terça-feira, 16 de abril de 2019

Cientistas estudam um “caso a três” de águias, que criam juntos os filhotes.

Um grupo de águias virou notícia quando começou a criar três filhotes da espécie juntos. O “trisal”, composto por dois machos (Valor I e Valor II) e uma fêmea (Starr), divide as tarefas e vivem no mesmo ninho, construído à beira do Rio Mississipi, nos Estados Unidos.

Segundo a organização Stewards of the Upper Mississippi River Refuge, que vem documentando a vida dos pássaros em sua página no YouTube, não é a primeira vez que o fenômeno é registrado. Apesar de rara, essa configuração familiar já foi vista anteriormente na espécie.
O que diferencia esse “caso a três” é o fato de que ambos os machos copulam com a fêmea, enquanto, no passado, um dos machos atuava apenas como um tipo de “babá” para os filhotes do casal reprodutor.
Segundo a Sociedade Nacional Audubon, que vem documentando a atividade dessas aves, uma outra fêmea, Hope, fazia parte do grupo antes de Starr. “O macho era irresponsável para incubar os ovos e alimentar os filhotes, que, na verdade, eram suas únicas duas tarefas”, afirmou Pam Steinhaus, gerente de serviços de visitantes do refúgio.
Foi aí que Hope decidiu procurar outro parceiro. Contudo, pouco tempo depois do trio começar a viver junto, a fêmea foi morta num ataque de outras aves — em circustâncias consideradas misteriosas. “Os pesquisadores não encontraram nenhum sinal de Hope nem penas no chão onde ocorreu a luta”, afirmaram os cientistas.
Dessa forma, Valor I e Valor II continuaram criando os filhotes juntos por um tempo, até encontrarem Starr no outono de 2018. Eles estão unidos desde então e a primeira ninhada fruto da relação nasceu em março de 2019.
Fonte: Revista Galileu

Nascimento de corais na Austrália cai em 89% por mudanças climáticas.

Um estudo publicado na Revista Nature mostrou que, devido aos efeitos das mudanças climáticas, o número total de novos corais caiu 89% na Grande Barreira de Coral, localizada entre as praias do nordeste da Austrália e Papua-Nova Guiné e considerada o maior sistema de corais do mundo. A morte de grande parte do recife ocorreu após um branqueamento em massa, que aconteceu em 2016 e 2017.

Os resultados do estudo também mostraram que o número de espécies produzidas no coral mudou bastante: a quantidade de pólipos do gênero Acropora, que costumavam dominar o coral, diminuiu em 93%. Tradicionalmente, os  Acropora compõem dois terços de um coral saudável e servem de refúgio para diversos peixes e animais aquáticos.
De acordo com o líder do estudo, Terry Hughes, do Centro de Excelência para Estudos em Corais, como o processo de recuperação dos corais leva uma década, se os eventos de branqueamento ocorrerem antes que os corais tenham tempo de se recuperarem, há uma incerteza a respeito do futuro deles nos próximos anos.
“ Nós temos uma segunda fase na qual as espécies têm a chance de se recuperarem, mas o que estamos vendo é que a recuperação está acontecendo bem mais devagar já que restam apenas 10% de bebês na população de corais”, afirmou Hughes ao jornal britânico The Guardian.
Para que a recuperação aconteça, segundo o pesquisador, são necessários corais adultos, mas isso não acontecerá tão depressa. Ele citou a ilha de Lizard, que fica na Grande Barreira de Corais em Queensland, onde a taxa de crescimento de novos corais é de apenas 4%.
“Nós não estamos falando que os corais estão condenados, mas estão em uma nova trajetória. O modo como o coral está conectado e o seu número de espécies estão mudando”, alertou Hughes.
Fonte: Revista Galileu

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Como nascem os lixões no Brasil.

Passados quase cinco anos do prazo dado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para o fim dos lixões no Brasil, que venceu em julho de 2014, cerca de metade dos municípios brasileiros ainda destina seus resíduos incorretamente. E, na semana que passou, durante a Marcha de Prefeitos a Brasília, parte deles voltou a pleitear um novo adiamento do prazo ao Congresso e foi aprovado um requerimento que pede urgência urgentíssima para a votação da prorrogação do prazo.

