sexta-feira, 5 de abril de 2019

Países adotam resolução inédita para proteger regiões de turfa.

A Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, realizada recentemente em Nairóbi, no Quênia, adotou a sua primeira resolução sobre as regiões de turfa, impulsionado esforços de conservação e restauração.

Pode até não ter sido intencional, mas o Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, viu representantes da União Europeia, Indonésia, Noruega, Estados Unidos e ONU Meio Ambiente — por coincidência, todas mulheres — bater o martelo sobre uma proposta de texto comum para uma resolução pioneira sobre as regiões de turfa.
Mulheres rurais em todo o mundo são frequentemente as heroínas esquecidas da conservação dos ecossistemas. Nada mais apropriado, portanto, que a resolução sobre as regiões de turfa tenha sido concebida principalmente por mulheres.
As regiões de turfa cobrem em torno de 3% da superfície terrestre do planeta, armazenando quantidades enormes de carbono e oferecendo habitats para fauna e flora diversas. A descoberta recente de um dos maiores estoques de carbono na Bacia do Rio Congo, a Cuvette Central, que se estende do Congo até a República Democrática do Congo, alterou dramaticamente as estimativas sobre as reservas de carbono encontradas nas regiões de turfa.
A região de turfa de Cuvette Central é uma arca do tesouro da biodiversidade, como descreveu a ministra do Meio Ambiente da República do Congo, Arlette Soudan-Nonault, durante a Quarta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Outro país que esteve sob os holofotes dos debates sobre as regiões de turfa foi a Indonésia, que compartilhou seus esforços para superar os repetidos incêndios causados pela drenagem desses ecossistemas. A nação asiática também implementa iniciativas de larga escala para restauração e conservação.
Mas as turfas tropicais não são o único tipo que existe. Na verdade, esses ecossistemas são observados em cerca de 180 países. A ONU Meio Ambiente chamou atenção recentemente para as enormes zonas de turfa em áreas de permafrost nos pontos mais ao norte do planeta. O organismo internacional ressaltou a importância de conservar essas formações naturais, que funcionam como um barreira para mudanças climáticas potencialmente catastróficas.
“Por meio de negociações, Estados-membros perceberam que, se queriam uma ação global para as regiões de turfa, qualquer resolução precisava cobrir todas as regiões de turfa, não apenas as tropicas”, afirmou a especialista da ONU Meio Ambiente para esses ecossistemas, Dianna Kopansky.
“Delegações da União Europeia e dos Estados Unidos trabalharam juntas com a Indonésia e a República Democrática do Congo para propor um compromisso que promovesse ação climática, restauração dos ecossistemas, resiliência e meios de subsistência sem drenagem. Para muitos países que se deparam com a insegurança climática, a conservação das regiões de turfa é a solução ideal baseada na natureza.”
A resolução final, aprovada na sequência, não é legalmente vinculante, mas os países têm uma obrigação moral de aderir ao texto, que recebeu um forte apoio e também elogios dos Estados-membros, por estar alinhada ao tema da Assembleia da ONU — #SoluçõesInovadoras. A resolução insta “os Estados-membros e outras partes interessadas a dar uma maior ênfase à conservação, gestão sustentável e restauração de regiões de turfa no mundo todo”.
Nos trópicos, como a Indonésia aprendeu, o segredo para prevenir incêndios em turfas é manter as regiões úmidas. Restaurar as regiões de turfa drenadas e degradadas exige, frequentemente, a reumidificação e a restauração da hidrologia das turfas.
A resolução pede que a ONU Meio Ambiente “coordene esforços para criar um inventário global, abrangente e preciso sobre as regiões de turfa”. Sem dados confiáveis, os formuladores de políticas nem sequer sabem onde esses “pontos críticos de carbono” estão. Com isso, não podem implementar mudanças sustentáveis.
A deliberação também encoraja “os Estados-membros e outras partes interessadas a melhorar a colaboração regional e internacional para a conservação e a gestão sustentável das regiões de turfa”. O texto solicita ainda que países e todos os outros atores envolvidos na conservação, gestão e restauração das regiões de turfa “fomentem a conservação e a gestão sustentável” desses ecossistemas.
Trabalhando com muitos parceiros, a ONU Meio Ambiente está começando a transformar as mentalidades sobre as regiões de turfa.
“A adoção da resolução global sobre a Conservação e Gestão Sustentável sobre as Regiões de Turfa marca um momento importante para o meio ambiente, para a conservação da biodiversidade global, ação climática e resiliência”, afirma Tim Christophersen, chefe da Divisão da ONU Meio Ambiente sobre Água Doce, Terra e Clima e presidente da Parceria Global sobre Restauração de Florestas e Paisagens.
“E o momento é propício: a recém-declarada Década da ONU sobre Restauração de Ecossistemas 2021-2030 deve dar impulso aos esforços de conservação e restauração das regiões de turfa.”
Dianna Kopansky acrescenta que “percorremos um longo caminho desde dezembro de 2016, quando a ONU Meio Ambiente foi solicitada a coordenar os esforços para proteger, conservar e restaurar regiões de turfa”.
“Publicações como Smoke on Water e os esforços colaborativos da Iniciativa Global sobre Regiões de Turfa tiveram uma influência imensa na mudança de atitudes”, completa a especialista.
Fonte: ONU

