quinta-feira, 14 de março de 2019

Como o florescer das cerejeiras pode indicar mudanças climáticas.

abrir de pétalas das flores da cerejeira Yoshino neste ano em Tidal Basin, Washington, D.C, nos Estados Unidos, parece não ter sido afetado pelo aquecimento global. No entanto, há anos essas árvores têm florescido precocemente, segundo o Serviço Nacional de Parques (NPS) de Washington. Isso pode significar que mudanças climáticas globais alteram a vida das plantas, o que tem efeitos para outras espécies do seu ecossistema.

Em 2019, o período de pico do fenômeno, que ocorre quando 70% das flores se abrem, foi previsto para o começo de abril. A data está dentro dos padrões históricos das últimas décadas, de acordo com o que foi anunciado pela entidade em cerimônia no Newseum de Washington, museu interativo dedicado ao jornalismo.
De acordo com Jeffrey Reinbold, superintendente da agência, a NPS determinou a projeção de data para o florescimento de acordo com uma análise de dados, que incluíam temperaturas e as previsões de tempo para o mês de março.
Mudanças de ano em ano 
Conforme o site da NPS, o tempo mais provável do florescimento deveria ser sempre na última semana de março ou primeira semana de abril. Temperaturas extraordinárias, muito quentes ou frias, podem causar a antecipação do fenômeno – que chegou a acontecer dia 15 de março em 1990 – ou, ainda, o atraso dele. Em 1958, por exemplo, as flores desabrocharam em 18 de abril. Já em 2018, isso aconteceu no no dia 25 de março; mas duas semanas antes da data, metade das flores morreu devido a um congelamento tardio.
Especialistas da NPS dizem que as condições locais de luz e calor são os fatores principais que determinam o tempo de florescimento em ecossistemas temperados, como é o caso da região de Washington. Apesar desse período variar ao longo dos anos devido às condições locais, as médias de longo prazo, que vão muito além das de um ano só, podem ser sinais do impacto de variações climáticas anormais sobre as árvores, uma vez que as temperaturas estão ficando mais quentes e o florescimento tem sido adiantado.
O Instituto Smithsoniano publicou uma pesquisa em 2001 demonstrando que o florescimento das cerejeiras se adiantou em sete dias de 1970 até 1999, como efeito das mudanças climáticas. Paul Peterson, um dos autores do estudo, disse que essa tendência é de longo prazo. “O clima está ficando mais quente. As plantas estão florescendo bem antes”, ele contou ao The Independent.
Peterson também acrescentou que, embora a média a longo prazo seja a mesma, o florescimento precoce não ocorre todo ano. É o caso de 2019, que teve temperaturas mais geladas em março. Essa condição, juntamente com o tempo chuvoso, pode prejudicar e postergar o fenômeno.
Em entrevista ao Eos, o cientista especialista em mudanças climáticas Patrick Gonzalez contou sobre uma pesquisa realizada por ele e sua equipe que determinou um aumento de 1,1°C por século (de 1895 a 2017) no memorial de Martin Luther King, localizado na enseada Tidal Basin, local onde há forte presença de cerejeiras. Essa mudança se deve às atividades humanas. “O padrão histórico cada vez mais adiantado de florescimento das cerejeiras em Washington está relacionado com mudanças climáticas causadas pelo homem, mas nenhuma pesquisa realmente examinou todos os fatores envolvidos”, contou.
Impactos maiores
Como apontado pelo cientista, as alterações no tempo de florescimento das cerejeiras podem ter repercussões desastrosas; outras espécies, como os agentes polinizadores, acabam sofrendo danos.
Ainda, o fenômeno pode estar ocorrendo em várias regiões do planeta. Gonzalez citou uma pesquisa que indica o precoce desabrochar de flores em Kyoto, no Japão, com uma base de dados de 1200 anos. Outro estudo, por sua vez, concluiu que o período de pico de florescimento em Tidal Basin “tem mais chances de ser acelerado” em uma média de 5 dias em 2050 e de 10 dias em 2080, em relação a padrões estabelecidos por um relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.
O autor dessas previsões, Soo-Hyung Kim, contou ao Eos: “Se cenários futuros assim permanecerem padronizados, então as previsões ainda a serem feitas com base nesses cenários serão similares”. Sobre o fato das datas previstas para o florescimento em Tidal Basin estarem dentro da média em 2019, ele defendeu: “Não acho que um ano mostrando uma média represente uma tendência duradoura. Nós teremos que analisar a longo prazo”.
Nos EUA, em regiões de clima temperado, existem tendências de longo prazo nas quais há invernos mais quentes e calor logo no começo da primavera, segundo Theresa Crimmins,  assistente de direção da Base Nacional Americana de Fenologia de Tucson, no estado do Arizona. “As respostas das plantas é florescer antes, realizando suas atividades sazonais primaveris mais cedo”, ela explicou.
Crimmins também observa que nem todas as espécies florescem na mesma direção e ritmo, mas que as consequências óbvias de mudanças no tempo do florescimento seriam anormalidades nas atividades dos polinizadores.
“O florescimento das cerejeiras de Washington é um bom indicador de potenciais mudanças climáticas e impactos ecológicos em diversos outros lugares”, Gonzalez analisou. Para ele, as plantas são apenas um dos sinais de que o planeta pede socorro:  “O aumento da conscientização irá nos ajudar a nos engajarmos em uma solução para esse problema”.
Fonte: Revista Galileu

