terça-feira, 7 de novembro de 2017

MEIO AMBIENTE

Ibama combate nova frente de desmatamento no entorno de Mojuí dos Campos, no PA

Em operação na área dos Projetos de Assentamento (PAs) Moju I e II, agentes ambientais flagraram desmatamento em estágio inicial e apreenderam dois caminhões, um trator e 67 metros cúbicos de madeira, o equivalente a 4 caminhões toreiros carregados. O responsável foi autuado em R$ 20,1 mil por explorar recursos florestais sem autorização do órgão ambiental competente. O processo administrativo será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração da responsabilidade penal.
Os infratores foram flagrados ao carregar os caminhões com a madeira ilegal em área destinada a projeto de assentamento. Os bens apreendidos foram levados para a Gerência Executiva do Ibama em Santarém.
Em Rurópolis, a 200 km de Mojuí dos Campos, a operação Onda Verde resultou na apreensão de quatro motos, três motosserras e quatro armas de fogo, após flagrante de extração ilegal de madeira que atingiu 260 hectares.
“O objetivo do Ibama é impedir a expansão do desmatamento na Amazônia”, disse o agente ambiental Tiago Soares, que coordenou as duas operações de combate ao roubo de madeira no Pará.
Fonte: Ibama

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

FAUNA

Pesquisadores registram tatu-canastra pela primeira vez na reserva Cisalpina

Pela primeira vez, exemplares de tatu-canastra foram registrados na Reserva Cisalpina, no Mato Grosso do Sul. A “façanha” foi descoberta por pesquisadores que realizam estudos da espécie no estado, por meio de armadilhas fotográficas instaladas ao redor do Rio Paraná, em Brasilândia.
Até então só haviam relatos de moradores locais quanto a presença do animal na área, mas nada que comprovasse sua existência cientificamente. As imagens foram registradas em novembro do ano passado, mas somente agora divulgadas por pesquisadores do projeto Tatu-Canastra, desenvolvido pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas eThe Royal Zoological Society of Scotland.
Esta é a única área em território brasileiro desse corredor tri-nacional onde a espécie é agora conhecida.
“A aparição é importante porque permite conhecer os hábitos  desses animais e desenvolver ações para sua preservação. A proteção dessa reserva é fundamental para a conservação da espécie, que está na lista vermelha das espécies ameaçadas”, disse um dos pesquisadores, o biólogo Gabriel Fávero Massocato.
As armadilhas fotográficas permitiram registro de três tatus-canastra fêmeas e ainda 30 tocas atribuídas a escavações da espécie, conhecida como “engenheiro do ecossistema”.
Essas tocas são usadas como abrigo e conforto térmico por aproximadamente 35 outras espécies, indicando indicando sua importância na manutenção da qualidade de habitat para um grande número de animais nesse corredor de biodiversidade.
Tatu-Canastra é o maior da espécie de tatu e pode medir até 1.50 metros e pesar até 50 quilos. Devido ao seus comportamento noturno a sua baixa densidade populacional, este animal é raramente encontrado.
O animal consta da Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção e é classificado na categoria Vulnerável pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.
A área sofreu grande impactos devido a ações de desmatamento e inundações mas, hoje, é considerada o maior remanescente de floresta protegida e se tornou um grande refúgio para a biodiversidade ao longo do rio Paraná.
Ali, como o tatu-canastra não era conhecido até recentemente, não constava no Plano de Manejo para a área, elaborado pela CESP (Companhia Energética de São Paulo) em 2006.
Desde 2010, o projeto Tatu-Canastra realiza pesquisas científicas para a proteção da espécie no Pantanal e Cerrado do MS. No Brasil, a espécie pode ser encontrada na Floresta Amazônica, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Nos pampas, é considerado extinto e não há registros da espécie na Caatinga
Outra conclusão importante, de acordo com o biólogo, é que uma das fêmeas chegou a atravessar a rodovia BR-158. Cinco tatus-canastra já foram atropelados no estado esse ano.
Somente agora as imagens foram divulgadas em um artigo científico na revista Edentata – periódico de divulgação do Grupo de Especialistas em Tamanduás, Preguiças e Tatus da IUCN/SSC.
Oásis - A Cisalpina é a maior reserva ambiental do leste do estado e que faz parte de uma importante área do corredor de biodiversidade tri-nacional do Rio Paraná, de extrema importância para a conservação da fauna.
Trata-se de um remanescente das várzeas do rio Paraná e representa uma grande amostra do ecossistema que restou após o enchimento da hidrelétrica Sérgio Motta, em 1995. A paisagem é um mosaico com lagoas, córregos e canais interligados ao canal do rio Paraná, áreas abertas inundáveis e manchas florestais naturais.
Fonte: Campo Grande News

