vez no Brasil, o SEEG fez uma estimativa de emissões alocadas por município. O cálculo foi realizado para todos os 646 municípios do estado de São Paulo, cobrindo o período de 2007 a 2015, e revelou que o município de Alumínio, por exemplo, emite por pessoa 71 toneladas de CO2 por ano, sete vezes mais do que a média do Brasil e dez vezes mais do que a média mundial. O aluminense médio causa mais aquecimento global do que um cidadão do Catar, o país com maior emissão per capita do mundo.
No outro extremo estão os moradores de Francisco Morato e Rio Grande da Serra, que emitem menos do que os habitantes dos países mais pobres do mundo: 700 quilos por ano. O município de São Paulo é disparado o maior emissor, com 20 milhões de toneladas CO2e em 2015, número maior do que de diferentes estados, como Piauí e Paraíba. Já as emissões per capita são relativamente baixa (2 toneladas CO2e por habitante) por conta da grande  concentração populacional na cidade.
Fonte: Revista Galileu

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Pesquisadores encontram 80 sacolas plásticas em estômago de baleia morta na Tailândia.

Direito de imagemAFP/THAIWHALES
Animal ingeriu cerca de oito quilos de plástico – depois, não conseguiu mais se alimentar
Uma baleia-piloto morreu no sul da Tailândia depois de engolir 80 sacolas plásticas, segundo autoridades do país.
A baleia chegou a vomitar cinco sacolas durante uma tentativa de salvamento realizada por funcionários de conservação em um canal da província de Songkhla.
As 80 sacolas pesavam cerca de oito quilos. Elas impediram que a baleia conseguisse se alimentar de outras formas, segundo a marinha tailandesa.
A morte da baleia é mais um sintoma do crescimento da poluição nos oceanos. Um relatório sobre o futuro dos mares, divulgado recentemente pelo governo do Reino Unido, alertou que a quantidade de plástico no mar pode triplicar em uma década, a menos que o lixo seja contido.
A Tailândia é um dos maiores usuários de sacolas plásticas no mundo. No mês passado, o governo do país anunciou que está estudando criar uma taxa para tentar conter o uso do material.
Acredita-se que o plástico seja responsável por milhares mortes de animais todos os anos.
A pequena baleia-piloto, um macho, foi descoberta no Canal Na Thap na última segunda-feira. Ela estava doente e praticamente incapaz de se mexer.
Autoridades ambientais da Tailândia usaram barcos para tentar ajudar a baleia a voltar ao mar. Um guarda-sol também foi utilizado para protegê-la. Mas as tentativas não deram certo e o animal marinho acabou morrendo.
O biólogo marinho Thon Thamrongnawasawat disse à agência de notícias France Press que as sacolas teriam impedido a baleia de comer alimentos nutritivos.
“Se você tem 80 sacolas plásticas no estômago, você acaba morrendo”, disse ele.
Fonte: BBC