quarta-feira, 13 de março de 2019

A Noruega tem um esquema insanamente eficaz que recicla 97% das garrafas plásticas utilizadas no país.

Quando se trata de reciclagem de resíduos plásticos, a Noruega está à frente do mundo todo: a nação escandinava criou um esquema que a permite reciclar 97% de todas as suas garrafas plásticas, com menos de 1% acabando no meio ambiente.
Além disso, 92% das garrafas recicladas produzem material de alta qualidade e podem ser utilizadas novamente como embalagens de bebidas.
Em alguns casos, o sistema já reutilizou o mesmo material mais de 50 vezes.

Infinitum

Por meio de uma organização chamada Infinitum, a Noruega criou uma das formas mais eficientes e ambientalmente corretas de reciclar garrafas plásticas.
Essa é uma conquista notável, especialmente considerando que o resto do mundo vai na contramão: em todo o globo, 91% do plástico produzido não é reciclado e 8 milhões de toneladas acabam no oceano anualmente.
A título de comparação, os EUA possuem uma taxa de reciclagem de cerca de 30%, enquanto o Reino Unido tem uma entre 20 e 45%.
Então, o que a Noruega está fazendo diferente?

Recicle e ganhe

Para simplificar, a nação deu à reciclagem um valor que ela não tem na maioria dos lugares.
Hoje em dia, é geralmente mais barato criar plástico novo do que reciclar plástico velho. Sem um incentivo financeiro, empresas e consumidores não costumam se preocupar em fazer a coisa certa pelo meio ambiente.
O modelo da Noruega é baseado em um esquema de empréstimos: quando um consumidor compra uma garrafa de plástico, uma pequena taxa adicional equivalente a cerca de 13 a 30 centavos de dólar é cobrada.
Esta taxa pode então ser resgatada de várias maneiras. Os consumidores podem levar sua garrafa a uma “máquina de retorno automática”, que devolve dinheiro depois de escanear o código de barras da embalagem depositada. Também podem devolvê-la a várias pequenas lojas e postos de gasolina em troca de dinheiro ou crédito.
Os donos de lojas também recebem uma pequena taxa por cada garrafa que reciclam, e alguns argumentam que isso aumentou seus negócios.
“Queremos chegar ao ponto em que as pessoas percebam que estão comprando o produto, mas apenas tomando emprestada a embalagem”, disse Kjell Olav Maldum, diretor executivo da Infinitum, ao The Guardian.

Imposto

Ao mesmo tempo, o país também impôs uma taxa ambiental aos produtores de plástico, que pode ser reduzida com melhorias na reciclagem.
Se a reciclagem estiver acima de 95% em todo o país, então todos os produtores são isentos do imposto.
Embora essa possa soar como uma meta difícil de ser alcançada, já foi pelos últimos sete anos.