domingo, 5 de novembro de 2017

MEIO AMBIENTE

Escola pública do DF faz mutirão para revitalizar nascente em Santa Maria

Ao todo, cerca 80 crianças da Escola Classe 116 participaram da mobilização. Para a professora Cirlene Caetano, além do impacto ambiental positivo, a ação também tem finalidade educativa para as crianças, que aprendem sobre meio ambiente e sustentabilidade. “É uma aula ambiental mesmo, para que eles percebam essa importância.”
A estudante de 10 anos Manuela Ribeiro ajudou a recolher o lixo e disse que é “preciso cuidar da natureza”. Hadriel Reis, de 11 anos, também participou ativamente: “aprendi que é importante manter a natureza viva e os animais também”.
Quem auxiliou a professora a conduzir os estudantes foi o técnico ambiental da administração regional conhecido como Sassá. Ele disse à TV Globo que desenvolve trabalhos de preservação desde os anos 1990.
“As nascentes dependem das plantas. As plantas são como os cílios dos nossos olhos para os córregos e rios.”
Segundo o professor de ecologia da Universidade de Brasília (UnB) José Francisco Gonçalves, este tipo de trabalho é essencial para ajudar as plantas a reter água nas raízes. Ele informou que processo de recuperação de uma nascente degradada por ação humana pode levar até cinco anos.
“Parte dessa crise hídrica é em função da degradação das margens dos rios”, disse. “[A recuperação das margens] é fundamental para aumentar o volume de água que há nas nossas bacias hidrográficas.”
A administração de Santa Maria informou que vai plantar 6 mil mudas de espécies nativas do cerrado até dezembro – a região abriga outras nove nascentes. A primeira etapa do plantio está marcada para ocorrer no dia 17 de novembro.
Fonte: G1