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Humanidade consome recursos da Terra a taxas insustentáveis, alerta agência da ONU.

George Monbiot, correspondente do jornal britânico The Guardian e conhecido por seu ativismo ambiental e político, fez um apelo surpreendente para que as pessoas no Reino Unido reduzissem o uso de carros em 90% ao longo da próxima década.

Muitos indivíduos podem se mostrar avessos a essa ideia, mas talvez ela soe um pouco menos bizarra à luz de um novo relatório da ONU Meio Ambiente sobre a taxa com que estamos abocanhando os recursos do planeta Terra.

George Monbiot, correspondente do jornal britânico The Guardian e conhecido por seu ativismo ambiental e político, fez um apelo surpreendente para que as pessoas no Reino Unido reduzissem o uso de carros em 90% ao longo da próxima década.
Muitos indivíduos podem se mostrar avessos a essa ideia, mas talvez ela soe um pouco menos bizarra à luz de um novo relatório da ONU sobre a taxa com que estamos abocanhando os recursos do planeta Terra.
A indústria global do automóvel necessita de quantidades enormes de metais vindos da mineração, assim como de outros recursos naturais, como a borracha. E a transição para os veículos elétricos, embora necessária para conter a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa, também tem consequências adversas para a natureza — a mineração em larga escala do lítio para as baterias usadas nos veículos elétricos poderia provocar novas dores de cabeça ambientais.
O Panorama Global sobre Recursos 2019, relatório da ONU Meio Ambiente preparado pelo Painel Internacional sobre Recursos, examina as tendências em recursos naturais e nos seus padrões correspondentes de consumo desde os anos 1970. Entre as principais descobertas da pesquisa, estão as seguintes conclusões:
  • A extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos contribuem com metade do total de emissões globais de gases do efeito estufa e com mais de 90% da perda da biodiversidade e do estresse hídrico;
  • A extração de recursos mais do que triplicou desde 1970, incluindo um aumento de cinco vezes no uso de minerais não metálicos e um aumento de 45% no uso de combustíveis fósseis;
  • Até 2060, o uso global de materiais poderia dobrar para 190 bilhões de toneladas (a partir dos atuais 92 bilhões), enquanto as emissões de gases do efeito estufa poderiam aumentar 43%.
Além dos transportes, outro grande consumidor de recursos é o setor de construção, que cresce rapidamente.
O cimento, o insumo fundamental para a produção de concreto, o material de construção mais usado no mundo, é uma grande fonte de gases do efeito estufa e responde por algo em torno de 8% das emissões de dióxido de carbono, de acordo com um relatório recente da Chatham House.
Tanto a produção de concreto quanto a de argila (para tijolos) incluem processos que consomem muita energia para a extração de matéria-prima, além de etapas de transporte e uso de combustíveis para o aquecimento de fornos.
A areia de qualidade para uso na construção está sendo extraída atualmente a taxas insustentáveis.
“A extração de materiais é um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas e perda da biodiversidade — um desafio que só vai piorar a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistemática do uso de recursos”, afirma o especialista em mudanças climáticas da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg. “Tal reforma é tão necessária quanto possível.”

