sexta-feira, 5 de junho de 2020

Governo Federal cria programa para impulsionar renda de quem protege as florestas.

Serão destinados mais de R$ 500 milhões ao programa Floresta +

Amazônia: Brasil possui o maior patrimônio de biodiversidade do mundo – Foto: Fotos Públicas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou, na última quinta-feira (4), o programa Floresta +. De acordo com a pasta, o programa quer impulsionar a renda daqueles que exerçam atividades efetivas e duradouras que proporcionem ganho ambiental relevante. Por isso, o MMA vai destinar mais de R$ 500 milhões para iniciativas de conservação e recuperação do meio ambiente na região amazônica.

De acordo com o ministério, fazer cerca, vigilância, combate a incêndios, proteção do solo, monitoramento, pesquisas sobre biodiversidade, plantio de espécies nativas, atividades agroflorestais, atividade integrada lavoura-pecuária-floresta são exemplos de atividades que serão reconhecidas e/ou remuneradas pelo programa.

O programa Floresta + é destinado a pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, grupo familiar ou comunitário que, de forma direta ou por meio de terceiros, executam as atividades de serviços ambientais em áreas mantidas com cobertura de vegetação nativa ou sujeitas à sua recuperação.

A medida trará uma série de benefícios para a sociedade. Dentre elas, estão o aumento da disponibilidade hídrica, a conservação do solo, polinização, a observação de fauna e a apreciação de paisagens naturais, a conservação da biodiversidade, a manutenção e aumento dos estoques de carbono, entre outros.

Economia Verde

O ministério destaca que o Brasil possui o maior patrimônio de biodiversidade do mundo e tem potencial para se tornar um dos protagonistas mundiais de uma nova economia verde. Com o conceito de que cada árvore vale, a pasta vai trabalhar a regulamentação do mercado voluntário de serviços ambientais para que os projetos tenham segurança jurídica e garantia do seu pleno desenvolvimento.

O programa Floresta + também permite que os custos de cuidar da natureza sejam convertidos em benefícios. Poderão ser reconhecidas e beneficiadas em todo território nacional diversas categorias fundiárias, sejam elas áreas privadas, de preservação permanente e de uso restrito, assentamentos, terras indígenas ou unidades de conservação, desde que tenham atividades de proteção e conservação de recursos naturais.

Para isso, os próximos passos devem ser a criação de uma classificação econômica (CNAE) específica de serviços ambientais. Além disso, o MMA fará o reconhecimento e fomento de boas práticas metodológicas de valoração e validação dos atributos, benefícios e co-benefícios e disponibilizará o Cadastro Nacional de Serviços Ambientais para o registro das áreas, atividades e projetos de serviços ambientais para auxiliar sua divulgação e promoção.

Amazônia

Embora seja uma das regiões mais ricas do país, a Amazônia tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil. A falta de acesso as condições básicas de vida, como atendimento de saúde efetivo, água potável, tratamento de esgoto e energia elétrica e a ausência de dinamismo econômico elevam o desmatamento e prática de atividades ilegais na região. A expectativa é de que toda essa mudança de paradigma, as novas alternativas de renda e o ambientalismo de resultado tragam significativos ganhos para o desenvolvimento sustentável com foco na geração de emprego e renda.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente/ Portal GOV.BR

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Crise de extinção em massa “representa ameaça existencial à civilização”, dizem cientistas.

Um novo estudo conduzido por Gerardo Ceballos, da Universidade Nacional do México (México), Paul Erhlich, da Universidade de Stanford (EUA) e Peter Raven, do Jardim Botânico de Missouri (EUA) concluiu que o impacto humano tem levado centenas de animais selvagens à beira da extinção e que os ecossistemas regionais estão atualmente enfrentando um colapso.

A pesquisa observa que atividades como extração madeireira e caça furtiva diminuíram enormemente as populações de mais de 500 mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios em todos os continentes do globo, exceto a Antártica.