sábado, 4 de novembro de 2017

ÁFRICA

A ambiciosa missão para salvar o Delta do Okavango, na África

O Delta do Okavango não desemboca no mar. Todo contido no interior da bacia hidrográfica, ele acaba num perímetro a sudeste, com a sua água sendo absorvida pelos espessos areais do Kalahari. É possível considerá-lo o maior oásis do mundo, um refúgio úmido que assegura a sobrevivência de uma miríade de vida selvagem: elefantes, hipopótamos, mabecos, antílopes, javalis, búfalos, leões e zebras, assim como de uma deslumbrante diversidade de aves – sem mencionar um setor turístico que movimenta centenas de milhões de dólares por ano. No entanto, dos céus, não dá para a gente avistar os crocodilos e os hipopótamos descansando. Tampouco os cães-selvagens acocorados à sombra dos arbustos espinhosos ou as expressões de contentamento estampadas no rosto dos visitantes e dos empreendedores locais. Outra coisa que também não dá para ver do alto é a origem de tanta água.
Essa água vem quase toda de Angola, o complicado vizinho de Botsuana, do qual é separado apenas por uma estreita faixa de território namibiano. A origem da água está nas terras altas úmidas e chuvosas, no centro de Angola, e de lá ela corre para a região sudeste do país, passando por importante área de drenagem, a bacia do Rio Cubango, e em seguida, mais lentamente, por outra, a do Rio Cuito, em que forma lagos; depois, infiltra-se pouco a pouco através de relvadas planícies aluviais, turfeiras e camadas arenosas subjacentes, até que acaba, afinal, engrossando afluentes. O Cuito e o Cubango se juntam na fronteira meridional de Angola, formando um rio mais caudaloso, o Okavango, que atravessa a faixa de Caprivi, um estreito território da Namíbia, e entra, por fim, em Botsuana. Em média, 9,4 trilhões de litros de água afluem a cada ano à região do delta. Se não houvesse essa dádiva líquida, o Delta do Okavango deixaria de existir.
“Já deveríamos estar fazendo algo”, me diz Boyes, no início de 2017, em um acampamento à margem do Rio Cubango, depois de uma jornada remando as canoas típicas locais, os mokoros, rio abaixo. Boyes cresceu em Johannesburgo, mas sempre foi apaixonado pela natureza. Enquanto preparava o doutorado, teve diversos empregos – foi atendente em vinícolas, guia turístico, gerente um camping no Okavango. Por volta de 2007, a questão do suprimento de água tornou-se cada vez mais óbvia para ele. Mas, sempre que quis soar o alerta em Botsuana, topou com uma reação marcada pelo fatalismo. “As pessoas não demonstravam interesse”, diz. Instigado, Boyes passou a prestar mais atenção no norte, nas cabeceiras dos rios. Ele esperava não só entender mas contribuir para a preservação do sistema fluvial.
Em 2017, angola talvez pareça um local improvável para levar adiante projetos visionários de conservação – por outro lado, ele oferece oportunidades incomuns. Embora tenha sido devastado pela guerra, o país está pacificado. Desde o início da década de 1960 até o começo do milênio, Angola permaneceu no topo da lista de nações que ninguém gostaria de visitar – a não ser que você fosse um combatente mercenário ou um negociante de diamantes. Uma das colônias africanas de Portugal, o país tornou-se independente em 1975, depois de uma brutal guerra de libertação, e em seguida foi palco de uma guerra civil que se prolongou por 27 anos, durante os quais serviu de campo de enfrentamento das superpotências, tendo o seu território recheado de minas terrestres − um cenário de sofrimento e violência.
Mas a situação mudou de maneira drástica desde 2002, quando o grupo rebelde Unita foi definitivamente derrotado, ao mesmo tempo que começou a extração e exportação em grande es-cala de petróleo, gerando um surto de crescimento econômico. “O mais importante que temos a dizer ao mundo é que Angola hoje desfruta de estabilidade”, me disse recentemente a ministra do meio ambiente Maria de Fátima Monteiro Jardim. “Estamos empenhados na preservação da natureza”, insistiu. O que esse compromisso significa na prática, porém, é algo difícil de dizer.
Fonte: National Geographic

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ações para salvar espécies do Cerrado e Pantanal

Brasília (01/11/2017) – Especialistas em peixes, anfíbios, répteis e primatas reuniram-se, em outubro, na Acadebio, na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó (SP), para definir ações de conservação para as espécies ameaçadas desses grupos taxonômicos que ocorrem no Cerrado, Pantanal e bacia Tocantins-Araguaia.
A oficina para elaboração do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado e Pantanal (CerPAN) foi organizada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e parceiros.
O evento contou com a participação de diversas instituições, como universidades, órgãos federais e estaduais de meio ambiente, ministérios públicos estaduais, organizações não governamentais e empresas públicas de pesquisa energética e agropecuária, totalizando 42 participantes. Antes, em setembro, houve oficinas preparatórias na PUC Goiás.
Durante a oficina na Acadebio foram elencados cinco objetivos específicos que deverão ser alcançados em cinco anos, por meio da execução de 33 ações de conservação propostas, que envolvem a incorporação da proteção das espécies alvo e seus habitats em políticas públicas, a redução da perda e degradação de habitats, a diminuição da retirada de indivíduos da natureza, bem como a geração e divulgação de conhecimento.
A partir de agora, o RAN e parceiros vão desenvolver esforços no sentido de concretizar as ações do CerPAN, de modo que elas possam reduzir o risco de extinção das espécies-alvo e as ameaças aos seus habitats.
Fonte: ICMBio