Transição energética

Dados de 2014 do Banco Mundial mostram que 66% da energia global é fornecida por combustíveis fósseis. A diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya, pediu a aceleração da transição energética, dos combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — para fontes renováveis de energia, como eólica e solar.
“Precisamos ver uma mudança quase total para as fontes renováveis de energia, que têm o poder de transformar vidas e economias ao mesmo tempo em que protegem o planeta”, afirmou a dirigente em uma carta para os participantes da Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, realizada recentemente em Nairóbi, no Quênia.
O chamado da chefe da ONU Meio Ambiente veio poucos dias após o fundo soberano da Noruega — o maior do mundo, de 1 trilhão de dólares — sinalizar que planeja vender algumas das suas ações em empresas de petróleo e gás. A manobra é um golpe simbólico na indústria dos combustíveis fósseis, que vai reverberar entre empresas de energia e seus investidores.
“Agora, mais do que nunca, uma ação urgente e sem precedentes é exigida de todas as nações” para reduzir o aquecimento global, afirma o Relatório de Lacuna de Emissões da ONU Meio Ambiente de 2018. “Para transpor a lacuna de emissões de 2030 e garantir uma descarbonização de longo prazo, os países também têm que aprimorar as suas ambições de mitigação”, acrescenta o documento.
O Painel Internacional sobre Recursos foi lançado pela ONU Meio Ambiente em 2007, para construir e compartilhar os conhecimentos necessários para melhorar o nosso uso de recursos no mundo todo. O painel é formado por cientistas eminentes, altamente qualificados em questões de gestão de recursos, tanto de países desenvolvidos quanto de países em desenvolvimento, além de integrantes da sociedade civil e de organizações industriais e internacionais.
Fonte: ONU

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Primeira usina que transforma lixo em energia será no Paraná

Paraná receberá a primeira usina do Brasil capaz de produzir energia elétrica utilizando esgoto e lixo orgânico. O local transforma os resíduos em eletricidade e poderá abastecer casas da região.
O Instituto Ambiental do Paraná concedeu a licença de operação à companhia CS Bionergia, responsável pela construção do complexo. Segundo a empresa, a usina conseguirá produzir 2,8 megawatts, capazes de atender duas mil residências no Paraná.
Estações de tratamento de esgoto e de empresas de coleta de lixo irão produzir a matéria prima para a usina que, além de energia elétrica, produzirá também biogás.
Este, por sua vez, ainda não vem sendo fortemente utilizado no Brasil. A Europa é pioneira na produção de biogás, somando cerca de 14 mil usinas. Somente a Alemanha conta com nada menos que oito mil.
A ideia é que a usina no Paraná desvie para si cerca de 1000 m³ de esgoto e mais de 300 toneladas de lixo orgânico dos aterros do Estado.

Flagrante raro mostra 40 cachalotes no litoral de São Paulo.

Pesquisadores do Socioambiental Consultores Associados flagraram, a bordo de um avião, um momento raro: um grupo de 40 cachalotes gigantes nadando a mais de 300 quilômetros das praias do litoral de São Paulo.

Os animais da espécie Physeter macrocephalus podem chegar a 18 metros de comprimento e pesar até 57 toneladas. Apesar do tamanho, as cachalotes não são consideradas baleias. A espécie está classificada como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
As cachalotes estavam em deslocamento na superfície, próximas à extremidade da Bacia de Santos. O registro foi feito durante a 8ª Campanha de Avistagem Aérea do Projeto de Monitoramento de Cetáceos (PMC), realizada no primeiro trimestre do ano.
“Realizamos a Campanha de sobrevôo percorrendo linhas perpendiculares ao comprimento da Bacia. Vasculhamos toda ela, vamos de baixo para cima, começando por Florianópolis (SC) e terminando em Cabo Frio (RJ)” explica Fernando Roberto, Coordenador da Campanha de Avistagem Aérea do PMC-BS.
Segundo a Socioambiental Consultores Associados, s pesquisadores permanecem aproximadamente cinco horas no ar. Em média, cada campanha tem duração de sete dias. “Esse tempo varia muito, depende das condições climáticas, tanto do vento como do mar” complementa Fernando Roberto.
Fonte: RedeTV Noticias

terça-feira, 2 de abril de 2019

Bayer é condenada a pagar indenização de US$ 80 milhões por glifosato.