Mirem-se no exemplo da Noruega

Desde o advento deste esquema único, a Infinitum tem sido visitada por representantes de muitos países, incluindo a Escócia, Índia, China e Austrália, todos interessados em seguir o exemplo da nação.
A Alemanha e a Lituânia são alguns dos únicos países que podem competir com a Noruega, e ambos usam sistemas semelhantes.
No entanto, mesmo na Noruega, ainda há espaço para progresso. Este ano, a Infinitum estima que 150 mil garrafas não serão devolvidas e, se tivessem sido, teriam economizado energia suficiente para alimentar 5,6 mil residências no ano.
Quando posto nesses números, parece uma ótima razão para reciclar, não? [ScienceAlert]
Fonte: Hypescience

terça-feira, 12 de março de 2019

Como é a demolição de uma usina nuclear?

Egbert Bialk gosta de assistir à enorme retroescavadeira em ação. Pedaço a pedaço, ela vai destruindo a torre de resfriamento da usina nuclear de Mülheim-Kärlich. Bialk lutou contra essa usina desde que ela foi construída na sua terra natal, nos anos 1970.

Hoje ele faz parte da diretoria local da organização ambientalista Bund e acompanha satisfeito a destruição. “Fico feliz por essa vergonha finalmente desaparecer”, comenta. “Algumas pessoas não tinham nada contra ela permanecer como monumento ou obra de arte, mas, para mim, é um símbolo da arrogância de pessoas que brincam com o fogo.”
O desmantelamento da usina nuclear, que vai custar 1 bilhão de euros, começou em 2004, bem antes de o governo da chanceler federal Angela Merkel se decidir pelo fim da energia nuclear na Alemanha, em reação à tragédia de Fukushima, em 2011.
As unidades mais antigas foram retiradas imediatamente da rede. Até o fim de 2022, as sete usinas restantes deverão ser desligadas. Mas mesmo depois de essa hora chegar, a Alemanha continuará se ocupando de sua herança nuclear. Todas as usinas nucleares deverão ser completamente desmontadas, os terrenos, reutilizados por indústrias, e o lixo radiativo, depositado.
Mas como é a demolição de uma usina nuclear?
Parte a parte. O primeiro passo é a retirada do elemento essencial: o combustível altamente radiativo. Como a Alemanha ainda não tem um local para o armazenamento final de resíduos radiativos, eles são colocados provisoriamente em contêineres do tipo castor.
Até 2031, a Sociedade Alemã para o Armazenamento Final (BGE) deverá se decidir por uma localização apropriada, onde ela deverá construir um depósito final até 2050.
Até o fim completo da energia nuclear na Alemanha, cerca de 1.900 desses contêineres especiais serão necessários. Eles terão que ser levados dos depósitos provisórios para o definitivo, o que é um processo que levará 50 anos, pelos cálculos da BGE. Assim, se todas as previsões se confirmarem, o depósito final poderá ser lacrado em 2100.
O custo de todo esse processo ainda não está claro. Muita coisa vai depender da localização do depósito. Mas uma análise nos números do depósito final para lixos de baixa ou média radiatividade pode dar uma ideia. Segundo a BGE, a antiga mina de minério de ferro Schacht Konrad está sendo adaptada por cerca de 4,2 bilhões de euros. A partir de 2027, os primeiros dejetos – aparelhos eletrônicos e pedaços de construções que foram submetidos a anos de radiação – deverão ser depositados.
Depois disso, o depósito final Konrad será preenchido com cimento e lacrado. “Lacrado significa que não haverá mais risco para o meio ambiente”, comenta Monika Hotopp, da BGE. Porém, organizações ambientalistas alertam que dejetos radiativos podem continuar oferecendo riscos mesmo quando enterrados. “Os depósitos finais devem reter as radiações por até 500 mil anos”, explica Bialk. “Estamos deixando uma bomba-relógio para as futuras gerações.”
Mas o que acontece com o restante dos dejetos, com as toneladas de metal, cimento, canos e outros materiais de construção que são liberados com a destruição de uma usina nuclear?
A legislação alemã considera que todas as instalações de uma usina nuclear, incluindo os escritórios e refeitórios, são, a priori, radiativas. Por isso, os operadores devem primeiramente medir a radiatividade e liberar cada pedaço antes de mandá-lo para depósitos comuns ou centros de reciclagem. Isso significa que cada pedaço da demolição deve ter sua radiatividade medida, e esta deve estar dentro do limite legal permitido.
Organizações ambientalistas e moradores das proximidades criticam esse procedimento. Eles argumentam que ninguém pode saber o que acontece com um material depois que ele é reciclado. Cimento de usinas nucleares pode virar asfalto em rodovias, metais fundidos podem virar frigideiras e panelas. “Metais fundidos podem acabar em aparelhos dentários de crianças, que podem ser radiativos e ninguém sabe. É necessário que as pessoas tenham como acompanhar o que aconteceu com o material da demolição de usinas nucleares”, afirma Bialk.
Especialistas em energia nuclear consideram essas preocupações um exagero. “Esse risco é mínimo. O limite para liberar o material equivale à radioatividade existente no meio ambiente”, assegura o especialista Christian Küppers, do centro privado de pesquisas Öko-Institut. Segundo ele, o limite para liberar material de demolição de usinas nucleares é de 0,01 milisievert por ano. A exposição à radiação natural na Alemanha é de 2,1 milisieverts por ano. Segundo o Öko-Institut, quem atravessa o oceano num avião fica exposto a uma radiação entre 0,04 e 0,11 milisieverts.
O objetivo final do desmantelamento de uma usina nuclear é um terreno limpo. Quando todos os prédios forem postos abaixo, todos os resíduos forem eliminados ou depositados, e a medição da radiatividade estiver concluída e esta estiver dentro dos limites, o terreno poderá ser vendido para a construção de uma fábrica.
Até mesmo a superfície do depósito final Konrad pode ser um terreno assim depois que todos os dejetos radiativos estiverem enterrados e cimentados e o local, lacrado. Segundo a BGE, o terreno seria seguro o suficiente para morar nele.
Se alguém quer morar num lugar como esse é outra história. Afinal, energia nuclear continuará sendo um sinônimo de perigo. Para Bialk, isso vale também para a herança nuclear que ficará mesmo depois que todas as usinas nucleares da Alemanha forem desativadas,e os dejetos, lacrados num depósito final.
“O lixo radiativo oferece riscos durante centenas de milhares de anos.” Mesmo assim, outros países continuam apostando na energia nuclear. Ao lado da Alemanha, na França, há mais de 50 usinas. “Se algo acontecer numa delas, todos nós seremos afetados”, diz Bialk.
Fonte: Deutsche Welle