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Área de extração de bauxita em MG é recuperada com mata, café e pasto

A extração
O alumínio é um desses elementos da natureza que de tão incorporados no dia-a-dia muitas vezes as pessoas não se dão conta de onde é que ele vem.  Mas antes do metal virar diversos produtos, sua matéria-prima, a bauxita, precisa ser retirada do campo e isso afeta a natureza e a vida do agricultor.
A Zona da Mata de Minas Gerais é também conhecida como mar de morros devido a paisagem bonita bastante característica da região do estado. Os pontos mais altos dessa ondulação ficam em torno de 650, 850 metros de altitude. Justamente onde ocorre grande parte da bauxita encontrada no local.
A bauxita é a matéria-prima do alumínio e a cadeia de montanhas, um reservatório desse minério, que se estende numa faixa de 38 km de largura e 300 km de extensão, vai do município de São João Nepomuceno até Manhuaçu. Por dentro de toda a morraria existe algo em torno de 150 milhões de toneladas de bauxita.
A convite do Globo Rural, o agricultor Gilmar Ribeiro acompanhou o trabalho que está sendo feito nas terras que arrendou para a mineradora em São Sebastião da Vargem Alegre. Os quatro hectares onde ele tinha pasto e umas 15 cabeças de gado ficaram irreconhecíveis. “Por um lado a gente assusta, a gente não estava acostumado, não esperava assim, de tanto barranco assim”.
A remuneração acima da média é o que tem atraído os agricultores e feito com que eles permitam a extração nas suas propriedades. O valor depende da quantidade de bauxita na área e da atividade que se tinha na terra. A empresa ainda promete recuperar o terreno depois.
“O processo de lavra leva, em média, de um mês até cinco meses. O processo de lavra realmente é muito rápido e depois vem o processo de reabilitação que aí sim leva em torno de três a quatro anos”, explica o engenheiro de minas – CBA, Christian Fonseca de Andrade.
Não tem jeito. Se quer o alumínio é preciso saber que o trabalho de extração gera uma cena que muita gente pode associar a uma destruição. Do local da extração é tirada a vegetação, removida toda a terra da superfície até chegar ao minério que está mais para baixo. Nessa região do Brasil, a bauxita geralmente é encontrada a uma profundidade que varia de 50 centímetros a dois metros.
A formação da bauxita se deu há bilhões de anos basicamente com os altos e baixos da temperatura, as variações de umidade e a ação do vento. O agrônomo Ivo Ribeiro, especialista em solos da Universidade Federal de Viçosa, diz que, por conta dessas intempéries, onde há bauxita, a terra é naturalmente fraca. “O ambiente tropical úmido, chuvoso, favorece a perda desses nutrientes, isso auxilia na formação bauxita. Ou seja, a ocorrência do próprio minério bauxita está condicionada à perda dos nutrientes”.
No processo de escavação, a máquina leva poucos minutos para encontrar a bauxita. São  torrões de tonalidade mais clara que a terra. A partir de um determinado ponto, o minério pode chegar a uma profundidade de até 17 metros.
O trabalho de extração, no campo, resulta numa montanha gigantesca de argila, areia e bauxita. O material que ainda é bruto, vai passar por um processo de beneficiamento para separar o minério que representa 50% do total desse volume.
Na usina da Companhia Brasileira de Alumínio, em Miraí, uma sequência de esteiras se encarrega de fazer o trabalho. O que é descartado, fica na barragem de rejeito e a bauxita que jorra no final do processo ainda vai seguir para uma fábrica no estado de São Paulo. De cada 12 toneladas de bauxita que saem do local é possível fazer uma de alumínio.
Vale lembrar que a bauxita é um recurso não renovável e já que o solo onde ela se encontra é bastante frágil torna-se fundamental que a extração seja feita com planejamento ambiental, social e econômico.
Fonte: Globo Rural