Mais do que mais prazo, porém, o que talvez as cidades precisem é entender as causas do problema para atacá-lo. É o que sugere um estudo elaborado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) que analisou os fatores que tornam as cidades mais propensas a adequarem corretamente seus resíduos ou não. O trabalho, divulgado com exclusividade pelo Estado, revela como surgem os lixões no Brasil.
Os pesquisadores desenvolveram um modelo matemático que analisou fatores socioeconômicos que podem ter mais impacto na capacidade da cidade de lidar com o lixo e concluíram que três são os mais significativos: índice de crianças matriculadas na escola; independência financeira do município e densidade populacional. É relevante ainda a existência ou não de taxas específicas de limpeza urbana.
O trabalho, que será divulgado nesta segunda-feira, 15, durante o Seminário Internacional de Resíduos Sólidos, em São Paulo, considera a base de dados do Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (Islu), criado em 2016 pelo Selurb para mensurar o grau de aderência das cidades às metas e diretrizes fixadas pela política nacional. Da edição anterior do levantamento, de 2018, participaram 3.374 cidades – 53% ainda têm lixões.
Entre aquelas que fazem a destinação correta dos resíduos, a média de crianças entre 6 e 14 anos matriculadas na escola é de 87,26%. Já nos municípios com lixões, a taxa cai para 84,9%. A densidade populacional dos primeiros é de 264,40 hab/km², já dos segundos, de 78,55 hab/km².
O gasto com limpeza urbana no orçamento também difere consideravelmente: a média é de R$ 534,10/mês nas cidades com destinação adequada, ante R$ 73,50 nas com lixão. Em relação à participação das transferências intergovernamentais na receita do município é de 79,14% ante 90,82%, respectivamente.
“Basicamente, quanto menos educação, maior dependência de repasses estaduais e federais e menor densidade demográfica (ou concentração urbana – municípios com área muito grande e população espalhada), mais vulnerável está o município ao surgimento de lixões”, resume o economista Jonas Okawara.
Um exemplo do que indica o estudo é Resende, no Rio, onde os indicadores educacionais e de dependência financeira não são bons. A cidade até possui economia de escala, com 115 hab/km², mas seus gastos com limpeza urbana são de R$ 14 por habitante por mês. A cidade ainda destina seus resíduos para um lixão.
Na outra ponta está Joinville, que faz a destinação correta dos resíduos: 96% das crianças estão matriculadas; a dependência de recursos intergovernamentais é baixa (44%); a densidade populacional é de R$ 512 hab/km² e, juntando orçamento com taxa de lixo, o valor por habitante é de R$ 22/mês.
Há, no entanto, exceções ao modelo. É o caso de Macaé (RJ), sede das operações da Petrobras na Bacia de Campos. Apesar de ter indicadores muito bons – 99% de crianças matriculadas; 44% de dependência financeira; 200 hab/km2 e um gasto de R$ 31,5 por hab/mês com limpeza urbana -, a cidade ainda destinava seus resíduos para um lixão até o ano passado. Desde o início de 2019, no entanto, a destinação final dos detritos é um aterro sanitário, conforme preconizado.

Soluções

O trabalho também aponta soluções: o aumento em 10% no número de crianças matriculadas nas escolas pode diminuir em 3,6% a probabilidade das cidades destinarem os seus resíduos em lixões. Já o aumento de 1.000 hab/km² pode diminuir em 2,1% essa probabilidade.
Com isso, diz Okawara, ganha-se em escala econômica, tornando mais viável a coleta. Outra sugestão já conhecida é a adoção de consórcios entre cidades vizinhas pequenas para compartilhar os custos e viabilizar o serviço. Por outro lado, o aumento da dependência das transferências intergovernamentais em mais 10% acresce a probabilidade de a cidade destinar resíduos inadequadamente em 10,6%.
“Quanto maior essa dependência, maior a chance de ter lixão. Para ter a destinação adequada é preciso ter condições de fazer o custeio operacional para manter a operação. Se não tem autonomia para fazer a gestão, isso facilmente pode se deteriorar. Há cidades que chegaram a fazer aterros sanitários e começar a fazer a destinação correta, mas quando perdeu essa autonomia, rapidamente voltou a ter lixão”, diz Okawara.