A Bayer foi condenada nesta quarta-feira (27/03) por um júri nos Estados Unidos a pagar mais de 80 milhões de dólares em danos a um morador do estado da Califórnia que alega que o herbicida Roundup, produzido pela Monsanto, contribuiu para que ele desenvolvesse câncer.
O caso pode influenciar milhares de outros processos contra a companhia nos EUA. Adquirida pela Bayer no ano passado por 63 bilhões de dólares, a Monsanto enfrenta 11.200 casos similares na Justiça americana envolvendo o Roundup.
O júri ordenou que a Bayer pague a Edwin Hardeman, de 70 anos, uma quantia de 5 milhões de dólares em compensações, 75 milhões de dólares como punição e 200 mil dólares por despesas médicas depois de concluir que o Roundup foi fabricado defeituosamente, que a Monsanto não fez advertências sobre o risco apresentado pelo herbicida e que a companhia agiu de forma negligente.
Ao longo de anos, Hardeman usou produtos da marca  para tratar carvalhos envenenados, ervas e outras plantas em sua propriedade em São Francisco. Segundo ele, o uso do produto levou ao desenvolvimento de um linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta as células do sistema imunológico.
O principal ingrediente da marca é o herbicida glifosato, amplamente utilizado ao redor do mundo, apesar de ter sido classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “provavelmente cancerígeno” em 2015.
Em uma primeira fase do julgamento, o mesmo júri havia concluído que o Roundup foi um “fator substancial” entre as causas do câncer de Hardeman. Na segunda fase, realizada nesta quarta, as advogadas de Hardeman apresentaram documentos internos que, segundo elas, provam o esforço da empresa para influenciar cientistas e órgãos reguladores sobre a suposta segurança do produto.
Aimee Wagstaff e Jennifer Moore, advogadas de Hardeman, comemoraram o veredito. Para elas, a decisão é histórica e envia uma mensagem clara de que a Monsanto precisa mudar suas práticas comerciais.
“Ficou claro pelas ações da Monsanto que a empresa não se importa se o Roundup causa câncer, e, em vez disso, se foca em manipular a opinião pública e descreditar quem quer que demonstre preocupações genuínas e legítimas sobre o Roundup”, afirmaram. “O fato de que nenhum funcionário da Monsanto tenha vindo ao julgamento defender a segurança do Roundup ou as ações da empresa diz muito a respeito”.
Hardeman disse a jornalistas estar comovido com o desfecho do caso. “Ainda não caiu a ficha”, disse.
A Bayer afirmou que, embora simpatize com a situação de Hardeman, vai recorrer.
“Estamos desapontados com a decisão do júri, mas esse veredito não tira o peso de mais de quatro décadas de pesquisa extensiva e as conclusões de órgãos reguladores ao redor do mundo que apoiam a segurança de herbicidas baseados em glifosato e que eles não são cancerígenos”, disse a empresa em comunicado.
“O veredito nesse julgamento não tem impacto em casos e julgamentos futuros, pois cada um é moldado por suas próprias circunstâncias factuais e jurídicas”, acrescentou a Bayer.
Apesar de a OMS ter classificado o glifosato como provavelmente cancerígeno, agências reguladoras como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em inglês), a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não seguiram a decisão.
A Bayer nega que o herbicida cause câncer e questiona as conclusões da OMS.
No ano passado, a Monsanto também perdeu um caso contra um funcionário de uma escola da Califórnia que sofria de linfoma não-Hodgkin e processou a empresa por conta dos herbicidas Roundup e Ranger Pro, ambos baseados em glifosato. A Monsanto recebeu ordem de pagar 289 milhões de dólares a Dewayne Johnson, mas a penalidade foi reduzida para 78,5 milhões. A Bayer também entrou com recurso.
No continente europeu, o glifosato também suscita polêmica. Depois de dois anos de debate acirrado, a União Europeia decidiu em 2017 renovar a permissão de uso do glifosato por mais cinco anos, citando a aprovação do composto pela EFSA. Mas a independência de um relatório da EFSA foi questionada após notícias na mídia sugerirem que trechos haviam sido copiados e colados de análises feitas pela própria Monsanto.
No Brasil, o glifosato é amplamente empregado pelo agronegócio, principalmente nos plantios de soja e milho transgênicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que a substância não causa câncer, mutações, e não é tóxica para reprodução ou provoca malformação no feto.
Fonte: Deutsche Welle

Glifosato: decisão da justiça americana associa agrotóxico liberado no Brasil a câncer.