segunda-feira, 11 de março de 2019

ONU pede que países da América Latina ratifiquem acordo inédito sobre direitos ambientais.

Na semana que marca um ano da adoção do Acordo de Escazú, o primeiro tratado ambiental da América Latina e Caribe, a comissão econômica da ONU para a região, a CEPAL, pediu que todos os países assinem e ratifiquem o documento o mais rápido possível. Até o momento, 16 das 33 nações assinaram o texto, o primeiro pacto entre Estados no mundo com disposições específicas para proteger defensores de direitos humanos em temas ambientais.
Na semana que marca um ano da adoção do Acordo de Escazú, o primeiro tratado ambiental da América Latina e Caribe, a comissão econômica da ONU para a região, a CEPAL, pediu que todos os países assinem e ratifiquem o documento o mais rápido possível. Até o momento, 16 das 33 nações assinaram o texto, o primeiro pacto entre Estados no mundo com disposições específicas para proteger defensores de direitos humanos em temas ambientais.
Concluído em 4 de março de 2018, na cidade de Escazú, Costa Rica, após seis anos de negociações, o marco regional garante o acesso a informação, participação pública e justiça em questões de meio ambiente. O acordo foi aberto para assinatura em setembro último, durante o 73º debate geral da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
“É importante recordar que o Acordo de Escazú é um acordo entre Estados, mas sobretudo, é um pacto de cada Estado com as suas sociedades. É um acordo cidadão, feito pelas e para as pessoas da nossa região”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, em carta aberta aos países-membros da comissão.
A dirigente acrescentou que o texto “reconhece nossas prioridades regionais, reconhece e desenvolve direitos democráticos fundamentais e coloca a igualdade no centro do desenvolvimento, buscando incorporar todos os setores da sociedade para enfrentar desafios ambientais de tamanha magnitude como as mudanças climáticas, os desastres naturais, a desertificação ou a perda de biodiversidade”.
“Hoje, mais do que nunca, a nossa região exige mais e uma melhor democracia ambiental e uma rápida entrada em vigor e implementação do Acordo de Escazú, em benefício dos nossos países e suas sociedades”, completou Alicia.
Entre os países que assinaram o acordo, estão Antígua e Barbuda, Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, Haiti, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia e Uruguai. Para entrar em vigor, o documento precisa da ratificação de 11 Estados.
A chefe da CEPAL lembrou ainda que a implementação do texto contribuiria para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) e do Acordo de Paris.
Segundo Alicia, a assinatura e a ratificação do documento de Escazú por novos Estados latino-americanos e caribenhos serão ainda mais significativas devido à proximidade de eventos como o Terceiro Fórum dos Países da América Latina e Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece em Santiago, capital do Chile, entre 22 e 26 de abril. Em Nova Iorque, entre 9 e 18 de julho, a ONU promoverá um encontro para revisar pela primeira vez a implementação dos ODS que abordam as mudanças climáticas e paz, justiça e instituições eficazes.
Fonte: ONU