Turística, Resende tem descarte irregular

Resende é considerado um dos mais importantes municípios do interior do Rio. Sede do maior complexo militar da América Latina – a Academia Militar das Agulhas Negras -, da única indústria de enriquecimento de urânio do Brasil e da maior fábrica de caminhões do País, o município é também uma referência regional no turismo; perdendo apenas para a capital em número de visitantes.
Em contraste com a aparente pujança, porém, a cidade guarda uma alta dependência de recursos intergovernamentais (63%). E tem índices educacionais abaixo do esperado: 83% das crianças entre 6 e 14 anos estão na escola – os dois fatores tornam a cidade mais propensa a não ter um descarte adequado de resíduos sólidos, como sugere o estudo do Serlurb (leia mais na pág. ao lado). De fato, Resende convive com um lixão.
“O lixão é uma armadilha porque, embora aparentemente seja uma solução mais barata, acaba saindo caro a médio e longo prazo”, explica o pesquisador da Coppe/UFRJ Luciano Basto Oliveira, especialista em resíduos sólidos e planejamento energético. “Os maiores riscos são o da contaminação do solo e do lençol freático (com eventuais problemas de saúde para a população). Estudo da Organização Mundial de Saúde mostra que metade dos leitos hospitalares do mundo são ocupados por doenças relacionadas à falta de saneamento básico.”
Desde 2007, uma ação civil pública pede o fechamento do lixão que fica na área rural do município e recebe diariamente 100 toneladas de detritos não só de Resende, mas também de Penedo e Visconde de Mauá.
O presidente da Agência do Meio Ambiente de Resende, Wilson Moura, afirmou que o lixão está em processo de encerramento das atividades, o que deve acontecer em, no máximo, três meses. Segundo Moura, o município já licitou e contratou a Central de Tratamento de Resíduos de Barra Mansa para receber os resíduos de Resende.
“Em geral, a grande dificuldade de solucionar o problema está na necessidade de atender às questões ambientais, sociais (catadores de lixo) e econômicas”, disse. “E para a construção de novos aterros, centrais de tratamento ou usinas são necessários diversos estudos que atendam a processos morosos de licenciamento ambiental.”

Dificuldades

Analista técnica da Confederação Nacional de Municípios, a geógrafa Cláudia Lins explica que o aterro sanitário é uma estrutura cara, de operação e manutenção complexas e que só é viável economicamente para municípios com mais de 100 mil habitantes. Ela lembra que 90% dos municípios do País tem menos de 50 mil habitantes e que tais diferenças regionais deveriam ser levadas em conta no momento de se fazer exigências no descarte de resíduos.
“A política pública de resíduos sólidos é de competência comum de União, Estados e municípios. Ou seja, União e Estado devem dar apoio financeiro ao município para que o serviço seja prestado”, disse. “Vivemos num País com desigualdades socioambientais enormes, em que todos os municípios são tratados como iguais. A realidade de São Paulo não é a mesma de qualquer outro Estado de Norte e Nordeste, por exemplo. Como fazer gestão de resíduos da mesma forma? A lei tem que dar condições diferenciadas para ser cumprida nos municípios menores. E a única alternativa da lei é a do aterro sanitário.

Aterros regionais diminuíram o problema no MS

O seminário desta segunda-feira vai destacar um caso de sucesso desenvolvido no Mato Grosso do Sul a partir do Projeto Resíduos Sólidos – Disposição Legal. A parceria criada em 2015 entre o Ministério Público do Meio Ambiente e o Tribunal de Contas do Estado teve foco em implantar fontes de arrecadação específicas para custear os serviços de limpeza urbana e promover acordos regionais para viabilizar a atividade por meio de ganho de escala, além de acordos para tramitações de processos judiciais relacionados ao tema.
Quando o projeto teve início, 80% das 79 cidades destinavam seus resíduos para lixões. Hoje são 41%. Em volume de resíduos, 75% do que é gerado nas residência hoje vai para aterros sanitários regionalizados. Em 2015, apenas três cidades possuíam algum modelo de cobrança pelo serviço de limpeza urbana. Hoje são 20.
“Ainda há muito o que caminhar, mas percebemos que sem uma união de esforços isso não seria possível. A arrecadação específica e a regionalização dos aterros são fundamentais para o Brasil resolver esse problema”, conta o promotor Luciano Loubet, diretor do Núcleo Ambiental do Ministério Público do Mato Grosso do Sul.
Fonte: Estadão Conteúdo

Ibama identifica cultivo ilegal de Organismos Geneticamente Modificados em 14 propriedades rurais.