Essas espécies estão desaparecendo a uma taxa mais de 100 vezes maior do que a natural – e essa é mais uma evidência que sugere que o mundo está passando por sua sexta extinção em massa, desta vez não por causa de erupções vulcânicas massivas ou colisões de asteroides, mas sim por nossa própria culpa.

“Entramos na sexta extinção em massa. Com base em nossa pesquisa e no que estamos vendo, a crise de extinção é tão grave que qualquer coisa que fizermos nos próximos 10 a 50 anos é o que definirá o futuro da humanidade”, disse Ceballos à BBC.

Menos de 100 indivíduos na natureza

Para catalogar os animais em vias de extinção, os pesquisadores utilizaram dados da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla original) sobre espécies ameaças, bem como do Birdlife (a autoridade de aves da IUCN).

O trio identificou nada menos do que 515 espécies animais das quais menos de 100 indivíduos ainda resistem na natureza, incluindo o mico-leão-dourado, o lobo-etíope, o rinoceronte-de-java, a águia-imperial-ibérica, o papagaio-de-crista-amarela, o gavial (um tipo de crocodilo) e o sapo venenoso verde (Andinobates viridis).

Ameaça existencial

De acordo com cientistas, essa crise de extinção representa uma ameaça existencial à civilização, ao lado das mudanças climáticas e da poluição, fatores aos quais esse colapso está ligado.

Eles consideram a perda da biodiversidade uma realidade bastante ignorada pela maioria das pessoas, algo endossado pela professora Diana Fisher, da Universidade de Queensland (Austrália).

“O estudo merece atenção porque muitas pessoas não percebem o quanto a vida selvagem do mundo enfrenta uma extinção iminente. Eu concordo com os autores que essa crise de extinção precisa ser elevada a uma emergência igual à da mudança climática”, comentou.

Caso você ainda não tenha entendido a gravidade da situação, a atual taxa de extinção de espécies é a maior desde 66 milhões de anos atrás, quando a queda de uma rocha espacial na Terra extinguiu os dinossauros e muitas outras espécies.

“[A nova pesquisa] é uma confirmação ainda mais terrível de que estamos destruindo a vida em um ritmo e escala horríveis”, argumentou Euan Ritchie, da Universidade Deakin (Austrália).

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). [BBC]

Fonte: Hypescience

Medição global de CO2 atinge máxima recorde em maio apesar da pandemia.

Uma medição-chave das emissões de dióxido de carbono na atmosfera da Terra bateu recorde em maio, mesmo quando a pandemia global do novo coronavírus levou as economias do mundo a uma paralisação neste ano, de acordo com dados do governo dos Estados Unidos publicados nesta quinta-feira.

Ativistas protestam contra comérco de emissões de dióxido de carbono em Bonn 17/11/2017 REUTERS/Wolfgang Rattay
Foto: Reuters

O dióxido de carbono registrado no Observatório Mauna Loa, no Havaí, atingiu 417 partes por milhão (ppm) em maio, nível superior ao recorde de 414,8 ppm estabelecido no ano passado, de acordo com o anúncio da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, em inglês) e do Scripps Institution of Oceanography, um centro de pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego.

A queda nas emissões mundiais devido ao surto de Covid-19 –estimada em até 26% em alguns países durante o pico das quarentenas impostas pelos governos– falha em reduzir as grandes variações naturais nas emissões de carbono causadas pela maneira como as plantas e os solos reagem a temperatura, umidade e outros fatores, disseram os cientistas.

Seriam necessárias reduções de 20% a 30% de dióxido de carbono por seis a 12 meses para diminuir a taxa nas medições em Mauna Loa, informou o Scripps em comunicado.

No mês passado, uma pesquisa publicada na revista Nature Climate Change previu que as emissões globais poderiam cair em até 7% este ano.

“Isso diminuirá um pouco a taxa de aumento de CO2, mas ainda aumentará”, disse Pieter Tans, cientista-chefe do laboratório de monitoramento de gases de efeito estufa da Noaa, em entrevista. “Então, uma mudança de 10% –ainda é difícil para nós medir”.

Fonte: Terra

Holanda rejeita acordo Mercosul-UE por preocupação com Amazônia.