sexta-feira, 8 de março de 2019

Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo.

No ranking dos maiores poluidores do planeta, o Brasil aparece em quarto lugar quanto à produção de lixo plástico. Por ano, o país gera 11,3 milhões de toneladas desse resíduo – número três vezes maior que sua produção anual de café, por exemplo.

No ranking dos maiores produtores de lixo plástico, o Brasil é precedido apenas por Estados Unidos (70,8 milhões de toneladas), China (54,7 milhões) e Índia (19,3 milhões). Na Europa Ocidental, a liderança é da Alemanha (8,2 milhões).
Os dados fazem parte do relatório internacional Global Plastics Report, levantamento do WWF divulgado nesta terça-feira (05/03), que aborda o impacto do plástico no meio ambiente, na economia e na sociedade. Para o estudo, a organização foi além dos números da geração desse tipo de lixo nas residências.
“Esse trabalho foi feito com base nas premissas do Banco Mundial, que engloba também os resíduos plásticos industriais, da construção civil, lixo eletrônico e agrícolas”, detalha Gabriela Yamaguchi, do WWF Brasil.
Segundo o relatório, o brasileiro produz um quilo de lixo plástico por semana – uma das maiores médias mundiais.
“É uma produção alta porque, assim como China, Índia, Indonésia, o Brasil é um país de dimensões continentais, com uma sociedade de consumo em ascensão, onde também há um certo crescimento da infraestrutura”, analisa Yamaguchi.
Fabricado para ser usado apenas uma vez na grande maioria dos casos, o plástico é em grande parte descartado na natureza e acaba chegando aos oceanos. Estima-se que 10 milhões de toneladas vão parar nos mares a cada ano – o que equivale a 417 mil contêineres com capacidade máxima.
Além de matar e contaminar animais marinhos, pequenos fragmentos do material, os chamados microplásticos, já são encontrados até em humanos. Um estudo científico divulgado no fim de 2018 estimou que até 50% da população mundial tenha microplásticos no intestino, incorporado por meio da ingestão de alimentos e água.
Uso e reciclagem
Embora esteja entre os maiores poluidores, o Brasil ainda está abaixo da média mundial de reciclagem. O relatório calcula que o país recicla apenas 1,28% do total de plástico produzido no país  – índice inferior aos à média global de 9%.
Entre os diferentes tipos de material, o PET é o que se sai melhor: cerca de 60% do que é produzido é reciclado, sendo transformado em fios para a indústria têxtil, por exemplo.
“Os números gerais ainda são tímidos. Não avançamos muito na implantação da coleta seletiva, dos programas de inserção de catadores, de acordos setoriais”, avalia Sylmara Gonçalves Dias, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).
Quase dez anos depois da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Brasil está aquém do que era esperado no combate ao lixo plástico, pontua Dias.
“As fontes de poluição são múltiplas. Não adianta nada restringir um tipo de uso e achar que está fazendo alguma coisa”, diz, fazendo referência a leis recentes que banem canudos de plástico, por exemplo.
“É uma enganação que só mascara a complexidade do problema. É preciso olhar para tudo: copo, fralda descartável, sacolinha, garrafas, partes plásticas de produtos maiores.”
Antes do consumo
Na avaliação de Yamaguchi, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei de 2010, é positiva, mas insuficiente. “O Brasil e o mundo têm um déficit legal em que a responsabilização pela coleta e o tratamento do resíduo não estão bem definidos para quem produz esses materiais”, afirma.
A representante do WWF defende uma mudança de paradigma e leis mais rígidas. “Não é suficiente cuidar só do pós-consumo, da reciclagem. É preciso reduzir a produção de plástico no planeta, substituir por outros materiais, inovar.”
Mesmo que toda a geração desse material fosse interrompida de imediato, o volume já despejado na natureza levaria centenas de anos para ser degradado. “Estamos nos afogando com tanto lixo. O plástico é um barato que saiu caro: o valor dele não condiz com o impacto que causa em todos nós”, afirma Yamaguchi.
Na próxima semana, a assembleia do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA) discute em Nairóbi, no Quênia, um acordo global para banir plásticos e microplásticos dos oceanos.
Para o WWF, seria um primeiro passo para responsabilizar produtores de plástico no que diz respeito aos custos de tratamento e coleta dos resíduos.
Fonte: Deutsche Welle