O Ibama identificou cultivo irregular de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em 14 de 40 propriedades rurais fiscalizadas no entorno de quatro Unidades de Conservação (UCs) federais. A constatação ocorreu na etapa mais recente da Operação Quimera, realizada com o objetivo de investigar o cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas de soja, milho e algodão em áreas protegidas de cinco estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Piauí e Tocantins.
Agentes ambientais do Instituto inspecionaram regiões que abrigam o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, a Reserva Extrativista de Recanto das Araras de Terra Ronca e o Parque Nacional das Emas.
O menor índice de irregularidades relacionadas às normas de biossegurança foi observado no Parque Nacional das Emas, que já havia sido alvo de ações do Ibama. Entre as 26 propriedades vistoriadas no entorno da unidade, 19 apresentaram resultado negativo nos testes realizados para identificar variedades geneticamente modificadas.
Foram aplicados 16 autos de infração. Dos 1.850,31 hectares com irregularidades, cerca de 18% estavam em UCs. Agentes ambientais emitiram termos de suspensão de venda e embargos que serão mantidos até a comprovação da remoção integral dos OGMs. Outras sanções, como apreensão de safras, podem ser aplicadas quando o volume de vegetais colhidos for calculado.
A Lei n.º 11.460/2007 proíbe a pesquisa e o cultivo de organismos geneticamente modificados em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Até que seja fixada a zona de amortecimento e aprovado o respectivo Plano de Manejo, cabe ao poder executivo estabelecer os limites para o plantio de OGM no entorno de UCs.
O cultivo de OGMs não descritos no Decreto Federal n° 5.950/2006 permanece restrito em zonas de amortecimento das Unidades de Conservação, com exceção para Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
A presença de OGMs no meio ambiente pode ocasionar transferência de genes para espécies selvagens, desenvolvimento de resistência a pesticidas e surgimento de superpragas, além de causar danos às espécies nas proximidades das lavouras.
O Ibama também fiscaliza o cumprimento das normas de biossegurança (Lei n.º 11.105/2005) relacionadas a cultivo, produção, manipulação, importação, exportação, transporte, armazenamento, pesquisa, descarte e liberação de OGMs no meio ambiente.
Fonte: Ibama

sábado, 13 de abril de 2019

Cientistas desenvolvem madeira artificial que é transparente.

Durante um encontro da Sociedade Química Americana ( ACS), que ocorreu no dia 3 abril de 2019 na Flórida, EUA, um time de cientistas anunciou a criação de um material inovador para indústria da construção civil: uma madeira transparente que consegue absorver e liberar calor. A matéria poderia ser usada como substituta ao concreto, plástico ou vidro para a construção de casas sustentáveis.

Os pesquisadores ainda buscam desenvolver uma versão mais biodegradável para aumentar as propriedades ecológicas da madeira transparente. O material servirá para  economizar energia elétrica, funcionando de modo semelhante a janelas de vidro que transmitem energia, aquecendo e iluminando as casas.
“Nós preparamos um material multifuncional — ele consegue transmitir energia muito bem e ainda reter calor. Combinamos as duas funções em apenas uma matéria”, disse Céline Montanari, do Instituto de Tecnologia KTH de Estocolmo, ao jornal  The Guardian.
Para produzir a madeira transparente, os pesquisadores utilizaram um estudo anterior, de 2016,  publicado no jornal Biomacromolecules. No trabalho, eles pegaram uma madeira vinda da árvore Pau-de-balsa e removeram a lignina, um componente que dá à madeira a sua cor e força.
Depois, foi introduzido acrílico à amostra, preenchendo os poros onde fora retirada a lignina e os pontos onde a árvore conduzia água. Com isso, os pesquisadores alcançaram a transparência, mas eles ainda queriam que a madeira ganhasse a propriedade de armazenar energia.
Assim, no estudo seguinte — promovido pelo Conselho Europeu de Pesquisa e pela Wallenberg Foundations — foi misturado o acrílico ao Polietilenoglicol, que quando aquecido absorve energia e derrete. De acordo com os cientistas, esse componente foi o que permitiu que a madeira produzida possa ser utilizada em construções com eficiência de energia, ao captar fonte do Sol durante o dia.
Fonte: Revista Galileu

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Aumento de gases do efeito estufa prejudica oxigenação dos oceanos, diz ONU.