Para a maioria dos deputados holandeses, o acordo do Mercosul com a União Europeia (UE) provocaria maior desmatamento na Amazônia e nas reservas do Cerrado

(Bruno Kelly/Reuters)

A maioria dos deputados do parlamento holandês aprovou ontem moção contra a ratificação do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia (UE), anunciado no ano passado. A questão ambiental, relacionada à agricultura no Mercosul, foi o argumento central para o voto dos holandeses. Para os parlamentares, o acordo comercial não deve se concretizar.

Quase um ano depois da assinatura do acordo de livre-comércio entre os blocos, ele ainda não foi ratificado. A moção adotada pelo parlamento da Holanda foi apresentada pelos ecologistas do Partido pelos Animais (grupo verde europeu) e pede ao governo do país que se oponha ao tratado nas instâncias europeias.

A decisão foi comemorada pelos verdes europeus. O vice-presidente da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural no Parlamento Europeu, o eurodeputado português Francisco Guerreiro, do partido Pessoas, Animais Natureza (PAN), disse ao Estadão acompanhar a política ambiental do presidente Jair Bolsonaro para a Amazônia e que a preocupação com o desmatamento na região é um dos motivos pelos quais seu grupo defende a não ratificação do acordo pela UE.

Ao jornal francês Les Echos, a líder da bancada do Partido pelos Animais no parlamento da Holanda, Esther Ouwehand, explicou o significado da votação. “Pela primeira vez, a Câmara de representantes tomou uma posição clara contra o acordo comercial que o nosso governo era favorável. É verdadeiramente uma grande vitória para a Amazônia e para a agricultura regional sustentável.”

Para a maioria dos deputados holandeses, o acordo provocaria maior desmatamento na Amazônia e nas reservas do Cerrado, além de criar uma concorrência desleal para os agricultores europeus, que teriam de observar normas mais rígidas do que os de seus colegas sul-americanos. Os verdes também alegavam a proteção dos direitos humanos de povos indígenas e comemoraram o voto como uma “vitória para o clima”.

Em um país tradicionalmente liberal e voltado para o livre-comércio, o voto dos parlamentares holandeses foi uma virada. A oposição ao acordo uniu grupos políticos como os verdes, parte dos social-democratas e a direita populista, assim como os defensores dos agricultores. Analistas ouvidos pelo Les Echos afirmam que o voto holandês mostra a afirmação de um sentimento anti-livre comércio na Europa.

O governo holandês não informou o que deve fazer em razão do voto no parlamento. A finalização do processo de análise do acordo na Holanda não deve ocorrer antes do fim de 2020 e é possível que seja postergada para depois das eleições de março de 2021. Analistas também acreditam que seja pouco provável que o governo holandês peça à Comissão Europeia, em Bruxelas, que renegocie o acordo depois de 20 anos de discussão. Além da oposição holandesa, o parlamento austríaco também aprovou moção contrária ao acordo. No caso austríaco, ela obriga o governo austríaco a votar contra o pacto.

No Brasil, fontes que acompanharam as negociações do acordo entre os dois blocos consideram que a moção é um indicativo de que está em curso um aumento no protecionismo. Uma das fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast ressalta que a rejeição de um acordo nunca aconteceu e que a tendência é que o acordo só seja encaminhado para o Parlamento Europeu quando houver um consenso da aprovação nos bastidores. Provavelmente, isso acontecerá na presidência alemã na UE, o que é visto como positivo pelos sul-americanos, já que os alemães são favoráveis ao acordo.

UE e Mercosul estão ainda fazendo a revisão final do acordo anunciado em 28 de junho de 2019. Os dois blocos estão elaborando a versão do texto que será traduzido em todos os idiomas oficiais da União Europeia a fim de que ele seja submetido aos Estados-membros da UE e ao Parlamento Europeu.

Segundo o embaixador Rubens Barbosa, a expectativa era de que o acordo fosse assinado neste mês ou no próximo. “Ele será então encaminhado ao conselho europeu, que deve aprovar e mandar para Parlamento Europeu.” O passo seguinte será a análise do acordo em cada parlamento e pelos eurodeputados. Será nesse momento que os parlamentos vão se confrontar com as moções aprovadas.