Um júri de San Francisco, nos Estados Unidos, decidiu na terça-feira que o agrotóxico mais usado do Brasil e no mundo foi um “fator importante” no desenvolvimento do câncer de um homem.

Trata-se do herbicida Roundup, à base de glifosato, principal ingrediente ativo de diversos pesticidas usados em plantações e jardins.
No mês passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs manter liberada a venda de glifosato no Brasil, já que não haveria evidências científicas de que a substância cause câncer, mutações ou má formação em fetos.
O grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto, fabricante do produto, rejeitou fortemente as acusações de que a substância seja cancerígena.
Mas o júri decidiu por unanimidade que o pesticida contribuiu para o linfoma não Hodgkin (LNH) de Edwin Hardeman, de 70 anos, que vive na Califórnia.
A próxima etapa do julgamento vai considerar a responsabilidade e os danos causados pela Bayer.
Durante a segunda fase, que começa nesta quarta-feira, espera-se que os advogados de Hardeman apresentem evidências mostrando os supostos esforços da Bayer para influenciar cientistas, agências reguladoras e a opinião pública sobre a segurança de seus produtos.
O grupo alemão, que adquiriu o Roundup como parte da aquisição da concorrente americana Monsanto por US$ 66 bilhões, disse que ficou desapontada com a decisão inicial do júri.
“Estamos confiantes de que as evidências na segunda fase vão mostrar que a conduta da Monsanto foi apropriada e que a empresa não deve ser responsabilizada pelo câncer de Hardeman”, declarou a empresa.
A Bayer continua “a acreditar firmemente que a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não causam câncer”.
Este é o segundo processo de cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup a ir a julgamento nos EUA.
Em agosto do ano passado, a Monsanto foi condenada em primeira instância pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer – ele alegava que a doença foi causada por herbicidas da empresa, como o Roundup.
As ações da Bayer despencaram na época.
A indenização foi posteriormente reduzida para US$ 78 milhões e está em fase de recurso.

Uso frequente

A Bayer argumenta que décadas de estudos e avaliações regulatórias mostraram que o agrotóxico é seguro para uso humano.
Hardeman usou o herbicida com regularidade de 1980 a 2012 em sua propriedade em Sonoma County, na Califórnia, e acabou sendo diagnosticado com linfoma não Hodgkin, que tem origem nas células do sistema linfático.
Seus advogados, Aimee Wagstaff e Jennifer Moore, afirmaram em comunicado conjunto que seu cliente estava “satisfeito” com a decisão.
“Agora podemos nos concentrar nas evidências de que a Monsanto não adotou uma abordagem objetiva e responsável para a segurança do Roundup”, acrescentaram.
“Em vez disso, fica claro pelas ações da Monsanto que a empresa não se importa particularmente se seu produto está, de fato, causando câncer às pessoas, e em contrapartida se concentra em manipular a opinião pública e enfraquecer quem levanta preocupações genuínas e legítimas sobre a questão.”
Outro julgamento envolvendo o Roundup está marcado para começar no dia 28 de março no tribunal estadual de Oakland, também na Califórnia – um casal com linfoma não Hodgkin afirma que a doença foi causada pelo pesticida.

O que é glifosato?

O glifosato foi introduzido pela Monsanto em 1974, mas sua patente expirou em 2000, e agora o produto químico é vendido por vários fabricantes. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância.
Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), concluiu que o glifosato era “provavelmente cancerígeno para humanos”.
No entanto, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA insiste que é seguro quando usado com cuidado.
A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) também afirma que é improvável que o glifosato cause câncer em humanos.
Em novembro de 2017, os países da União Europeia votaram para a renovação da licença do glifosato, apesar das campanhas contra a substância.
Fonte: BBC

segunda-feira, 1 de abril de 2019

PNUD promove recuperação do Cerrado brasileiro para proteger ciclos hidrológicos.