O aquecimento global e o aumento das concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera têm provocado efeitos devastadores na vida marinha e na saúde dos oceanos. Os fenômenos associados às mudanças climáticas têm provocado a perda de oxigênio nos ecossistemas azuis, além das mortes dos recifes de corais e a acidificação dos mares. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Biólogos marinhos poderão te contar que espécies de peixes como o atum e o peixe-espada, conhecidos como mergulhadores de águas profundas, por caçarem a 200 metros abaixo de profundidade, estão cada vez mais sendo vistos na superfície.
A razão para essa guinada de comportamento é que as temperaturas mais quentes dos mares acabaram com o oxigênio da água, o que torna respirar — o que dirá, caçar — em águas profundas uma tarefa difícil para esses predadores. Quanto mais calor a atmosfera do planeta armazena, mais quente os oceanos ficam.
“Se você pensa no aquecimento dos oceanos, pense (também) na elevação do nível do mar, nas mortes de recifes de corais e na acidificação dos oceanos”, lembra o enviado especial das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, em entrevista à ONU Meio Ambiente.
“Isso (tudo) fará com que seja mais difícil para as formas de vida existentes no oceano sobreviver no oceano.”
Em diálogos sobre questões oceânicas, os efeitos dos gases do efeito estufa, como o ozônio em nível terrestre e o dióxido de carbono, não recebem tanta atenção quanto o problema dos plásticos, por exemplo — em grande medida porque esses gases não são visíveis. Mas o oxigênio é tão essencial nos mares quanto em terra. Embora as temperaturas crescentes do mar possam variar em diferentes profundidades, elas levaram zonas profundas, já com baixo volume de oxigênio, a perder ainda mais oxigênio, transformando os habitats da vida subaquática.
Um relatório publicado recentemente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que mais de 90% da energia armazenada pelos gases do efeito estufa vai parar nos oceanos. O ano passado testemunhou novas altas da temperatura dos oceanos a 700 metros e 2 mil metros de profundidade. A elevação bateu o recorde anterior, de 2017.
Thomson, que recebeu do secretário-geral da ONU, António Guterres, o mandato de impulsionar a conservação e o uso sustentável dos oceanos, diz que deveríamos, todos, preocupar-nos com esses dados, mesmo que vivamos bem longe do litoral, porque “para cada duas vezes que inspiramos oxigênio, em uma delas nós inspiramos oxigênio produzido pela vida no oceano”.
O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano foca na poluição do ar e em como podemos fazer mudanças em nossas vidas cotidianas para não só reduzir a quantidade de poluição do ar que produzimos, como também eliminar a sua contribuição para o aquecimento global.
Gases do efeito estufa são a principal fonte de poluição do ar e incluem dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre. Enquanto alguns gases são produzidos por meio de processos naturais, como a respiração dos animais e das plantas, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis, a criação da pecuária e as emissões de veículos, aumentaram o volume dessas substâncias na atmosfera.
A ONU Meio Ambiente afirma que a poluição originária de fontes terrestres traz preocupações particulares para os oceanos, devido a formas reativas de nitrogênio, entre elas, o óxido nitroso — um potente gás do efeito estufa. O acúmulo de nitrogênio de emissões atmosféricas e do escoamento de resíduos, junto com o fósforo, pode provocar florações de algas que são prejudiciais à vida marinha e causam falta de oxigênio no oceano — o que, por sua vez, pode matar peixes, caranguejos, ostras e outros animais aquáticos.
“Esse problema global, comparado à questão da poluição dos plásticos, passa tipicamente ‘despercebida’, mas não é menos importante, uma vez que se soma à poluição de nutrientes (oriunda) das águas residuais, de outros escoamentos agrícolas e industriais que são levados para o meio ambiente marinho pelos rios”, afirma Christopher Cox, oficial de gestão de programas sobre poluição marinha na ONU Meio Ambiente.
Os oceanos são, de longe, o maior estoque de carbono no planeta, absorvendo em torno de 93% do gás carbônico. Mas, por conta da expansão das atividades humanas, os mares estão lutando para acompanhar o ritmo. É por isso que a sociedade civil, os governos e as empresas têm que trabalhar juntos para reduzir os poluentes.
“O oceano tem sido um amortecedor contra a mudança extrema do clima, mas estamos pressionando os seus limites”, acrescenta Gabriel Grimsditch, oficial de gestão de programas para ecossistemas marinhos na ONU Meio Ambiente.
“O aquecimento dos oceanos, a acidificação dos oceanos e o aumento do nível do mar são, todas, consequências de um sistema que está poluindo o mundo e colocando a vida em terra, e debaixo d’água, em risco.”
Sobre o fato de a luta contra o plástico ter se tornado o estandarte da ação pelos oceanos, Thomson afirma que isso foi “realmente útil”, pois trouxe muito engajamento público com o “ecossistema azul”, incluindo a proibição dos plásticos descartáveis em alguns países.
Contudo, se quisermos preservar a vibrante vida nos oceanos, uma batalha bem maior precisará ser travada, a fim de que o mundo se mantenha abaixo da meta de aquecimento global de 2°C, definida pelo Acordo de Paris.
“Estão chamando a 25ª Conferência das Partes (sobre Mudança do Clima) de ‘a COP Azul’, um reconhecimento de que os oceanos e o clima são inseparáveis”, diz Thomson. “É tudo um ecossistema só.”
Fonte: ONU