Fonte: Exame

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Com silêncio da pandemia, vida selvagem aparece mais no litoral paulista.

Golfinhos, aves e baleias são avistados com mais frequência no litoral norte de São Paulo desde que o número de turistas e barcos diminuiu devido à covid-19. Monitoramento nas praias aponta redução da poluição.

Baleia-de-Bryde é avistada nas imediações de Ilhabela, na última semana de maio

O caminho pelas águas do canal de São Sebastião, no litoral norte paulista, nunca esteve tão tranquilo. O número de barcos e de turistas despencou com as medidas de restrição impostas pela pandemia do novo coronavírus. Mas o trabalho do biólogo Manuel Albaladejo não pode parar: duas vezes por semana, ele navega pela região para monitorar as praias.

O trajeto desta manhã inclui Ilhabela. A cada parada, Albaladejo observa se há resquícios de algum impacto da exploração de petróleo, feita pela Petrobras em plataformas instaladas no pré-sal. O biólogo é funcionário do Instituto Argonautas, contratado para executar o projeto de monitoramento que a petroleira tem que manter como condicionante de sua atividade na região.

No trajeto, alguns encontros, antes incomuns, têm ocorrido com mais frequência. Aves são vistas em praias vazias, golfinhos se deixam fotografar com mais facilidade. Com a diminuição do esgoto e do lixo, tartarugas até apareceram num dos rios mais poluídos do litoral norte, o Acaraú, em Ubatuba.

Com menos barcos circulando, baleias também se mostram mais à vontade. Durante o dia de monitoramento do Instituto Argonautas acompanhado pela DW Brasil, pelo menos duas baleias-de-Bryde foram avistadas, além de um tubarão-baleia.

Quando percebe, de longe, o sinal desses mamíferos na água, Albaladejo se apressa para fotografar. O registro ajuda a compor um banco de dados sobre o comportamento dos animais, feito ao longo dos cinco anos no contexto dessa iniciativa, chamada de Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

“A gente percebe uma maior proximidade da fauna, que está um pouco mais desinibida, inclusive os mamíferos, golfinhos…”, afirma Hugo Gallo Neto, oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta. “O que a gente percebe é uma maior proximidade deles, principalmente pela questão [da diminuição do fluxo] das embarcações”, complementa.

Alheia às restrições humanas, a vida marinha parece responder ao silêncio no mar.

Menos barulho, mais animais à vista

Em Ubatuba, o roteiro semanal, por barco e terra, inspeciona 103praias. Quando visualiza golfinhos nas proximidades de um rochedo, a equipe se esforça para registrar esses animais, que aparecem por frações de segundos e somem rapidamente.

A toninha, espécie de cetáceo avistada neste dia de monitoramento, é o golfinho em maior risco no Atlântico Sul e pode vir a se extinguir da costa brasileira. “Ele é muito ameaçado, e isso se deve principalmente à pesca acidental desses animais”, comenta Tami Albuquerque, bióloga.

Golfinhos nas região de Ubatuba: “A fauna está um pouco mais desinibida”, diz oceanógrafo

Alguns minutos depois, é a vez de um um grupo de botos-cinza emergir. “Esses a gente vê mais aqui na região. Eles colocam mais o corpo para fora, aparecem mais vezes, diferentemente da toninha”, explica a bióloga.

A ciência mostra que o tráfego de embarcações, por seu ruído, influencia a vida marinha. “Vários estudos apontam que a movimentação de barcos, só por acontecer, tem impacto significativo principalmente em baleias e golfinhos”, afirma Guilherme Longo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Liliane Lodi, especialista em mamíferos marinhos do Projeto Baleias e Golfinhos do Rio de Janeiro, pontua que esses animais são bastante reativos ao barulho. “Nessa situação de pandemia, espera-se que o ruído dos oceanos, com menos barcos, esteja mais baixo, o que diminui o estresse desses animais, que têm uma audição extremamente sensível”, explica à DW Brasil. Menos estressados, eles parecem ter menos temor de aparecer.