terça-feira, 5 de março de 2019

Sistema online impulsiona gestão de dados sobre biodiversidade no Brasil.

O Brasil está no topo da lista dos 18 países mais diversos do mundo. Abriga entre 15% e 20% da diversidade biológica global, com mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados e mais de 4 mil espécies de plantas. Com isso, surge um enorme potencial para impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social, mas também uma enorme responsabilidade.

Com o apoio da ONU Meio Ambiente e do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem trabalhado para criar uma ferramenta abrangente para compilar dados e informações sobre a biodiversidade nacional.

O Brasil está no topo da lista dos 18 países mais diversos do mundo. Abriga entre 15% e 20% da diversidade biológica global, com mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados e mais de 4 mil espécies de plantas. Com isso, surge um enorme potencial para impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social, mas também uma enorme responsabilidade.
O uso sustentável de recursos naturais é fundamental para as gerações presentes e futuras do país. Mas para fazer isso enquanto monitora a perda de biodiversidade e os esforços de conservação, é crucial primeiramente entender os recursos brasileiros.
Com uma média de 700 novas espécies de animais descobertas todos os anos no Brasil, armazenar todas as informações de maneira utilizável é um enorme desafio, especialmente considerando o vasto tamanho do país e o número de diferentes instituições envolvidas na pesquisa da biodiversidade.
“Quando a informação está espalhada em diferentes instituições, é mais difícil encontrá-la, julgar a qualidade dos dados e entender como ela pode ser usada. Além disso, o tempo necessário para compilar os dados pode tornar seu uso ineficiente, como é o caso das políticas públicas”, explicou Andréa Nunes, coordenadora geral de biomas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e diretora nacional do Projeto Sistema de Informação sobre Biodiversidade.
Nunes destacou, por exemplo, o caso do mapa de áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade, uma ferramenta de política pública para apoiar os processos participativos de tomada de decisão, como a criação de áreas protegidas. “O desenvolvimento deste mapa pode levar dois anos, por isso, ele só é atualizado a cada quatro ou cinco anos, o que é muito tempo quando pensamos em termos de dinâmica do território e mudanças no uso da terra”.
Mas, com o apoio da ONU Meio Ambiente e do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem trabalhado para mudar esse cenário, criando uma ferramenta mais abrangente sobre a biodiversidade nacional.
O Sistema Brasileiro de Informação sobre Biodiversidade reúne atualmente dados e informações de mais de 230 instituições, de universidades a centros de pesquisa, museus, órgãos estaduais, jardins botânicos e zoológicos.
Operacional desde novembro de 2014, o sistema visa apoiar a ciência, a política pública e a tomada de decisões relacionadas à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais. Isso é alcançado incentivando e facilitando a digitalização e a publicação online, integrando dados e informações de acesso aberto sobre a biodiversidade brasileira.
Para os pesquisadores, o sistema é um ativo inestimável. Por exemplo, um cientista pesquisando uma espécie em extinção — como o lobo-guará — pode agora encontrar informações abrangentes sobre a espécie, bem como divulgar seu próprio trabalho para um público mais amplo de colegas pesquisadores em todo o mundo.
Mas o sistema também tem outros usos práticos. Os agricultores podem usar a plataforma para ajudar a calcular os créditos de compensação ambiental ou para decidir sobre quais espécies devem priorizar os esforços de restauração — como a flora em extinção, ou plantas que fornecem abrigo e alimento para espécies ameaçadas da vida selvagem na região. Finalmente, qualquer usuário pode contribuir com o sistema enviando fotografias, documentação e informações sobre a biodiversidade por meio do programa Ciência Cidadã.
“A implementação do Sistema Brasileiro de Informação sobre Biodiversidade é um passo importante para a disseminação de dados biológicos no país, tanto para pesquisa acadêmica quanto para a gestão ambiental”, afirmou Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil. “Estamos convencidos de que o sistema é cada vez mais relevante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e a conservação da natureza.”
O banco de dados do sistema já conta com mais de 15 milhões de registros sobre a ocorrência de espécies brasileiras publicadas pelas principais instituições de pesquisa do país, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), além de dados obtidos em parcerias com herbários na Europa e nos Estados Unidos.
Parte dessa informação apoiou a criação de uma ferramenta chamada Biodiversidade e Nutrição, que fornece um banco de dados sobre a composição nutricional de espécies brasileiras nativas e ingredientes relacionados a receitas.
Em novembro de 2018, o Sistema Brasileiro de Informação sobre Biodiversidade foi convertido de um projeto do GEF para um banco de dados do governo brasileiro, tornando-se a referência oficial do Relatório Nacional Brasileiro à Convenção sobre Diversidade Biológica e para medir as conquistas das Metas de Aichi pela biodiversidade.
O Sistema Brasileiro de Informação sobre Biodiversidade também atua como o nó nacional da Global Biodiversity Information Facility, uma rede internacional e infraestrutura de pesquisa que oferece acesso livre e aberto a dados sobre biodiversidade de mais de 1,3 mil instituições em todo o mundo. Ao publicar seus dados no Sistema Brasileiro de Informação sobre Biodiversidade, os pesquisadores também decidem se os dados devem ser disponibilizados na rede global.
Nos próximos meses, o sistema continuará expandindo seu banco de dados, completará a migração para uma nova plataforma, melhorará o modo como utiliza dados e fortalecerá a nova governança estabelecida no ano passado por lei.
Fonte: ONU