Ministério da Agricultura libera mais 31 agrotóxicos.

O Ministério da Agricultura liberou o registro de 31 novos agrotóxicos no país. Entre os produtos 16 foram considerados extremamente tóxicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A liberação dos defensivos agrícolas foi publicada nesta quarta-feira (10/04) no Diário Oficial da União.

Alguns pedidos de liberação estavam em análise desde 2011. Com as últimas autorizações, nos primeiros 100 dias de governo, o ministério da Agricultura já deferiu o registro de 152 agrotóxicos. Esses processos de autorização já tramitavam desde o ano passado. O governo de Jair Bolsonaro publicou, no entanto, o pedido de registro de outros 322 defensivos agrícolas, que passarão por avaliações.
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendeu numa audiência na Câmara dos Deputados na terça-feira os critérios usados para liberação de defensivos agrícolas. Durante o debate que durou cinco horas, ela afirmou que há uma desinformação sobre o tema e disse que intoxicações são causadas pelo uso incorreto de pesticidas.
“Os pequenos produtores não têm essa capacitação feita para que eles tenham o cuidado e apliquem com roupas apropriadas, equipamentos apropriados, façam lavagem do equipamento e não fumem. Às vezes o sujeito fuma aplicando, e no cigarro ele acaba ingerindo o produto químico que ele está utilizando na aplicação do solo”, alegou Tereza Cristina.
A ministra, que presidiu a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e foi apelida no Congresso de “Musa do Veneno” por defender quando foi deputada federal leis para a flexibilização das regras para a fiscalização e aplicação de agrotóxicos no país, usou ainda o termo “remédios para plantas” ao falar de agrotóxicos.
A ministra negou ainda que esteja ocorrendo uma liberação geral de agrotóxicos e alegou que os longos processos para a aprovação de defensivos agrícolas atrasam o agronegócio. O processo de avaliação de novos produtos pode chegar a até cinco anos e passa por análises da Anvisa, Ibama e do próprio Ministério da Agricultura.
Na mesma audiência, Tereza Cristina afirmou ainda que os brasileiros não passam fome devido à existência de mangueiras nas cidades. “Agricultura para países que tiveram guerra, que passaram fome, é questão de segurança nacional. Nós nunca tivemos guerra, nós não passamos muita fome porque temos manga nas nossas cidades, nós temos um clima tropical. Nós temos miséria, e precisamos tirar o povo da miséria”, argumentou.
Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Entre 2009 e 2017, a quantidade de defensivos agrícolas comercializados no país quase dobrou, alcançando cerca de 540 mil toneladas.
Entre os produtos mais vendidos estão agrotóxicos que foram proibidos na União Europeia, devido à alta toxidade, como o herbicida Paraquat e inseticida Acefato. Já o glifosato, apontado como causador de câncer em julgamento na Califórnia, segue inabalável no Brasil.
Fonte: Deutsche Welle