Petróleo e vida marinha

Desde que passou a funcionar, em 2015, o projeto de monitoramento das praias feito pelo Instituto Argonautas praticamente não registrou ocorrência de animais afetados pela indústria de petróleo e gás na região.

Esse tipo de exploração na chamada Bacia de Santos, que se estende de Cabo Frio (RJ) a Florianópolis (SC), começou com força em outubro de 2010 e conta atualmente com 14 plataformas – cinco delas no litoral paulista, segundo a Petrobras.

No entanto, a falta de ocorrências graves desde 2015 não significa que problemas não possam ocorrer. Uma série de estudos publicados no Atlas de Sensibilidade do Litoral Paulista a Derramamentos de Petróleo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostra que o litoral paulista é especialmente vulnerável.

“Inserido na Bacia de Santos, é particularmente suscetível a derramamentos de óleo, visto que, entre outros pontos, tem em suas águas adjacentes o maior fluxo de navios petroleiros do país, contém o maior terminal marítimo para óleo e derivados de petróleo do Brasil e está sob a influência de uma complexa rede de oleodutos instalada na planície costeira e na Serra do Mar adjacente”, afirma o documento, coordenado pelo pesquisador Dimas Dias-Brito.

Desde a década de 1970, algumas centenas de ocorrências de derramamentos foram registradas na costa paulista, com danos sofridos em pelo menos 84 praias em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, segundo o atlas.

Lixo e temporada das baleias jubarte

Nos últimos anos, os maiores impactos causado pelo homem observado na região provêm do lixo plástico e da pesca predatória ou incidental. “Isso causa a mortalidade de fauna, inclusive aquelas [espécies] ameaçadas de extinção”, diz o oceanógrafo Hugo Gallo Neto.

Esse tipo de poluição e redes de pesca perdidas são uma armadilha: há diversos casos de baleias e golfinhos que morrem após ingestão em grande quantidade de plástico, alerta o Instituto Baleia Jubarte.

É justamente nesta época do ano, depois de partirem da região da Antártida, que baleias jubarte passam pelo litoral paulista rumo a Abrolhos, onde se reproduzem.

Albaladejo está animado para a temporada. Ele, que viu uma baleia pela primeira vez em 1998, diz que o reencontro é sempre emocionante. “Avistar um animal desse tamanho no mar é muito marcante. Cada vez que a gente vê uma baleia por aqui, é como se a esperança fosse renovada”, diz.

Fonte: Deutsche Welle

Brasil reduz orçamento de combate a mudanças climáticas.

De janeiro a maio de 2019, o valor alocado foi de 17,4 milhões de reais contra 5,3 milhões de reais até agora em 2020

Os esforços para manter a floresta amazônica em pé e reduzir as emissões de gases do efeito estufa no Brasil estão sendo dificultados por cortes no orçamento para o órgão ambiental do país e seu principal programa de mudanças climáticas, disseram pesquisadores.

O Brasil tem visto um forte aumento no desmatamento sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, com menos da metade dos inspetores florestais que tinha há uma década e a pandemia de covid-19 se espalhando rapidamente pela região amazônica.

Em comparação com 2019, os primeiros cinco meses de 2020 registraram uma queda substancial nos gastos do governo em atividades de inspeção florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De janeiro a maio de 2019, o valor alocado foi de 17,4 milhões de reais contra 5,3 milhões de reais até agora em 2020, segundo dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), organização sem fins lucrativos que analisa o orçamento público por mais de 30 anos.

O financiamento para atividades do plano nacional de mudanças climáticas do Brasil também foi reduzido, de 436 milhões de reais em 2019 para 247 milhões de reais em 2020, uma queda de mais de 40%, mostrou a pesquisa do Inesc.

O plano climático, liderado pelo Ministério do Meio Ambiente, visa cumprir o compromisso internacional do Brasil sob o Acordo de Paris de 2015 de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% em relação aos níveis de 2005 até 2025 e uma “redução pretendida” de 43% até 2030.