A proteção do meio ambiente

O Decreto n.º 9.179/2017, que instituiu o Programa de Conversão de Multas Ambientais, pode representar um avanço sem precedentes na política de proteção ao meio ambiente do País caso o seu cumprimento seja acompanhado por uma diligente fiscalização.
De acordo com o disposto no decreto do Executivo, as multas ambientais devidas aos órgãos da União integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) poderão ser convertidas em prestação de serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.
É importante ressaltar que a possibilidade de conversão das multas ambientais em prestação de serviços não é uma novidade. Isso já estava autorizado pela Lei n.º 9.605/1998, a chamada Lei de Crimes Ambientais, e por outro decreto presidencial, de 2008. O novo decreto, no entanto, avança ao dar unidade programática à aplicação dos recursos, antes esparsa e sem mecanismos de controle, o que dificultava a fiscalização e o acompanhamento de sua eficácia.
Pelas novas regras, o autuado não poderá requerer a conversão das multas em investimentos em projetos de reparação de danos decorrentes de suas próprias infrações, cuja obrigação de reparar já é imposta pela legislação vigente. Independentemente de uma solicitação de conversão, o infrator já é responsável pela recuperação da área por ele degradada, passando a ser responsável também pela área que ajudar a recuperar.
Os projetos elegíveis ao recebimento dos recursos serão definidos pelo governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e órgãos federais a ele vinculados, como o Ibama.
O governo calcula que por meio das conversões de multas autorizadas pelo novo decreto cerca de R$ 4,6 bilhões poderão ser destinados a projetos ambientais, um volume de recursos jamais investido em ações dessa natureza. A título de comparação, o Fundo Amazônia, principal gestor de projetos e recursos destinados à preservação ambiental no País, aportou R$ 3,9 bilhões em projetos para a Região Amazônica na última década. O próprio orçamento anual do MMA para ações deste tipo – cerca de R$ 600 milhões – representa 13% dos recursos a serem destinados a projetos de preservação ambiental definidos a partir das regras do novo decreto presidencial. “É um avanço histórico”, disse Suely Araújo, presidente do Ibama.
Entre os projetos já eleitos pelo MMA como prioritários para o recebimento dos recursos estão a recuperação da Bacia do Rio São Francisco, cujo edital deverá ser publicado até o fim deste ano, e a do Rio Taquari, em Mato Grosso do Sul, previsto para o início de 2018.
Na cerimônia de assinatura do decreto, em Miranda, no Pantanal sul-mato-grossense, o presidente Michel Temer ressaltou que a medida “demonstra o compromisso do governo com a questão ambiental” e que um de seus grandes objetivos na área é “assegurar que caminhem juntos os que produzem e os que defendem o meio ambiente”.
O decreto é correto e oportuno. Entretanto, o País é pródigo em leis e decretos bem-intencionados que acabam sucumbindo à falta de fiscalização que os torna peças de ficção.
Por ano, o Ibama aplica cerca de R$ 3 bilhões em multas por infrações ambientais. Deste montante, a média histórica de arrecadação é de apenas 5%. Ou seja, de nada adianta um arcabouço normativo e toda a estrutura administrativa do órgão dedicada à fiscalização, se as punições aplicadas não são cumpridas e não há consequências mais graves aos infratores.
Há ainda o desvio de finalidade na aplicação dos recursos obtidos por meio dos raros casos de pagamento das multas. Apenas 20% desse valor, de acordo com o Ibama, vão para projetos ambientais. O restante entra no Orçamento da União e é destinado a projetos de naturezas diversas.
Para se traduzir, de fato, no avanço da proteção ambiental que representa, o Decreto n.º 9.179/2017 deve ter sua aplicação rigorosamente fiscalizada, sob pena de se perder no cipoal das letras mortas do país onde há as leis que “pegam” e as que “não pegam”.
Fonte: O Estado de São Paulo