Conhecido como “berço das águas” ou “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga oito das 12 regiões hidrográficas do país e abastece seis das oito grandes bacias brasileiras. Mas o bioma também é conhecido pelos altos índices de degradação ambiental — a devastação da sua cobertura vegetal já alcançou 52%. O desmatamento afeta o ciclo hidrológico dos ecossistemas, prejudicando o abastecimento da população.

Conhecido como “berço das águas” ou “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga oito das 12 regiões hidrográficas do país e abastece seis das oito grandes bacias brasileiras. Mas o bioma também é conhecido pelos altos índices de degradação ambiental — a devastação da sua cobertura vegetal já alcançou 52%. O desmatamento afeta o ciclo hidrológico dos ecossistemas, prejudicando o abastecimento da população.
“Isso aqui é a vida nossa. Quando a gente vê que mais de 50% do Cerrado foi destruído, dá uma dor enorme no coração porque é muito difícil viver num local sem água”, lamenta Madalena Isabel Ferreira, de 24 anos, moradora de São João do Paraíso (MG).
A geraizeira — nome dado às populações tradicionais do Cerrado — defende o uso sustentável dos recursos naturais, como forma de garantir qualidade de vida para os filhos e netos.
Para João Ferreira, agricultor nascido e criado no território, a água é uma dádiva divina e está sendo afetada pelo mau uso do homem, deixando as comunidades sem esperança.
A recuperação dos recursos hídricos do Cerrado é um dos focos do Projeto Bem Diverso, fruto de uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF). A iniciativa contribui para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial sobre Água Potável e Saneamento (ODS 6), Vida na Água (ODS 14) e Vida Terrestre (ODS 15).
O coordenador do Bem Diverso e pesquisador da EMBRAPA, Anderson Sevilha, explica que viu a necessidade de recuperar áreas e águas do Cerrado ao chegar ao Território de Alto Rio Pardo (MG), onde trabalharia com o uso sustentável da biodiversidade.
“Dentro desse processo, estamos adaptando o trabalho com o manejo do uso da biodiversidade, pensando em como restaurar o Cerrado, as águas e, sobretudo, os povos deste território e sua cultura.”
Uma das técnicas já desenvolvidas — e que tem demonstrado sucesso na restauração ecológica do bioma — é a semeadura direta. O método consiste na reintrodução de todos os estratos de vegetação do Cerrado (ervas, arbustos e árvores) a partir da plantação de sementes nativas, coletadas pelos próprios moradores da região.
A cobertura vegetal do Cerrado é fundamental para garantir os fluxos hídricos. O bioma influencia o regime de chuva de diversas regiões do Brasil, carregando a umidade e o vapor d’água da Bacia Amazônica para o Sul e Sudeste do país.
O conhecimento das comunidades tradicionais sobre a ecologia do Cerrado, bem como sobre a interação das suas espécies com a água, o solo e o fogo, é determinante para o estabelecimento da rede de restauradores de Alto Rio Pardo.
O Bem Diverso capacita os moradores, jovens estudantes e parceiros locais para a realização de atividades a partir de uma unidade demonstrativa de restauração.
“Já fizemos a recuperação na beira das nascentes dos córregos com plantas frutíferas e nativas e, agora, estamos com o trabalho de cercamento de mais de 6 km de nascente para a contenção de água e o abastecimento do lençol freático”, conta o agricultor José da Silva.
O pequeno produtor afirma que o projeto foi importante para melhorar a vida de mais de 120 famílias e 360 pessoas da região. “Muitas delas chegam de comunidades vizinhas para pegar água de carro-de-boi, carroção”, acrescenta o morador da comunidade de Roça do Mato.
A recuperação do Cerrado não preocupa apenas os geraizeiros. As Nações Unidas declararam o período de 2021 a 2030 como a Década Internacional sobre Restauração de Ecossistemas. O período é uma oportunidade de fortalecer medidas para combater a crise climática e melhorar a segurança alimentar, o fornecimento de água e a biodiversidade.
Fonte: ONU