As medidas do plano incluem aumentar a energia renovável, reduzir o desmatamento ilegal na Amazônia a zero até 2030 e restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas na próxima década –metas que foram definidas em 2015 pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

No entanto, o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, um instrumento financeiro essencial para a implementação do plano climático do governo, teve gasto zero em 2019 e até agora em 2020, segundo o Inesc.

E o Fundo Amazônia, no qual Noruega e Alemanha desembolsavam verbas pela proteção florestal, está paralisado desde janeiro de 2019, depois que o Ministério do Meio Ambiente mudou a estrutura de governança do fundo e os doadores retiveram novos desembolsos.

Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc, disse que o encolhimento do orçamento para medidas climáticas e proteção florestal está “de acordo com” os discursos e decisões administrativas de Bolsonaro, como a substituição de técnicos por militares.

“Tudo isso configura um esvaziamento da política ambiental com consequências visíveis”, disse ela.

Para Suely Araújo, cientista política da Universidade de Brasília e ex-presidente do Ibama, a redução de recursos para combater as mudanças climáticas aponta para a falta de interesse do governo pelo problema.

“O orçamento é um espelho das prioridades governamentais. Se o dinheiro está diminuindo, significa que o governo está dando menos atenção para aquele tema, o que é muito preocupante”, disse Araújo.

“Acusado injustamente”

Ao mesmo tempo em que o governo federal tem cortado recursos para a ação climática, Bolsonaro aprovou uma operação militar para ajudar a proteger a Amazônia e evitar incêndios.

Com um custo de 60 milhões de reais por apenas um mês, até 10 de junho, e envolvendo 3.800 militares, o objetivo é “combater ilegalidades na Amazônia”, segundo o Conselho Nacional da Amazônia, organizado por Bolsonaro.

A previsão do orçamento de inspeção do Ibama para todo o ano de 2020 não é muito maior, de 77 milhões de reais, segundo o Inesc.

Para ser eficaz, o policiamento do desmatamento requer uma série de medidas diferentes ao longo do tempo, em vez de colocar um grande número de pessoas em locais específicos por algumas semanas, disse Araújo.

Uma porta-voz do Ministério da Defesa afirmou que a operação militar é importante porque “o Brasil é injustamente acusado de não cuidar da Amazônia”.

Para o Ministério da Defesa, essa ação coordenada “demonstra claramente a firme determinação do Brasil em preservar e defender a Amazônia”, disse ela à Thomson Reuters Foundation.

No entanto, o desmatamento na área brasileira da Amazônia nos primeiros quatro meses de 2020 aumentou 55% em relação a um ano atrás, segundo dados preliminares do governo.

Em um vídeo que o Supremo Tribunal Federal determinou que fosse divulgado em maio, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu ao governo que promovesse uma maior desregulamentação da política ambiental, enquanto as pessoas estão com as atenções voltadas à pandemia de coronavírus.

O Ibama e o Ministério do Meio Ambiente não responderam aos pedidos de comentários da Thomson Reuters Foundation.

Fonte: EXAME

Temporada de queimadas começa com alta nos registros de incêndios no Pampa, Pantanal e Mata Atlântica.

Os três biomas apresentaram aumento no total de focos no ano: Pampa, 343%; Pantanal, 186% e Mata Atlântica, 44%. Na Amazônia, que teve explosão dos registros em 2019, queda foi de 35%.

Desmatamento foi feito com a queimada de grande área da unidade de preservação da Mata Atlântica na Grande João Pessoa — Foto: Divulgação/MPPB

A temporada de queimadas no Brasil, que em geral vai de maio/junho a setembro/outubro, começa este ano com o aumento percentual de focos de incêndio no Pampa, Pantanal e Mata Atlântica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Em termos absolutos, a Amazônia é o bioma com maior número de focos de incêndios, antes mesmo do início da estação mais seca do bioma. Entretanto, na Amazônia, o acumulado no ano é inferior ao verificado em 2019.