sábado, 2 de março de 2019

Por que a água é uma das coisas mais preciosas do Universo.

Formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, a água é abundante no universo, inclusive na Terra, onde cobre grande parte de sua superfície.
Também é o maior constituinte dos fluidos dos seres vivos – 60% do nosso corpo é composto de água.
Cada molécula de água na Terra – dentro de você ou de qualquer outro ser vivo – existe há bilhões de anos.
A água chegou em asteroides e cometas dos confins do Sistema Solar.
Esses corpos celestes eram resquícios das grandes nuvens de poeira e rochas que não se tornaram planetas.
Depois de chegar à Terra, essa água esteve presente em rochas, ar, animais, plantas e em nós mesmos.
Ou seja, essa lágrima que sai do seu olho pode ter estado dentro de dinossauros, bactérias, nuvens, geleiras e muito mais.
A água não segue as regras normais da química.
Inicialmente, deveria ser um gás em nosso planeta, uma vez que é feita de átomos muitos leves de oxigênio e hidrogênio.
E, diferentemente de outro elemento químico, quando a água congela, ela se expande.
Ou seja, o gelo flutua na água, o que é, na verdade, muito estranho.
Essa propriedade foi muito útil durante as várias eras glaciais.
Ajudou, por exemplo, a isolar a água no subsolo, permitindo a sobrevivência e evolução de espécies embora a superfície de nosso planeta estivesse completamente congelada.
E isso não é tudo.
Você sabia que a água quente congela mais rápido do que a água fria? Ninguém sabe por quê.
A água também pode fluir para cima, desafiando a força da gravidade.
É dessa forma que o oxigênio e os demais nutrientes chegam às extremidades do nosso cérebro e como as plantas absorvem a água do subsolo
E mais uma coisa: nosso Sistema Solar está cheio d’água.
Por muito tempo, pensamos que estávamos sozinhos na Terra com tanta água.
Mas, na verdade, ela está presente em planetas vizinhos e no restante do universo.
Sabemos agora que há água na Lua, em Marte e até em Plutão.
E onde existe água, pode haver vida.
Então, coloque um pouco de água em um copo. Admire essa substância que não tem cor, cheio ou sabor.
Sem ela, nem nós nem nosso mundo existiríamos.
Esse vídeo foi feito pela BBC Ideas. Assista a mais vídeos (em inglês) aqui.
Fonte: BBC