A falta de chuva registrada nesses biomas pode ser apontada como um dos motivos para o aumento no número de incêndios – e a previsão de estiagem sinaliza uma possível piora da situação, caso os focos não sejam fiscalizados e controlados.

O maior aumento percentual foi registrado no Pampa, no Sul do país. O registro de focos de incêndio de 1º de janeiro a 1º de junho deste ano teve aumento de 343% – 917 no período em 2020 contra 207 nos mesmos meses de 2019.

No Pantanal, foram 2.128 focos de incêndio neste ano, aumento de 186% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 742 focos no bioma. Na Mata Atlântica, o aumento foi de 44% – foram 3.479 focos este ano contra 2.395 no mesmo período de 2019.

Queimadas na Amazônia

Na Amazônia, de 1º de janeiro a 1º de junho deste ano, foram registrados 5.655 focos de incêndio – queda de 35% em relação ao mesmo período de 2019.

Com o aumento dos alertas de desmatamento nos primeiros meses de 2020, a preocupação é que a vegetação seja queimada nos próximos meses. O fogo é parte da estratégia de “limpeza” do solo que foi desmatado para depois ser usado na pecuária ou agricultura. É o chamado “ciclo de desmatamento da Amazônia”.

“90% de tudo que vai queimar está pela frente ainda. Se vai aumentar ou diminuir depende de diversos fatores, como o clima e a fiscalização. Depende de como os fiscais vão atuar, uma vez que todos os desmatamentos e queimadas são ilegais, seja contra a legislação federal, estadual e municipal. Para se ter uma ideia do impacto da fiscalização, em outubro de 2019 houve o menor registro histórico de focos de incêndio na Amazônia. Isso coincide com a operação Brasil Verde, instituída com decreto pelo governo federal, com uso das Forças Armadas na Amazônia”, afirma Alberto Setzer, coordenador do programa de monitoramento de queimadas do Inpe.

A operação na região amazônica durou dois meses, de setembro a outubro de 2019. Dez mil soldados combateram quase dois mil focos de queimadas na floresta. Em novembro, após a saída do Exército, os índices de desmatamento e queimada voltaram a crescer na região.

Incêndios no Pantanal

Os meses de março e abril de 2020 tiveram recorde de incêndios no Pantanal e maio registrou índice acima da média história, de acordo com os dados do Inpe.

Em março de 2020, foram 602 focos no bioma – o máximo já registrado havia sido 141 focos, em março de 2004. Abril teve pico de 784, acima do recorde anterior, de 525 focos no mesmo mês em 2009. Maio teve 313 focos, acima da média histórica para o mês, que é de 106 focos no bioma.

“Esses incêndios têm origem diferentes, como acampamento de pescadores, fazendas manejando fogo na hora errada, queima de áreas para fazer roça. Não tem apenas um culpado, são vários que deixaram de considerar as condições climáticas para chegarmos na situação atual” afirmou o presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo, que combatia o fogo na região em abril deste ano.

Previsão climática

A estimativa para o trimestre de junho, julho e agosto é de chuvas abaixo da média para os estados do Centro-Oeste, Minas Gerais, oeste da Bahia e Rondônia, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), também do Inpe.

Em grande parte dos estados da Amazônia, a baixa média de chuvas, comum para o período, deve se manter. A temperatura deve se manter na média ou acima dela em grande parte do país, exceto para o Sul.

Fiscalização e multas

A organização Human Rights Watch (HRW) alerta que as multas por crimes ambientais estão praticamente paralisadas desde outubro do ano passado, quando um decreto do governo Jair Bolsonaro estabeleceu que as multas deveriam ser revistas em audiências de conciliação.

De acordo com HRW, agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicaram desde outubro milhares de multas por desmatamento ilegal e outras infrações no Brasil. No entanto, em apenas cinco casos foi imposta aos infratores a obrigação de pagar multa.

Segundo a ONG, só em 2020, as multas emitidas podem chegar a R$ 412 milhões.

Queimadas têm aumento no Sul de Minas — Foto: Reprodução/EPTV

Fonte: G1